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ENDOUROLOGY
AND LAPAROSCOPIC SURGERY
Percutaneous
nephrostomy as adjunct management in advanced upper urinary tract infection
Watson RA, Esposito M, Richter F, Irwin Jr. RJ, Lang EK Urology, 54: 234-239,
1999.
Nefrostomia
percutânea como auxiliar no manuseio de infecção importante do tracto
urinário superior
- Objetivos:
Avaliar a importância clínica da nefrostomia percutânea no tratamento
de casos de pionefrose.
- Pacientes
e Métodos: De 1977 a 1996, 315 pacientes (181 homens, 134
mulheres), entre 17 e 88 anos de idade, foram submetidos à nefrostomia
percutânea para tratamento de hidronefroses infectadas. Todos os pacientes
apresentavam obstrução do trato urinário superior associada à infecção.
Em adição ao procedimento da nefrostomia era iniciada imediata antibioticoterapia.
Antes do início da antibioticoterapia era coletada a urina, ou por micção
espontânea ou por cateterismo uretral. As primeiras amostras de urina,
coletadas da nefrostomia, também eram prontamente enviadas para cultura.
O controle das culturas de urina da nefrostomia e vesical era realizado
entre 48 e 96 horas após o procedimento.
- Resultados:
As causas de obstrução foram: litíase (187 casos); neoplasia (67 casos);
obstrução por material necrótico (24 casos) e de etiologia não esclarecida
(37 casos). O nível de melhora variou entre 83,8% (no grupo de etiologia
não esclarecida da obstrução) até 97,3% (no grupo de obstrução por litíase).
O nível de melhora, em 35 pacientes tratados clinicamente, sem nefrostomia,
foi de 57%. Microorganismos adicionais foram identificados nas culturas
de urina das nefrostomias de 116 (36.8%) dos 315 pacientes, levando
a uma mudança clínica significativa, ou adição de novos antibióticos
e/ou agentes antifúngicos em 84 (73%) dos 116. Muito freqüentemente
foi encontrada disparidade importante entre os resultados de culturas
obtidas das nefrostomias e aqueles obtidos das amostras de urina com
origem na bexiga.
- Conclusões:
Este
estudo retrospectivo confirma as vantagens da drenagem percutânea do
trato urinário superior, como um tratamento adjuvante importante de
pionefroses.
- Comentário
Editorial
Os autores demonstraram o valor da nefrostomia percutânea na drenagem
do trato urinário superior, mesmo em casos difíceis, associados à septicemia.
Em particular, o trabalho focaliza que as culturas de urina das nefrostomias
percutâneas freqüentemente identificam patógenos que diferem daqueles
detectados em culturas de urina da bexiga, determinando a mudança dos
antibióticos para o tratamento desses casos. O trabalho também comenta
outras vantagens do uso da nefrostomia percutânea, como a redução da
pressão intra-renal, melhorando o acesso dos antibióticos ao parênquima
renal e a filtração glomerular. Outra observação importante foi que
em todos os casos, apesar da instituição prévia de antibioticoterapia
endovenosa, antes da execução das nefrostomias, as culturas de urina
aspiradas através de punções renais, raramente foram estéreis. Admite-se
que, talvez o material purulento, e sob pressão no sistema coletor antes
da realização da nefrostomia, pode significativamente impedir o acesso
de antibióticos sistêmicos ao parênquima renal. Outras vantagens do
procedimento podem ser destacadas, como o reduzido nível de complicações,
evitando alternativas cirúrgicas de maior porte e risco, o uso da anestesia
local, o baixo custo, a criação do acesso percutâneo que poderá ser
usado posteriormente como nefroscopia, para a litotripsia, endopielotomia
ou dilatação ureteral. Enfim, o trabalho faz uma revisão objetiva da
real necessidade da nefrostomia percutânea no tratamento de casos de
obstrução infectada do trato urinário superior.
Complications
of laparoscopic procedures in urology: experience with 2,407 procedures
at 4 german centers
Fahlenkamp D, Rassweiler J, Fornara P, Frede T, Loening SA J Urol, 162:
765-771, 1999
Complicações
de procedimentos laparosópicos em urologia: experiência com 2.407 procedimentos
em 4 centros na Alemanha
- Objetivo:
Avaliar as complicações dos procedimentos laparoscópicos realizados
nos 4 maiores centros de laparoscopia da Associação Urológica Alemã.
