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ENDOUROLOGY
AND LAPAROSCOPY
Impact
of lower pole renal anatomy on stone clearance after shock wave lithotripsy:
fact or fiction?
K Madbouly, KZ Sheir, E Elsobky
J Urol, 165: 1415-1418, 2001
O impacto
da anatomia do cálice inferior na eliminação do cálculo
após litotripsia por ondas de choque: fato ou ficção?
- Objetivo:
Determinar se há relação significativa entre a
anatomia espacial do cálice inferior, analisada por urografia
excretora prévia, e o sucesso na eliminação do
cálculo tratado por litotripsia extracorpórea por ondas
de choque (LEOC).
- Material
e Métodos: dentre 258 casos com cálculo calicinal
inferior, 108 preencheram os critérios e constituem o material
de estudo. A ausência de cálculos foi avaliada pela tomografia
computadorizada e /ou ultra-sonografia renal. O índice de ausência
de cálculos aos 3 meses pós LEOC foi correlacionado com
o comprimento do infundíbulo, a largura do mesmo em milímetros
e o ângulo infundíbulo-pélvico, medido em graus.
A LEOC foi realizada com 3 equipamentos: Dornier MFL 5000, Toshiba Echolith
e Dornier Lithotripter S.
- Resultados:
Três meses após a litotripsia, 79 pacientes (73.1%) estavam
sem cálculos, com taxa de re-tratamento de 1.84 ± 0.96.
O número de sessões variou de 1 a 5. Todos os casos cujo
cálculo era maior de 2 cm necessitaram mais de uma sessão
de tratamento.
O tamanho médio dos cálculos foi de 14.42 ± 5.11
mm. (igual/maior 2 cm).
O comprimento médio do infundíbulo variou de 20.9 ±
6.55 mm, 45.4% acima de 3 cm e 54.6% menor ou igual a 3 cm. O comprimento
do infundíbulo foi discretamente mais longo nos casos nos quais
persistiram fragmentos de cálculos, porém a diferença
não foi estatisticamente significante (p = 0.1768).
A largura média do infundíbulo foi de 5.65 ± 2.34
mm. A largura do infundíbulo > 5 mm. foi encontrada em 41.7%
e igual/maior 5 mm em 58.3%. Também aqui, não houve diferença
estatística da largura com a presença de cálculos
residuais (p = 0.6608).
A variação do ângulo infundíbulo-pélvico
foi de 48.33 ± 14.84o (de 19 a 90 o). Não foi encontrado
ângulo infundíbulo-pélvico obtuso.
Foi observado comportamento semelhante tanto no grupo de pacientes com
ângulo menor ou igual a 45o como naqueles que apresentavam ângulo
maior que 45o.
Nenhum dos 3 fatores anatômicos teve importante impacto na taxa
livre de cálculo em 3 meses.
A taxa de eliminação não sofreu qualquer interferência.
Quando os cálculos tinham comprimento igual/maior de 2 cm.
A morfologia renal foi o único fator realmente relevante na taxa
livre de cálculo, visto que a eliminação dos cálculos
foi substancialmente menor nos rins acometidos por pielonefrite (p =
0.0009).
- Conclusão:
As diferenças anatômicas do cálice inferior não
apresentaram importância significativa na eliminação
dos cálculos após LEOC.
- Comentário
Editorial
Em 1992, Sampaio & Aragão descreveram, em moldes anatômicos,
algumas características do sistema coletor do pólo inferior
do rim humano. Analisaram as condições espaciais dos cálices
do pólo inferior, e determinaram o comprimento e a largura do
infundíbulo, o ângulo entre o infundíbulo calicinal
inferior e a pelve renal. Verificaram nos moldes anatômicos que,
em 74% dos rins de não formadores de cálculo o ângulo
era maior de 90 graus (1). Em 1998, Clayman et al. aplicaram esses conceitos
anatômicos, na prática clínica. Concluíram
que as medidas anatômicas poderiam ser facilmente determinadas
em urografias excretoras (UIV) com o auxílio de uma régua
e um transferidor. Entretanto, Bagley et al. (3) mediram o ângulo
infundíbulo-pélvico na UIV usando o eixo ureteral e o
infundíbulo calicinal inferior. Nenhum de seus pacientes, portadores
de cálculo calicinal inferior, tinham ângulo maior de 90
graus.
Os resultados de Clayman et al., baseados nos estudos de Sampaio &
Aragão, diferem da população estudada no presente
artigo. Eles não incluíram cálculos acima de 15
mm, o grau de hidronefrose máximo foi grau II e o litotridor
usado foi Dornier HM3, que é mais potente que os aqui utilizados.
Nos pacientes cujos dados anatômicos eram favoráveis (ângulo
maior de 90 graus, comprimento menor de 3 cm e diâmetro do infundíbulo
> 5 mm) todos eliminaram os cálculos pós LEOC.
A impressão deixada é que não houve exata reprodução
dos estudos anatomoclínicos sendo diferente a amostra estudada
e, portanto, os resultados não podem ser comparados. Sugerimos
a realização de estudos rigidamente restritos aos parâmetros
estudados por Clayman no sentido de serem reproduzidos seus resultados.
Referências
1. Sampaio FJB, Aragão AHM: Inferior pole collecting system anatomy:
its probable role in extracorporeal shock wave lithotripsy. J Urol, 147:
322, 1992.
