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QUANTITATIVE MORPHOLOGICAL
CHANGES IN THE PROSTATE EPITHELIUM OF PATIENTS WITH BENIGN PROSTATIC HYPERPLASIA
MÁRCIO A.
BABINSKI, MAURÍCIO A. CHAGAS, HERCÍLIO P. DA LUZ, MÁRIO
J.S. PEREIRA, WALDEMAR S. COSTA, FRANCISCO J.B. SAMPAIO
Urogenital
Research Unit, State University of Rio de Janeiro, RJ, Brazil
ABSTRACT
Purpose:
To analyze the modifications in prostatic glands, using as morphometric
parameter the number of acini and the height of the epithelial cell layer,
comparing samples of prostates obtained from patients with benign prostatic
hyperplasia (BPH) with normal prostates (NP) from young adults.
Material and Methods: Samples were obtained
from eight patients aged 63 to 79 years, submitted to open prostatectomy
due to prostatic enlargement and obstructive clinical symptoms. A histopathologic
analysis confirmed the diagnosis of BPH in all specimens. Controls consisted
of the transitional zone of prostates obtained during necropsy of 8 adults
aged 18 to 30 years. The samples were stained by hematoxilin-eosin and
Gomoris trichrome. The epithelial layer area as well as the maximum,
mean and minimum heights were determined on 25 random fields per prostate,
comprising about 228.9 acini per prostate. We counted and measure 3663
acini in the two groups, using histomorphometrical software. The data
was then analyzed by GraphPad InStat Software.
Results: There was a significant decrease
in the maximum (23.59%), mean (27.99%), and minimum (30.38%) epithelium
heights. The control data and the BPH samples, respectively, were: 1)-
0.0252 ± 0.0069 (mm) and 0.0178 ± 0.0023 (mm) for the epithelium
area (p < 0.05), 2)- 55.20 ± 5.78 (mm) and 42.18 ± 3.84
(mm) for the maximum height (p < 0.05), 3)- 9.58 ± 1.71 (mm)
and 6.67 ± 1.45 (mm) for the minimum height (p < 0.05), 4)-
27.72 ± 3.20 (mm) and 19.96 ± 2.07 (mm) for the mean epithelium
height (p < 0.05).
Conclusions: The modifications in the height
of the epithelial cell layer are significant, with its decrease suggesting
changes in the secretory activity of the epithelium cells of the hyperplastic
prostates compared to the secretion of normal prostates.
Key words:
prostate; prostatic hyperplasia; epithelium; morphometry
Braz J Urol, 27: 348-352, 2001
INTRODUÇÃO
A
arquitetura histológica da próstata é centrada em
dois componentes principais: o estroma fibromuscular e o componente glandular
ou parenquimatoso (1). A hiperplasia prostática benigna (HPB) é
um crescimento tecidual destes elementos histológicos que acarretam
profundas modificações na organização da próstata
(2).
As doenças do aparelho reprodutor
masculino, embora não estejam restritas à próstata,
tem neste órgão o seu componente mais afetado. Evidências
histológicas de HPB estão presentes em aproximadamente 90%
das biópsias da glândula, realizadas em indivíduos
após 60 anos, fazendo dessa doença uma inevitável
conseqüência da idade (3).
Recentemente tem havido um aumento no interesse
por tratamentos não invasivos. Esse tratamento tem como alvo os
diferentes elementos histológicos que compõem a próstata
(1,4). Um conhecimento mais preciso dos constituintes teciduais e suas
alterações na HPB contribui não somente para o entendimento
da gênese desta patologia como para a escolha da melhor terapêutica
entre os diversos métodos disponíveis (1).
São poucos os trabalhos encontrados
na literatura que utilizam métodos de histomorformetria na análise
dos diferentes elementos histo-arquiteturais da próstata humana.
Os poucos estudos quantitativos mostraram comparações realizadas
entre HPB e câncer prostático (5) ou entre diferentes amostras
de HPB (6-8) ou ainda entre HPB e próstatas fetais (9), sem no
entanto, comparar os resultados obtidos em HPB com próstatas normais.
Persiste ainda uma grande divergência sobre o principal elemento
tecidual envolvido no crescimento prostático. Se ele é de
origem epitelial (ductos ou ácinos prostáticos) (10,2) ou
proveniente da proliferação de células do estroma.
Este último conceito é o mais aceito atualmente (11,12).
Um estudo estereológico recente,
levado a efeito em nosso laboratório (13), corrobora os achados
de outros pesquisadores (11,12,14,15) sobre um aumento significativo do
estroma (tecido muscular e tecido conjuntivo). Este estudo difere dos
demais por ter realizado a comparação de amostras de tecido
prostático analisando exclusivamente a zona de transição
da próstata.
O presente trabalho tem por objetivo quantificar
e determinar as mudanças estruturais ocorridas nos ácinos
das glândulas hiperplásicas e comparar com ácinos
da zona de transição de próstatas de indivíduos
jovens.
MATERIAL E MÉTODOS
Amostras
de tecido prostático da zona de transição de próstatas
hiperplásicas foram coletadas de 8 pacientes cujas idades variaram
entre 63 e 79 anos (idade média de 72 anos), submetidos a prostatectomia
aberta. Todos esses pacientes apresentavam sintomatologia obstrutiva e
diagnóstico histopatológico de HPB, excluindo assim a presença
de qualquer foco de neoplasia maligna na amostra estudada. O material
controle consistiu de 8 próstatas obtidas em autópsias de
indivíduos jovens normais com idade entre 18 a 30 anos (idade média
de 22), vítimas de morte traumática. Durante a autópsia,
verificou-se que a causa mortis não implicava
em comprometimento dos órgãos urogenitais.
