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PATHOLOGY
Gleason
score 2-4 adenocarcinoma of the prostate on needle biopsy.
A diagnosis that should not be made (Editorial)
Epstein JI
Am J Surg Pathol, 24: 477-478, 2000
Gleason
com contagem final 2-4 em biópsias prostáticas de agulha.
Um diagnóstico que não deveria ser feito (Editorial)
- Objetivos:
Este editorial propõe que Gleason com contagem final 2-4 não
deveria ser feito em biópsias prostáticas de agulha porque
geralmente é um adenocarcinoma de alto grau subgraduado.
- Material
e Métodos: Foram revisadas as biópsias prostáticas
de agulha de pacientes vindo para o Hospital Johns Hopkins para prostatectomia
radical e analisou-se a possibilidade de reprodução interobservador
do sistema Gleason entre especialistas em uropatologia.
- Resultados:
De um total de 87 biópsias prostáticas com contagem final
2-4, após a revisão no Johns Hopkins, somente 4 (5%) corresponderam
a esta contagem, 68 (78%) tiveram contagem final 5-6, 13 (15%) contagem
7, e 2 (2%) contagem 8-10. Além disso, 48 (55%) destes 87 pacientes
mostraram extensão extra-capsular na peça de prostatectomia
radical, incluindo 4 casos com invasão das vesículas seminais
ou metástases em linfonodos. Num trabalho que testou a possibilidade
de reprodução do sistema Gleason entre 10 especialistas
em uropatologia, havia 4 casos considerados como representativos de
contagem final 2-4 pelos idealizadores do estudo. A concordância
entre os 10 especialistas para cada um destes 4 casos foi de 80% (caso
1), 70% (caso 2), 40% (caso 3) e 40% (caso 4).
- Conclusões:
O autor conclui que a subgraduação do adenocarcinoma em
biópsias prostáticas de agulha tem um impacto adverso
no tratamento do paciente. Considerando que a contagem final 2-4 está
associada a um baixo risco de progressão, muitos pacientes serão
subtratados ou mal aconselhados no que se refere a esta possibilidade
de progressão. O autor não nega a existência do
adenocarcinoma de baixo grau, salientando, entretanto, que os mesmos
raramente são vistos em biópsias prostáticas de
agulha. São tipicamente vistos em material de RTU porque localizam-se
preferencialmente na zona de transição.
- Comentário
Editorial
Para o urologista, este editorial de um dos maiores nomes da uropatologia
americana é de grande impacto pelas implicações
na conduta terapêutica. Após a leitura, o urologista certamente
fica perplexo perguntando como é possível um adenocarcinoma
de baixo grau, após uma revisão, passar a alto grau. A
explicação está nas dificuldades para se diagnosticar
corretamente a contagem final 2-4 no sistema Gleason em biópsias
prostáticas de agulha. Nos adenocarcinomas de baixo grau, há
apenas desarranjo arquitetural sem caráter infiltrativo ou fusão
entre os ácinos e a neoplasia mostra uma margem bem delimitada.
Em geral, o patologista utiliza apenas o critério da boa delimitação
para fazer o diagnóstico de adenocarcinoma de baixo grau, negligenciando
a observação se os ácinos mostram infiltração
no estroma ou fusão entre eles. Soma-se a isso, o fato de que
numa biópsia de agulha, a não ser que a neoplasia tenha
menos que 1mm de diâmetro, não é possível
saber com certeza se a margem é bem delimitada em toda a extensão.
Assim sendo, mesmo que o adenocarcinoma seja verdadeiramente de baixo
grau numa biópsia prostática de agulha, em virtude da
amostragem, o diagnóstico de baixo grau será sempre de
probabilidade.
Dr. Athanase Billis
PEDIATRIC
UROLOGY
Long-term
follow-up of endoscopic incision of ureteroceles: intravesical versus
extravesical
Cooper CS, Passerini-Glazel G, Hutcheson JC, Iafrate M, Camuffo C, Milani
C, Snyder III HM
J Urol, 164: 1097-1100, 2000
Segmento
tardio da incisão endoscópica de ureterocele: intravesical
versus extravesical
- Objetivo:
A incisão endoscópica foi o tratamento inicial da ureterocele
em crianças, no período entre 1985 e 1990. Os pacientes
foram reavaliados quanto aos resultados tardios desta modalidade terapêutica.
- Material
e Métodos: Os parâmetros avaliados foram idade no momento
da cirurgia, localização da ureterocele, sistema com duplicidade,
refluxo pré e pós-operatório e necessidade de procedimentos
adicionais.