2. Elbahnasy AM, Shalhav AL, Hoenig DM, Elashry OM, Smith DS, McDougall
EM, Clayman RV: Lower caliceal stone clearance after shock wave lithotripsy
or ureteroscopy: impact of lower pole radiographic anatomy. J Urol, 159:
676-682, 1998.
3. Bagley DH, Rittenberg MH: Intrarenal dimensions: guidelines for flexible
ureteropyeloscopes. Surg Endosc, 1: 119, 1987.
Dr.
Marcelo Travassos
Dr. Nelson R. Netto Jr.
TC for the evaluation of flank pain
KR Anderson, RC Smith
J Endourol, 15: 5-23, 2001
CT para
avaliação de dor lombar
- Objetivo:
Demonstrar o valor do CT helicoidal no diagnóstico de cólica
renal, permitindo rápida e acurada avaliação da
presença de cálculo em algum ponto do trato urinário.
Na interpretação deste exame existe uma curva de aprendizado,
tanto para o radiologista quanto para o urologista, porém com
a experiência, o reconhecimento de um número de sinais,
confere alto valor preditivo no diagnóstico do cálculo
urinário. A CT helicoidal deve ser sempre acompanhada por scoutgram
para se ter uma idéia de como o cálculo se parece. O exame
não requer contraste e demora de 5 a 10 minutos para que sejam
tomadas as imagens, tornando o seu custo efetivo. Os urologistas e radiologistas
devem se familiarizar com as técnicas de interpretação
destes exames.
- Pacientes
e Métodos:
Os autores examinaram 813 pacientes com dor lombar através de
TC helicoidal, entre janeiro de 1994 e fevereiro 1996. Para o diagnóstico
de dor lombar 417 pacientes tiveram o diagnóstico confirmado
por outros estudos de imagem e seguimento clínico.
- Resultados:
A TC helicoidal demonstrou 95% de sensibilidade, 98% de especificidade,
e 98% de acuracia, que é superior à acuracia demonstrada
pela urografia excretora.
O diagnóstico de doenças não relacionadas com cálculo
foi estabelecido em 65 pacientes dos 417 incluídos no estudo.
- Conclusões:
A TC helicoidal consegue diagnosticar todos cálculos urinários,
mesmo os radiotransparentes, se compararmos com o scout film
e RX simples de abdome, o qual é feito no mesmo momento. Também
pode dar as medidas do cálculo através reconstituição
da imagem.
- Comentário
Editorial
Em uma época em que tratamentos estão se tornando minimamente
invasivos também os exames estão ficando cada vez mais
rápidos, precisos e práticos. Embora atualmente, preço
da TC helicoidal seja superior ao da urografia, provavelmente será
o método de eleição na rotina dos grandes serviços,
para avaliação de cólica renal e dor lombar, em
função de sua simplicidade, rapidez e abrangência.
As principais vantagens da TC são: avaliação de
dor lombar de forma rápida (5 a 10 minutos); grande acurácia
(98%); permitir o diagnóstico de dor lombar de origem não
calculosa; não necessitar contraste, com suas conhecidas implicações
tais como alergia; diagnosticar cálculos muito pequenos (1 mm);
diagnosticar cálculos de ácido úrico, que são
visíveis por este método (as imagens correspondentes não
são visíveis ao RX simples e o diagnóstico de que
se trata de cálculo de ácido úrico é inferido)
As maiores desvantagens são: dificuldade de avaliar o grau de
obstrução urinária, sendo extremamente sensível,
pequenas calcificações renais tais como placas Randal
podem ser interpretadas como cálculos; maior custo que a urografia
excretora, especialmente no nosso meio, embora seja um método
mais simples e rápido.
O diagnóstico e o grau da obstrução urinária,
não fornecidos pelo TC helicoidal, poderia ser feita complementada
através da determinação do índice de resistividade
pelo Doppler USG (> 0.04) com uma sensibilidade de 90% (1).
Referência
1. Shokein A.A, Abdulmaaboud M: ProspeTCive comparison of nonenhanced
helical computorized tomography and Doppler ultrasonography for the diagnosis
of renal colic. J Urol, 165: 1082, 2001.
Dr.
Pedro P. de Sá Earp
Laparoscopic
radical cystectomy with continent urinary diversion (rectal sigmoid pouch)
performed completely intracorporeally: the initial 5 cases
Türk I, Deger S, Winkelmann B, Schönberger B, Loening SA
J Urol, 165: 1863-1866, 2001
Cistectomia
radical laparoscópica com derivação urinária
continente (bolsa reto-sigmoidea) realizada de modo completamente intracorpóreo:
5 casos iniciais
- Objetivos:
Relatar a experiência com os 5 primeiros pacientes submetidos
à cistectomia radical com linfadenectomia bilateral e derivação
urinária continente (bolsa reto-sigmoidea) realizadas com técnica
laparoscópica intracorpórea.
- Material
e Métodos: Três homens e 2 mulheres entre 59 e 65 anos
de idade com carcinoma de células transicionais, invasivo da
bexiga, porém confinado ao órgão, foram operados.
O procedimento incluiu linfadenectomia pélvica, cistectomia radical
com prostatectomia ou pan-histerectomia, confecção de
uma bolsa reto-sigmoidea e reimplante ureteral-intestinal bilateral,
com técnica anti-refluxo. A técnica de sutura utilizada
foi inteiramente intracorpórea. Os espécimes cirúrgicos
foram ensacados e removidos pelo reto ou pela vagina, sem laparotomia.
