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LONG TERM HISTOMORPHOMETRIC
EVALUATION OF THE VILLOUS AND ILEAL GOBLET CELLS AFTER ILEOCYSTOPLASTY
IN FEMALE RATS
MARLI D. SCHAUFFERT,
MANUEL J. SIMÕES, YÁRA JULIANO, NEIL F. NOVO, VALDEMAR ORTIZ
Departamento
de Medicina da PUC do Paraná e Disciplinas de Urologia e Técnica Operatória
e Cirurgia Experimental, Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal
de São Paulo, SP
ABSTRACT
Objective:
The aim of the present study was to evaluate the long-term changes in
the number and the height of villous and the number of goblet cells in
rats submitted to ileocystoplasty.
Material and Methods: Thirty-six female
Wistar rats weighing 172-230g were submitted to ileocystoplasty with an
ileal segment of 2.5 cm long. An additional 1-cm ileal segment was used
as control. Periods of observation were 4, 12 and 40 weeks, thus constituting
3 experimental groups (GEI, GEII and GEIII) of 12 animals each. Suitable
sections of control ileum and of the ileal tissue incorporated into the
bladder were treated with hematoxilin-eosin (HE) and alcian blue orange
(pH 2.5) for goblet cells staining. The number and the height of villous
were determined in 10 microscopic fields (HE) and the number of goblet
cells were determined in 10 microscopic fields stained with alcian blue
orange.
Results: There was a progressive shortening
and atrophy of the villous. The villous become progressively smaller in
number (p < 0.05). The number of goblet cells was significantly higher
in the ileal graft than in the control ileum (p < 0.05). The number
of goblet cells was 65.7% higher in the 4-week group, 89.2% higher in
the 12-week group and 49.1% higher in the 40-week group.
Conclusions: There was a progressive villous
atrophy and an increase in the number of the goblet cells of the ileal
segment after ileocystoplasty with the maximal density 12 weeks after
surgery followed by a decrease after 40 weeks.
Key words:
bladder, ileum, bladder augmentation, goblet cells, hystomorphometry,
ileocystoplasty
Braz J Urol, 26: 91-96, 2000
INTRODUÇÃO
As
alterações na mucosa de segmentos do sistema digestivo utilizados
na reconstrução do sistema urogenital, mostraram diversos
graus de hipotrofia, até atrofia e urotelização;
perda das microvilosidades, com modificações da arquitetura
da mucosa e portanto dos fenômenos absortivos hidroeletrolíticos;
alterações do número de células caliciformes,
com presença de muco aumentado, diminuído ou inalterado,
conforme o segmento digestivo, o modelo e o tempo experimental (1-7).
Não existe ainda segmento do sistema
digestivo considerado ideal para ampliação ou substituição
da bexiga urinária, persistindo as controvérsias em relação
ao uso do estômago, íleo ou cólon (8,9).
Em estudo anterior, foram avaliadas as alterações
da mucosa do segmento ileal na ileocistoplastia em ratas, por 4 e 12 semanas
e observou-se diminuição das vilosidades e aumento do número
de células caliciformes ileais, com aumento do muco (7). Decidiu-se
então realizar outro experimento com tempo maior de observação,
para saber o que ocorre com as vilosidades e as células caliciformes
ao longo do tempo.
O objetivo do presente estudo, foi comparar
pela histomorfometria, as alterações encontradas a longo
prazo, na mucosa do segmento ileal após ileocistoplastia em ratas.
MATERIAL
E MÉTODOS
Foram
utilizadas 36 ratas da linhagem OUTB EPM-1, com 172 a 230 gramas, distribuídas
em 3 grupos, com 12 animais cada.
Para cada grupo experimento (GE) correspondeu
um grupo controle (GC). Portanto, foram analisados 6 grupos: GE I, GC
I, GE II, GC II, GE III e GC III.
Em cada animal, no início da operação,
retirou-se um segmento ileal de aproximadamente 1,0 cm, que serviu como
controle.
Depois de 18 horas de jejum, as ratas foram
pesadas, sorteadas e receberam anestesia intraperitonial, com pentobarbital
sódico a 3%, na dose de 30 mg Kg de peso. Os animais foram imobilizados
sobre uma prancha, em decúbito dorsal e após depilação
da região central do abdome, receberam anti-sepsia com clorhexidine
a 2%.