- Materiais
e Métodos:
2.407 laparoscopias ou retroperitonioscopias foram realizadas de 1992
até maio de 1998 em 4 centros, incluindo 776 varicocelectomias, 259
pesquisas de testículo não palpável, 481 linfadenectomias pélvicas,
351 nefrectomias ou heminefrectomias, 139 ressecções de cisto renal,
58 procedimentos ureterais, 44 adrenalectomias, 41 nefropexias, 41 drenagens
de linfocele, 40 linfadenectomias retroperitoneais para-aórticas e 187
outras operações. As complicações foram avaliadas e listadas de acordo
com a especificidade anatômica e agrupadas com relação aos passos cirúrgicos
durante a laparoscopia.
- Resultados:
Um total de 107 complicações (4,4%) ocorreram. A taxa de reintervenção
foi de 0,8% e a de mortalidade de 0,08%. A taxa de complicação dependeu
da dificuldade do procedimento e teve como médias 1,0; 3,9 e 9,2 % para
operações fáceis, difíceis e muito difíceis, respectivamente. A maioria
foi de lesões vasculares (1,7%) e viscerais (1,1%), seguidas de complicações
de cicatrização e infecção (0,8%). Somente 0,2% das complicações foram
associadas à técnica de acesso (inserção do trocarte), enquanto que
a maioria ocorreu durante a dissecção (2,9%). A taxa de complicação
foi de 13,3% para os primeiros 100 procedimentos e subseqüentemente
teve como média 3,6%.
- Conclusões:
A análise crítica da experiência de várias instituições, especialmente
para a avaliação das complicações da laparoscopia urológica, é importante
para o desenvolvimento desta técnica cirúrgica. A taxa de complicações
gerais é comparável a de outras especialidades. Futuros desenvolvimentos
técnicos na inserção do trocarte, na dissecção tecidual e no controle
de sangramento, associados a um programa de treinamento contínuo das
equipes podem reduzir a taxa de complicações.
- Comentário
Editorial
Os autores agruparam a experiência em quase 2.500 procedimentos laparoscópicos
e a taxa de complicações resultante. Algumas conclusões práticas podem
ser retiradas. Quanto mais difícil o procedimento, maior a taxa de complicações.
Conforme se progride, dos procedimentos mais simples para os mais difíceis,
as complicações aumentaram em 9 vezes. Entretanto, conforme a experiência
cresce, a incidência de complicações reduz-se acentuadamente e após
100 casos, há uma redução de 4 vezes. A experiência abrange não só maior
familiaridade em se obter um pneumoperitônio ou com as técnicas de dissecção
laparoscópica, mas também maior conhecimento no uso da instrumentação.
Com relação a isso, o uso da corrente monopolar para eletrocoagulação
é causa do maior número de problemas relacionados aos instrumentos.
Os autores citam vários métodos para se diminuir os problemas com a
eletrocoagulação. Grande importância é colocada pelos autores quanto
ao treinamento constante em laparoscopia, tendo criado um curso didático
e de treinamento em laboratório. Está se tornando cada vez mais evidente
que a laparoscopia não é uma técnica que se aprende durante um único
curso de procedimento orientado de 2 ou 3 dias. A tática de treinamento
escalonado, com procedimentos progressivamente mais complexos, além
de ser mais prudente, aumenta a segurança e consegue reunir um maior
número de urologistas com interesse pelos procedimentos laparocópicos.
Marcelo
Lopes de Lima
IMAGING
Contrast-enhanced
sonography of vesicoureterorenal reflux in children: preliminary results
Mentzel H-J, Vogt S, Patzer L, Schubert R, John U, Misselwitz J, Kaiser
WA. AJR, 173: 737-740, 1999
Ultra-sonografia
com contraste no refluxo vesico-uretero-renal: resultados preliminares
- Objetivo
: Avaliar
a ultra-sonografia(US) com contraste como alternativa para uretrocistografia
miccional na detecção de refluxo.