- Resultados:
O tempo cirúrgico variou de 6.9 a 7.9 horas (mediana 7.4) e a
perda de sangue foi de 190 a 300 ml (mediana 245). Nenhum dos 5 pacientes
necessitou de transfusão sanguínea. A ingestão
oral foi iniciada no 3o. PO, os cateteres ureterais foram retirados
no 8o. PO e o cateter da bolsa foram retirados no 9o. PO. A permanência
hospitalar foi de 10 dias em todos os casos. O exame anatomopatológico
das peças cirúrgicas revelou carcinoma urotelial estádio
pT1G3 no caso 1, pT2bG2 nos casos 2 e 3, pT3aG2 no caso 4 e pT3aG3 no
caso 5. Os linfonodos e as margens de ressecção estavam
livres de tumor. Nenhuma complicação intra ou pós-operatória
foi observada.
- Conclusões:
Pelo que se conhece, esta é a primeira série de cistectomia
radical laparoscópica com derivação urinária
interna (bolsa reto-sigmoidea) e os resultados são promissores.
Com maior experiência e aperfeiçoamento da técnica
cirúrgica, a cistectomia radical laparoscópica, com derivação
continente, pode tornar-se uma alternativa para o tratamento de pacientes
selecionados, com câncer invasivo da bexiga.
- Comentário
Editorial
Em 1991 foi publicado o primeiro caso de nefrectomia, realizada urologista
norte-americano Ralph Clayman, com técnica inteiramente laparoscópica.
A partir daí, os procedimentos laparoscópicos ablativos
dominaram as publicações dos anos 90. Desde o final da
década passada surgiram relatos de procedimentos laparoscópicos
complexos, com técnicas de reconstrução mais elaboradas,
como a prostatectomia radical, a substituição ureteral
com íleo, a ampliação vesical com íleo,
a cirurgia de Mitrofanoff e, agora, a cistectomia radical com derivação
interna. Com o auxílio da robótica e da telecirurgia,
ainda incipientes, mas já comercialmente disponíveis,
as técnicas reconstrutivas dominarão o cenário
da cirurgia urológica laparoscópica nesta década.
Parece que a laparoscopia ainda vai demorar um pouco para encontrar
os seus limites.
Dr.
Lísias N. Castilho
IMAGING
Brachytherapy
for prostate cancer: endorectal MR imaging of local treatment-related
changes
Coakley FV, Hricak H, Wefer AE, Speight JL, Kurhanewicz J, Roach III M
Radiology, 219: 817-821, 2001
Braquiterapia
no câncer da próstata: aspectos da ressonância magnética
endoretal nas alterações locais relacionadas ao tratamento
- Objetivos:
Determinar os achados da ressonância magnética endoretal
(RMN-ER), nas alterações locais relacionadas à
braquiterapia no câncer da próstata.
- Casuística
e Métodos: RMN-ER foi realizada em 35 pacientes consecutivos
durante um intervalo médio de 12 meses (1 a 31 meses) após
braquiterapia para câncer da próstata.As seqüências
utilizadas foram: imagens ponderadas em T1 (cortes axiais) e imagens
ponderadas em T2 de alta-resolução (cortes axiais e coronais).
Dois observadores revisaram a qualidade das imagens e os achados, sendo
as discrepâncias resolvidas por consenso. Os sintomas urinários
pós-tratamento, observados em 24 pacientes, foram documentados
pela revisão dos prontuários médicos.
- Resultados:
Todos os estudos apresentaram qualidade diagnóstica. Nas imagens
ponderadas em T2, os achados prostáticos consistiram em hipointensidade
difusa (n = 35) e anatomia zonal indistinta (n = 34). A localização
das sementes intra e extra-prostática pode ser distinguida. O
local extra-prostático mais comum de implantação
da semente foi na região dos feixes neurovasculares (n = 35,
bilateral em 32). O achado tecidual extra-prostático mais comum
foi um hiper-sinal nas imagens ponderadas em T2 na região do
músculo elevador do ânus (n = 34) e no diafragma geniturinário(n
= 28). Os sintomas urinários pós braquiterapia não
mostraram correlação com a implantação da
semente peri-uretral ou com a implantação da semente ou
alteração do sinal no diafragma geniturinário.
- Conclusão:
A RMN-ER pode ser usada para avaliar a distribuição
das sementes e demonstrar as alterações relacionadas ao
tratamento com braquiterapia no câncer da próstata.
- Comentário
Editorial
A braquiterapia no tratamento do câncer da próstata (implantação
transperineal de sementes radioativas intersticiais guiada por ultra-som
transretal) tem ganhado recentemente maior popularidade devido a publicações
que conferem ao método alta eficiência, relativa baixa
morbidade, e um alto índice de preservação da potência.
Evidentemente, esta técnica não está indicada para
todos os pacientes, sendo sua indicação entre outros fatores
dependente do volume prostático. Como se sabe as técnicas
atuais de braquiterapia são elaboradas com o intuito de se reduzir
a dose de radiação na uretra e para se evitar os sintomas
urinários agudos (noctúria, disúria e freqüência).
