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OPEN-ENDED, NON-COMPARATIVE
STUDY TO EVALUATE THE EFFICACY AND TOLERABILITY OF Serenoa repens
EXTRACT IN PATIENTS WITH BENIGN PROSTATIC HYPERPLASIA
SAMI ARAP, PLÍNIO
MOREIRA DE GÓES
Divisão de
Clínica Urológica, Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da Universidade
de São Paulo, USP, SP
ABSTRACT
Purpose:
The objective of this study was to evaluate the efficacy and tolerability
of a lipido-sterolic extract of Serenoa repens (LSESr, Permixonâ)
in benign prostatic hyperplasia (BPH).
Materials and Methods: An open-label, non-comparative
study was performed for at least 6 months in 50 patients (mean age = 64.5
years) with symptomatic BPH. The initial evaluation was performed through
the international prostate symptom score (I-PSS), quality of life index,
uroflowmetry, transabdominal ultrasound of the prostate (prostate weight,
residual urine volume), PSA, heart rate and blood pressure. The inclusion
criteria were I-PSS ³ 8 and a maximum urinary flow rate £ 12
ml/s for a urinary volume ³ 150 ml. The patients received a daily
dose of 160-mg bid of LSESr and evaluations were performed after 30 and
90 days of treatment.
Results: The I-PSS analysis showed a significant
decrease of this index and the quality of life index was significantly
improved. The maximum urinary flow rate was improved and the residual
urinary volume was decreased. There was no reduction in prostatic weight
and no change in PSA levels. Neither serious adverse events nor changes
in hemodynamic parameters were observed.
Conclusion: The LSESr was efficacious in
improving the symptoms of BPH without adverse effects.
Key words:
prostate, benign prostatic hyperplasia, pharmacotherapy, extract of Serenoa
repens, efficacy, tolerability
Braz J Urol, 26: 32-37, 2000
INTRODUÇÃO
A
obstrução do fluxo urinário decorrente da hiperplasia
prostática benigna (HPB) pode acarretar manifestações
clínicas relacionadas ao aumento progressivo da próstata.
Estas manifestações incluem tanto os sintomas obstrutivos
associados ao estreitamento da uretra prostática, como sintomas
irritativos decorrentes da instabilidade do detrusor vesical. Sua história
natural transcorre com fases de melhora e de exacerbação,
não havendo constância das manifestações clínicas
(1,2).
O principal objetivo do tratamento do paciente
com HPB é obter a melhora dos sintomas e do incômodo decorrente
destes. Assim, a abordagem terapêutica medicamentosa da HPB pode
incluir fármacos que reduzem o tônus da musculatura lisa
prostática ou as dimensões da próstata (3).
O extrato lipido-esterólico da palmeira
anã Serenoa repens (LSESr) age sobre o metabolismo das prostaglandinas
nas células prostáticas de cultura (4), modula a 5 alfa-redutase
humana (5), exerce atividade anti-edematosa nos animais (6) e demonstra
atividade estrogênica em humanos (7).
O objetivo do presente trabalho foi avaliar
a eficácia e tolerabilidade da LSESr em pacientes com HPB.
MATERIAL
E MÉTODOS
Este
foi um estudo aberto, não-comparativo, aprovado pelo Comitê
de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo e todos os pacientes forneceram
consentimento escrito e informado.
Um total de 50 pacientes com HPB foi admitido
no estudo para análise da eficácia e tolerabilidade da LSESr.
Os critérios de inclusão foram
os seguintes: pacientes ambulatoriais de sexo masculino, acima de 50 anos
de idade, com diagnóstico de HPB sintomática, confirmado
através do toque retal e determinação do nível
plasmático do PSA, I-PSS 8 na escala, taxa máxima de fluxo
urinário igual a 12 ml/s para um volume urinário igual a
150 ml, além de estarem em boas condições mentais.
Os critérios de exclusão compreendiam
pacientes com câncer prostático, HPB com indicação
cirúrgica, história prévia de cirurgia vesical ou
prostática, disfunção neurológica da bexiga,
estenose do colo da bexiga ou uretral, bem como litíase, carcinoma
e polipose da bexiga, ITU recorrente, uso concomitante (ou no mês
anterior à inclusão) de qualquer droga com ação
sobre a função urinária.
Os pacientes receberam uma cápsula
de 160 mg de LSESr, administrada por via oral duas vezes ao dia, por um
período de 3 meses. O ensaio foi conduzido de acordo com os princípios
éticos da Declaração de Helsinque e a Boa Prática
Clínica para Estudos de Produtos Medicinais.
Os pacientes foram avaliados clinicamente
em 3 ocasiões: no pré-tratamento, após 30 e após
90 dias de tratamento. A avaliação clínica compreendia
as medidas de pressão sistólica, pressão diastólica,
pulso radial, fluxometria e PSA. A eficácia do tratamento foi avaliada
por meio da evolução de dados obtidos pela fluxometria,
PSA, I-PSS e ultra-sonografia prostática transabdominal, sendo
avaliados seu peso e resíduo urinário. Os valores de fluxometria
e pressão arterial são a média de três diferentes
medidas. O índice de qualidade de vida foi avaliado na visita inicial,
após 30 e 90 dias de tratamento, através das questões
e do escore. A média dos escores do D30 e D90 foram comparados
à média dos escores basais.
A análise dos dados foi realizada
através do teste de Hartley, onde se observou a homogeneidade da
amostra, seguida da análise ANOVA e o teste de McNemar. O limiar
de significância para todos os testes foi selecionado como sendo
p < 0,05.
RESULTADOS
A
pressão arterial sistólica e diastólica e a freqüência
cardíaca não sofreram alterações significativas
durante o tratamento (Tabelas-1, 2 e 3).


