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CARCINOMA OF THE
PENIS: THE VALUE OF PROLIFERATING CELLULAR NUCLEAR ANTIGEN (PCNA)
ANTONIO CARLOS
PEREIRA MARTINS, SANDRO MENDONÇA DE FARIA, MARIA ANGELES LLORACH
VELLUDO, ADAUTO JOSÉ COLOGNA, HAYLTON JORGE SUAID, SILVIO TUCCI
JR.
Disciplina
de Urologia, Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto, USP (FMRP-USP), SP
ABSTRACT
Objectives:
To compare the proliferating cellular nuclear antigen (PCNA) immunoexpression
with biological aggressiveness (stage and grade) of squamous cell carcinoma
of the penis.
Material and Methods: Between 1976-95, 50
patients with squamous cell carcinoma of the penis underwent surgical
penile amputation (total or partial). Fifteen of them required associated
inguinal lymphadenectomy due to suspicion of lymph node metastasis. The
material kept into formalin or paraffin was recovered to study the immunoexpression
of PCNA by the avidin-biotin-peroxidase method. Metastases occurred in
4 of 34 well-differentiated tumors, in 4 of 12 moderately differentiated
and in 2 of 4 undifferentiated tumors.
Results: A diffuse and strong pattern of
staining (D+++) was found in 18/34 well-differentiated, in 10/12 moderately
differentiated and in 4/4 undifferentiated tumors. All tumors with metastasis
were D+++, including 4/18 well-differentiated and 4/10 moderately differentiated
tumors exhibiting such pattern of staining.
Conclusion: There is a strong positive relation
between pattern D+++ of PCNA staining and tumor staging (p = 0.003), but
not with grading (p = 0.06). The authors conclude that PCNA seems an independent
marker and suggest that hosts with tumors bearing PCNA pattern of staining
other than D+++ may be sparing from lymphadenectomy, while those with
D+++ tumor should be submitted to lymphadenectomy and/or kept under strict
observation.
Key words:
penis, carcinoma, squamous cell carcinoma of penis, PCNA, prognosis
Braz J Urol, 26: 38-42, 2000
INTRODUÇÃO
É
comum a heterogeneidade celular e, mesmo um tumor considerado homogêneo
e de baixo grau pode conter um ou mais clones celulares indiferenciados.
Há subjetividade na graduação histológica
e a identificação desses clones nem sempre é percebida
na análise patológica convencional. Daí o interesse
de se investigar as neoplasias através de técnicas modernas
de biologia molecular.
O antígeno nuclear de proliferação
celular (PCNA) é uma molécula de 36 kDa que funciona como
co-fator da DNA-polimerase (1). Ela está presente em todas as fases
do ciclo celular, mas sua síntese é maior na fase S além
de também estar associada ao reparo do DNA (2). Sua identificação
por imunohistoquímica indica que a célula está em
processo ativo de divisão celular ou em processo de reparo do DNA
(3,4). Pelo fato da imunohistoquímica ser uma técnica de
baixo custo e de fácil execução, com potencial de
uso prático rotineiro, há trabalhos procurando relacionar
a imunoexpressão do PCNA com o grau, bem como com o comportamento
biológico de diversos tumores: carcinoma epidermóide de
esôfago (5), câncer pulmonar (6), carcinoma de células
transicionais da bexiga (7), hipernefroma (8), câncer de mama (9).
O carcinoma do pênis é mais
comum em países pobres e nas regiões mais desenvolvidas
de nosso país a incidência vem declinando (10). O método
de manejo desses tumores é controvertido porque a agressividade
biológica é variável não podendo ser caracterizada
com precisão pelas técnicas clássicas de graduação
histológica (11-13).
O objetivo deste trabalho é estudar
a imunoexpressão do PCNA em carcinoma epidermóide de pênis
procurando verificar se existe correlação com o grau e o
estádio, bem como observar se é possível definir
um novo parâmetro que reflita a agressividade biológica.
MATERIAL E MÉTODOS
Entre
1976 e 1995, foram tratados no Hospital das Clínicas de Ribeirão
Preto, SP, com penectomia parcial ou total, 50 pacientes com carcinoma
epidermóide de pênis. No momento do diagnóstico a
idade deles variou de 32 a 80 anos, com média de 58,2 anos. Todos
receberam alta em boas condições, mas 9 não retornaram
para seguimento. Nos 41 restantes o tempo de acompanhamento variou de
6 meses a 7 anos. Em 15 pacientes com suspeita de metástases linfonodais
fez-se linfadenectomia inguinal bilateral (linfonodos superficiais e profundos).
