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FINDINGS OF REPEATED
TRANSRECTAL ULTRASOUND-GUIDED PROSTATE BIOPSY
GEOVANNE F. SOUZA,
ADRIANO A. CALADO, UBIRAJARA BARROSO JR.,
LÍGIA B.P. CHERUBINI, CARLOS B.M. VERONA, M. ZERATI FILHO
Institute
of Urology and Nephrology, São José do Rio Preto, SP, Brazil
ABSTRACT
Introduction:
Prostate cancer (PCa) is the most common cancer in men, with an estimated
incidence of 180,000 cases expected to occur in the United States yearly.
The majority of the cases are diagnosed by transrectal ultrasound-guided
prostate needle biopsy. However, biopsy results are negative in the majority
of men because of abnormal exam results. We here describe the yield of
repeat biopsy examination.
Materials and Methods: Between October 1991
and March 1999, 656 patients underwent prostate needle biopsy for different
indications. In all of them, the biopsies were performed under ultrasound
guidance using the sextant technique. All biopsies were histopathologically
diagnosed and classified as positive (PCa), no evidence of malignancy,
and high-grade prostatic intraepithelial neoplasia (PIN). The rates of
repeated biopsy for those patients with an initial nonpositive biopsy
and the clinical/laboratory data were analyzed.
Results: A total of 38 patients (5.6%) underwent
repeated prostate needle biopsy for various indications: persistently
elevated PSA in 23 cases (60.5%), high-grade PIN in 13 cases (34.2%),
and other indications in 2 cases (5.2%). Overall, 16 patients (42%) had
cancer on repeated assessment and 22 maintain the former diagnosis (negative).
Among the 13 patients with high-grade PIN in the initial biopsy, 9 (69.2%)
had carcinoma on repeated biopsy.
Conclusion: The prevalence of false-negative
transrectal ultrasound-guided biopsy is significant. Of our patients,
42% had carcinoma on repeated biopsy, with a significantly higher incidence
in cases with PSA density > 0.15 and high grade PIN.
Key words:
prostate; biopsy; prostatic neoplasms; transrectal ultrasound
Braz J Urol, 27: 37-41, 2001
INTRODUÇÃO
O
carcinoma prostático (CaP) é o tumor mais freqüente
em homens apresentando uma incidência estimada em 180.000 casos
em 1999 nos EUA (1). O diagnóstico histológico, na maioria
dos casos é feito através da biópsia prostática
transretal com agulha guiada por ultra-som sendo a técnica em sextante
a mais utilizada (2). As indicações para biópsia
prostática encontram-se bem estabelecidas e baseiam-se em anormalidades
no toque retal ou alteração na dosagem sérica do
antígeno prostático específico (PSA) (3,4). Com relativa
freqüência, o paciente apresenta um resultado negativo apesar
das alterações sugestivas de câncer prostático.
Nestes casos, até o presente momento, não existem critérios
bem estabelecidos que definam em quem, quando e como deve ser realizada
a rebiópsia. Achados como atipia, neoplasia intra-epitelial (PIN),
persistência de PSA elevado e alterações no exame
digital retal são relatados como indicações para
repetição da biópsia (3).
O objetivo deste estudo é analisar
os casos de rebiópsia realizados em nosso serviço, na tentativa
de encontrar fatores preditivos para indicação deste procedimento.
MATERIAL E MÉTODOS
No
período entre outubro de 1991 e março de 1999, 656 pacientes
foram submetidos a biópsia prostática em nossa instituição
de acordo com as indicações vigentes: PSA acima de 4 ng/ml
e/ou alterações no exame digital retal. Todos os pacientes
foram submetidos a biópsia transretal, guiada por ultra-sonografia,
utilizando a técnica em sextante (5). Fragmentos da zona de transição
não foram rotineiramente retirados.
Todas as biópsias e rebiópsias
foram realizadas em nossa instituição pela mesma radiologista
(LBPC), sendo o material obtido através de pistola de biópsia
com agulhas 18G, analisados por um mesmo serviço de patologia,
determinando-se como positivo (carcinoma prostático) ou negativo
(hiperplasia benigna, atipia ou neoplasia intra-epitelial - PIN).
Foram realizadas rebiópsias em 38
pacientes, que apresentavam PSA persistentemente elevado (> 4 ng/ml),
toque retal alterado, e anatomopatológico inconclusivo, e analisados
os dados relativos ao quadro clínico, laboratorial (dosagem de
PSA, densidade, velocidade e relação PSA livre/total) e
achados da biópsia inicial. Os resultados foram estatisticamente
comparados através do teste do qui-quadrado.
RESULTADOS
Dos
656 pacientes submetidos a biópsia prostática, 38 (5.6%)
foram rebiopsiados em um intervalo médio de 14.4 meses. Quando
analisamos os critérios de indicação para rebiópsia
observamos que 23 pacientes (60.5%) apresentavam PSA persistentemente
elevado, 13 (34.2%) apresentavam PIN de alto grau na biópsia inicial
e 2 (5.2%) outros achados. Neste grupo a idade média foi de 68
anos, variando de 54 a 87. A dosagem de PSA total variou entre 4.3 e 45.8
ng/ml (médio = 12.1 ng/ml) e o volume prostático médio
foi de 50.6 cm3 (20 a 98 cm3).
Dos 38 pacientes submetidos à rebiópsia,
16 (42%) apresentaram CaP e 22 mantiveram o diagnóstico de ausência
de carcinoma, sendo que 3 apresentaram PIN de alto grau (II e III). A
Tabela-1 mostra a estratificação dos pacientes de acordo
com o volume prostático, a dosagem do PSA, densidade do PSA e PIN
de alto grau. Dentre os 13 pacientes que apresentaram PIN de alto grau
na biópsia inicial, 9 (69.2%) mostravam resultado positivo na rebiópsia.