Pudemos verificar uma discreta melhora na
fluxometria a partir do primeiro mês de tratamento (Tabela-4). A
diferença é estatisticamente significativa.

Os valores de PSA não sofreram alteração
durante o tratamento (Tabela-5).

Os exames ultra-sonográficos da próstata,
realizados nos dias 0 e 90, demonstraram uma redução significativa
do resíduo urinário sem alteração no peso
prostático (Tabela-6).

A análise da escore internacional
de sintomas prostáticos (I-PSS) revelou uma redução
deste índice (p < 0,001). Considerando como melhora do I-PSS
os pacientes cuja redução foi igual ou superior a 3 pontos,
temos que 84% deles (42 pacientes) melhoraram e apenas 1 paciente (2%)
apresentou piora do quadro inicial (Tabela-7).

A qualidade de vida apresentou pequena melhora,
que mostrou ser estatisticamente significativa. (Tabela-8).
Nenhum paciente reportou qualquer evento adverso nem descontinuou prematuramente
o tratamento.

DISCUSSÃO
Atualmente
existem diversas opções terapêuticas disponíveis
para o tratamento de pacientes portadores de HPB, variando desde a terapia
medicamentosa, até o tratamento cirúrgico, como a ressecção
transuretral da próstata (RTUP) e os procedimentos minimamente
invasivos (1).
Os resultados deste estudo demonstraram
que o tratamento com 160 mg de LSESr 2 vezes ao dia é eficaz na
melhora da sintomatologia da HPB sem causar efeitos colaterais importantes.
Houve uma redução no valor absoluto do I-PSS, sendo considerada
melhora uma diminuição igual ou superior a 3 pontos, em
84% dos pacientes (42 pacientes). Houve piora de sintomas em 1 paciente
(2%). Se considerarmos a história natural da HPB e a melhora da
sintomatologia, observamos que a medicação possui ação
efetiva e não apenas o efeito placebo (8,9).
Cerca de 92% dos pacientes expressaram aumento
de satisfação de sua qualidade de vida, que é o objetivo
de qualquer conduta que venha a ser instituída no tratamento da
HPB.
Houve um aumento estatisticamente significativo
dos resultados da urofluxometria a partir do primeiro mês de tratamento,
porém, com significado clínico discreto, possivelmente devido
à variabilidade deste parâmetro no paciente prostático.
Uma recente análise de fator dos dados derivados de um estudo de
larga escala salientou a baixa concordância entre os sintomas e
a urodinâmica (10). Foi sugerido que a falta de correlação
pode ser devida à imprecisão das mensurações,
e que determinações basais repetidas são necessárias.
Em nosso estudo, a melhor apreciação do fluxo foi obtida
pela média obtida de 3 diferentes medidas de fluxo (8).
O valor do PSA não sofreu alteração
significativa durante o tratamento, confirmando que o diagnóstico
de câncer prostático não é mascarado pela droga
do estudo (2,11).
A avaliação do resíduo
urinário através da ultra-sonografia demonstrou uma diminuição
média de 20 ml que, apesar de ser estatisticamente significativa,
têm significado clínico discreto (12). O peso prostático,
também avaliado pela ultra-sonografia, não apresentou variação
no período de tratamento.
O LSESr não apresentou efeitos sobre
a pressão arterial e a freqüência cardíaca dos
pacientes tratados, fatos estes que associados à ausência
de eventos adversos nesta amostra, confirmam seu excelente perfil de tolerabilidade
(11).
A Serenoa repens demonstrou ser clinicamente
efetiva em alguns estudos controlados com placebo (2,13). Seriam oportunos,
para uma melhor avaliação do efeito terapêutico da