O exame histológico confirmou metástases linfonodais em
10 deles, dos quais 4 eram do grupo dos 9 pacientes que não retornaram
para seguimento.
Como complementação diagnóstica
do estadiamento, além da palpação inguinal e da linfadenectomia
dos casos suspeitos, empregou-se no atendimento inicial e durante o seguimento,
o RX de tórax e a ultra-sonografia abdominal. A tomografia computadorizada
de região inguinal e abdome foi empregada nos 15 pacientes com
suspeita de metátases inguinais. O mapeamento ósseo com
tecnésio radioativo foi indicado em 1 paciente com dores ósseas
e suspeito de portar metástase em coluna lombar. Dos 10 casos com
metástases ganglionares inguinais, 3 desenvolveram também
metástases à distância (pulmão 2, coluna
1).
As peças cirúrgicas conservadas
em formol tamponado a 10%, os blocos de parafina e respectivas lâminas
foram identificados e recuperados do arquivo do Departamento de Patologia
da FMRP-USP. Após revisão das lâminas, cortes adicionais
para coloração em hematoxilina-eosina foram efetuados para
exame histológico, de modo que em cada caso selecionou-se cuidadosamente
a porção tumoral que seria estudada. Para o estudo do PCNA
empregou-se o método convencional de desparafinização
com xilol seguido de hidratação com álcool etílico,
assim como recuperação antigênica (14). Cortes de
4 micra foram então processados para detecção imunohistoquímica
do PCNA pelo método da avidina-biotina-peroxidase conforme proposição
de HSU et al. (15). Empregou-se o anticorpo primário monoclonal
anti-PCNA, PC-10, DAKOâ, na diluição 1:60, e o anticorpo
secundário produzido em coelho contra camundongo (Kit ABC Vectorâ,
pK 4002). A revelação da reação foi realizada
com substrato cromogênico DAB- Sigmaâ, código N.º
D 5637. Adotou-se análise semiquantitativa para a leitura das lâminas
tanto no padrão de marcação difusa (D) quanto focal
(F), conforme o critério seguinte: material não corado (-),
levemente positivo - área com até 25% de marcação
(+), moderadamente positivo - 25 a 50% da área corada (++) e fortemente
positivo - >50% da área corada (+++).
Para a análise estatística
empregou-se o teste exato de Fischer.
RESULTADOS
Na
Tabela-1 estão os resultados da imunoexpressão do PCNA conforme
a graduação histológica dos tumores; o coeficiente
Phi das 3 proporções D+++ versus diferenciação
celular dos tumores é 0,34 e o valor p = 0,06.

Pela Tabela-2 observa-se que a associação
entre as proporções do padrão D+++ em 10 pacientes
com metástases é diferente daquela encontrada nos 40 pacientes
sem metástases (p = 0,006 e coeficiente Phi = 0,37). A correlação
entre o padrão de marcação D+++ e o estádio
local (T) revelou coeficiente Phi de 0,36 e p = 0,07. Dos 50 pacientes,
32 eram D+++ e 18 não revelaram esse tipo de marcação,
proporção essa que cotejada com os diversos estádios
mostrou coeficiente Phi = 0,44 e p = 0,003.

A análise do conjunto de 32 tumores
com padrão D+++ mostra que em 10 (31,2%) surgem metástases,
o que indica que o valor preditivo positivo para metástases desse
padrão de marcação do PCNA é de 31,2%, a sensibilidade
é de 100% e a especificidade é de 45%.
DISCUSSÃO
A
análise dos resultados revela relação positiva da
atividade proliferativa celular medida pelo PCNA com o estádio,
mas não com o grau tumoral. É possível que a falta
de correlação entre padrão de coloração
e o grau tumoral se deva ao tamanho da amostra, com um pequeno número
de tumores indiferenciados, pois o valor encontrado para o p (0,06) está
muito próximo do nível de significância.
Chama a atenção que todos
os pacientes com metástases eram D+++. Dos 18 tumores bem diferenciados
com padrão de marcação D+++, 4 (22,2%) evoluíram
com metástases, o que indica que aproximadamente em 1/4 desses
casos a agressividade biológica é maior. Já no grupo
de 10 pacientes com tumores moderadamente diferenciados e marcação
D+++, 4 (40%) apresentaram metástases (o estádio local de
1 deles era pT1). Esse percentual foi de 50% para os tumores indiferenciados.