- Resultados:
Identificou-se
22 ureteroceles intravesicais e 22 extravesicais. A idade média
na cirurgia inicial foi 1.9 ± 3.7 anos com seguimento médio
de 7.2 ± 3.1 anos. Uma segunda operação foi necessária
em 18 casos (41%), significante maior que observada na ureterocele extravesical
(18% versus 64%, p:0.002), sistema com duplicidade (p:0.026) ou refluxo
pré-operatório (p:0.02). A reintervenção
cirúrgica demandou reimplante ureteral em 13 casos, nefrectomia
polar superior em 7, nefrectomia em 3, reconstrução do
colo vesical em 3 e pieloplastia do pólo inferior em 3. As únicas
reintervenções cirúrgicas realizadas em ureterocele
intravesical foram reimplante ureteral em 3 e nefrectomia polar superior
em 1. Refluxo pós-incisão da ureterocele ocorreu em 14
de 27 casos (52%), incluindo 7 ureteroceles intravesicais e 7 extravesicais.
Nenhum destes necessitou cirurgia aberta adicional.
- Conclusões:
O
maior tempo de seguimento demonstrou que os pacientes que necessitam
de cirurgia aberta após incisão endoscópica de
ureterocele foi de 41%, portanto acima dos 27% descritos anteriormente
no relato inicial dos autores (p:0.166). Apenas 18% das ureteroceles
intravesicais necessitaram de operação subsequente, comparadas
com 64% das ureteroceles extravesicais (p:0.002). A redução
no calibre da ureterocele após descompressão endoscópica
facilitou o reimplante.
- Comentário
Editorial
A incidência de ureterocele é estimada em 1/4000 nascimentos
vivos e a ultra-sonografia pré-natal permite, hoje, o diagnóstico
na quase totalidade dos casos antes das manifestações
clínicas da doença. O tratamento endoscópico apenas
com incisão e descompressão da ureterocele mostrou ser
um método terapêutico efetivo e minimamente invasivo, principalmente
nas ureteroceles intravesicais. Alguns autores acreditam que a incisão
também nas ureteroceles extravesicais seria importante para reduzir
o risco de pielonefrites, evitar perda de função renal
e adiar um eventual tratamento cirúrgico. No entanto, os críticos
desta conduta acreditam que a ureterocele extravesical seria melhor
tratada com cirurgia aberta.
Os autores chegaram à conclusão de que com maior tempo
de seguimento, a chance de um paciente tratado por punção
endoscópica da ureterocele necessitar de nova cirurgia aberta
é de 41% e não mais de 27% como publicado anteriormente.
Em especial nas ureteroceles extravesicais, a chance de um paciente
necessitar de cirurgia aberta é de 61% contra 18% das intravesicais.
O artigo sugere que a cirurgia aberta, como tratamento inicial da ureterocele
extravesical, parece ser o método mais conveniente. Todavia,
existe ainda polêmica quanto à necessidade de reintervenção
cirúrgica, visto que a maioria desses pacientes foi reoperada
por refluxo vesicoureteral secundário, e muitos autores são
mais conservadores nesses casos, o que diminuiria a taxa de reoperação.
A partir desses dados, os defensores da cirurgia aberta devem passar
a questionar cada vez mais o tratamento endoscópico para toda
e qualquer ureterocele, o que vinha se sedimentando como um conceito
quase formado.
Dr. Antônio Macedo Jr.
The management of paediatric urolithiasis
Choong S, Whitfield H, Duffy P, Kellett M, Cuckow P, VanT Hoff W,
Corry D
BJU International, 86: 857-860, 2000
O manuseio
da urolitíase pediátrica
- Objetivo:
Avaliar
a eficácia e segurança do tratamento da urolitíase
pediátrica pela litotripsia extracorpórea (ESWL), ureterolitotripsia
(UL), nefrolitotomia percutânea (NLPC) e ureterolitotomia aberta.
- Material
e Métodos:
Em um período de 3 anos (1997-1999) 59 crianças foram
tratadas de urolitíase e foram submetidas a 79 procedimentos.
32 sessões de ESWL foram feitas em 23 crianças (idade
média de 7.4 anos, mediana 6.0). NLPC em 30 unidades renais de
25 crianças (idade média 6.4 anos, mediana 4.0). O total
de 8 pacientes (média de idade 7.8 anos, mediana 5.0) submeteram-se
a 17 procedimentos ureteroscópicos, 6 dos quais envolvendo o
uso de laser e 3 crianças com cálculos coraliformes foram
tratadas pela nefrolitotomia aberta sob isquemia renal e hipotermia.