A Tabela-2 mostra a divisão dos pacientes de acordo com os achados
ultra-sonográficos. A relação PSA livre/total estava
disponível em apenas 6 pacientes e demonstrou que entre aqueles
que apresentavam relação menor que 15%, 60% tinham câncer,
enquanto que nenhum dos que apresentavam relação superior
a 15%, a biópsia foi positiva.

DISCUSSÃO
A
biópsia prostática guiada por ultra-sonografia, nos casos
de alteração no toque retal e/ou dosagem do PSA sérico,
é o método de eleição para confirmação
do diagnóstico de carcinoma. Vários estudos demonstraram
a superioridade deste método em relação a biópsia
direta (2,6,7). Apesar destes dados, a taxa de resultados falso-negativos
é alta, ocorrendo em torno de 25% dos casos (8). Neste contexto,
a biópsia prostática inicialmente negativa tende a ser repetida
em alguns casos, principalmente quando existe elevação persistente
do PSA, alterações no exame digital retal ou achados sugestivos
de neoplasia no exame inicial. Algumas medidas foram sugeridas na tentativa
de determinar quais pacientes necessitam de rebiópsia, ou seja,
quais pacientes mais provavelmente apresentam carcinoma prostático.
Dentre estas medidas se destacam, velocidade do PSA, densidade do PSA,
relação PSA livre/total. Achados como atipia e neoplasia
intra-epitelial também parecem apresentar correlação
com rebiópsia positiva (9).
Em nossa série, dentre os 38 pacientes
submetidos à rebiópsia, 16 (42%) apresentaram carcinoma
prostático. Apesar da ampla variação, estes dados
são superiores aos apresentados na maioria dos estudos. Ellis et
al. (9), em um estudo com 100 pacientes submetidos a rebiópsia
prostática encontraram carcinoma em 20%, enquanto que Fleshner
et al. (10), encontraram 30% de rebiópsias positivas em 130 pacientes
estudados.
Quando estratificamos os pacientes de acordo
com a dosagem de PSA, encontramos que o resultado foi positivo em 41.7%
dos pacientes com PSA abaixo de 10 ng/ml e em 50% dos portadores de PSA
acima de 10 ng/ml, não havendo diferença estatisticamente
significativa entre estes valores (p = 0.635). O volume prostático
(p = 0.086) também não se apresentou como fator preditivo
para rebiópsia positiva. Fleshner et al. (10), relataram em seu
estudo que PSA acima de 20 ng/ml representa fator preditivo de rebiópsia
positiva, enquanto que idade, densidade e velocidade do PSA, e achados
de atipia ou PIN não apresentaram significância estatística.
No presente estudo, 13 pacientes (36.1%) foram submetidos à rebiópsia
por apresentarem PIN de alto grau, sendo o resultado da rebiópsia
positivo em 69% (p = 0.015), e em relação a densidade do
PSA, ela foi menor que 0.15 em 27.2% (p = 0.007) dos pacientes, dos quais,
nenhum apresentou câncer à rebiópsia. Alguns autores
tem relatado que o PIN de alto grau apresenta grande correlação
com carcinoma prostático (11). A rebiópsia nestes pacientes
deve ser realizada em sextante e não somente na área com
PIN (12).
A velocidade do PSA não foi realizada
em todos pacientes devido à falta de dados. Os nossos resultados
demonstram que portadores de carcinoma na rebiópsia apresentam
uma velocidade de PSA superior aos demais, no entanto estes resultados
não foram estatisticamente significativos.
Letran et al. (14) demonstraram uma correlação
positiva com câncer em um estudo com 51 pacientes submetidos à
rebiópsia, quando o PSA total estava entre 2 e 5 ng/ml, e a relação
PSA livre/total foi menor que 22%, os autores detectaram 15 canceres (29%).
Apenas 6 pacientes em nosso estudo apresentavam este dado disponível,
e podemos observar que quando a relação foi superior a 15%
nenhum dos pacientes apresentou rebiópsia positiva, no entanto
estes dados são insuficientes para qualquer conclusão significativa.
Vários trabalhos foram realizados
procurando determinar os possíveis fatores preditivos para câncer
na rebiópsia (idade, volume prostático, PSA, densidade e
velocidade de PSA, fração livre/total de PSA e PIN de alto
grau, maior numero de fragmentos na primeira biópsia (9-11,15,18-20).
Entre os relevantes achados, destacamos três artigos recentes. Fowler
et al. (15), demonstraram que a fração de PSA livre/total
é o mais forte preditivo de câncer na rebiópsia. Naughton
et al. (16) não encontraram diferenças significativas entre
o uso de 6 ou 12 fragmentos, diferente de Eskew et al. (17), que encontrou
uma taxa de detecção de câncer 35% maior quando se
usou a biópsia pela técnica de 5 regiões, comparada
com a de sextante.
CONCLUSÃO
A
prevalência de biópsias prostáticas falso-negativas
é alta, sendo o resultado da rebiópsia positivo em 42% dos
pacientes estudados, com uma incidência significativamente maior
de câncer naqueles pacientes com densidade de PSA > 0.15 e PIN
de alto grau. Baseados nestes resultados devemos continuar a utilizar
as indicações clássicas para a rebiópsia.
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Received: August 21, 2000
Accepted after revision: February 2, 2001
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Correspondence address:
Dr. Geovanne Furtado Souza
Rua Voluntários de São Paulo, 3826
São José do Rio Preto, SP, 15015-200, Brazil
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