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EXTRACORPOREAL
SHOCK WAVE LITHOTRIPSY FOR CALCULI IN HORSESHOE KIDNEY
AFFONSO CELSO PIOVESAN,
RICARDO JORDÃO DUARTE, ANUAR IBRAHIM MITRE, RODRIGO LUIZ PINTO
ROMÃO, SAMI ARAP
Divisão de
Clínica Urológica, Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da Universidade
de São Paulo, SP
ABSTRACT
Objectives:
The goal of this study was to determine the efficacy of lithotripsy in
the treatment of lithiasis in horseshoe kidneys.
Material and Methods: From 1984 to 1996,
10 renal units (8 patients) with stones in horseshoe kidney were admitted
in our hospital and submitted to monotherapy with extracorporeal shock
wave lithotripsy (SWL) in a Dornier Philips MFL 5000. The group consisted
of 7 men and 1 woman, 20 to 84 years old (mean age = 51 years). Two patients
had bilateral lithiasis and 2 renal units had staghorn calculi. The treatment
results were evaluated by comparing the stone burden pre and post SWL
according to a previous described formula: stone burden = (diameter of
the greatest stone + diameter of the smallest stone) X number of stones
/ 2. The mean stone burden was 21mm3 and the mean sessions per patient
were 5.
Results: Reduction of stone burden was observed
in 4 of 10 renal units and complications (ureteral fragments) were observed
in four patients. Of the 6 patients that did not improve with the treatment,
all presented impaired collecting system peristalsis diagnosed by intravenous
urography. Of the 4 patients that presented treatment complications, 2
had positive urine culture.
Conclusion: Treatment of calculi in horseshoe
kidney with extracorporeal shock wave lithotripsy monotherapy had poor
results, especially when associated with impaired collecting system peristalsis.
Key words:
kidney, lithiasis, horseshoe kidney, extracorporeal shock wave lithotripsy,
treatment, monotherapy
Braz J Urol, 26: 24-28, 2000
INTRODUÇÃO
Rim
em ferradura é a anomalia de fusão renal mais comum (1)
com uma incidência de 0,25% na população (2). Dados
epidemiológicos sugerem uma maior incidência no sexo masculino
com proporção de 2:1 e um alto índice de associação
com outras malformações (3-6).
A dilatação do trato urinário
é mais freqüente em pacientes com rim em ferradura, estando
presente em 15 a 35% dos casos (7,8). A causa provável é
a implantação alta dos ureteres e seu curso anômalo,
anteriorizado e passando por sobre o istmo renal. Existe ainda nestes
pacientes uma possibilidade maior de cruzamentos vasculares anômalos,
uma vez que a irrigação destes rins é freqüentemente
feita por múltiplas artérias com grande variedade de percurso
(4). Infecções do trato urinário também são
mais freqüentes em pacientes com rim em ferradura. Estima-se que
25 a 41% destes pacientes irão apresentar episódios de infecção
de trato urinário em alguma fase de sua vida (4,7,9).
A litíase também parece ser
mais comum em pacientes portadores desta variação anatômica,
sendo descrita uma freqüência que varia de 21 a 60% dos casos
(4,9,10). Alguns autores, como Evans & Resnick (4), encontraram até
75% de alterações metabólicas em pacientes portadores
de rim em ferradura, enquanto outros autores como Koff et al. (11) encontraram
taxas semelhantes àquelas dos pacientes portadores de rins sem
anomalias de fusão.
Apresentamos nossa experiência e resultados
no tratamento da litíase através de litotripsia extra-corpórea
por ondas de choque (LEOC) em 8 pacientes portadores de rim em ferradura.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram
analisados retrospectivamente os dados de 8 pacientes portadores de rim
em ferradura tratados com LEOC. Destes, 7 eram do sexo masculino e 1 do
sexo feminino. A idade variou de 25 a 84 anos com média de 51 anos.
Dos 8 pacientes, 2 apresentavam cálculos bilaterais, (10 unidades
renais). Todos os pacientes foram investigados previamente ao procedimento
quanto à presença de infecção e dilatação
do trato urinário por meio de urocultura e urografia excretora.
A LEOC foi realizada com aparelho Dornier Phillips MFL5000, focalizando-se
o cálculo com fluoroscopia. Analisou-se o número de sessões,
o número total de ondas de choque empregados e eventuais complicações
do tratamento (Tabela-1).

A avaliação dos resultados
foi feita por meio de comparação da massa de cálculos
inicial e após o tratamento segundo a fórmula descrita por
Locke et al. (8): Massa de cálculos = (diâmetro do maior
cálculo somado ao diâmetro do menor cálculo) multiplicados
pelo número de cálculos e dividido por 2. Dois rins apresentavam
cálculos coraliformes, sendo a massa de cálculos média
nos demais de 21 milímetros cúbicos. Realizou-se em média
5 sessões por rim acometido tendo cada um recebido em média
11.154 ondas de choque. Os procedimentos foram realizados em regime ambulatorial
sendo utilizado meperidina endovenosa para analgesia, a dose aplicada
variou conforme solicitação de cada paciente sendo em média
de 3 mg. Não houve dificuldade de focalização do
cálculo em nenhuma das aplicações sendo todos os
procedimentos realizados em decúbito dorsal.
