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CORRELATION BETWEEN
CHRONIC PROSTATITIS AND PROSTATE SPECIFIC ANTIGEN VALUES
ROBERTO KIEHL,
LUIZ A.D. LEMOS, JOÃO N. STAVALE, VALDEMAR ORTIZ
Division
of Urology, Paulista School of Medicine, Federal University of São
Paulo, São Paulo, SP, Brazil
ABSTRACT
Objective:
There is a clinical correlation between chronic prostatitis and elevated
serum levels of prostate specific antigen (PSA). Here a system was developed
to grade inflammation in benign prostate hyperplasia (BPH) which correlates
with serum PSA.
Patients and Methods: We studied retrospectively
45 patients undergoing transurethral resection of prostate or open prostatectomy.
In all patients histological sections of prostate demonstrated benign
hyperplasia and inflammatory cell infiltration that was graded as G0 (scattered
infiltrate within the stroma), G1 (contact between infiltrate and glandular
epithelium, without epithelial disruption) and G2 (clear glandular epithelial
disruption). PSA levels were determined pre and postoperatively with the
Hybritech Tandem-R assay.
Results: The difference in mean serum PSA
among groups G0 and G2 was highly significant (G0 = 3.6 ± 2.2;
G2 = 7.4 ± 3.7 ng/ml; p < 0.05). Mean age, prostatic weight
evaluated by ultrasonography, and PSA density were similar in the 3 groups
of histological inflammation (p > 0.05).
Conclusion: We concluded that in men with
BPH and prostatitis on pathological examination there is an associated
PSA elevation when glandular epithelium is disrupted.
Key words:
prostate; prostate-specific antigen; benign prostatic hyperplasia; prostatitis
Braz J Urol, 27: 42-45, 2001
INTRODUÇÃO
O
antígeno prostático específico (PSA) é um
marcador do câncer da próstata que tem sido muito importante
na detecção precoce do tumor, no estadiamento e no acompanhamento
das terapêuticas instituídas (1).
No diagnóstico diferencial entre
hiperplasia prostática benigna (HPB) e adenocarcinoma, foram propostos
métodos alternativos de interpretação do PSA como:
a densidade de PSA (quociente entre o PSA sérico e o volume prostático
avaliado pela ultra-sonografia trans-retal), a velocidade do PSA (variação
deste marcador com o tempo), a estratificação por idade
e a relação entre PSA livre e total (1-4).
Além do adenocarcinoma, outras afecções
prostáticas podem interferir nos níveis séricos de
PSA: infartos glandulares, infecções, traumas e manipulações
da glândula (massagem, biópsia, sondagens) (1-3).
A associação entre HPB e prostatite
subclínica tem sido descrita como uma das principais causas de
falsos-positivos na detecção dos níveis de PSA. Entretanto,
a participação exata da inflamação crônica
da glândula sobre o valor total de PSA ainda não foi completamente
estabelecida (5,6).
Neste trabalho avaliaremos os níveis
de PSA em relação à inflamação glandular,
em seus diferentes graus de acometimento.
MATERIAL
E MÉTODOS
Em
análise retrospectiva, foram selecionados 45 pacientes com diagnóstico
clínico de HPB que foram submetidos a cirurgia prostática,
ressecção transuretral da próstata ou prostatectomia
transvesical. O exame anatomopatológico constatou a associação
entre HPB e prostatite crônica.
Foram determinados critérios de inclusão
(diagnóstico de HPB, idade maior de 45 anos, PSA pré-operatório,
ultra-sonografia pré-operatória e PSA pós-operatório)
e critérios de exclusão (presença de adenocarcinoma
prostático, prostatite aguda ou crônica sintomática,
biópsia prostática e sondagens).
O estudo histopatológico do material
avaliou a presença de inflamação glandular e os resultados
foram classificados de acordo com sua intensidade segundo os seguintes
critérios: Grau 0 (G0) presença de inflamação
sem contato entre células inflamatórias e o epitélio
glandular (Figura-1); Grau 1 (G1) presença de inflamação
com contato entre células inflamatórias e o epitélio
glandular (Figura-2); Grau 2 (G2) infiltrado inflamatório intersticial
com interrupção do epitélio glandular (Figura-3).
Esta classificação não definiu os tipos de células
inflamatórias.
Foram então comparados os níveis
de PSA pré-operatório e pós-operatório em
cada grupo de inflamação prostática.
Adotou-se como método laboratorial
para dosagens de PSA sérico o Tandem-R, com parâmetro de
PSA normal menor que 4 ng/ml.
Foram comparados os três grupos histológicos
entre si, de acordo com a idade, níveis de PSA pré e pós-operatórios,
densidade de PSA, peso e quantidade de material ressecado na cirurgia.
