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STEREOLOGICAL ANALYSIS
OF HISTOLOGIC COMPONENTS IN TRANSITION ZONE OF NORMAL AND HYPERPLASTIC
HUMAN PROSTATES
MAURÍCIO
A. CHAGAS, MÁRCIO A. BABINSKI, WALDEMAR S. COSTA,
RONALDO DAMIÃO, FRANCISCO J.B. SAMPAIO
Division
of Urology, Urogenital Research Unit, Biomedical Center, State University
of Rio de Janeiro, RJ, Brazil
ABSTRACT
Objectives:
To determine the volumetric density (Vv) of the stromal components (connective
tissue and smooth muscle cells) in normal and hyperplastic prostate samples.
Material and Methods: The prostates were
obtained from 8 patients with clinical symptoms and histopathologic diagnosis
of BPH who had been submitted to open prostatectomy. Controls consisted
of the transitional zone of prostates obtained from necropsies of 8 adults
aged 18 to 30 years. Collagen and smooth muscle cells were evidenced with
Gomoris trichrome. The Vv of these components was determined on
25 random fields per prostate using the point-count method with an M-42
grid test system.
Results: The Vv in control and BPH samples,
respectively, were: connective tissue: 40.59 ± 4.59 and 54.34 ±
5.91 (significant difference); smooth muscle cells: 23.87 ± 1.74
and 30.69 ± 4.69 (significant difference).
Conclusions: The results confirm the hypothesis
of an increase in the smooth muscle fibers and in the connective tissue.
The observation of such modifications in the stromal composition in HPB
seems to be important in the choice of the best therapeutic process available.
Key words:
prostate; prostatic hyperplasia; histology; quantitative morphometry
Braz J Urol, 27: 26-31, 2001
INTRODUÇÃO
A
hiperplasia prostática benigna (HPB) caracteriza-se por um crescimento
tumoral que resulta na hiperplasia do estroma e do tecido glandular, em
arranjo nodular (1). A HPB é a afecção mais comum
da próstata e é o tumor benigno mais comum no homens. A
prevalência de HPB histológica em estudos de autópsia
cresce de aproximadamente 20% em homens de 41 a 50 anos, até 50%
em homens de 51 a 60 anos e acima de 90% em homens com mais de 80 anos.
Embora a evidência clínica da doença seja menos comum,
os sintomas de obstrução também estão relacionados
à idade. Aos 55 anos de idade, em torno 25% dos homens terão
sintomas miccionais obstrutivos, e aos 75 anos, 50% dos homens relatam
diminuição da força e calibre do jato urinário.
Aproximadamente 50% dos homens com menos de 60 anos que são submetidos
à cirurgia para HPB podem ter uma forma hereditária da doença.
Esta forma parece ser uma herança autossômica dominante e
os parentes em primeiro grau destes pacientes possuem um risco 4 vezes
maior (2-4).
De acordo com a divisão anatômica
de McNeal (Figura-1), os nódulos hiperplásicos originam-se
na região pré-prostática (glândulas peri-uretrais
e zona de transição da próstata) e comprimem as demais
regiões (5). Na grande maioria dos casos, a HPB consiste em um
aumento da zona de transição (5,6).
O estroma da próstata é basicamente
formado por fibras musculares lisas associado a tecido conjuntivo (com
marcante presença de fibras colágenas, fibras elásticas
e fibroblastos), vasos sangüíneos e linfáticos. No
entanto, não há uma unanimidade entre os pesquisadores se
o principal elemento envolvido no aumento da próstata é
de origem epitelial (ductos ou os alvéolos prostáticos)
(7) ou proveniente da proliferação de células do
estroma (8,9). Neste último caso, discute-se ainda se a predominância
é das fibras musculares lisas (10) ou das fibras colágenas/fibroblastos
(11).
Numerosos trabalhos, utilizando métodos
de quantificação, foram realizados sobre os diferentes componentes
prostáticos, mas as comparações eram geralmente feitas
ou entre diferentes amostras de HPB (12,13) ou entre HPB e câncer
prostático (14) ou entre HPB e próstatas fetais (15). Poucos
relatos, comparando a HPB com próstatas de adultos normais, foram
encontrados na literatura.
O presente estudo tem como objetivo comparar,
através de dados quantitativos, os componentes histológicos
da próstata normal e hiperplásica, tomando-se como orientação
anatômica precisa a zona de transição.
MATERIAL E MÉTODOS
As
amostras de tecido prostático da zona de transição
foram coletadas de 8 pacientes entre 63 e 79 anos, com diagnóstico
de HPB, e submetidos à prostatectomia aberta. O material controle
consistiu de 8 próstatas obtidas em necropsias de indivíduos
de 18 a 30 anos, mortos de causa violenta. As próstatas do grupo
controle sofreram uma primeira clivagem de onde foram retirados apenas
fragmentos da zona de transição. O material foi fixado em
líquido de Bouin e posteriormente processado para inclusão
em parafina. Todas as amostras foram coradas inicialmente com hematoxilina-eosina
e examinadas por um patologista para diagnóstico anatomopatológico.