RESULTADOS
Das
10 unidades renais consideradas, em 3 casos houve crescimento bacteriano
à urocultura (bacteriúria assintomática) e em 7 existia
dilatação pielocalicinal aos exames de imagem.
Em 8 dos 10 rins tratados houve fragmentação
dos cálculos, porém em apenas 4 unidades renais houve eliminação
de fragmentos com redução da massa de cálculos. Nos
2 rins restantes não se obteve fragmentação ou eliminação.
Em nenhuma das 10 unidades renais observou-se eliminação
completa dos cálculos (Figuras-1 e 2).
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Os
piores resultados foram obtidos no grupo em que se observou dilatação
pielocalicinal. Nestas 7 unidades renais, em apenas uma houve redução
da massa de cálculos. No grupo sem dilatação, formado
por 3 unidades renais, observou-se redução em todas as unidades.
Das 10 unidades renais tratadas, obteve-se
complicações em 4, sendo em todos os casos a não
eliminação de fragmentos pelo ureter com formação
de rua de cálculos. Destes pacientes 2 foram tratados com ureteroscopia
e 2 com nova LEOC sobre o cálculo ureteral. Considerando-se que
cada unidade renal foi submetida em média a 5 sessões de
LEOC, o índice de complicações por procedimento foi
de 8%.
DISCUSSÃO
A
litíase é um achado mais freqüente em pacientes portadores
de rim em ferradura. A LEOC tem sido amplamente utilizada no tratamento
destes pacientes por ser um método pouco invasivo e de baixo custo
em nosso meio.
Os primeiros casos descritos de LEOC em
rins em ferradura datam do início da década de 80 (12).
Dados de várias publicações sobre o uso de LEOC neste
grupo especial de pacientes estão apresentados na Tabela-2.
Em nossos pacientes, obtivemos redução
da massa de cálculos em 40% dos casos, porém não
se observou em nenhum deles eliminação completa dos fragmentos.
Comparando-se nossos resultados aos obtidos por outros autores, observa-se
que o número de respostas no nosso grupo foi inferior ao obtido
em outros serviços, onde o índice de respostas completas
foi entre 50 e 60% (Tabela-2). O grande tamanho dos cálculos tratados
em nosso serviço (2 cálculos coraliformes e o restante com
massa de cálculos média de 21 mm3) provavelmente contribuiu
para que não se obtivesse eliminação completa dos
fragmentos.

A presença de dilatação
do trato urinário foi o fator mais importante nos resultados de
nossa série de pacientes. Dos 7 casos com dilatação
pielocalicinal, apenas um apresentou diminuição da massa
de cálculos. No grupo formado por 3 pacientes em que não
se observou este achado, todos responderam ao tratamento. O número
de complicações em nosso estudo (8%) foi semelhante ao descrito
por outros autores (Tabela-2).
CONCLUSÃO
O
tratamento da litíase em rim em ferradura através de monoterapia
por LEOC apresenta baixos índices de sucesso, principalmente quando
as unidades renais submetidas a tratamento apresentam dilatação
do sistema coletor.
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Received:
May 6, 1999
Accepted after revision: October 21, 1999
RESUMO
TRATAMENTO
DE LITÍASE EM RIM EM FERRADURA POR MEIO DE LITOTRIPSIA EXTRACORPÓREA
POR ONDAS DE CHOQUE
Entre
1984 e 1996 8 pacientes (10 unidades renais) portadores de litíase
em rim em ferradura, foram tratados em nosso serviço por meio de
litotripsia extra-corpórea por ondas de choque. Obteve-se diminuição
da massa de cálculos em 4 dos 10 rins submetidos a tratamento,
e complicações (não eliminação de fragmentos
ureterais) em 4 unidades renais. Dos 6 pacientes que não responderam
ao tratamento, todos apresentavam dilatação pielocalicinal
à urografia excretora. Dos 4 pacientes que apresentaram complicações,
2 tinham uroculturas com crescimento bacteriano. O tratamento de pacientes
com litíase em rim em ferradura por meio de litotripsia extra-corpórea
por ondas de choque apresentou resultados pouco satisfatórios especialmente
quando havia dilatação de vias excretoras ou infecção
associada.
Unitermos:
rim, litíase, rim em ferradura, litotripsia extra-corpórea
por ondas de choque, tratamento, monoterapia
Braz J Urol, 26: 24-28, 2000
_______________________
Correspondence address:
Affonso Celso Piovesan
Divisão de Clínica Urológica, Hospital das Clínicas
Faculdade de Medicina da USP
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