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VESICOURETHRAL
STRICTURES AFTER RADICAL PROSTATECTOMY: TREATMENT AND OUTCOME
ADRIANO ALMEIDA
CALADO, UBIRAJARA BARROSO JR., CARLOS B. M. VERONA, MARCELO ZERATI, MIGUEL
ZERATI FILHO
Institute
of Urology and Nephrology, São José do Rio Preto, SP, BrazilDivision
of Urology, Hospital do Servidor Público Estadual de São
Paulo, SP, Brazil
ABSTRACT
Objective:
Stricture of the vesicourethral anastomosis is a complication after radical
prostatectomy. Dilatation, stricture incision, or resection have been
proposed as endoscopic treatment. The objective of this study was to report
our experience with the management of the urethrovesical stricture.
Material and Methods: The sample consisted
of 120 patients undergoing radical prostatectomy for localized prostatic
carcinoma. The vesicourethral stricture was treated by endoscopic procedures
in all patients. Stricture dilatation was performed in less severe cases,
whereas cold knife transurethral incision or electrocautery resections
were done whenever there was partial obliteration or when dilatation failed.
Results: In our sample, 16 patients (13%)
had anastomotic stricture. The vesicourethral stricture was treated by
dilatation, cold knife incision and electrocautery resection in 8, 6 and
2 patients, respectively. Recurrence after the first treatment of stricture
occurred in 30% of the patients, but cure was achieved in all of the cases.
Age, pre-operative PSA, histopathologic stage, and prior transurethral
resection of the prostate were not predictive of this complication. No
incontinence was found following treatment in a median follow-up of 23
months (4 months - 56 months).
Conclusion: The endoscopic treatment of
the vesicourethral stricture presents a high rate of cure and a low incidence
of incontinence.
Key words:
prostate, carcinoma, radical prostatectomy, complications, urethral stricture
Braz J Urol, 26: 283-287, 2000
INTRODUÇÃO
A
estenose da anastomose uretrovesical é uma complicação
da prostatectomia radical, ocorrendo em 0,8 a 20% dos casos (1,2). Apesar
de não ser uma complicação infreqüente, os fatores
de risco para a estenose ainda não estão bem definidos.
O tratamento da estenose é endoscópico, havendo controvérsias
quanto ao melhor método utilizado (dilatação, uretrotomia
interna e ressecção da área estenosada) (1-5). O
presente estudo tem por objetivo relatar a nossa experiência no
tratamento da estenose uretrovesical pós-prostatectomia radical,
examinando alguns possíveis fatores que poderiam influenciar na
etiologia da estenose.
MATERIAL
E MÉTODOS
Foram
estudados 120 pacientes que foram submetidos a prostatectomia radical
de julho de 1992 a junho de 1999 em nossa instituição. Os
pacientes foram avaliados quanto a incidência, modo de apresentação,
tratamento e complicações da estenose da anastomose uretrovesical.
A prostatectomia radical foi realizada por
via retropúbica em todos os casos. A base prostática foi
dissecada com tentativa de preservação do colo vesical.
A mucosa vesical foi sempre evertida com sutura interrompida com categute
simples 4-0. Quando necessário foi realizado redução
do diâmetro da abertura vesical em raquete, permitindo
a passagem de um dedo indicador. Para a anastomose uretrovesical, utilizou-se
4 pontos as 2, 5, 7 e 10 horas, com fio de poliglactina 2-0, sobre um
cateter 20F. A sonda vesical foi mantida sem tração, por
21 dias em todos os pacientes, sem realização de uretrocistografia.
Antibióticos profiláticos foram usados rotineiramente. O
espaço perivesical foi drenado com penrose.
Os pacientes foram avaliados rotineiramente
a cada 3 meses no primeiro ano de pós-operatório, a cada
6 meses no segundo ano e a seguir anualmente. Os pacientes que apresentaram
sintomas urinários obstrutivos ou retenção urinária
foram avaliados com cistoscopia. Os procedimentos terapêuticos para
a estenose uretrovesical foram realizados sob anestesia peridural.
A estenose uretrovesical foi tratada com
procedimentos endoscópicos em todos os casos. O tratamento endoscópico
consistiu de dilatação para os casos menos severos. Nestes
casos os pacientes eram submetidos a bloqueio anestésico e então
era realizada dilatação progressiva promovendo ruptura do
anel fibroso e permitindo a passagem de cistoscópio 24F.
A uretrotomia interna com faca fria ou ressecção
da estenose foi realizada nos casos de estenose intensa, ou na falha da
dilatação. A uretrotomia interna consistia de incisão
profunda, realizada com a faca fria de Sachse, em toda extensão
da área de estenose, havendo cautela com a musculatura esfincteriana.
Ao final do procedimento, a área operada permitia, com facilidade,
a passagem de um cistoscópio 24F.
Ao final do procedimento cirúrgico,
todos os pacientes foram sondados, com Foley 20 ou 22F, e permaneceram
com o cateter por um período de 3 a 5 dias.