Após laparotomia mediana longitudinal
de 3 cm, com exposição do íleo distal, era isolado
um segmento pediculado de 3,5 cm (distante 1,0 cm do ceco), do qual se
retirou 1,0 cm proximal, como controle de cada rata. O trânsito
intestinal íleo-ileal era refeito com anastomose término
terminal, com pontos separados, em plano único, com de fio de polipropileno
7-0. Na bexiga urinária, aberta 0,5 cm no sentido sagital, era
anastomosada a extremidade distal do segmento ileal pediculado com fio
de poliglecaprone-25, 5-0, com pontos separados em plano único.
O segmento ileal pediculado isoperistáltico, era fechado em sua
extremidade proximal com pontos separados de polipropileno 7-0. Após
revisão da cavidade abdominal, a parede era fechada em 2 planos,
com polipropileno 4-0. As ratas permaneceram em gaiolas para 2 animais
até recuperação anestésica, quando eram reconduzidas
ao biotério.
Depois de 4, 12 e 40 semanas, as ratas eram
novamente anestesiadas e reoperadas para retirada em monobloco da bexiga
urinária, com o segmento ileal. A anestesia era aprofundada e a
eutanásia consumada. As peças eram abertas longitudinalmente
e fixadas em líquido de Bouin. Antes de 48 horas eram retiradas
do líquido e processadas pelas técnicas histológicas
usuais, e coradas pelos métodos de hematoxilina-eosina (HE) para
estudo das vilosidades e pelo Alcian Blue (pH = 2,5) Orange-G, para o
estudo das células caliciformes (sialomucinas).
A média das contagens dos números
de vilosidades e de células caliciformes e das medidas das alturas
das vilosidades era obtida em 10 campos ou em 10 vilosidades tomadas aleatoriamente.
Para todos os testes estatísticos, fixou-se 5% (p 0,05), o nível
para rejeição da hipótese de nulidade.
RESULTADOS
Todos
os animais ficaram bem adaptados às novas condições
morfofuncionais da operação, e apresentaram ganho de peso.
Observou-se macroscopicamente, no momento da reoperação,
um aumento volumétrico do segmento ileal pediculado usado para
ampliação da bexiga urinária. O muco era sempre aumentado
nos grupos de 4 e 12 semanas e diminuído no de 40 semanas. Na análise
microscópica, as vilosidades da mucosa do segmento ileal pediculado
na ileocistoplastia eram digitiformes e uniformes nos controles, enquanto
que nos experimentos apresentaram um achatamento progressivo e algumas
deformações (Figura-1).

Em relação à histomorfometria
da mucosa, as lâminas coradas em HE demostraram que as características
básicas morfológicas exibidas nos 3 grupos controles, foram
mantidas nos grupos experimentais, com algumas diferenças. O número
e a altura das vilosidades, diminuíram progressivamente, do tempo
0 até 40 semanas, conforme resultados obtidos pela análise
de variância por postos de Kruskal-Wallis (Figuras-1 e 2). A contagem
das células caliciformes que foi realizada nas lâminas coradas
em Alcian Blue (pH 2,5) Orange-G, apresentou um aumento significante,
que foi maior nos experimentos de 4 e 12 semanas, em relação
a de seus controles, e no de 12 semanas, em relação ao de
4 semanas. Nos animais de 40 semanas, houve diminuição do
número de células caliciformes em relação
aos experimentos de 4 e 12 semanas, e aumento em relação
aos seus controles.

Quanto ao teste de comparações
múltiplas, pela análise de variância por postos de
Kruskal-Wallis, a diferença entre as médias de contagens
das células caliciformes foi significante entre animais de 4 e
12 semanas (4 < 12), não foi significante entre os animais de
4 e 40 semanas (4 > 40), e foi significante entre os de 12 e 40 semanas
(12 > 40) (Figuras-2 e 3).

DISCUSSÃO
Os
estudos experimentais com o segmento ileal pediculado e desfuncionalizado
para a reconstrução do aparelho urogenital tiveram início
em 1888, sendo que a primeira ileocistoplastia em humanos foi realizada
em 1898 (6). Muitos autores estudaram as alterações histomorfométricas
da mucosa desses segmentos incorporados ao trato urinário e constataram
redução do número e da altura das vilosidades (1-7).
