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HYPERCHOLESTEROLEMIA
IN RABBIT INDUCES INCREASE IN THICKNESS OF THE PENILE TUNICA ALBUGINEA
CLÁUDIO TELÖKEN,
MÍRIAM DAMBROS, DOUGLAS BONHENBERGER, MARINA ROSA FILHA, RAFAEL DE CONTI,
CARLOS ARY VARGAS SOUTO
Division
of Urology, Federal Foundation School of Medicine, Porto Alegre, RS, Brazil
ABSTRACT
Introduction
and Objective: Hypercholesterolemia and other vascular risk factors for
atherosclerose are commonly associated with impotence. The main purpose
of this study is to determine the possible effects of the hypercholesterolemic
diet in the following parameters: a)- the thickness of rabbit penile albuginea
tunica; b)- surface of smooth muscle cells in the corpora cavernosa; c)-
blood analysis of cholesterol and testosterone.
Methods: Twenty-seven, 8 weeks old New Zealand
male rabbits were randomly divided into 3 groups: group-1: the animals
were treated with standard diet (low cholesterol) during 10 weeks; group-2:
the animals were treated with hypercholesterolemic diet (high cholesterol)
during 5 weeks; group-3: the animals were treated with hypercholesterolemic
diet during 10 weeks. After the period determined, the animals were sacrificed
and the penises were dissected. The morphologic characteristics of the
penis and the blood levels of cholesterol, triglycerides and testosterone
were determined. The morphometric analysis was performed with the aid
of a computed system.
Results: The main penile size in the control
group (group-1) was 2.45 cm, in group-2 was 2.54 cm, and in group-3 was
2.56 cm. There was no statistically significant difference between the
groups. The main thickness of the penile tunica albuginea and the surface
of smooth muscle cells were 767.1mm and 139834 mm2 in the control group,
810.2 mm and 142344 mm2 after 5 weeks with hypercholesterolemic diet and
1045.3 mm and 145345 mm2 after 10 weeks with hypercholesterolemic diet,
respectively. The statistic analysis showed increase in the tunica albuginea
after 10 weeks in the animals with hypercholesterolemic diet. The blood
levels of cholesterol and testosterone were 100 mg/100 ml and 168.4 ng/dl
in the control group, 103.4 mg/100 ml and 217 ng/dl after 5 weeks with
hypercholesterolemic diet and 314.1 mg/100 ml and 1097 ng/dl after 10
weeks with hypercholesterolemic diet, respectively.
Conclusion: A period of 10 weeks of hypercholesterolemic
diet induced increase of the thickness of rabbits penile tunica albuginea
and increase in the blood levels of cholesterol and testosterone.
Key words:
penis; corpus cavernosum; hypercholesterolemia; tunica albuginea; rabbits
Braz J Urol, 26: 535-540, 2000
INTRODUÇÃO
A
ereção peniana é um fenômeno multifatorial
que envolve vários sistemas. Fatores que alteram qualquer um destes,
podem contribuir para a disfunção erétil. Os principais
fatores de risco envolvidos são o fumo, diabetes, hipertensão
arterial sistêmica e hipercolesterolemia (1). Entretanto, dúvidas
existem sobre a fisiopatogenia da disfunção erétil
orgânica. A incidência de impotência masculina orgânica
atinge índices de 50% na população com 50 anos (1),
porém estes valores vão aumentando nos grupos mais velhos.
O aumento na freqüência de impotência
com a idade tem sido associada às alterações arteroscleróticas
nas artérias do pênis (2). Estudos em animais têm demonstrado
diminuição do relaxamento dos vasos sangüíneos
da musculatura lisa dos corpos cavernosos, decorrente de alterações
no endotélio dos vasos, causados pela hipercolesterolemia (3).
O mecanismo da disfunção do endotélio, assim como
os efeitos da hipercolesterolemia na musculatura lisa e na túnica
albugínea do corpo cavernoso não foram completamente elucidados.
A túnica albugínea peniana
é uma espessa e não distensível bainha que envolve
os corpos cavernosos. Possui papel importante no mecanismo de ereção
e afecções desta túnica podem ser responsáveis
por quadros de disfunção sexual (4).
O propósito deste estudo é
demonstrar os efeitos da dieta hipercolesterolêmica nas características
morfométricas do pênis de coelhos.
MATERIAL E MÉTODOS
O
estudo foi desenvolvido no período de janeiro a agosto de 1999.
Animais: foram utilizados 27 coelhos machos
da raça Nova Zelândia, com idade de 80 dias no início
do experimento. Foram divididos, de forma randomizada, em 3 grupos:
Grupo-1: composto por 7 coelhos que receberam
durante 10 semanas dieta purina padrão para a idade e raça.
Grupo-2: composto por 10 coelhos que receberam
durante 5 semanas dieta hipercolesterolêmica.
Grupo-3: composto por 10 coelhos que receberam
durante 10 semanas dieta rica em colesterol.
Dieta: Dieta purina era composta por ração
rica em sais minerais e proteínas, com baixos índices de
colesterol.
A dieta hipercolesterolêmica constitui-se
de ração purina acrescida de 0.5% de colesterol puro e 4%
de gordura animal, foi preparada semanalmente pelos pesquisadores.
Foi fornecido aproximadamente 150 gr de
ração/ diariamente para cada coelho e água livremente.
Experimento: Os animais receberam durante
o período pré determinado a dieta para cada grupo. Após,
foram anestesiados com tiopental intra-peritonial (5 mg/100 gr de peso)
e coletado sangue venoso da orelha para dosagem sérica de testosterona
total, colesterol total e triglicerídios. Foram sacrificados no
mesmo momento, com 5 ml de cloreto de potássio a 10% intra cardíaco.
Realizado, então, amputação peniana ao nível
das glândulas de Cowper. O pênis foi pesado com balança
eletrônica e mensurado através de um paquímetro (3
medidas). Após coloração com hematoxilina e eosina
foram quantificadas a espessura da túnica albugínea e a
área correspondente a musculatura lisa do corpo cavernoso. Para
tal foi utilizado o computador Leica 500 para a análise morfométrica.
Este consta de um software que permite a avaliação histomorfométrica
quantitativa e qualitativa. A lâmina histológica em estudo
é demonstrada no monitor do computador. Marca-se a extensão
que deseja-se mensurar, através de uma régua que é
apresentada na barra de ferramentas do software, e obtém-se o valor
da medida. Na mensuração da albugínea, o procedimento
foi repetido em 3 locais diferentes da túnica, e realizado uma
média aritmética para aproximar-se mais fielmente do valor
real da sua espessura no animal em estudo. A área correspondente
ao músculo liso foi avaliada da seguinte forma: selecionou-se a
cor que representava o músculo na coloração utilizada
e solicitou-se a mensuração desta área. O procedimento
foi repetido 3 vezes e realizado média aritmética dos resultados.
Análise estatística: a comparação
envolvendo variáveis independentes foi feita utilizando o teste
do Qui quadrado com fator corretivo de Yates. Para identificar contraste
entre grupos foi utilizado teste de Duncan. Os resultados foram considerados
significativos quando p < 0.05.
RESULTADOS
Os
resultados estão dispostos a seguir conforme os grupos delineados
previamente na metodologia:
Grupo-1 (grupo controle) (Tabela-1).