Utilizou-se como método estatístico o teste de Kruskal-Wallis.
Adotou-se o nível de significância
de 0.05 (p = 5%).
RESULTADOS
A
distribuição das idades entre os três grupos de inflamação
não apresentou diferença significante, sendo de 65 ±
8 anos a média do grupo G0, de 62 ± 12 anos no grupo G1
e 74 ± 11 anos no grupo G2. Da mesma maneira, não houve
diferença significante entre os grupos em relação
ao peso prostático obtido pela ultra-sonografia, variando entre
23g e 140g no grupo G0, entre 24g e 150g no grupo G1 e entre 15g e 80g
no grupo G2. A comparação da média de densidade de
PSA entre os 3 grupos de estudo não revelou diferença significante,
sendo de 0.071 ng/cm3 no grupo G0, 0.097 ng/ cm3 no grupo G1 e 0.267 ng/
cm3 no grupo G2.
A Tabela-1 mostra a distribuição
dos níveis de PSA nas avaliações pré e pós-operatórias
dos pacientes dos 3 grupos. A comparação entre os grupos
mostrou que no pré-operatório os pacientes do grupo G2 têm
PSA significantemente mais elevado que os pacientes do grupo G0. No pós-operatório
não houve diferença significante entre os grupos.
DISCUSSÃO
Os
resultados observados neste estudo sugerem que a prostatite crônica
assintomática pode influenciar o nível de PSA sérico
de acordo com o grau de acometimento prostático.
A média de idade não foi diferente
entre os 3 grupos, caracterizando-os como uma amostra homogênea.
Diferenças de idade poderiam ser responsáveis por diferentes
valores de PSA (4). A avaliação pré-operatória
do peso prostático também mostrou que as amostras eram homogêneas.
Diferenças entre os pesos prostáticos podem interferir nos
valores de PSA sérico (2).
A densidade de PSA também mostrou
ser homogênea nos diferentes grupos de estudo. Embora o número
de pacientes no grupo 2 tenha sido pequeno, a análise estatística
não mostrou diferença com os demais grupos. Seria necessário
um número maior de pacientes para avaliar as relações
do PSA com a prostatite, verificando se a densidade de PSA se mantém
em níveis menores que aqueles observados no câncer de próstata
(3).
Alguns estudos encontraram valores de densidade
de PSA na prostatite crônica assintomática intermediários
entre HPB e o câncer de próstata (7,8).
Os resultados descritos na Tabela-1 demonstram
a importante relação entre os níveis de PSA sérico
pré e pós-operatórios quando comparados entre os
grupos. Os resultados encontrados neste estudo foram estatisticamente
significantes na comparação entre o PSA pré-operatório,
como na variação do PSA pré e pós-operatórios
entre os 3 grupos (p < 0.05). Estudos anteriores também demonstraram
uma significante correlação destes dados (5,6,9).
O PSA é produzido pelo citoplasma
de células epiteliais acinares e ductais da glândula. A inflamação
da glândula provavelmente interfere nos níveis séricos
de PSA a partir do momento que existe lesão do epitélio
ductal ou acinar. Como resultado pode haver associação entre
um alto grau de agressividade com aumento dos níveis séricos
de PSA.
Notamos em nosso estudo que quando o processo
inflamatório alcança o epitélio glandular, os níveis
de PSA se elevaram para acima de 4.0 ng/ml. A elevação do
PSA é mais intensa quanto maior o grau de lesão epitelial
(5).
Outra constatação deste estudo
foi a queda acentuada do PSA no pós-operatório, principalmente
nos grupos G0 e G1 (Tabela-1). A persistência dos valores de PSA
no grupo G2 em níveis superiores aos dos demais grupos talvez possa
ser justificada pela maior densidade de PSA deste grupo, como citado acima.
Embora a quantidade de tecido restante tenha sido semelhante, o que sobrou
no grupo G2 produz mais PSA.
A relação entre PSA livre
e total ainda não foi estudada nesses 3 diferentes grupos histológicos.
Estudos recentes com material obtido de biópsias prostáticas
apresentam resultados controvertidos (9,10). Em uma análise de
202 biópsias prostáticas encontrou-se um percentual médio
de PSA livre sobre o PSA total de 8.5% para pacientes com adenocarcinoma
de próstata e de 10.6% para aqueles com prostatite (9).
No presente estudo encontramos correlação
significante entre o grau de acometimento prostático e os níveis
de PSA sérico em pacientes com diagnóstico de prostatite
crônica assintomática. Esta correlação torna-se
mais evidente nos casos de inflamação com interrupção
do epitélio glandular.
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1998.
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Received: February 5, 1999
Accepted after revisions: September 5, 2000
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