Outros sintomas tais como os sintomas ano-retais, podem ocorrer (urgência,
sangramento ou ulceração). Neste estudo, os cortes coronais
da RMN-ER foram muito úteis para demonstrar o alinhamento linear
das sementes, achado encontrado em quase todos os pacientes estudados.
Esse fato, segundo os autores, praticamente anula a hipótese
de que a migração das mesmas é um fator na distribuição
sub-ótima das sementes. Do mesmo modo, os autores não
encontraram relação entre a morbidade urinária
e a distribuição peri-uretral das sementes. Especulam
que os sintomas urinários devam ser relacionados ao aumento do
volume glandular ao invés da lesão uretral mecânica
ou da uretrite actínica. Outro dado interessante encontrado é
o de que as alterações inflamatórias demonstradas
pela RMN-ER no músculo elevador do ânus, possam juntamente
com as alterações da retite actínica explicar os
sintomas ano-retais. Do mesmo modo, interrogam sobre uma eventual associação
entre disfunção erétil pós-braquiterapia
e o achado de sementes nos feixes neurovasculares e diafragma geniturinário.
Ressaltam, todavia, que novos estudos devam ser realizados com especial
ênfase na elucidação desta questão que não
pôde ser respondida por este estudo inicial.
Dr. Adilson Prando
Local recurrence after radical prostatectomy: correlation of US features
with prostatic fossa biopsy findings
Leventis AK, Shariat SF, Slawin KM
Radiology, 219: 432-439, 2001
Recorrência
local após prostatectomia radical: correlação das
características sonográficas com os achados de biópsia
da fossa prostática
- Objetivos:
Avaliar a acurácia da US transretal na detecção
da recorrência local após prostatectomia radical.
- Material
e Métodos: Noventa e nove pacientes com recorrência
bioquímica após prostatectomia radical foram avaliados
com US transretal e biópsia da fossa prostática. A localização
da recorrência suspeitada pelo US e as características
clínicas como níveis de PSA e achados do toque digital,
foram correlacionados com resultados de biópsia.
- Resultados:
41 (41%) dos 99 casos de recorrência local foram detectados.
As porcentagens de locais de lesão identificados e das correspondentes
biópsias positivas foram: área anastomótica uretrovesical
56% e 61%, colo vesical 26% e 54%, espaço retrovesical 4% e 100%
, mais de um local 14% e 71%. Comparando US e toque digital as sensibilidades
foram 76% e 44%, enquanto a especificidade 67% e 91%. Aumento de biópsias
positivas com aumento de PSA foi observado.
- Conclusões:
US transretal é um exame mais sensível, mas menos específico
que o toque digital na detecção da recorrência local.
Achados de biópsia em mais da metade das lesões suspeitas
da área anastomótica e do colo vesical foram positivos.
Lesões do espaço retrovesical, embora menos freqüentemente
encontradas apresentavam uma alta possibilidade de representar recorrência
neoplásica.
- Comentário
Editorial
Este estudo ressalta a importância clínica de se distinguir
pacientes com doença localmente recorrente, somente na fossa
prostática, daqueles com doença metastática oculta,
pois os primeiros podem se beneficiar da radioterapia local, curativa
em cerca da metade dos pacientes apropriadamente selecionados.
A validade da biópsia e demais aspectos já foram abordados
na literatura, mas o presente trabalho é interessante por integrar
os achados de imagem da fossa prostática com os resultados da
biópsia, bem como a correlação com o toque digital.
Além dos resultados deste trabalho, acrescentamos 3 comentários,
que na nossa opinião têm relevância. A biópsia
sistemática guiada por US deve ser realizada independentemente
dos achados sonográficos, sempre incluindo a zona de anastomose.
Cerca de 33% dos casos de recorrência do câncer prostático
são demonstrados apenas pela repetição da biópsia
transretal. A ressonância magnética pode aumentar a acurácia
nos exames de pacientes com biópsia transretal negativa, otimizando
os resultados de uma segunda biópsia da fossa prostática,
mostrando áreas de difícil acesso à sonografia
ou adenopatias.
Dr.
Nelson M.G. Caserta
ONCOLOGY
Lack of
retroperitoneal lymphadenopathy predicts survival of patients with metastatic
renal cell carcinoma
Vasselli JR, Yang JC, Linehan WM, White DE, Rosenberg SA, Walther MM
J Urol, 166: 68-72, 2001
Ausência
de linfadenomegalia retroperitoneal prediz sobrevida de pacientes com
carcinoma renal metastático
- Objetivos:
Avaliar quais pacientes com tumores metastáticos do rim se beneficiariam
de combinação de nefrectomia e imunoterapia com interleucina-2
(IL-2), antes de se iniciar qualquer tratamento.
- Material
e Métodos:
Análise retrospectiva de pacientes tratados entre 1985 e 1996
no NIH (EUA), que se apresentavam com carcinoma renal metastático,
e nos quais se realizou nefrectomia radical com linfadenectomia retroperitoneal
(LR) total ou parcial, e também ressecção de lesões
extrarenais (cirurgias complexas). Comparou-se a sobrevida de grupos
de pacientes que apresentavam ou não linfadenomegalia, que realizaram
a LR total ou parcial e/ou ressecção de outras lesões,
e também de pacientes que realizaram imunoterapia com IL-2 posteriormente.