- Resultados:
Das 23 crianças que utilizaram ESWL, 21 (91%) ficaram livres
de cálculos; 17 com uma só sessão (74%), 3 com
duas sessões e 3 (13%) com 3 sessões. Todos os 8 pacientes
que foram tratados com ureterolitotripsia ficaram livres de cálculos.
Em 4 casos cujos cálculos não foram alcançados
inicialmente, um cateter duplo-J foi colocado e posteriormente os cálculos
e os cateteres foram retirados em sessão subseqüente, com
sucesso.
Com a NLPC os cálculos foram retirados em 27 das 30 unidades
renais (90%); 3 pacientes tiveram cálculos residuais que foram
resolvidos com ESWL.
Duas das 3 crianças que foram submetidas a nefrolitotomia aberta
tiveram pleno sucesso e a terceira ficou livre de cálculo com
ESWL suplementar.
Avaliação metabólica mostrou que 25 das 45 crianças
(55%) tinham infecção urinária; 8 (18%) hiperoxalúria;
3 (7%) hipercalciúria; 2 (4%) cistinúria e 7 (16%) não
apresentaram uma causa evidente. Tratamento com uma única modalidade
tornou 52 de 59 crianças (88%) livres de cálculos; quando
diferentes modalidades de tratamento foram utilizadas, 57 de 59 crianças
ficaram livres de cálculos (97%).
- Conclusões:
Avanços tecnológicos na ESWL, na ureteroscopia e na percutânea
têm tido um significante efeito no manuseio da urolitíase
em crianças, permitindo segurança e sucesso.
- Comentário
Editorial
O cálculo urinário em crianças deixou de ser um
desafio desde que surgiram todos os recursos modernos da endourologia
ESWL, NPC e UL.
As políticas de reservar a NLPC para cálculos semi-coraliformes,
coraliformes ou com massa calculosa grande em relação
ao tamanho do rim e de empregar a ESWL para cálculos menores
foram respeitadas nessa casuística. Os rins infantis toleram
bem as dilatações maiores (28 a 30F) durante a NLPC, embora
a mini-percutânea (11F) seja muito atrativa, apesar da desvantagem
de obrigar a fragmentação maior dos cálculos com
o perigo de serem deixados fragmentos calculosos. A ureterolitotripsia
utilizando ureterorenoscópios rígidos 4F a 7.5F ou flexíveis
(6.4F) foi coroada de sucesso (100% dos casos). Não há
nenhum demérito de, nos 4 casos citados, ter sido colocado um
duplo-J, para permitir melhor acomodamento do ureterorenoscópio
em um segundo tempo.
É importante notar a incidência de infecção
urinária na urolitíase pediátrica (nesta casuística
55% dos casos). Também é interessante lembrar que
febre é um acontecimento relativamente freqüente em crianças
submetidas a NLPC, apesar da antibioticoterapia profilática ou
de já haver sido combatida a infecção urinária
previamente (17%). A hemocultura e a urinocultura foram negativas em
todas as crianças com febre acima de 38ºC, e todas se mantiveram
hemodinamicamente estáveis, não devendo este fato (febre),
portanto, ser encarado como grande complicação.
Dr. Pedro P. de Sá Earp
IMAGING
Prostate
cancer staging: should MR imaging be used? A decision analytic approach
Jager GJ, Severens JL, Thornbury JR, de la Rosette JJMCH , Ruijs SH, Barentsz
JO
Radiology, 215: 445-451, 2000
Estadiamento
do câncer da próstata: a RM deve ser usada? Uma abordagem
de decisão analítica
- Objetivos:
Determinar o uso apropriado da ressonância magnética (RM)
para o estadiamento pré-operatório do câncer da
próstata (CP).
- Material
e Métodos: Revisão da literatura utilizando os princípios
da medicina baseada em evidências e avaliação da
tecnologia médica. Um modelo de decisão analítica
foi utilizado para comparar a)- a estratégia pela qual a prostatectomia
radical (PR) é realizada com base no estadiamento clínico
com b)- a estratégia pela qual a doença extra-capsular
detectada pela RM contra-indica a PR em pacientes que eram , pelo estadiamento
clínico, previamente considerados como candidatos à cirurgia.