LSESr, estudos comparativos, randomizados e duplo cego mais prolongados,
de pelo menos seis meses, com outros medicamentos e com placebo.
CONCLUSÃO
Os
resultados demonstrados em relação ao fluxo e resíduo
urinários foram clinicamente discretos, entretanto, a melhora na
sintomatologia (I-PSS) e na qualidade de vida, além do perfil muito
bom de tolerabilidade, fazem da LSESr uma opção no tratamento
medicamentoso da HPB.
_______________________________________________
O laboratório ASTA Medica forneceu o produto Permixon
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Received: April 22, 1999
Accepted after revision: November 30, 1999
COMENTÁRIO EDITORIAL
Este
estudo, como tantos outros abertos e não comparativos, permite
em realidade poucas conclusões, e necessita muita cautela em sua
interpretação, principalmente por se tratar de farmacoterapia
da hiperplasia prostática benigna (HPB).
Já está razoavelmente estabelecido
que a simples análise do International Prostate Symptom Score (I-PSS)
não é parâmetro que defina a qualidade de um determinado
tratamento para esta doença, pois em alguns estudos o placebo foi
capaz de melhorar este índice em até 76% dos pacientes.
Os critérios urodinâmicos,
principalmente as curvas de fluxo-pressão, são muito mais
fidedignos neste tipo de análise. Além disso, é indiscutível
a influência do pesquisador ao lidar com o paciente, na análise
da melhora dos sintomas, dado este tão subjetivo e influenciável.
Estudos deste tipo devem ser no mínimo
comparativos e duplo-cegos. Sem isto, qualquer conclusão carece
de sustentação científica.
Alfredo Felix Canalini
Hospital Universitário - UERJ
Rio de Janeiro, RJ
RESUMO
ESTUDO ABERTO,
NÃO COMPARATIVO, PARA AVALIAR A EFICÁCIA E TOLERABILIDADE
DO EXTRATO LIPIDO-ESTERÓLICO DA Serenoa repens EM PACIENTES COM
HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA
Objetivo:
Estudar a eficácia e tolerabilidade do extrato n-hexano lipido-esterólico
da Serenoa repens (LSESr) na hiperplasia prostática benigna (HPB).
Material e Métodos: Este foi um estudo
aberto, não-comparativo, com 3 meses de duração,
onde foram avaliados 50 pacientes com HPB, com média de idade de
64,5 anos, sintomáticos há pelo menos 6 meses. A avaliação
inicial foi realizada através de Pontuação Internacional
de Sintomas Prostáticos (I-PSS), Qualidade de Vida, Toque retal,
PSA, Fluxometria, Ultra-sonografia prostática transabdominal (peso
da próstata, resíduo urinário) e medidas de freqüência
cardíaca e pressão arterial. Após a utilização
de duas doses diárias de 160 mg de LSESr, novas avaliações
foram realizadas após 30 e 90 dias de tratamento.
Resultados: Houve redução
significativa do I-PSS e da melhora na qualidade de vida, bem como do
fluxo e do resíduo urinário. Não houve redução
no peso da próstata e alteração dos níveis
séricos do PSA. Não houve reações adversas
graves e nem alteração dos parâmetros hemodinâmicos.
Conclusão: O extrato lipido-esterólico
da Serenoa repens foi eficaz na melhoria da sintomatologia da HPB sem
causar efeitos colaterais.
Unitermos:
próstata, hiperplasia prostática benigna, terapia, extrato
de Serenoa repens, eficácia, tolerabilidade.
Braz J Urol, 26: 32-37, 2000
_______________________
Correspondence address:
Sami Arap
Divisão de Clínica Urológica, HC-USP
Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 255, sala 710 F
São Paulo, SP, 05422-970
Fax: (11) 3064-7013
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