- Resultados:
O total de 154 pacientes forma analisados, 82 com tumores metastáticos
e sem linfadenomegalia retroperitoneal, tiveram maior sobrevida (14.7
meses) que 72 pacientes com linfadenomegalia (85 meses, p = 0.0004).
Pacientes com ressecção incompleta, irressecáveis
ou volume ressecado indeterminado tiveram pior sobrevida do que aqueles
sem doença retroperitoneal. De 82 pacientes sem linfadenomegalia,
11 (13%) tiveram sobrevida maior que 5 anos, e das 6 respostas completas
com IL-2, 5 ocorreram nesse grupo. Apenas 1 paciente com LR incompleta
viveu mais que 5 anos. Não houve diferença significativa
de sobrevida entre pacientes que fizeram ou não cirurgias complexas
para ressecção de lesões extrarenais.
- Conclusões:
Pacientes que se apresentam com câncer renal metastático
e linfadenomegalia retroperitoneal têm menor sobrevida do que
aqueles sem doença retroperitoneal. Deve-se continuar realizando
cirurgias complexas se necessário, durante a nefrectomia radical,
uma vez que não se notou diferença na resposta à
IL-2 ou na sobrevida média destes pacientes, comparados ao grupo
no qual se realizou apenas a nefrectomia radical sem a retirada das
lesões metastáticas.
- Comentário
Editorial
Quinze a 20% de resposta é observada na imunoterapia com IL-2.
Cirurgia citoredutora freqüentemente é realizada antes da
utilização da IL-2, para se reduzir o volume tumoral e
minimizar problemas associados com o tumor primário, como dor,
sangramento, infecção ou desnutrição. Outra
alternativa pode ser a de se realizar antes um ciclo de IL-2, reservando-se
a nefrectomia para aqueles pacientes que responderam ao tratamento inicial.
Este estudo visa identificar o subgrupo de pacientes com tumores renais
metastáticos que se beneficiariam de um tratamento mais agressivo,
e parece que aqueles sem linfadenomegalia, ou que tiveram uma ressecção
completa da doença retroperitoneal, seriam este grupo.
É interessante notar que na última reunião anual
da AUA, em Junho de 2001, encontram-se 4 trabalhos (abstratos 761, 763,
764 e 769) sobre cirurgia citoredutora em câncer de rim, um deles
é deste grupo do NIH, e os outros são dos grupos da UCLA,
MD Anderson e de Hannover. Todos mostram a propriedade de se realizar
cirurgias complexas nesses pacientes, antes de se proceder à
imunoterapia com IL-2, embora não tenham feito referência
à linfadenopatia retroperitoneal como fator prognóstico
em casos de tumores metastáticos.
Dr. Francisco F.H. Bretas
Apoptosis and its relevance to urologists
Jefferson KP, Persad RA, Holly JMP
BJU International, 86: 598-606, 2000
Apoptose
e sua relevância para os urologistas
A
apoptose, ou seja, a morte eucariótica da célula, programada
geneticamente, é fundamental para o desenvolvimento humano normal,
homeostase tissular, eliminação de células infectadas
por vírus e resposta imunológica adequada.Vários
defeitos que levam à inativação dos mecanismos de
apoptose têm sido ligados ao aparecimento de várias doenças,
tais como anormalidades de crescimento, distúrbios autoimunes e
câncer. Por outro lado, a ativação dos mecanismos
da apoptose podem levar a neuropatias degenerativas e doenças musculares.
A apoptose é encontrada e pode contribuir no processo da disfunção
erétil, na incontinência urinária no idoso, causando
o enfraquecimento do esfíncter uretral. Na insuficiência
renal crônica, encontra-se apoptose difusa, com perda da massa renal.
Da mesma forma, a nefropatia obstrutiva causa a supressão dos fatores
de crescimento das células tubulares, com conseqüente apoptose.
A seqüência morfológica da apoptose é a seguinte:
encolhimento celular, perda da aderência celular, picnose nuclear,
degradação das organelas, compartimentalização
da célula numa membrana cercada de vesículas, para que ocorra
a fagocitose pelas células vizinhas. Essa seqüência
consome energia (ATP), ocorre de forma organizada e não ocasiona
uma reação inflamatória. A ativação
irreversível da apoptose pode ocorrer dentro de segundos após
um estímulo adequado, e a morte celular pode ocorrer em horas.
Assim, a apoptose é uma maneira organizada de eliminação
celular, de forma ordenada, em contraste com a necrose, que envolve aumento
do volume celular, dissolução nuclear e ruptura da membrana
plasmática, dando origem à reação inflamatória.
O índice de apoptose no carcinoma de células renais é
um importante fator prognóstico. Pacientes portadores de carcinoma
renal apresentam níveis elevados de uma proteína (sFas)
que inibe a apoptose nas células renais. Verificou-se que os níveis
dessa proteína se normalizaram após a nefrectomia. É
possível que mecanismos que impedem a apoptose contribuam na grande
resistência do carcinoma de células renais à radio
e quimioterapia.
Outra proteína, o gene p53 pode induzir
a apoptose. É interessante lembrar que as células neoplásicas
são hipersensivas aos estímulos para apoptose num período
de transformação maligna, o que pode estar correlacionado
com aumento dos níveis de p53. Após esse período,
as mutações genéticas se acumulam. Essa verificação
fortalece a hipótese de um tratamento radical não-invasivo
para tumores precocemente diagnosticados, levando a cura pela completa
apoptose das células tumorais.