- Resultados:
Após revisão da literatura, a opinião dos especialistas
participantes foi a de não recomendar a RM como rotina no estadiamento
do CP. Não foi encontrado nenhuma publicação que
discutisse com clareza a sua eficácia terapêutica. O modelo
de decisão analítica indicou que a estratégia que
incluiu estadiamento com RM diminuiu os custos (RM $10.568; PR $11.669)
e obteve resultados praticamente iguais de expectativa de vida (RM,
12, 59 anos; PR, 12, 60 anos) e de anos com qualidade de vida ajustada
(RM, 12, 53; PR 12,52). Os resultados das análises da sensibilidade
demonstraram que a utilização da RM foi mais efetiva e
mais econômica, sendo a probabilidade de existir doença
extra-capsular de pelo menos 39%, quando considerado os anos com qualidade
de vida ajustada, e de 50% quando considerada a expectativa de vida
não ajustada.
- Conclusão:
Ainda não está definido se o estadiamento pré-operatório
com RM é apropriado, porém resultados da decisão
analítica sugerem que o estadiamento com RM tem boa relação
custo-benefício em pacientes com moderada ou alta probabilidade
de apresentar doença extra-capsular.
- Comentário
Editorial
Neste estudo os autores realizaram uma análise exaustiva e complexa
da literatura disponível na MEDLINE (1991-1997) de todos os trabalhos
relacionados ao emprego da RM no estadiamento do CP, e discutiram particularmente
a relação custo-benefício do uso da RM, tanto em
relação à qualidade de vida do paciente, como também
sob o ponto de vista do seguro-saúde (ou seja, da instituição
que financia a realização do exame e do procedimento cirúrgico).
Devido a inúmeras variáveis e aos diferentes métodos
de análise utilizados, alguns pontos podem ser criticados: a)-
a falta de comparação com os tratamentos conservadores;
b)- a grande variedade de custos que existe tanto da RM quanto da PR
nos diversos centros hospitalares e c)- a falta de padronização
dos critérios radiológicos representativos de doença
extra-prostática. Como sabemos a utilização da
RM no estadiamento pré-operatório do CP ainda é
controverso e motivo de debate na literatura. Este método é
subtilizado pelos urologistas por diversos motivos. Nos EUA, cerca de
65% dos urologistas têm o método à disposição,
mas apenas 10% o utiliza. No meio radiológico, a tendência
atual, com base em trabalhos criteriosos recentes, é a de não
indicar a RM (endo-retal obviamente) como método de rotina no
estadiamento do CP. A RM, deve sim ser utilizada de forma otimizada,
ou seja, quando apresentar a melhor relação custo-benefício
possível. Isso fato ocorre em pacientes com risco intermediário
ou alto de apresentar doença extra-capsular. Os riscos são
calculados por intermédio das tabelas de Partin e compreendem,
respectivamente, os pacientes com PSA acima de 10 e Gleason entre 5
e 7 e pacientes com PSA acima de 20 ou Gleason acima de 8.
Dr. Adilson Prando
ANDROLOGY
Poor outcome
with round spermatid injection in azoospermic patients with maturation
arrest
Levran D, Nahum H, Farhi J, Weissman A
Fertil Steril, 74: 443-449, 2000
Resultado
insatisfatório da injeção intracitoplasmática
de espermátides em pacientes azoospermicos com parada de maturação
- Objetivos:
Comparar os resultados de gravidez obtidos com a injeção
intracitoplasmática de espermátides ao invés de
espermatozóides maturos durante ciclos de fertilização
in vitro.
- Material
e Métodos: Através da técnica de TESE (testicular
sperm extraction coleta de espermatozóides através
de punção direta nos testículos), foram obtidas
espermátides ou espermatozóides maduros de 18 casais cujo
marido era portador de azoospermia não obstrutiva (parada de
maturação). Os autores comparam os resultados de gravidez
obtidos em 17 ciclos de fertilizaçao in vitro + ICSI, usando
espermátides, com 6 ciclos de ICSI usando espermatozóides
maduros.
- Resultados:
A taxa de fertilização usando espermátides para
ICSI foi de 44.9%, contra 69.0% quando se utilizou espermatozóides
maduros. Observou-se maior taxa de parada de divisão quando se
usou espermátides ao invés de espermatozóides maduros
(40.8% vs. 8.2%). Não ocorreram gestações no grupo
que utilizou espermátides, enquanto 50% dos ciclos que utilizaram
espermatozóides maduros resultaram em gravidez.
- Conclusões:
Os autores concluem que a eficiência do ICSI utilizando espermatozóides
imaturos (espermátides) é extremamente ruim em pacientes
com azoospermia devido a parada de maturação, e que o
papel da técnica deve ser reavaliado.