Os resultados deste trabalho permitem sugerir,
que independentemente do estádio local (T), os tumores bem diferenciados
com padrão focal de coloração para o PCNA não
necessitariam de esvaziamento ganglionar inguinal. Já aqueles corados
com padrão difuso fortemente positivo, deveriam ser submetidos
à linfadenectomia inguinal ou então ficar sob estrita observação
para intervenção posterior caso necessário. Essa
proposta, que embora pareça lógica pela análise retrospectiva,
deve ser testada em estudos prospectivos no futuro para verificar se realmente
traz algum benefício para os pacientes.
Não encontramos na literatura artigos
sobre o PCNA em carcinoma epidermóide de pênis, o que impede
qualquer comparação. Mas, o cotejamento futuro será
importante, pois freqüentemente são observados resultados
contraditórios sobre o valor prognóstico deste e de outros
marcadores tumorais, tanto em neoplasias de um mesmo tipo histológico
quanto de tipos diversos (3,6,7,10,16-18), o que provavelmente se deve
às variações da amostragem ou detalhes técnicos
na execução dos exames. Em tumores epidermóides de
outros locais, como a cavidade oral encontramos tanto artigos que revelam
relação entre a imunoexpressão do PCNA com o prognóstico
(19), quanto que não demonstram essa relação (20).
CONCLUSÕES
A
imunoexpressão do PCNA mostrou correlação positiva
com o estádio de carcinomas epidermóides de pênis,
mas não com o grau. O PCNA parece um marcador independente e quando
revela coloração forte e difusa, mesmo em tumores bem diferenciados,
indica agressividade biológica maior.
________________________________________________
Projeto financiado pela FAPESP e pela FAEPA- HCFMRP-USP
Agradecemos
ao Prof. Dorival Campos do Departamento de Genética e Matemática
Aplicada da FMRP-USP pela análise estatística
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____________________
Received: July 20, 1999
Accepted after revision: January 26, 2000
RESUMO
CARCINOMA
DE PÊNIS: IMPORTÂNCIA DO ANTÍGENO NUCLEAR DE PROLIFERAÇÃO
CELULAR
Objetivo:
Comparar a imunoexpressão do PCNA com a agressividade biológica
(estádio e grau) do carcinoma epidermóide do pênis.
Material e Métodos: No período
1976/1995, 50 pacientes com carcinoma epidermóide de pênis,
idades entre 32 e 80 anos, média de 58,2 anos, foram submetidos
à penectomia total ou parcial e em 15 deles associou-se linfadenectomia
inguinal por suspeita de metástases. As peças mantidas em
arquivo foram reexaminadas pela histologia convencional com coloração
hematoxilina-eosina e recuperadas para estudo imunohistoquímico
do PCNA, método da avidina-biotina-peroxidase. As metástases
ocorreram em 4 de 34 tumores diferenciados, em 4 de 12 tumores moderadamente
diferenciados e em 2 dos 4 tumores indiferenciados.
Resultados: Padrão forte de marcação
difusa (D+++) foi observado em 18/34 tumores diferenciados, em 10/12 moderadamente
diferenciados em 4/4 indiferenciados. O cotejamento grau versus marcação
D+++ mostrou p = 0,06. A análise das proporções entre
esse padrão de marcação e estádio mostrou
diferença mais expressiva (p = 0,003). Todos os tumores com metástases
eram D+++, incluindo-se 4/18 diferenciados e 4/10 moderadamente diferenciados.
Conclusão: O estudo mostra uma forte
correlação entre a imunoexpressão do PCNA e o estádio,
mas não com o grau do tumor. O marcador parece independente e com
potencial para nortear a conduta inicial em portadores da neoplasia.
Unitermos:
pênis, câncer, carcinoma epidermóide de pênis,
PCNA, prognóstico
Braz J Urol, 26: 38-42, 2000
_______________________
Correspondence address:
Antonio Carlos Pereira Martins
Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, Campus
Departamento de Cirurgia
Av. Bandeirantes, 3900
Ribeirão Preto, SP, 14049-900
Fax: (16) 633-0836
E-mail: acpmarti@fmrp.usp.br
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