- Métodos
: Foram investigadas 46 crianças com suspeita de refluxo, idade
variando de 3 semanas a 14 anos(média de 4 anos e 6 meses), O total
de 92 unidades uretero-renais foi examinado pela uretrocistografia miccional
e US com contraste. Após o exame ultra-sonográfico do trato urinário,
a bexiga foi sondada e cheia com solução salina. Posteriormente, o eco-contraste
foi instilado e o exame por US, repetido. A documentação foi feita em
vídeo e câmara laser. Refluxo foi diagnosticado quando se observou a
presença de microbolhas no ureter ou na pelve renal. Alem disso, a uretrocistografia
miccional foi realizada e as crianças que não conseguiram urinar foram
excluídas (8 unidades uretero-renais).
- Resultados
:
Os achados obtidos com o eco-contraste e a uretrocistografia foram concordantes
em 78 unidades uretero-renais(92.9%). Ausência de refluxo por um dos
métodos ,foi observado em 67 unidades(79.8%). Usando-se a cistografia
como referência, a sensibilidade do US com contraste foi de 91.7%; a
especificidade 93.1%, e a acurácia 92.9%.O valor preditivo de positividade
foi de 68.8%, e o valor preditivo de negatividade 98.5%.
- Conclusão
:
O US com contraste é altamente sensível para a detecção do refluxo vésico-ureteral.
Desse modo, a sua utilização pode reduzir o número de investigações
radiográficas.
- Comentário
Editorial
Embora a cistografia radioisotópica ter-se mostrado uma alternativa
útil para a detecção do refluxo, a uretrocistografia miccional continua
sendo o método de escolha para esta avaliação. Ambos os métodos porem
, expõem a criança à radiação ionizante. A procura de meios não invasivos
se faz, desta maneira, necessária, principalmente se considerarmos a
incidência do refluxo em crianças com infecção urinária (20 a 50%) e
a eventual necessidade do enchimentos vesicais cíclicos durante a uretrocistografia
que aumentariam ainda mais o tempo de fluoroscopia e consequentemente
a exposição à radiação. Este estudo mostra resultados satisfatórios
com a utilização do eco-contraste intra-vesical tendo como referência
os resultados da uretrocistografia miccional; seria interessante, todavia,
uma complementação com a medicina nuclear com o intuito de detectarmos
eventuais falsos negativos do exame radiológico. O exame US possibilita
um exame da bexiga mais duradouro, permitindo inclusive a detecção de
refluxos em crianças com uretrocistografias normais, a quem o autor
chama de “falsos positivos”, os quais na realidade seriam reais e, portando,
falsos negativos do exame radiográfico. Se consideramos que O US com
eco-contraste tem a limitação de não estudar a uretra fica fácil entendermos
que esse exame poderá ser realizado como método inicial; se positivo
então estaria indicado a uretrocistografia para a avaliação da uretra
e uma adequada graduação do refluxo. Grande utilidade em potencial deve
ser no seguimento de crianças com refluxo e nos controles pós-operatórios.
The abdominal
compartment syndrome: CT findings
Pichardt PJ, Shimony JS, Heiken JP, Buchman TG, Fisher AJ AJR, 173: 575-579,
1999
A síndrome
do compartimento abdominal: achados da TC
- Objetivos:
Esta síndrome é uma condição potencialmente fatal e resulta de uma elevação
patológica da pressão intra-abdominal. Foram avaliados os exames de
TC pré-operatórios de 4 pacientes comprovadamente portadores da síndrome
do compartimento.
- Métodos:
Por um período de um ano, 4 pacientes foram examinados com TC abdominal,
e com hipóteses diagnósticas que não incluíram esta síndrome. Os pacientes
tinham idades entre 17-51 anos(média 37 anos). A síndrome desenvolveu-se
em 2 pacientes com complicações de pancreatite aguda e em 2 com trauma
abdominal fechado. Dos 4, apenas um paciente apresentou laparotomia
exploradora antes da cirurgia descompressiva.