- Comentário
Editorial
A técnica de ICSI revolucionou o tratamento da infertilidade
masculina, permitindo à maioria dos casais a obtenção
da gravidez. Entretanto, este artigo chama a atenção para
o fato de que, pacientes com azoospermia não obstrutiva, com
parada de maturação, nos quais não é possível
obter espermatozóides maduros para a injeção, as
chances de sucesso são mínimas. Os relatos da literatura
referem-se a casos isolados, e não podem servir de incentivo
para a indicação da técnica para todo e qualquer
paciente azoospérmico. É necessário informar os
casais quanto a sua real chance de sucesso (mínimas, no caso),
para que, com o tempo e com a publicação de séries
mais numerosas, possa se estabelecer o real papel do uso de espermatozóides
imaturos para a obtenção da gravidez.
Dr. Paulo A. Neves
Factors predicting recovery of erections after radical prostatectomy
Rabbani F, Stapleton AME, Katian MW, Wheeler TM, Scardino PT
J Urol, 164: 1929 -1934, 2000
Fatores
preditivos da recuperação das ereções após
prostatectomia radical
- Objetivo:
Avaliar os fatores prognósticos de manutenção
da ereção após prostatectomia radical.
- Material
e Métodos: O
estudo incluiu 314 pacientes submetidos à prostatectomia radical
retropúbica.
- Resultados:
A idade do paciente, função erétil pré-operatória
e ampla preservação dos feixes vásculo-nervosos
foram preditivos de manutenção das ereções
após a cirurgia.
O estádio patológico do tumor não foi relevante.
Depois de 3 anos da cirurgia, 76% dos pacientes com menos de 60 anos,
ereções normais pré-operatória e preservação
bilateral dos feixes vásculo-nervosos apresentam ereções
plenas. Entre 60 e 65 anos essa taxa cai para 56%, e com idade superior
a 65 anos passa a 47%. Nos pacientes com ereção parcial
antes da cirurgia, a potência pode ser mantida em apenas 47% dos
casos. A ressecção de um dos feixes vásculo-nervosos
reduz a chance de recuperar as ereções para 25%.
- Conclusão:
A função erétil pré-operatória, a
idade do paciente e a preservação bilateral dos feixes
vásculo-nervosos são importantes na recuperação
da ereção pós-prostatectomia radical.
- Comentário
Editorial
Desde que se tornou possível a preservação da função
erétil dos pacientes submetidos à prostatectomia radical,
a orientação pré-operatória assumiu papel
relevante. Assim, conhecer os fatores prognósticos para manutenção
da ereção passou a ser necessário. Embora existam
poucos estudos que avaliaram o tempo necessário e os fatores
prognósticos para recuperação da ereção,
alguns aspectos apresentam relevância.
Antes de tudo, devemos informar o paciente que o período de recuperação
pode se prolongar por 2 ou 3 anos. Naturalmente, a função
erétil pré-operatória do paciente é vital.
Um bom cirurgião pode manter, mas não pode melhorar a
função erétil de seu paciente com a realização
da prostatectomia radical. Assim, apenas pacientes sem nenhuma queixa
de disfunção erétil poderão ter relações
sexuais normais após a cirurgia.
A disfunção erétil é mais freqüente
e mais grave com o aumento da idade. Dessa forma, os pacientes mais
jovens irão apresentar melhores resultados depois da cirurgia.
Esse estudo revelou que até os 60 anos, a chance de recuperação
da ereção é muito alta; cai significativamente
nos pacientes entre 60 e 65 anos e passa a ser exceção,
ou seja menos da metade dos homens com mais de 65 anos vão apresentar
ereções espontâneas após a cirurgia.
O último fator prognóstico identificado pelo estudo é
a preservação bilateral dos feixes vásculo-nervosos.
Quanto a esse parâmetro, a qualidade técnica do cirurgião
influi diretamente e de forma marcante na recuperação
da ereção dos pacientes. Quanto maior o treinamento, conhecimento
anatômico, e, portanto, mais aprimorada a técnica cirúrgica,
maior será a probabilidade de preservação bilateral
dos feixes vásculo-nervosos. Com isso, um número de pacientes
poderá retornar a sua atividade sexual normal, sem necessidade
de qualquer tratamento complementar.
Dr.