Os
animais tiveram um aumento do peso corporal total de aproximadamente 620
gr no final do experimento. A média do comprimento e peso penianos
foi 2.45cm e 0.46 gr, respectivamente. A média da área correspondente
ao músculo liso do corpo cavernoso foi 139834 mm2 e da espessura
da albugínea foi 767.1mm (Figura-1). A dosagem sérica da
testosterona foi 168.4 ng/dl, o colesterol total 100 mg/100 ml e os triglicerídios
98.2 mg/100ml (médias).

Grupo-2
(5 semanas de dieta hipercolesterolêmica) (Tabela-2).

O
aumento médio do peso neste grupo, no final do estudo, foi de 1070
gr. A média do comprimento e peso penianos foi 2.54 cm e 0.48 mg,
respectivamente. A área do músculo liso e a espessura da
túnica albugínea foi 142344 mm2 e 810.2 mm, respectivamente.
A média da dosagem da testosterona foi 217 ng/dl, o colesterol
total 103.4 mg/100 ml e os triglicerídios 114.6 mg/100 ml.
Grupo-3 (10 semanas de dieta hipercolesterolêmica)
(Tabela-3).

A
média do aumento do peso dos animais foi 920 gr, do comprimento
peniano foi 2.56cm e o peso do pênis foi 0.47gr. A área média
do músculo liso do corpo cavernoso e a espessura da albugínea
foi 145345 mm2 e 1045.3mm (Figura-2), respectivamente. O valor médio
da testosterona foi 1097ng/dl, do colesterol 314.1 mg/100 ml e triglicerídios
totais 122.2 mg/100 ml, respectivamente.