RESULTADOS
Dezesseis
pacientes (13%) apresentaram estenose da anastomose uretrovesical. A idade
média dos pacientes foi de 63,2 anos, variando de 56 a 75 anos.
O PSA médio pré-operatório foi de 14,3 ng/ml, variando
de 1,3 a 38,2 ng/ml. Com relação ao estádio patológico
tumoral, 7 pacientes apresentaram estádio T2, 8 T3 e em um esta
informação não foi obtida.
Todos os pacientes com estenose apresentaram
sintomas urinários obstrutivos, sendo que 2 evoluíram com
retenção urinária. O intervalo médio e mediano
entre a cirurgia e o diagnóstico de estenose foi de 3,9 e 3 meses,
respectivamente, variando de 1 mês a 17 meses.
A distribuição dos pacientes
de acordo com os tipos e os resultados do tratamento está demonstrada
na Tabela-1. O índice geral de recidiva foi de 30%. Todos os pacientes
tratados com dilatação endoscópica foram curados
com um único procedimento. Metade dos pacientes tratados com uretrotomia
interna e todos tratados com ressecção necessitaram de outro
procedimento devido a ocorrência de re-estenose. Dos 5 pacientes
que recidivaram ao primeiro tratamento, 4 foram curados com apenas um
procedimento adicional (2 uretrotomias internas e 2 dilatações).
Um paciente com estenose severa, tratado inicialmente com ressecção
do tecido fibrótico, evoluiu com 7 recidivas após o primeiro
tratamento. Estas re-estenoses foram tratadas com 2 novas ressecções,
uma uretrotomia interna e 4 dilatações. Há 2 anos
da última dilatação, o paciente encontra-se assintomático,
apresentando bom jato urinário. Nenhum paciente evoluiu com incontinência
urinária. O tempo médio de seguimento dos pacientes após
o tratamento da estenose foi de 23 meses, variando de 4 a 56 meses.

Estratificando-se
o número de estenoses uretrovesicais de acordo com o número
de prostatectomias radicais, encontrou-se uma taxa menor desta complicação
após a sexagésima cirurgia, porém sem significância
estatística (Tabela-2). A idade, o PSA pré-operatório,
estádio patológico e antecedente de RTU não foram
fatores preditivos da estenose uretrovesical.

DISCUSSÃO
A
anastomose uretrovesical durante a prostatectomia radical é uma
das etapas cirúrgicas mais importantes. Várias foram as
técnicas descritas para realização desta anastomose.
Foi demonstrado que a técnica de Vest (6) obtém piores resultados
em relação a anastomose direta (7,8). A importância
da correta aposição mucosa-mucosa foi evidenciada em estudos
experimentais e clínicos (9-11).
A incidência de estenose do presente
estudo foi de 13%, o que condiz com a literatura (1,2,7,12). Encontramos
uma taxa de cura de 69% com apenas um procedimento. Os demais foram curados
com cirurgias adicionais. Apenas um paciente necessitou mais de 2 procedimentos;
e nenhum dos nossos pacientes tornou-se incontinente após o procedimento.
A taxa de cura da estenose uretrovesical é elevada de acordo com
a literatura, variando de 88% a 100% (5,13), entretanto a incidência
de incontinência após os procedimentos endoscópicos
é variável. Popken et al. (5) relataram um sucesso de 100%,
após ressecção endoscópica da estenose com
24 pacientes, para uma taxa de continência também de 100%,
o que está de concordância com o nosso estudo, apesar dos
métodos diferentes de tratamento. Srougi et al. (13) também
obtiveram cura em 100% dos 13 pacientes tratados desta complicação.
Em outro estudo, uma incidência de continência de 100% também
foi referida após tratamento da estenose com uretrotomia interna
(14). Surya et al. (1) analisaram 18 pacientes com estenose da anastomose
uretrovesical pós-prostatectomia radical. Todos os pacientes foram
submetidos inicialmente a dilatação. Treze pacientes falharam
a este tipo de tratamento e foram tratados com uretrotomia interna com
faca fria (n = 9) e ressecção da estenose com eletrocautério
(n = 4). Entre os pacientes tratados com uretrotomia, 5 ficaram curados
e os demais necessitaram de dilatações subseqüentes.
Os pacientes tratados com ressecção ficaram curados da estenose,
porém houve incontinência em todos os casos, sendo total
em 3. Eles concluíram que, ao contrário
dos resultados obtidos por Popken et al. (5), a ressecção
com eletrocautério está contra-indicada nos casos de estenose
uretrovesical, pela alta taxa de incontinência resultante. Em nosso
estudo, apenas 2 pacientes foram tratados com ressecção
o que não nos permite tecer conclusões sobre este método.
A variação quanto aos índices de continência
entre os estudos deve-se provavelmente a diferença entre os pacientes
como idade e co-morbidades associadas; a diferença dos métodos
utilizados; a preservação do esfíncter externo na
prostatectomia radical e a habilidade técnica no procedimento endoscópico.