- Resultados:
Os principais achados do TC abdominal foram: a)maciça coleção retroperitoneal
(hemorragia, exsudado ou ambos); b)compressão extrínseca da VCI e c)
sinal da “barriga arredondada”. Nestes pacientes as coleções retroperitoneais
predominavam em volume sobre a doença peritoneal. Três dos 4 pacientes
sobreviveram e tiveram alta hospitalar após resposta dramática à descompressão
cirúrgica.
- Comentário
Editorial
Cerca de 14% dos pacientes submetidos à cirurgia abdominal conseqüente
a traumatismo abdominal severo, desenvolvem esta síndrome. Esse fato
ocorre devido à isquemia visceral e à coagulopatia associadas ao recebimento
pelo paciente de grande volume de fluídos. O artigo, segundo os autores,
atrai a atenção devido a quase inexistência de relatos dessa síndrome
em pacientes sem esses antecedentes. A existência de extensa hemorragia
retroperitoneal em pacientes com ruptura renal traumática não é infreqüente
e o radiologista deve estar atento para à análise criteriosa da morfologia
da VCI, das paredes viscerais (que se espessam e tornam-se impregnáveis
por contraste) e da configuração do abdome (abdome arredondado). Este
último achado é considerado como sendo de alta sensibilidade e especificidade
para o diagnóstico dessa síndrome. Cuidados do cirurgião ao “fechar
o abdome” e do radiologista são essenciais para a indicação da cirurgia
descompressiva a qual deve ser realizada dentro de um período de 24
horas.
BENIGN
PROSTATIC HYPERPLASIA
Prediction
of alpha-blocker response in men with benign prostatic hyperplasia by
magnetic resonance imaging
Mimata H, Nomura Y, Kasagi Y, Satoh F, Emoto A, Li W, Douno S, Mori H.
Urology, 54: 829-833, 1999
Previsão
da resposta a alfa-bloqueador em homens com hiperplasia prostática benigna
através da imagem por ressonância magnética
- Objetivo:
Demonstrar que a ressonância magnética (RM) pode ser uma alternativa
à biópsia prostática na avaliação objetiva da terapêutica medicamentosa
na hiperplasia benigna da próstata (HPB).
- Métodos:
Vinte e oito pacientes receberam alfa-bloqueador (tamsulosin) como tratamento
sintomático da HPB. Após período de 4 a 6 semanas de tratamento analisou-se
o fluxo urinário máximo e o escore internacional de sintomas prostáticos
(I-PSS). Os pacientes foram também avaliados através da RM, sinal T2,
comparando a intensidade do sinal na próstata e na medula óssea da cabeça
do fêmur. Em 16 pacientes foi realizada, também, biópsia prostática.
- Resultados:
O fluxo urinário máximo apresentava-se significativamente maior nos
pacientes que, após tratamento, exibiam sinal baixo ou de iso intensidade,
ao contrário dos que exibiam sinal de alta intensidade. Os portadores
de sinal iso ou de baixa intensidade à RM eram detentores de maior quantidade
de músculo liso. Esse grupo demonstrou 53,3% de melhora no fluxo urinário
máximo, comparado com 15,4% nos portadores de alta intensidade de sinal.
- Conclusão:
O estudo radiológico por RM pode predizer a histologia da próstata e,
assim, orientar o uso de alfa bloqueador no tratamento da HPB.
- Comentário
Editorial
No presente artigo, como no artigo semelhante MRI can predict response
to drug therapy for benign prostatic hyperplasia, Mimata H, Nomura Y,
Kasagi Y, Satoh F, Emoto A, Li W, Douno S, Mori H., Urology, 54: 773-775,
1999, os autores verificaram que pacientes, em cujas próstatas predomina
o tecido muscular liso em relação ao epitélio glandular, respondem bem
ao tratamento com alfa bloqueador. Dessa forma, é interessante reconhecer
esse fato, para que a indicação terapêutica da HPB, seja a mais adequada.
Estudos histológicos demonstraram que na próstata do jovem, antes da
instalação da hiperplasia benigna, a relação estroma/glândula é 2:1,
e com o aparecimento da HPB, passa a ser 5:1. Dessa maneira, de modo
prático, a possibilidade de se atingir o objetivo, ou seja, conseguir
resposta adequada com o tratamento com alfa bloqueador, é muito grande.