Joaquim de A. Claro
ENDOUROLOGY
AND LAPAROSCOPY
Laparoscopic
radical nephroureterectomy for upper tract transitional cell carcinoma:
the Cleveland Clinic experience
Gill IS, Sung GT, Hobart MG, Savage SJ, Meraney AM, Schweizer DK, Klein
EA, Novick AC
J Urol,164: 1513-1522, 2000
Nefroureterectomia
radical laparoscópica no carcinoma de células transicionais
do
trato superior: a experiência da Cleveland Clinic
- Objetivos:
Reportar a experiência de uma única instituição
com a nefroureterectomia radical laparoscópica em pacientes com
carcinoma de células de transição do trato urinário
superior e comparar os resultados obtidos com os da cirurgia aberta.
- Material
e Métodos:
Um grupo de 77 pacientes foi submetido à nefroureterectomia radical
por carcinoma de células de transição do trato
superior confirmado histologicamente. Destes pacientes, 42 foram submetidos
à nefroureterectomia laparoscópica entre setembro de 1997
e janeiro de 2000, e 35 pacientes foram submetidos à cirurgia
aberta. Todos os espécimes foram removidos intactos. No grupo
laparoscópico o ureter justavesical e o cuff de bexiga foram
excisados por uma nova técnica microlaparoscópica transvesical
em 27 casos; a nefroureterectomia retroperitoneal foi utilizada em todos
os 42 pacientes. Os dados obtidos foram comparados com os dados retrospectivos
de 35 pacientes submetidos à nefroureterectomia aberta entre
fevereiro de 1991 e dezembro de 1999.
- Resultados:
A cirurgia laparoscópica foi superior quanto a tempo operatório
(3.7 vs. 4.7 hs, p = 0.003), perda sangüínea (242 vs. 696
cc, p < 0.0001), peso do espécime (559 vs. 388 g, p = 0.04),
introdução da dieta oral (1.6 vs. 3.2 dias, p = 0.0004),
quantidade de analgésicos (26 vs. 228 mg, p < 0.0001), permanência
hospitalar (2.3 vs. 6.6 dias, p < 0.0001), retorno às atividades
normais (4.7 vs. 8.2 semanas, p = 0.002) e tempo de convalescença
(8 vs. 14.1 semanas, p = 0.007). Complicações ocorreram
em 5 pacientes (12%) no grupo laparoscópico, incluindo 2 conversões
para cirurgia aberta, e em 10 pacientes (29%) no grupo da cirurgia aberta
(p = 0.07). O tempo de seguimento foi menor no grupo laparoscópico
(11.1 vs. 34.4 meses, p < 0.0001). Os 2 grupos foram semelhantes
quanto à recorrência na bexiga (23% vs. 37%, p = 0.42),
recorrência no leito ou no ferimento do trocarte (0% vs. 0%) e
doença metastática (8.6% vs. 13%, p = 1.00). Dois pacientes
(6%) morreram no grupo laparoscópico e 9 (30%) no grupo da cirurgia
aberta. A sobrevida câncer-específica (97% vs. 87%) e a
sobrevida absoluta (97% vs. 94%) foram semelhantes nos 2 grupos (p =
0.59).
- Conclusões:
Nos pacientes com câncer de células transicionais do trato
superior que sejam candidatos à nefroureterectomia radical, o
acesso laparoscópico retroperitoneal reproduz os princípios
técnicos consagrados da cirurgia aberta oncológica tradicional,
ao mesmo tempo que reduz significativamente a morbidade do procedimento.
Os resultados oncológicos e de sobrevida a curto prazo são
comparáveis aos da cirurgia aberta. Embora os resultados a longo
prazo ainda não estejam disponíveis, pode-se dizer que
a nefroureterectomia radical laparoscópica poderá suplantar
a cirurgia aberta como procedimento-padrão nos pacientes com
carcinoma transicional do trato urinário superior, com invasão
muscular ou de alto grau.
- Comentário
Editorial
Este trabalho sugere que o gold standard do tratamento do carcinoma
de células de transição do trato urinário
superior poderá ser, num futuro próximo, a nefroureterectomia
radical laparoscópica. O poderá ser tanto retroperitoneal,
como os autores deste trabalho preferem, como transperitoneal, como
nós e outros preferimos. Com maior tempo de seguimento oncológico,
com ênfase especial nos índices de recorrência local
e nos ferimentos dos trocartes, esse padrão poderá ser
adotado por outros serviços onde se pratica a laparoscopia urológica
avançada. Um trabalho randomizado prospectivo com um seguimento
mínimo de 5 anos poderia dar a palavra final neste assunto, ainda
polêmico.