Nos parece que o principal fator de risco
para incontinência urinária após o tratamento endoscópico
da estenose é a preservação do esfíncter externo
na prostatectomia radical e que o tipo de método utilizado tenha
papel secundário. Os pacientes que recidivam após a dilatação
ou nos casos de estenose acentuada, a uretrotomia interna ou a ressecção
parecem ser procedimentos efetivos e seguros. Quando há obliteração
completa, cirurgia aberta com excisão da estenose e re-anastomose
uretrovesical pode ser aventada, apesar do alto índice de incontinência
(15,16), ou, como proposto recentemente por Carr & Webster (17), o
tratamento endoscópico, através de abordagem anterógrada
e retrógrada.
De acordo com os nossos dados, idade, PSA
pré-operatório, estádio patológico, peso da
próstata, antecedente de RTU, não foram fatores de risco
para a estenose uretrovesical. Como não realizamos cistouretrografia
de rotina antes da retirada da sonda, o papel do extravasamento urinário
perivesical não foi estudado como fator de risco de estenose. Entretanto
há alguns trabalhos na literatura que abordam este tema(1,7,12).
Surya et al. (1) relataram que dos 26 pacientes com extravasamento urinário
pós-operatório, 14 evoluíram com estenose, enquanto
que dos 130 sem extravasamento, apenas 4 tiveram esta complicação.
Eles concluíram que independentemente do tempo de permanência
da sonda uretral, a simples presença de extravasamento urinário
perivesical acarreta uma maior incidência de estenose uretrovesical.
Entretanto, 2 estudos não confirmaram estes achados (7,13). No
estudo de Levy et al. (7) todos os 146 pacientes realizaram cistouretrografia
miccional após a terceira semana pós-operatória e
encontraram extravasamento em 14,1% dos pacientes, não apresentando
diferença significativa de estenose no grupo com e sem extravasamento;
o que sugere não haver correspondência entre o extravasamento
urinário e a estenose da anastomose uretrovesical, desde que o
cateter seja mantido até a resolução do problema.
CONCLUSÃO
O
tratamento endoscópico da estenose uretrovesical a partir de dilatação,
e reservando-se a uretrotomia interna e ressecção da estenose
para os casos de falha, ou nos casos de obliteração acentuada,
apresenta uma elevada taxa de cura, associando-se a uma baixa incidência
de incontinência urinária. De acordo com os nossos dados,
idade, PSA pré-operatório, estádio patológico,
e antecedente de RTU não se constituíram em fatores de risco
para a estenose uretrovesical pós-prostatectomia radical.
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_________________________
Received: September 9, 1999
Accepted after revision: May 2, 2000
RESUMO
EVOLUÇÃO
E TRATAMENTO DA ESTENOSE DA ANASTOMOSE URETROVESICAL PÓS-PROSTATECTOMIA
RADICAL
Objetivo:
A estenose da anastomose uretrovesical é uma complicação
pós-operatória freqüente da prostatectomia radical
(PR). Há poucos relatos na literatura sobre a evolução
dos pacientes acometidos por esta entidade clínica. O objetivo
deste estudo foi avaliar a evolução dos pacientes acometidos
por estenose uretrovesical pós-PR e as formas de tratamento desta
complicação.
Material e Métodos: Foram analisados
retrospectivamente 120 PR retropúbicas realizadas entre julho de
1992 e junho de 1999. Nestes pacientes foram analisados dados referentes
ao procedimento cirúrgico, diagnóstico da estenose, tratamento,
recidiva e evolução.
Resultados: Dezesseis pacientes (13%) evoluíram
com estenose da anastomose uretrovesical. Os sintomas dos pacientes foram
sugestivos de obstrução urinária em todos os casos.
O intervalo entre a data da PR e o tratamento da estenose foi de 3,9 meses
(1-17). A causa da estenose foi fibrose cicatricial em todos os casos.
O tratamento da estenose foi primariamente dilatação endoscópica
(n = 8). Nos casos de estenose acentuada, ou na impossibilidade de dilatação
procedeu-se incisão endoscópica com faca fria (n = 6) ou
ressecção endoscópica da estenose (n = 2). Recorrência
da estenose foi evidenciada em 5 casos (31,2%), em um tempo médio
de 2 meses após o tratamento. Todos os pacientes ficaram curados
após procedimentos adicionais. Nenhum paciente evoluiu com incontinência
urinária em um tempo médio de seguimento de 23 meses (4-56).
Conclusão: A estenose da anastomose
uretrovesical é uma complicação freqüente da
PR. O tratamento desta complicação por procedimentos endoscópicos
é seguro e eficaz.
Unitermos:
próstata, adenocarcinoma, prostatectomia radical, complicações,
estenose de uretra
Braz J Urol, 26: 283-287, 2000
_______________________
Correspondence
address:
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