Assim, a ressonância magnética seria uma alternativa à biópsia da próstata
na confirmação do predomínio de músculo liso e, dessa maneira, orientar
a prescrição de alfa bloqueadores no tratamento da HPB.
Nelson
Rodrigues Netto Jr.
PEDIATRIC
UROLOGY
Relationship
among pediatric voiding dysfunction and vesicoureteral reflux and renal
scars
Soygür T, Arikan N, Yesilli C, Gögüs O Urology, 54: 905-908, 1999
Relação
entre disfunção miccional, refluxo vesico-ureteral e cicatrizes renais
- Objetivos:
Analisar a correlação entre disfunção vesical não neurogênica, refluxo
vesico-ureteral (RVU) e cicatriz renal, considerando o refluxo unilateral
ou bilateral. O refluxo vesicoureteral é um problema comum no grupo
pediátrico. Embora o refluxo unilateral seja devido à insuficiência
primária da junção uretero-vesical, o refluxo bilateral pode ser resultante
da disfunção miccional.
- Métodos:
Entre 1993 e 1998, 80 crianças, das quais, 52 meninas e 28 meninos,
com idade variando de 3,8 a 14 anos, mediana de 5,7 anos, foram avaliadas
por refluxo vesico-ureteral. Dezoito pacientes com anomalias associadas
e quadro de disfunção vesical neurogênica foram excluídos do estudo.
Foram realizadas investigações urológica, neurológica e urodinâmica
completas em todos os pacientes.
- Resultados:
Dos
62 pacientes, 25 (40,3%) tinham RVU unilateral e 37 (59,6%) RVU bilateral.
A disfunção miccional foi encontrada em 7 (28%) com refluxo unilateral
e em 27 (72,9%) com refluxo bilateral (p<0,01 ). Dois pacientes (25%)
dos 8 com refluxo unilateral e cicatriz renal tinham disfunção miccional,
porém, sem infecção do trato urinário, 10 (55,5%), dos 18 pacientes
com refluxo bilateral e lesão renal, tinham disfunção miccional, sem
infecção do trato urinário (p<0,01).
- Conclusões:
No RVU bilateral a prevalência de disfunção miccional é alta. O primeiro
passo, no manuseio, deverá ser a avaliação detalhada da função vesical
para escolher o tratamento adequado e prevenir a deterioração da função
renal.
- Comentário
Editorial
Este trabalho vem reforçar a necessidade de uma avaliação cuidadosa
em crianças com refluxo vesico-ureteral. A associação entre refluxo
vesico-ureteral e disfunção miccional está bem definida, com freqüência
que varia de 15% a 50%. A história da micção é o ponto primordial na
suspeita clínica entre essas duas enfermidades, sendo que há necessidade
do estudo urodinâmico completo para poder diferenciar o refluxo primário
do secundário. O reconhecimento desta associação tem implicação direta
no sucesso do tratamento, pois muitos casos de falha no manuseio clínico
ou mesmo cirúrgico são devidos a problemas de instabilidade vesical
ou de incoordenação vesico-esfincteriana.
A
long continent ileovesicostomy using a single piece of bowel
Casale, AJ J Urol, 162: 1743-1745, 1999
Ileovesicostomia
continente longa usando apenas um segmento de intestino
- Objetivos:
Em 1981, Mitrofanoff apresentou um procedimento para criar um estoma
urinário continente, permitindo o cateterismo intermitente. Desde então,
vários outros métodos têm sido introduzidos, incluindo a ileovesicostomia
de Yang-Monti. O comprimento dessas ileovesicostomias é limitado pela
circunferência do segmento intestinal usado, tornando inadequado em
alguns casos. Desenvolvemos um procedimento para dobrar o comprimento
da ileovesicostomia de Yang-Monti usando um segmento simples de intestino.
- Material
e Métodos:
Um segmento de 3,5 cm de íleo acompanhado pelo mesentério é isolado.