Dr. Lísias N. Castilho
Metastatic renal cell cancer after laparoscopic radical nephrectomy:
long-term follow-up
Fentie DD, Barrett PH, Taranger LA
J Endourol, 14: 407-411, 2000
Câncer
renal metastático após nefrectomia radical laparoscópica:
seguimento a longo prazo
- Objetivo:
Avaliar o risco de doença metastática no seguimento de
pacientes submetidos a nefrectomia radical laparoscópica com
morcelação para carcinoma de células renais.
- Pacientes
e Métodos:
Foram apresentados os resultados no seguimento de 13.5 a 70 meses (média
33.4 meses) de 57 pacientes (estádio clínico inicial N0M0).
Três pacientes desenvolveram metástases, um apresentava
estádio clínico T3 e tumor grau III/IV e desenvolveu recorrência
assintomática na fossa renal, com metástase torácica
associada 14 meses após a cirurgia. O segundo, estádio
clínico T2 e tumor grau II/IV, desenvolveu lesões ósseas
dolorosas e uma metástase torácica 20 meses após
a cirurgia. O terceiro paciente, com estádio clínico T3
e tumor grau IV/IV, desenvolveu uma única recorrência no
local de entrada de um portal na parede abdominal, sem outras evidências
de doença metastática com 25 meses.
- Conclusões:
O seguimento a longo prazo demonstrou 5% (3/57) de metástases
após nefrectomia radical laparoscópica. Em 2 destes pacientes,
o curso foi compatível com a história natural da doença;
entretanto, o terceiro apresentou recorrência no local de um portal.
Este achado levanta a questão do cuidado meticuloso que deve
ser tomado com a técnica operatória e o seguimento dos
pacientes após a nefrectomia laparoscópica.
- Comentário
Editorial
A nefrectomia radical é o tratamento padrão para o câncer
renal. O acesso por via laparoscópica é uma alternativa
segura para a realização do procedimento cirúrgico
no câncer renal e está associada à baixa morbidade.
Numa comparação direta entre a via aberta e a laparoscópica,
vários autores relatam vantagem da laparoscópica quanto
à diminuição significativa da necessidade de analgésicos
no pós-operatório e menor permanência hospitalar,
embora a cirurgia laparoscópica necessite de uma equipe cirúrgica
bem treinada e demande maior tempo operatório. O trabalho em
questão aponta a probabilidade de ocorrência de implantação
de tumor no orifício do portal onde se deu a morcelação,
o que talvez nos oriente para a necessidade da retirada da peça
íntegra, por uma pequena abertura.
Dr. Marcelo L. de Lima
MISCELLANEOUS
Intravesical
bacillus calmette-guerin and dimethyl sulfoxide for treatment of
classic and nonulcer interstitial cystitis: a prospective, randomized
double-blind study
Peeker R, Haghsheno MA, Holmäng S
J Urol 164: 1912-1916, 2000.
BCG intravesical
e DMSO no tratamento da cistite intersticial:
estudo prospectivo, duplo cego e randomizado
- Objetivos:
Determinar se os pacientes com cistite intersticial (CI) nas formas
clássica e não ulcerada poderiam se beneficiar do tratamento
com BCG intravesical e DMSO.
- Métodos:
21 pacientes, 10 com a forma clássica e 11 com a forma não
ulcerada de CI foram tratados de maneira aleatória com DMSO ou
BCG intravesical. Não ocorrendo melhora eram tratados com a outra
substância após período de 3 meses de descanso.
Todos foram avaliados com questionários de sintomas, incluindo
escala visual de dor e diário miccional.
- Resultados:
Independente
do tipo de tratamento não houve melhora da capacidade funcional
máxima. Houve redução da freqüência
urinária nos pacientes do grupo clássico tratados com
DMSO (p < 0.05), enquanto, o tratamento com BCG não apresentou
melhora em nenhum dos grupos. Melhora significativa da dor foi observada
nos 2 grupos, clássico e não ulcerado, tratados com DMSO.
- Conclusões:
O BCG foi apresentado como uma nova e promissora opção
de tratamento para a CI, porém, não houve melhora dos
sintomas neste estudo. O DMSO não tem efeito na capacidade funcional
máxima, no entanto, reduz de forma significativa a dor e a freqüência
urinária em pacientes com CI na forma clássica.
- Comentário
Editorial
Este estudo apesar da pequena amostra, não conseguiu demonstrar
efeitos benéficos do BCG no tratamento da CI, contrariando alguns
estudos anteriores. O pequeno tempo de seguimento, apenas 3 meses, pode
ser criticado, pois os efeitos do BCG podem demorar 6 meses para aparecer.