Foi estabelecido um critério de tempo
entre a hora da morte e a retirada do material. No grupo controle esse
período não excedeu 6 horas. Durante a retirada das amostras
da zona de transição das próstatas do grupo controle
respeitou-se as orientações anatômicas propostas por
McNeal et al. (16). Logo após a sua retirada, os fragmentos da
zona de transição das próstatas do grupo controle
sofreram uma primeira clivagem e foram fixados em Bouin por 24 horas.
Em seguida foram desidratados em soluções crescentes de
álcoois, clarificados em xilol e incluídos em parafina.
Todas as amostras de HPB foram coradas com hematoxilina-eosina e examinadas
por um patologista para a detecção de focos neoplásicos.
De cada próstata foram retirados
5 fragmentos, que originaram 5 cortes diferentes de 5 mm de espessura,
sendo corados pelo tricrômico de Gomori. De cada corte foram analisados
e medidos todos os ácinos de 5 campos diferentes perfazendo um
total de 25 áreas teste analisadas em cada próstata.
Aquisição
e Análise de Imagens
As imagens para análise foram obtidas
em aumento de 40 vezes em um microscópio óptico Olympus
acoplado a uma câmera de vídeo Sony CCD, sendo as imagens
dos campos microscópicos transferidas para um monitor Sony KX14-CP1.
Após a seleção e ajuste
focal das imagens no monitor de vídeo, estas eram convertidas em
sinais digitais e transferidas para um computador. Para a análise
quantitativa utilizou-se o software Image Pro-plus (Media Cibernetics).
Este programa semi-automático possibilitou circunscrever os limites
basais e luminais do epitélio (Figure). Os parâmetros morfométricos
estabelecidos foram:
· A área total do epitélio
(ATE) em mm2, convertidos para mm:
ATE (mm) = LB - SL, onde LB (mm2) = limite basal e SL (mm2 ) = superfície
luminal
· As alturas epiteliais máxima
(AEmax), mínima (AEmin) e média (AEme), (Figure).
Os dados obtidos foram analisados no software
Graphpad InStat (Graphpad). Utilizou-se o teste de Kolmogorov-Smirnov
para verificar-se se os dados encontravam-se dentro da distribuição
normal, e o teste t não pareado para demonstrar a diferença
entre os grupos de próstata normal e com HPB, e determinar se essa
diferença era significativa. Considerou-se um p < 0.05 como
significativo.
RESULTADOS
No
presente trabalho, em média, foram contados e medidos o epitélio
de 5.2 ácinos por mm2 nas próstatas com HPB e 4.37 ácinos
por mm2 no grupo controle. Nossos achados mostraram uma diminuição
significativa de 29.37% (Table-1) na área ocupada pelo epitélio
nos ácinos com HPB. As alturas dos epitélios revelaram também
um decréscimo significativo nos ácinos hiperplásicos.
Os dados mostraram uma redução de 30.38% para a menor altura
epitelial e de 23.59% para a maior altura. A altura média foi reduzida
em 27.99% (Table-2). Além disso, a observação dos
cortes de HPB mostraram que a maioria dos ácinos hiperplásicos
apresentavam em seu interior grânulos que se condensam em concreções
(corpora amilacea), o que não foi observado nas próstatas
do grupo controle.
DISCUSSÃO
Trabalhos
qualitativos e quantitativos sobre HPB normalmente não levam em
consideração o fato de que a próstata é um
órgão histologicamente heterogêneo. Autores que fizeram
estudos morfométricos sobre o componente epitelial (15,17) coletaram
amostras aleatoriamente sem levar em consideração as diferenças
existentes entre as distintas regiões prostáticas. As análises
levadas a efeito no presente trabalho referem-se exclusivamente à
zona de transição, reduzindo em muito a possibilidade de
alteração dos dados devido a componentes histológicos
de outras regiões.
McNeal (10) e Price et al. (2), propõem
que as formações nodulares encontradas na HPB também
se encontram relacionadas a modificações do parênquima
prostático. Isto é confirmado por Iczkowski & Bostwick
(4) que descreveram qualitativamente alterações histopatológicas
encontradas no epitélio. Apesar de se conhecer o comprometimento
do componente epitelial foram encontrados poucos trabalhos na literatura
consultada, contendo dados morfométricos a respeito do epitélio
em particular e dos ácinos como um todo, da zona de transição
da próstata (4,10,15). Nossos dados indicam uma diminuição
significativa da área total ocupada pelo epitélio sugerindo
fortemente uma alteração no mecanismo secretor destas células.
Tal fato é corroborado por Cohen et al. (18,19) que realizaram
analises qualitativas sobre o comportamento glandular em próstatas
com câncer e HPB e demonstraram, nessas patologias, a presença
do glicosaminoglicano (GAG) queratan sulfato sendo produzidos pelas células
epiteliais. Como este GAG representa um dos principais componentes das
concreções prostáticas (19) é possível
supor que exista uma relação entre estas modificações
de natureza morfológica assinaladas no presente trabalho e a secreção
prostática.
CONCLUSÕES
A
diminuição significativa da altura e da área ocupada
pelo epitélio no ácino hiperplásico é um fenômeno
constante. As modificações na secreção de
ácinos em próstatas com HPB, descritas na literatura, encontram
um respaldo morfológico nos achados do presente trabalho.
______________________________________
Financiamento: CNPq, FAPERJ.
O presente trabalho refere-se aos resultados
preliminares da dissertação de mestrado de
Márcio A. Babinski, financiado pela Universidade
do Vale do Itajaí, para realizar Pós-graduação
em Morfologia na UERJ.
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Received: May 22, 2001
Accepted after revision: July 25, 2001
________________________
Correspondence address:
Dr. Waldemar S. Costa
Unidade de Pesquisa Urogenital
Av. 28 de Setembro, 87, fundos, FCM, térreo
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