O intestino é dividido em dois segmentos com 80% de sua circunferência,
deixando a alça intestinal intacta sobre o mesentério. Cada anel do
segmento é, portanto, dividido adjacente ao mesentério, porém, em lados
opostos, permitindo que o intestino seja dobrado e reconfigurado numa
simples faixa longa que pode ser, então, tubularizado. O suprimento
sangüíneo para o tubo é excelente e localizado no centro do íleo reconfigurado.
Se necessário, a porção terminal pode ser seccionada ou amplamente espatulada.
- Resultados:
O
procedimento foi empregado em 8 pacientes. A íleovesicostomia criada
de um segmento ileal de 3,5 cm, atinge comprimento de 10 a 14 cm e aceita
cateter Foley 12F. Um tubo longo pode ser criado através de um segmento
do íleo alongado. Todos os pacientes estão secos e realizam cateterismo
facilmente.
- Conclusões:
Essa técnica de ileovesicostomia permite a criação de um tubo intestinal
longo e fácil de cateterizar. O comprimento longo do tubo aumenta a
aplicação do princípio de estoma continente para mais pacientes e permite
que a reconstrução seja realizada no local adequado, e sem tensão.
- Comentário
Editorial
O princípio de Mitrofanoff trouxe importante contribuição para o sucesso
da reconstrução do trato urinário continente, permitindo maior adaptação
e integração social, principalmente em crianças. Desde então, várias
modificações surgiram na confecção do tubo que permita a cateterização,
incluindo ureter, parede do estômago, íleo e parede vesical. A utilização
do apêndice cecal vem sendo tradicionalmente mais aceita pela sua vascularização
própria, com tecido muscular flexível e adequada circunferência. Recentemente,
a utilização do segmento ileal descrita por Monti trouxe uma contribuição
importante, quando o apêndice é curto ou mesmo ausente. Por outro lado,
a utilização do apêndice, parece ser mais adequada no tratamento de
incontinência fecal, de acordo com Malone. A modificação simples proposta
pelo autor parece ser uma opção bastante atraente, principalmente pelo
fato de que com um pequeno segmento intestinal pode-se conseguir até
14 cm de comprimento, ideal para crianças obesas, evitando anastomoses
termino-terminais, o que teoricamente poderia dificultar a cateterização.
Osamu
Ikari
UROLOGICAL
NEUROLOGY AND FEMALE UROLOGY
A
three-year follow-up of tension-free vaginal tape for surgical treatment
of female urinary stress urinary incontinence
Ulmsten U, Johnson P, Rezapour M Br J Obstet Gynaecol, 106: 345-350, 1999.
Três anos
de seguimento utilizando o “tension-free vaginal tape” (TVT) para o tratamento
da incontinência urinária de esforço na mulher
- Objetivo:
Estudar os resultados a longo prazo do TVT no tratamento da incontinência
urinária de esforço na mulher.
- Pacientes
e Métodos:
Cinqüenta mulheres com idade média de 57 anos (± 11 anos) foram incluídas
em um estudo prospectivo incluindo história e exame físico e pélvico,
teste com absorventes, cistometria e perfil pressórico uretral estático
e avaliação de qualidade de vida com escala visual analógica. Em todas
as pacientes a cirurgia foi realizada com a técnica padrão e sempre
que possível anestesia local. Cura completa foi definida como ausência
de perda no teste com absorventes (inferior a 10g/24h), melhora da qualidade
de vida superior a 90% e ausência de dificuldade miccional pós-operatória
ou resíduo vesical acima de 100 ml. Cura parcial foi definida como ausência
de perdas e satisfação entre 75% e 90%. O não preenchimento dos critérios
acima foi definido como falha.
- Resultados:
Quarenta
e duas pacientes (84%) eram multíparas e 8 (16%) nulíparas. A cirurgia
foi realizada com anestesia local e ambulatorialmente em todas as pacientes
exceto uma. O tempo cirúrgico médio foi de 29 minutos (variando de 16
a 47 minutos). Quarenta e cinco pacientes (90%) urinaram sem dificuldade
em 24 horas e nenhuma apresentou retenção urinária por tempo superior
a 14 dias (tempo máximo de sondagem de demora, 12 dias). Não ocorreram
complicações hemorrágicas ou infecciosas. O total de 43 (86%) pacientes
ficaram completamente curadas, seis (12%) tiveram melhora significativa
e 1 (2%) não obteve melhora. Estes resultados se mantiveram pelos 3
anos de seguimento.