Na clínica, constata-se um aumento
da quantidade de muco presente na urina desses pacientes e, com o passar
do tempo, há uma redução de sua produção
(10,11).
O aumento da produção de muco
poderia estar relacionado a um maior estímulo às células
caliciformes, por algum agente presente na urina, ou ao crescimento da
população dessas células.
Na literatura, em trabalhos experimentais e clínicos, os autores
reportaram aumento do número de células caliciformes, embora
sem análise morfométrica e sem coloração especial
para sialomucinas (1,5,6,11,12). Apenas um estudo revelou diminuição
da quantidade de células caliciformes (1). A utilização
do alcian blue (pH = 2,5) orange-G, permitiu a coloração
das sialomucinas presentes nas células caliciformes ileais.
A quantidade de células caliciformes
encontrou-se aumentada em todos os momentos do experimento, sendo mais
intensa nas 12 primeiras semanas e a partir daí, reduzindo-se gradativamente
(Figura-2). Com 40 semanas, a quantidade de células caliciformes
diminui, aproximando-se dos valores do grupo controle (Figura-2).
A atrofia progressiva da mucosa ileal foi
evidente em todos os momentos analisados. Essa atrofia, diminui a superfície
de absorção da mucosa, minimizando os efeitos metabólicos
que ocorrem quando a urina está em contato com o íleo (13,14).
O muco ileal, representado pelas sialomucinas,
representa um mecanismo de defesa imunológico importante (12).
Ele é produzido pelas células
caliciformes, sendo rico num peptídeo denominado trefoil,
que é resistente à protease. O trefoil peptide
apresenta uma função semelhante a um fator de crescimento
e é responsável pela integridade do epitélio ileal,
além de representar uma barreira imunológica (15).
Dessa forma, é provável que
o aumento do número de células caliciformes e da produção
de muco, represente um mecanismo de defesa imunológico.
Segmentos de íleo desfuncionalizados
e em desuso, também apresentam atrofia da mucosa (6). Portanto,
é possível que as alterações que ocorrem na
mucosa ileal na ileocistoplastia sejam conseqüentes apenas à
desfuncionalização e não ao contato com a urina.
Tal assunto está sendo objeto de estudo em outra pesquisa em andamento.
CONCLUSÕES
No
presente estudo, pode-se concluir que na ileocistoplastia em ratas ocorre
atrofia da mucosa ileal e aumento inicial do número de células
caliciformes, com diminuição progressiva após 12
semanas, embora mesmo com 40 semanas, seu número seja superior
ao do controle.
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________________________
Received: November 6, 1999
Accepted: December 2, 1999
RESUMO
AVALIAÇÃO
TARDIA DA HISTOMORFOMETRIA DAS VILOSIDADES E DAS CÉLULAS CALICIFORMES
ILEAIS NA ILEOCISTOPLASTIA EM RATAS
Objetivo:
Avaliar os efeitos tardios ocorridos na mucosa de segmento ileal incorporado
à bexiga.
Material e Métodos: Trinta e seis
ratas foram submetidas a ileocistoplastia e distribuídas em 3 grupos
experimentais, estudados em 4, 12 e 40 semanas. Foram analisados o número
e altura das vilosidades ileais e o número das células caliciformes
ileais produtoras de muco (sialomucinas), coradas pelo alcian blue (pH
= 2,5) orange-G.
Resultados: Os resultados histomorfométricos
mostraram que há diminuição progressiva do número
e da altura das vilosidades. O número de células caliciformes
evoluiu em percentuais de +65,7%, +89,2% e +49,1%, nos grupos de 4, 12
e 40 semanas respectivamente (p 0,05), em relação aos seus
controles.
Conclusões: Na ileocistoplastia em
ratas ocorre atrofia progressiva da mucosa ileal e aumento inicial do
número de células caliciformes, com diminuição
após 12 semanas, que se acentua com 40 semanas.
Unitermos:
bexiga, íleo, ampliação vesical, células caliciformes,
histomorfometria, ileocistoplastia.
Braz J Urol, 26: 91-96, 2000
_______________________
Correspondence address:
Valdemar Ortiz
Al. Dos Jurupis, 455, conj. 76 / 77
São Paulo, SP, 04088-001
Fax: (41) 225-4050
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