Comentário
Editorial
Apesar do conhecimento adquirido no campo
das ondas de choque de alta energia, até o momento, nenhum estudo
avaliou seu potencial efeito na morte celular programada, a apoptose.
As implicações de uma fonte
não-invasiva e segura de energia extracorpórea, potencialmente,
causar apoptose são evidentes e muito atraentes.
Atualmente, em relação ao
carcinoma de células renais, não se observou queda na mortalidade
e nem no diagnóstico de casos com metástases à distância.
Por isso, os métodos diagnósticos e de tratamento devem
melhorar sua acurácia e eficácia.
Em particular, a terapia do tumor renal
deve evoluir para métodos menos invasivos, como a laparoscopia.
Contudo, a nefrectomia parcial é de difícil realização
e a ablação tumoral ainda não é segura.
Assim, formas de tratamento ainda menos
invasivas devem ser pesquisadas, como a radiofreqüência por
agulha (guiada por ressonância magnética) ou o ultra-som
de alta energia, que causa uma destruição por necrose, a
alta temperatura do tumor. Por outro lado, houve um grande aumento no
diagnóstico dos incidentalomas, com tamanho muito pequeno. Essas
lesões muito pequenas são de difícil localização
e remoção durante a cirurgia. Assim, no futuro, não
veremos cirurgias tradicionais ou laparoscópicas, mas sim cirurgias
moleculares.
Haverá lugar, nesse futuro, para
uma fonte de ondas de choque de alta energia (a exemplo do litotridor
atual) capaz de destruir, por apoptose, as células do carcinoma
renal?
Dr.
Joaquim de A. Claro
Randomized
phase III trial of high-dose-intensity methotrexate, minblastine, doxorubicin,
and cisplatin (MVAC) chemotherapy and recombinant human granulocyte colony-stimulating
factor versus classic MVAC in advanced urothelial tract tumors: European
Organization for Research and Treatment of Cancer protocol No. 30924
CN Sternberg, PHM de Mulder, JH Schornagel, C The´odore, SD Fossa,
AT van Oosterom, F Witjes, M Spina, CJ van Groeningen, C de Balincourt,
L Collette for the European Organization for Research and Treatment of
Cancer Genitourinary Tract Cancer Cooperative Group
J Clin Oncol, 19: 2638-2646, 2001
Estudo
fase III, randomizado de metotrexate, vinblastina, doxorrubicina e cisplatina
(MVAC) em altas doses e intensificado com uso de fator estimulador de
colônias de granulócitos recombinante humano versus MVAC
clássico em câncer avançado do trato urotelial: European
Organization for Research and Treatment of Cancer protocolo No. 30924
- Objetivos:
Avaliar a atividade antitumoral e sobrevida associada com MVAC em altas
doses (AD) versus MVAC comum.
- Material
e Métodos: Estudo randomizado incluindo 263 pacientes com
carcinoma de células transicionais do urotélio metastático
ou avançado (CCT) sem quimioterapia prévia. Método
de randomização não citado, mascaramento da seqüência
de randomização não citado, mascaramento da avaliação
de resposta não realizado, descrição de perdas
não existente. Tratamento com MVAC-AD realizado a cada 14 dias
com o uso de fator estimulador de colônias. End point primário:
sobrevida. Estudo desenhado para detectar 50% de diferença na
sobrevida.
- Resultados:
129 pacientes randomizados para MVAC e 134 para MVAC-AD; os grupos eram
semelhantes e comparáveis. Após seguimento mediano de
38 meses, a análise por intenção de tratamento
mostrou que não houve diferenças significativas na sobrevida
global ou no tempo de progressão. Houve uma diferença
marginal na sobrevida livre de progressão favorecendo o braço
MVAC-AD (p = 0.037; hazard ratio 0.75; intervalo de confiança
0.58 a 0.98). O índice de resposta global não foi diferente,
enquanto que as resposta completas foram significativamente melhores
no braço MVAC-AD.
- Conclusão:
Apesar de com o regime MVAC-AD ser possível infundir duas vezes
mais a dose de cisplatina e doxorrubicina em metade do tempo, a diferença
de 50% pré-programada não foi detectada.
- Comentário
Editorial
A publicação deste estudo era aguardado com expectativa
na esperança que uma melhor sobrevida pudesse ser detectada,
o que infelizmente não ocorreu. Os ganhos marginais vistos na
sobrevida livre de progressão ou no índice de resposta
completa, de maneira nenhuma justificam a adoção deste
tratamento na rotina clínica. Nem o efeito é significativo
do ponto de vista clínico nem houve mascaramento da avaliação
das respostas, o que pode ter seriamente interferido nestes resultados.
Nível II de evidências contra o uso de MVAC-AD em CCT avançado.
Dr.
Otávio Clark
PATHOLOGY
Prognostic factors in prostate cancer. College of American Pathologists
consensus statement
Bostwick DG, et al.
Arch Pathol Lab Med, 124: 995-1000, 2000
Fatores
prognósticos no câncer da próstata. Reunião
de consenso do Colégio Americano de Patologistas
- Objetivos:
Os 14 autores deste artigo apresentam as conclusões de consenso
do Colégio Americano de Patologistas realizada em junho de 1999
em Chicago sobre os fatores prognósticos no câncer da próstata.