- Conclusões:
Os autores consideram o TVT um procedimento eficaz e seguro, realizado
ambulatorialmente e com anestesia local, para o tratamento da incontinência
de esforço na mulher.
- Comentário
Editorial
O primeiro autor do artigo é o idealizador e principal proponente do
TVT para o tratamento de incontinência urinária na mulher. Os autores
apresentam os resultados após 3 anos de seguimento, incluindo pacientes
inicialmente relatados.(1). O fato de uma técnica obter sucesso total
ou parcial em 98% das pacientes inspira respeito, ainda mais quando
consideramos as vantagens adicionais, como o tempo cirúrgico reduzido,
e a realização ambulatorial em quase todas as pacientes. Apesar dos
resultados iniciais serem favoráveis (1-3), sempre com índices de sucesso
acima de 85%, a técnica ainda é recente e mais estudos são necessários
para que tenhamos avaliação dos resultados a longo prazo. Dificilmente
poderíamos considerar 3 anos como seguimento de longo prazo, especialmente
quando lembramos dos resultados a longo prazo com as suspensões endoscópicas.
O índice de complicações nestas séries iniciais foi baixo, geralmente
envolvendo perfurações inadvertidas da bexiga, durante o período de
aprendizado. O uso de um trocarte calibroso às cegas, através do espaço
retropúbico, causou pelo menos uma complicação vascular grave, que exigiu
cirurgia aberta (3). Vale ressaltar que existe uma enorme pressão de
mercado sobre o TVT, e uma palavra de cautela é necessária.
- Referências
1. Ulmsten U, Falconer C, Johnson P, Jomea M, Lammer L, Nilsson CG,
Olsson I: A Multicenter study of the tension-free vaginal tape (TVT)
for surgical treatment of female stress urinary incontinence. Int Urogynecol
J Pelvic Floor Dysfunct, 9: 210-213, 1998.
2. Wang AC, Lo TS: Tension-free vaginal tape: a minimally invasive solution
to female stress urinary incontinence. J Reprod Med, 43: 429-434, 1998.
3. Primicerio M, Matteis GD, Oliva NM, Morceca M, Alessandrini A, Caviazel
P, Tocci T: Experience with the tension-free vaginal tape for the treatment
of female urinary stress incontinence. Minerva Ginecol, 51: 355-358,
1999.
Sacral
nerve stimulation for treatment of refractory urinary urge incontinence
Schmidt RA, Jonas U, Oleson KA, Janknegt RA, Hassouna MM, Siegel SW, van
Kerrebroeck PEV, for the sacral nerve stimulation study group J Urol 162:
352-357, 1999
Eletro-estimulação
de raiz nervosa sacral para o tratamento de urge-incontinência refratária.
- Objetivos:
Avaliar a eletro-estimulação da raiz nervosa sacral para o tratamento
da urge-incontinência refratária.
- Pacientes
e Métodos:
Variáveis primárias para inclusão foram obtidas dos diários miccionais,
história e exame físico e avaliação urodinâmica. As pacientes que satisfizeram
os critérios de inclusão (idade maior que 16 anos, refratariedade a
outros tratamentos, apto do ponto de vista anestésico-cirúrgico, capacidade
vesical mínima de 100 ml e com trato urinário superior normal, ausência
de doença neurológica, incontinência urinária de esforço ou dor pélvica
primária) foram submetidas à colocação percutânea do eletro-estimulador
sacral por um período de teste que variou de 3 a 7 dias (155 pacientes).
Apenas pacientes que apresentaram melhora superior a 50% em relação
aos episódios de urge-incontinência foram randomizados. Em um grupo
era colocado, através de cirurgia, o eletro-estimulador (52 pacientes)
e em outro a colocação era retardada por 6 meses (42 pacientes). Os
indivíduos do grupo em que a colocação do eletro-estimulador era retardada,
foram avaliados com 3 e 6 meses, quando então foram submetidos à colocação
do eletro-estimulador. Após a colocação do eletro-estimulador os pacientes
foram avaliados após 1, 3 e a seguir a cada 6 meses. Para determinar
a eficácia do tratamento um segundo teste era utilizado, consistindo
em desligar o eletro-estimulador pelo menos durante três dias e os sintomas
reavaliados.
