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ENDOPYELOTOMY IN
TRANSPLANTED KIDNEY
DAVI V. S. ABE,
M. ZERATI FILHO, CLEVERSON L. R. D’ÁVILA
Institute
of Urology and Nephrology, São José do Rio Preto, SP, Brazil
ABSTRACT
Objective:
To report a case of ureteropelvic junction stenosis in a transplanted
kidney treated with percutaneous endopyelotomy.
Case report: A 28 year-old female with chronic
renal failure had a haploidentical kidney transplant. After the transplantation,
she had an uneventful postoperative evolution with normal serum creatinine
levels after hospital discharge. Four months after transplantation the
patient developed recurrent episodes of acute pyelonephritis. Intravenous
urogram and radioisotopic studies showed ureteropelvic junction stenosis.
The patient was treated with percutaneous endopyelotomy. Six months after
treatment there was no recurrence of urinary tract infection. Intravenous
urogram and radioisotopic studies were normal.
Comments: The open surgery is the gold standard
approach for treatment of ureteropelvic stenosis in transplanted kidneys,
nevertheless, it carries significant morbidity. The increased development
and interest in minimally invasive techniques led u to perform percutaneous
endopyelotomy in this case. The procedure was feasible and safe and presented
good results. More studies with additional number of patients and long
term follow up are necessary to confirm the safety and the favorable outcome
of this procedure in transplanted kidneys.
Key words:
kidney; kidney transplantation; percutaneous procedures; endopyelotomy
Braz J Urol, 27: 554-556, 2001
INTRODUÇÃO
As
complicações urológicas do transplante renal acometem
aproximadamente 7.1% dos casos, sendo as fístulas ureterais as
mais freqüentes, apesar de existirem trabalhos relatando as estenoses
como mais freqüentes, predominando a estenose do ureter distal (1).
A estenose da junção uretero-piélica (JUP) é
rara e o tratamento mais empregado é a correção cirúrgica
aberta. Relatamos um caso de estenose de JUP tratada por via endoscópica
percutânea realizada sem dificuldades e com bom resultado em seguimento
de seis meses.
RELATO
DO CASO
Portadora
de insuficiência renal crônica por glomerulopatia com antecedentes
de infecção urinária de repetição e
tuberculose renal, comprovada laboratorialmente e tratada adequadamente,
quando necessitou nefrectomia esquerda em outro serviço. Exames
de controle e seguimento demonstravam resolução da tuberculose.
Realizado transplante renal, doador vivo-relacionado, implantando-se o
rim direito em fossa ilíaca direita. Não havia sinais de
alteração anatômica da JUP do rim doado pela urografia
excretora. Evoluiu com função renal normal, porém,
com episódios de pielonefrites agudas a partir do quarto mês
pós-operatório, caracterizadas por febre, dor no local do
enxerto e urocultura positiva. Submetida a antibioticoprofilaxia contínua
com norfloxacina 400 mg ao dia, permaneceu assintomática.
A ultra-sonografia demonstrou enxerto com
parênquima preservado e moderada ectasia do sistema pielocalicinal.
A cistouretrografia miccional foi normal. Realizada urografia excretora,
que demonstrava grande dilatação pielocalicinal (Figure-1)
e cintilografia renal que comprovava a estenose de JUP.
Submetida a endopielotomia percutânea,
através de punção no cálice médio com
auxílio de fluoroscopia. Dilatado o trajeto até 28F, passada
a bainha de Amplatz e o nefroscópico, identificando a JUP, que
apresentava estenose. Passado fio-guia até a bexiga, sendo realizada
incisão profunda na JUP, com faca de Sachse em direção
cranial até a visualização de gordura peripiélica.
Foi deixada nefrostomia e cateter ureteral duplo-J, que foram retirados
em 4o. e 21o. dias pós-operatórios, respectivamente.
A antibioticoprofilaxia foi mantida por
três meses, quando a urografia excretora de controle demonstrou
melhora significativa da dilatação pielocalicinal com a
JUP pérvia (Figure-2) e a cintilografia renal, ausência de
obstrução. Em seguimento de 6 meses, apresenta-se bem, sem
infecções urinárias.
DISCUSSÃO
A
estenose de JUP como complicação pós-transplante
renal é rara e pode ser atribuída a alguns fatores: isquemia,
compressão extrínseca e acotovelamento ureteral entre outros
(1).
A correção mais empregada
na estenose de JUP em rim transplantado é a cirurgia aberta: ureteropieloplastia
e pieloureterostomia com ureter primitivo (1). Entretanto, as complicações
destes procedimentos não são insignificantes, destacando-se
as infecções de ferida, perda do enxerto e re-estenose,
havendo óbito em 8 a 21% dos casos (2). Desta maneira, tem crescido
o interesse pela abordagem minimamente invasiva, já realizada em
outros serviços com resultados promissores e menor índice
de complicações (2,3). Nossa experiência com este
caso vem reforçar esta tese, porém, casuísticas maiores
e seguimento mais prolongado são necessários para confirmar
esta idéia.
REFERÊNCIAS
- Shoskes
DA, Hanbury D, Cranston D, Morris PJ: Urological complications in 1000
consecutive renal transplant recipients. J Urol, 153:18-21, 1995.
- Conrad
S, Schneider AW, Tenschert W, Meyer-Moldenhauer W-H, Huland H: Endo-urological
cold-knife incision for ureteral stenosis after renal transplantation.
J Urol, 152: 906-909, 1994.
- Williams
SG, McVicar JP, Low RK: Endopyelotomy for treatment of ureteropelvic
junction obstruction caused by torsion of a renal allograft. J Urol,
161: 1560-1561, 1999.
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Received:
March 3, 2001
Accepted after revision: September 29, 2001
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