O estudo nos faz refletir sobre o uso generalizado do BCG no tratamento
da CI, pois é um tratamento que apresenta riscos. Devemos aguardar
a conclusão de estudo multicêntrico comparando o BCG com
placebo que já está em andamento. Somente após,
poderemos colocar o BCG como uma alternativa para o tratamento da CI.
Dr. Maurício Rodrigues Netto
Gemcitabine and cisplatin versus methotrexate, vinblastine, doxorubicin,
and cisplatin in advanced or metastatic bladder cancer:
results of a large, randomized, multinational, multicenter, phase III
study
Von der Maase H, Hansen SW, Roberts JT, Dogliotti L, Oliver T, Moore MJ,
Bodrogi I, Albers P, Knuth A, Lippert CM, Kerbrat P, Sanchez Rovira P,
Wersall P, Cleall SP, Roychowdhury DF,
Tomlin I, Visseren-Grul CM, Conte PF
J Clin Oncol, 18: 3068-3077, 2000
Gemcitabina
e cisplatina (GC) versus metotrexate, vinblastina, doxorrubicina e cisplatina
(MVAC) em cancer de bexiga avançado ou metastático: resultados
de um grande estudo multicêntrico, multinacional e randomizado de
fase III
- Objetivo:
Comparar MVAC com GC em pacientes com câncer de bexiga avançado
ou metastático.
- Introdução:
O câncer de bexiga metastático ou avançado, antes
do desenvolvimento da quimioterapia tinha mediana de sobrevida de 3
a 6 meses. Com o desenvolvimento da quimioterapia a sobrevida aumentou
para 12.5 meses. A combinação MVAC é a quimioterapia
que apresentou melhores resultados, porém com toxicidade alta.
O aparecimento de novas drogas com atividade em tumores da bexiga, especialmente
a gemcitabina, levou a realização de um estudo de fase
III comparando o novo tratamento com o standard MVAC.
- Material
e Métodos:
Estudo multicêntrico, multinacional e randomizado de fase III.
Amostra calculada para detectar 33% de diferença entre os braços.
Análise por intenção de tratamento. Pacientes com
câncer de bexiga com doença localmente avançada
(T4b, N2 ou N3) ou metastática (M1). Os objetivos principais
- sobrevida, tempo para progressão, qualidade de vida, toxicidade
e utilização de recursos médicos adicionais. Segue
os princípios éticos da declaração de Helsinki.
- Resultados:
405 paciente foram randomizados, GC n = 203; MVAC n = 202. Sobrevida
em meses (intervalo de confiança de 95%): GC = 13.8 (12.3-15.8)
X MVAC 14.8 (13.2 - 16.8) p não significativo. Tempo para progressão
em meses (intervalo de confiança de 95%): GC = 7.4 (6.6-8.1);
MVAC 7.4 (6.7-9.1). Qualidade de vida: similar nos 2 grupos com melhora
de fadiga no braço GC. Toxicidade: menor necessidade de redução
de doses por toxicidade no braço GC, menor incidência de
toxicidade grau 3 e 4 com significância estatística (neutropenia
febril, sepsis e mucosite) no braço GC, menor mortalidade por
toxicidade sem significância estatística no braço
GC. Utilização de recursos médicos: menor necessidade
de uso de medicamentos (antibióticos, antifúngicos, fator
estimulador de colônias e outros) no braço GC, menor hospitalização
em número e em dias no braço GC.
- Conclusão:
GC tem atividade similar ao MVAC, com um melhor perfil de toxicidade
e tolerância. O GC deve ser utilizado no tratamento destes pacientes.
- Comentário
Editorial
Dados de um estudo randomizado que atendem aos critérios de validação
de estudos de tratamento e a princípios éticos adequados,
demonstram que a quimioterapia GC tem a mesma atividade, com melhor
toxicidade que o MVAC em pacientes com câncer de bexiga avançado
e metastático. Seu maior custo pode ser compensado pela menor
utilização de recursos hospitalares e medicações
adicionais. Temos um estudo que fornece nível II de evidência
para o uso de GC nestes pacientes. Estudos futuros de análise
econômica devem avaliar o custo/benefício desta combinação.
É a primeira quimioterapia em mais de 15 anos que demonstra alguma
vantagem sobre o MVAC tradicional. Esta combinação pode
ser adotada como tratamento padrão no tratamento destes pacientes.
Aguardamos estudos da mesma qualidade que avaliem esta combinação
em tratamento adjuvante e conservador do câncer de bexiga.
Dr.
Otávio A. C. Clark
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