De cada próstata foram retirados
5 fragmentos que originaram 5 cortes diferentes. De cada corte foram analisados
5 campos aleatórios, perfazendo um total de 25 áreas teste
analisadas em cada próstata. Os cortes obtidos foram corados pelo
tricrômico de Gomori para evidenciar o colágeno, que se cora
em verde em contraste marcante com as fibras musculares lisas, que ficam
coradas em tons de vermelho. As imagens para análise foram obtidas
em aumento de 400x em um microscópio óptico Olympus acoplado
a uma câmara de vídeo Sony CCD, sendo a imagem dos campos
microscópicos transferidas para um monitor Sony KX14-CP1 (Figura-2).
Os dados foram obtidos pelo método de contagem de pontos, superpondo-se
um sistema teste M-42 (16,17) sobre a tela do monitor (Figura-3). De acordo
com o princípio estereológico, a distribuição
por área é proporcional a distribuição por
volume, quando a região considerada é homogênea.
O tratamento estatístico utilizado
para estudar os 2 grupos foi o teste t de Student, não
pareado, em software Origin 5.0 (Microcalc Software), considerando-se
um p < 0.05 como significativo.
RESULTADOS
Os
resultados são apresentados na tabela e na figura-4.
DISCUSSÃO
Um
conhecimento preciso dos constituintes teciduais da HPB parece importante
para o entendimento da gênese desta patologia, bem como para escolha
da melhor terapêutica, entre os diversos métodos disponíveis.
Diferentes estudos desenvolvidos em nosso laboratório, utilizando-se
métodos imuno-histoquímicos, para a demonstração
dos diferentes elementos do estroma mostraram que métodos de coloração
tradicionais, que ressaltem de forma conspícua o tecido conjuntivo
(como os tricrômicos de Gomori, Mallory ou Masson) (17) são
adequados para a morfometria, pois produzem um contraste importante entre
os elementos colágenos e as fibras musculares. Um contraste maior
facilita a identificação precisa do local onde se localizam
os pontos nos campos que foram analisados quando se utiliza o método
estereológico. A utilização de métodos tricrômicos
na análise estereológica foi previamente utilizada por Ichiyanagi
(12) e Ishigooka (11). Shapiro et al. (10) estudaram próstatas
com hiperplasia e usando dupla marcação enzimática
e análise de imagens, descreveram a densidade média da área
dos seguintes parâmetros: músculo liso = 39%, tecido conjuntivo
= 38%, epitélio = 12% e lúmem glandular = 11%.
Deering et al. (9) estudaram 30 glândulas
de pacientes portadores de HPB, cujo material foi obtido por cirurgia
(prostatectomia aberta ou ressecção transuretral) ou biópsia.
Esses autores consideram que a composição histológica
da próstata pode ser um fator que altere a resposta terapêutica,
e em conseqüência modificaria a conduta medicamentosa. Nesse
trabalho, os autores consideraram o estroma como um todo, não quantificando
separadamente os seus diferentes componentes, como foi feito no presente
estudo. Estes autores encontraram uma percentagem de 65.4% de estroma
nas próstatas com hiperplasia benigna, e relataram que não
houve diferença na percentagem de estroma em relação
ao método utilizado para obtenção do material.
Em nosso estudo, verificou-se um aumento
significativo de 28.57% nas fibras musculares lisas e de 33.88% no tecido
conjuntivo das próstatas hiperplásicas em relação
ao grupo controle. Estes dados parecem confirmar a hipótese de
que a maior densidade volumétrica das fibras musculares lisas encontradas
na HPB, deve-se certamente a uma proliferação celular elevada.
De fato, em cultura de células de estroma, a proporção
de células de músculo liso está aumentada na HPB
em relação às próstatas normais (18).
Estes achados têm importante significado
clínico, pois mostrou-se recentemente em pacientes com HPB, uma
estreita relação entre a densidade de músculo liso
e o fator de resistência uretral (19). Além disso, Caine
(20) relata um aumento no tônus das fibras musculares lisas das
próstatas hiperplásicas, o que levaria a obstrução
urinária.
CONCLUSÃO
Os
resultados obtidos confirmam a hipótese de um aumento do estroma
na HPB, que é estatisticamente significativo tanto na quantidade
de fibras musculares lisas quanto em tecido conjuntivo. Estas modificações
da composição histológica normal, principalmente
no componente muscular, possivelmente alteram as propriedades morfo-funcionais
da próstata, sendo um fator importante a ser considerado na avaliação
da sintomatologia obstrutiva em humanos, assim como para escolha da melhor
terapêutica a ser utilizada.
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Pesquisa realizada em parte com suporte
financeiro do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ)
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Received: October 16, 2000
Accepted after revision: January 12, 2001
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Correspondence address:
Dr. Waldemar S. Costa
Unidade de Pesquisa Urogenital
Av. 28 de Setembro, 87, fundos, FCM, térreo
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