- Material
e Métodos:
Os fatores prognósticos foram agrupados em 3 categorias: categoria
I, fatores comprovadamente de importância prognóstica e
úteis na conduta clínica dos pacientes; categoria II,
fatores exaustivamente estudados clínica e laboratorialmente,
mas cuja importância precisa ser confirmada em estudos com análise
estatística forte; e, categoria III, fatores não suficientemente
estudados para demonstração do seu valor prognóstico.
- Resultados
e Conclusões:
Na categoria I, os autores incluiram o valor do PSA pré-operatório,
estadiamento pelo sistema TNM de 1997, graduação histológica
pelo sistema Gleason e margens cirúrgicas na peça de prostatectomia
radical; na categoria II, incluiram o volume tumoral (nas biópsias
de agulha e na prostatectomia radical), tipo histológico e ploidia
de DNA; e, na categoria III , invasão perineural, diferenciação
neuroendócrina, densidade microvascular, formato e textura cromatínica
nucleares, outros fatores cariométricos (formato e volume nucleolar,
número de nucléolos e área nuclear), marcadores
de proliferação (PCNA, Ki-67 e MIB-1) e fatores vários
(oncogenes, genes de supressão tumoral e genes relacionados à
apoptose).
- Comentário
Editorial
A estratificação dos fatores prognósticos nas três
categorias propostas pelo grupo de consenso é da máxima
importância. É um indicador objetivo do que é importante
na abordagem do paciente portador de câncer da próstata,
inclusive de natureza econômica, dispensando exames cuja validade
ainda não está suficientemente comprovada como fator prognóstico.
Chamamos a atenção para os fatores prognósticos
da categoria I que dependem de informações do exame anatomopatológico:
grau histológico e margens cirúrgicas nas peças
de prostatectomia radical. A recomendação no que se refere
à graduação histológica é o uso do
sistema Gleason sempre indicando no laudo o grau histológico
principal, o secundário e a contagem final. Em caso de um único
grau histológico repete-se o número (Exemplos: 3 + 4 =
7, 3 + 3 = 6, etc). Eventual comprometimento das margens cirúrgicas
na prostatectomia radical foi considerado da máxima importância
e incluído na categoria I. O estadiamento recomendado é
o sistema TNM proposto em 1997. Há grande variação
nos métodos para avaliação do volume tumoral tanto
em biópsias de agulha como nas prostatectomias radicais. Apesar
de ser altamente recomendável esta avaliação foi
incluída na categoria II. Por ser mais prático e acessível
a todos, foi recomendado que a avaliação do volume tumoral
pode ser relatado como o percentual da área ocupada pela neoplasia
na biópsia ou na prostatectomia radical. Notar que os oncogenes,
nos quais está incluído o p53, estão na categoria
III.
Dr.
Athanase Billis
PEDIATRIC
UROLOGY
Synchronous
bladder reconstruction and antegrade continence enema
A Wedderburn, RS Lee, A Denny, HA Steinbrecher, MA Koyle, PS Malone
J Urol, 165: 2392-2393, 2001
Reconstrução
vesical e enema anterógrado para continência simultâneos
- Objetivo:
Avaliar
os resultados de longo prazo com a reconstrução vesical
e enema anterógrado de continência simultâneos numa
grande série de pacientes.
- Material
e Métodos:
Foram revisados retrospectivamente os prontuários de 50 pacientes
consecutivos, tratados em dois centros: Southampton & Denver.
- Resultados:
O total de 46 pacientes foi avaliado, sendo 24 de Southampton e 22 de
Denver. A idade média dos pacientes ocasião da cirurgia
foi de 12 anos (4 a 30anos), com média de seguimento de 44 meses
(7 a 100), sendo que 80% dos pacientes tinha neuropatia ou mal formação
ano-retal. Uma variedade de procedimentos de reconstrução
vesical foram realizados e 58% foram tratados pelo princípio
de Mitrofanoff. A continência fecal e urinária foi atingida
em 76% dos casos, mas a taxa de revisão cirúrgica foi
alta, sendo que a estenose da ostomia foi a principal (17%). Os procedimentos
secundários consistiram de reconstrução da uretra,
fechamento do colo vesical, ampliação vesical e revisão
do conduto.
- Conclusões:
Atualmente é possível produzir continência total
em alguns pacientes com cirurgia combinada simultânea, o que não
era possível sem uma colostomia, antes da descrição
do princípio de Malone. Entretanto, a cirurgia é complexa
e pode exigir elevados índices de revisão cirúrgica
e assim deve ser indicada apenas em pacientes muito motivados e com
grau de inteligência e destreza razoáveis. Esta seleção
criteriosa é confirmada pelo fato de que a cirurgia foi realizada
em dois a três pacientes por ano em cada instituição.
A cirurgia deve ser feita apenas em instituições que permitam
seguimento de longo prazo.
- Comentário
Editorial
O avanço das técnicas de reconstrução urinária
possibilitou que pacientes com risco de deterioração do
trato urinário superior e incontinência urinária
por diferentes causas, entre elas a bexiga neurogênica por mielomeningocele,
a bexiga da válvula de uretra posterior e a extrofia de bexiga
passassem a ter ganho significativo na sua qualidade de vida. Muitos
pacientes, no entanto, passavam a ser continentes da parte urinária,
mas não dispensavam o uso de fraldas por causa de perdas fecais.
