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URACHAL ADENOCARCINOMA
FERNANDO P. ESTEVES,
ANTÔNIO C. PINTO, ADRIANO F. C. PINTO
Departament
of Morphology, Medical School, Santa Casa de São Paulo, São Paulo, SP,
Brazil
ABSTRACT
Introduction:
Urachal adenocarcinoma is a relatively rare neoplasia, representing 0.5
to 2.0% of all primary malignant tumors of the bladder. The tumor is originated
from the proximal segment of the urachus, close to the bladder, which
occasionally can be involved, resulting in hematuria and irritative voiding
symptoms.
Case Report: A 45-year-old woman presented
with a history of an inflammatory process in the hypogastric area. After
surgical drainage, the inflammatory process diminished, but a cutaneous
fistula developed. A magnetic resonance imaging demonstrated the presence
of an intrapelvic lesion, close to the inferior abdominal wall. The patient
underwent a partial cistectomy and the histopathological examination of
the excised mass revealed an adenocarcinoma arising from the urachus.
At 18 months follow-up the patient has been clinically stable, with no
signs of local or systemic recurrence.
Discussion: Recent studies demonstrated
that the best surgical option for urachal adenocarcinoma is partial cystectomy
with excision of the umbilicus. This procedure presented the same recurrence
rates of radical cistectomy with less morbidity and better quality of
life.
Key words:
urachus; adenocarcinoma; bladder; bladder neoplasms
Braz J Urol, 27: 560-562, 2001
INTRODUÇÃO
O
adenocarcinoma de úraco é uma neoplasia incomum, que se
origina na porção justavesical do úraco e muitas
vezes invade o teto da bexiga (1). Dentre os tumores malignos primários
de bexiga os adenocarcinomas são os mais raros, representando apenas
0.5 a 2% do total. Destes, 20 a 30% se originam no úraco, sendo
responsáveis por 95% de todas as neoplasias primárias de
úraco (1). A doença se apresenta principalmente nas faixas
etárias de 40 a 70 anos e em indivíduos do sexo masculino
(65%) (2). O presente artigo tem o objetivo de relatar o diagnóstico
e tratamento de uma paciente com adenocarcinoma de úraco.
RELATO
DO CASO
MMPJ,
45 anos, feminina, branca, com história de processo inflamatório
em parede abdominal, acompanhado de dor e abaulamento no hipogástrio.
Após drenagem da região, evoluiu com melhora do quadro inflamatório,
porém com manutenção da dor e formação
de fístula cutânea. A ultra-sonografia evidenciou lesão
cística e a ressonância magnética nuclear (Figure-1)
mostrou lesão expansiva de aspecto nodular intrapélvica
junto à parede abdominal inferior, comprimindo a parede anterior
da bexiga.
A paciente foi submetida à exploração
cirúrgica, sendo encontrado uma massa de arranjo cístico,
medindo 8.5 x 5 x 3.8 cm, que foi ressecada juntamente com a cúpula
da bexiga. O diagnóstico anátomo-patológico demonstrou
adenocarcinoma de úraco, moderadamente diferenciado, produtor de
muco, grau-II de diferenciação (Figure-2). Dezoito meses
após o tratamento a paciente mantém-se clinicamente estável,
sem evidências de recidiva local ou sistêmica da doença.
DISCUSSÃO
Os
adenocarcinomas de úraco estão geralmente associados a mau
prognóstico, já que sua localização permite
a proliferação silenciosa da doença antes de sua
detecção (2). A origem desses tumores é incerta;
uma das teorias descreve que células transicionais do úraco
podem sofrer metaplasia gerando o adenocarcinoma; a outra defende que
este tumor pode se originar de inclusões de epitélio intestinal
que permaneceram no úraco após o desenvolvimento embriológico
(1).
Os principais sintomas encontrados nos pacientes
com este tipo de tumor são hematúria, dor, sintomas irritativos
e mucosúria (2). Os casos com invasão vesical são
geralmente visíveis a cistoscopia, ao passo que os casos confinados
ao úraco podem ser evidenciados por exames de imagem, como a tomografia
computadorizada e a ressonância magnética nuclear, estes
realizados a partir de achados clínicos como dor ou abaulamento
local, presentes no relato de caso em questão.
O estadiamento existente foi proposto por
Sheldon et al.(2): Grau I confinado à mucosa; Grau II
invasivo, mas confinado ao úraco; Grau III invasivo para
bexiga (IIIA), parede abdominal (IIIB), peritônio (IIIC) ou outras
vísceras (IIID); IV metástases linfonodais; Grau
V metástases à distância.
Com relação ao tratamento,
este deve ser cirúrgico uma vez que não existe utilidade
comprovada do uso de terapias adjuvantes (quimio ou radioterapia). Existem
controvérsias a respeito do melhor procedimento cirúrgico;
apesar de estudos mais antigos (2) sugerirem a cistectomia radical como
melhor opção de tratamento, os trabalhos mais atuais mostram
ser factível a opção pela cistectomia parcial com
excisão do umbigo (principalmente no tratamento de adenocarcinomas
em estágio inicial). Esta conduta cirúrgica, ao mesmo tempo
em que proporciona melhor qualidade de vida para o paciente, apresenta
taxas de morbidade e mortalidade semelhantes àquelas da cistectomia
total (1,3).
REFERÊNCIAS
- Henly
DR, Farrow GM, Zincke H: Urachal cancer: role of conservative surgery.
Urology, 42: 635-639, 1993.
- Sheldon
CA, Clayman RV, Gonzalez R: Malignant urachal lesions. J Urol, 131:
1-8, 1983.
- Herr
HW: Urachal carcinoma: the case for extended partial cystectomy. J Urol,
151: 365-366, 1994.
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Received:
April 19, 2001
Accepted after revision: October 26, 2001
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Dr. Antônio Cardoso Pinto
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