A
análise estatística comparativa entre os grupos não
evidenciou alterações significativas no peso e comprimentos
penianos; assim como, na área correspondente ao músculo
liso cavernoso e dosagem de triglicerídios. Houve aumento significativo
(p < 0.05) na espessura da túnica albugínea somente após
10 semanas de dieta rica em colesterol. Os níveis de testosterona
e colesterol total foram significativamente maiores neste mesmo grupo.
DISCUSSÃO
Este
estudo demonstra os efeitos da dieta rica em colesterol no pênis
de coelhos, colaborando com outras pesquisas que vêm surgindo, que
procuram esclarecer a fisiopatogenia da disfunção erétil
masculina.
Jünemann, em recente trabalho, avaliou
a ação da dieta hipercolesterolêmica no pênis,
demonstrando uma diminuição da membrana basal e diminuição
dos contatos da membrana entre as células, interferindo com a transmissão
intercelular da excitação (1). Constatou também uma
diminuição da área correspondente a musculatura lisa
cavernosa, fato este não identificado neste estudo, talvez pelo
método de mensuração utilizado pelos autores, microscopia
óptica associada a computador Leica neste e eletrônica naquele.
Este mesmo estudo demonstrou, associado as fibras musculares diminuídas,
um aumento da densidade do tecido conectivo do corpo cavernoso (1). Comparativamente,
detectamos em nossa pesquisa, aumento da espessura da túnica albugínea
após 10 semanas de dieta acrescida de colesterol, podendo corresponder
a ação do colesterol no tecido conectivo, tornando-o mais
denso, com perda da distensibilidade.
Recentemente, tem ocorrido um crescente
interesse pelo estudo da forma estrutural e funcional da túnica
albugínea, bem como seu papel no mecanismo da ereção
peniana (4,5). Tais fatos ainda não foram totalmente compreendidos,
necessitando ainda estudos maiores nesta área.
A túnica albugínea é
formada por fibras elásticas e colágeno, estando envolvida
com o mecanismo da ereção, participando das etapas de extensibilidade,
complacência e venoclusão (6). As fibras colágenas
possuem elasticidade limitada devido a sua configuração
molecular, as elásticas, as quais são compostas de elastina
e microfibrilas, podem alongar-se até 150% a mais do seu tamanho
inicial (7). Defeitos nestas fibras alteram a hemodinâmica e complacência
do pênis, podendo levar à disfunção erétil
(8).
Demonstramos, pela análise morfométrica,
espessamento da albugínea na vigência de níveis elevados
de colesterol. Seria o espessamento um dos fatores responsável
pelo mecanismo da disfunção erétil em homens hipercolesterolêmicos?
A hipercolesterolemia estimula a produção
de testosterona tanto pela glândula supra-renal quanto pelo testículo
(9,10). Elevados níveis de testosterona associados ao aumento do
colesterol sérico parecem piorar o mecanismo de relaxamento endotelial,
porém este comportamento não foi reproduzido quando analisado
independentemente a ação da testosterona e do colesterol
sobre os vasos sangüíneos (11). Neste estudo constatamos aumento
da testosterona no grupo com alterações da albugínea,
haveria então um mecanismo direto ou indireto da testosterona,
quando em níveis supra fisiológicos, em induzir espessamento
da túnica?
Ao longo do tempo tem-se procurado determinar
a fisiopatogenia da disfunção erétil com o intuito
de poder melhor tratar os indivíduos que possuem incapacidade de
obter relações sexuais satisfatórias. Frente a isto,
estudos experimentais comparando diferentes fatores de riscos e suas alterações
no pênis têm colaborado para este fim, portanto devem ter
sua prática estimulada.
CONCLUSÃO
A
dieta hipercolesterolêmica, por um período mínimo
de 10 semanas, foi responsável pelo aumento dos níveis séricos
de testosterona e do colesterol total. Houve também um espessamento
significativo da túnica albugínea que envolve os corpos
cavernosos. Não constatamos alterações na área
correspondente ao músculo liso do corpo cavernoso ou diferenças
no peso e comprimento penianos.
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_______________________
Received: January 27, 2000
Accepted after revision: August 8, 2000
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Correspondence address:
Dra. Míriam Dambros
Rua Lindolfo Alves de Almeida, 228
95530-000, Maquiné, RS, Brazil
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