- Resultados:
Após
6 meses de implantação os episódios de incontinência diurna, intensidade
dos episódios e número de absorventes foram reduzidos de forma significativa
quando comparados ao grupo com colocação retardada (todas as variáveis;
p<0,0001). Dos 34 pacientes avaliáveis após 6 meses, e inicialmente
submetidos à eletro-estimulação, 16 (47%) obtiveram total resolução
dos sintomas e 10 (29%) demonstraram redução maior que 50% dos episódios
de incontinência. A eficácia manteve-se durante 18 meses, com retorno
dos níveis iniciais de incontinência em todos os pacientes quando a
eletro-estimulação foi desativada. Não houve disfunção miccional detectada
pelo estudo urodinâmico com a eletro-estimulação de nervos sacrais.
As complicações incluíram dor no local do gerador de impulsos para eletro-estimulação
em 15,9%, dor no local do implante em 19,1% e migração do eletrodo em
7% dos pacientes. Revisões cirúrgicas foram necessárias em 32,5% dos
pacientes devido a complicações. Não há relato de dano nervoso permanente.
- Conclusões:
A eletro-estimulação de nervo sacral é um método seguro e eficaz para
o tratamento de urge-incontinência refratária.
- Comentário
Editorial
Este é um estudo que chega em hora oportuna, um vez que se inicia nos
Estados Unidos a comercialização da eletro-estimulação da raiz sacra,
e em breve deve chegar em nosso meio. Este é um grupo muito especial
de pacientes, onde todos os tratamentos conservadores falharam, sendo
este procedimento a última opção antes de considerar medidas extremas
(ampliação vesical, enervação vesical). Ainda não existe explicação
consistente para o mecanismo de ação da eletro-estimulação sacral no
tratamento da urge-incontinência, e a hipótese mais aceita é que a eletromodulação
do assoalho pélvico tenha um efeito inibitório sobre o detrusor, atuando
na via aferente ou eferente das raízes sacras (1). O problema é ainda
mais complexo, pois ocorrem alterações na produção de urina, com aumento
da secreção do hormônio antidiurético (ADH) (2). Considerando este grupo
especial de pacientes, a cura parcial ou total em 64% dos pacientes
é um resultado extraordinário, embora não considerando os pacientes
onde a estimulação temporária, através do eletrodo percutâneo, foi inefetiva
em 57 de 155 (36%) dos pacientes inicialmente avaliados. Do ponto de
vista metodológico o estudo não merece crítica. Como o paciente é capaz
de sentir a eletro-estimulação, não é possível construir um verdadeiro
grupo controle com o gerador desligado ou com redução da amplitude ou
freqüência da eletro-estimulação. A leitura do artigo fica confusa,
uma vez que não é clara a resposta clínica dos pacientes no grupo de
colocação após 6 meses (no qual ocorreu um abandono dos pacientes da
ordem de 50% até o final do seguimento). Além disso, a necessidade de
revisão cirúrgica em um terço dos pacientes é excessiva, e médicos e
pacientes devem ficar atentos para esse fato. A justificativa dos autores
é que o procedimento é recente e que com o aumento da experiência das
equipes a taxa deve baixar. Outro ponto que deve ser ressaltado, é que
a colocação do eletrodo permanente requer laminectomia sacral posterior.
É prudente que os urologistas envolvidos no tratamento desses pacientes
e interessados na utilização dessa tecnologia tenham perfeita integração
com as equipes de neurocirurgia e/ou ortopedia para evitar.
- Referências
1.
Bosch R, Groen J: Effects of sacral segmental nerve stimulation on urethral
resistance and bladder contractility: how does neuromodulation work
in urge incontinence patients? Neurourol Urodynam, 14: 502-510, 1995.
2. Ishigoota M, Zermann D, Doggweiler R, Schmidt RA: Sacral nerve stimulation
and diurnal urine volume. Eur Urol, 36: 421-426, 1999.
Aderivaldo
Cabral Dias Filho
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