Com a descrição do procedimento de Malone, o apêndice
cecal passou a ser utilizado como acesso continente para aplicação
de enemas anterógrados que limpavam o cólon desde o ceco
até o reto e assim garantia algumas horas de ausência de
perdas para estes pacientes. Com isso melhorava-se muito a qualidade
de vida. Por outro lado, o apêndice passou a ser utilizado para
o princípio de Malone, mas, por outro lado, exigia outro conduto
para o princípio de Mitrofanoff. Com a introdução
da técnica de Monti, um segundo segmento intestinal tubularizado
transversalmente passou a representar importante alternativa para a
apendicovesicostomia (1). Mais recentemente, Macedo & Srougi propuseram
técnica em que tanto a ampliação vesical quanto
o canal eferente são produzidos a partir de um único segmento
ileal o que simplifica a estratégia atualmente empregada baseada
em dois eventos (2).
Mouriquand et al. passaram a investigar o uso do cólon esquerdo
para a realização dos enemas (3). Os autores construíam
um tubo de Monti que era implantado no cólon esquerdo.
Visando diminuir a morbidade desta abordagem, Macedo et al. recentemente
apresentaram um conduto continente feito da parede do cólon esquerdo,
análogo ao princípio do reservatório ileal cutâneo
continente, que permitia o acesso ao cólon esquerdo sem a necessidade
de criar um conduto ileal e anastomosá-lo ao cólon (4).
Esta técnica é de simples execução e encontra-se
em investigação clínica inicial.
No trabalho revisado, os autores concluem que a realização
simultânea da reconstrução urinária e do
enema é factível, mas deve ser feita em pacientes motivados
e em centros de referência.
Referências
1. Monti PR, Lara EC, Dutra M: New techniques for construction of efferent
conduits based on the Mitrofanoff principle. Urology, 49: 112-115, 1997.
2. Macedo JrA, Srougi M: A continent catheterizable ileum-based reservoir.
BJU Int, 85: 160-162, 2000.
3. Mouriquand P, Mure PY, Feyaerts A: The left Monti-Malone. BJU Int,
supp, 85: 65, 2000.
4. Macedo JrA, Vilela MLB, Garrone G, Liguori R, Barroso Jr U, Srougi
M: An alternative channel for the Malone principle on the left colon.
BJU Int, supp, 87: 27, 2001.
Dr. Antônio Macedo Jr.
UROLOGICAL
NEUROLOGY
Long-term
followup of newborns with myelodysplasia and normal urodynamic findings:
is followup necessary?
Tarcan T, Bauer S, Olmedo E, Koshbin S, Kelly M, Darbey M
J Urol, 165: 564-567, 2001
Seguimento
a longo prazo de recém-nascidos com mielodisplasia e urodinâmica
normal: é necessário seguimento?
- Objetivo:
Avaliar a longo prazo crianças com mielodisplasia e sem disfunção
vesical para determinar a necessidade de acompanhamento urológico
destas crianças.
- Material
e Métodos: Retrospectivamente, foram analisados 25 de 204
recém-nascidos onde a avaliação neurourológica
foi normal após o fechamento do defeito espinal. A avaliação
inicial incluiu estudo urodinâmico completo, ultra-som renal,
urina I e cultura de urina. Os pacientes foram reavaliados após
3 meses, de 6 em 6 meses até 6 anos de idade e anualmente depois.
O seguimento mais longo foi de 18.6 anos.
- Resultados:
Das 25 crianças, 22 tinham mielomeningocele e 3 mielocele. Oito
apresentaram deterioração neurológica com seguimento
médio de 9.1 anos. Esses pacientes foram submetidos à
ressonância nuclear magnética que demonstrou síndrome
da cauda eqüina. Após a correção cirúrgica,
2 recuperaram micção normal, enquanto que 6 mantiveram
disfunção miccional leve ou moderada. Após 6 anos
de vida, não houve alteração neurourodinâmica
em nenhum paciente.
- Conclusões:
Crianças com mielodisplasia e avaliação neurourodinâmica
normal estão em risco de deterioração nos 6 primeiros
anos de vida, secundariamente à síndrome da cauda eqüina.
Nesse período é preciso um seguimento rigoroso para prevenir
seqüelas.
- Comentário
Editorial
Este estudo preenche uma lacuna na literatura sobre como evoluem e como
devemos seguir pacientes que, apesar do defeito de fechamento do tubo
neural, não apresentaram alterações neurourológicas
na avaliação inicial. Os autores estão corretos
quanto à necessidade de seguimento rigoroso dessas crianças.
Quanto à síndrome da cauda eqüina, este mesmo grupo
já havia demonstrado que o primeiro evento envolve alguma piora
neurourológica, muitas vezes sutil, mas o suficiente para ser
detectada pela eletromiografia com agulha no esfíncter externo.
Neste estudo ocorreram 3 boas informações: 17 pacientes
nunca apresentaram comprometimento neurourológico; melhora em
2 e estabilização em 6 dos 8 pacientes que foram submetidos
ao desencarceramentol; e ausência de evolução após
6 anos de idade. Entretanto, o seguimento médio foi de 9 anos,
e certamente resultados com seguimento mais longo serão necessários
para consolidar estes (bons) achados.
Dr.
Aderivaldo C. Dias Filho
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