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METASTASIS
OF BLADDER TRANSITIONAL CELL CARCINOMA EXCLUSIVELY TO ENDOMETRIUM
HILTON PICCELLI,
GILLES LANDMAN, STÊNIO DE CASSIO ZEQUI
Divisions
of Urology and Pathology, A. C. Camargo Hospital, São Paulo, Brazil
ABSTRACT
Objectives:
A case of solely endometrial metastasis from transitional cell carcinoma
of the bladder is reported.
Material and Methods: The patient was referred
to our institution after a transurethral bladder tumor resection (TURBT),
with diagnosis of invasive transitional cell carcinoma of the bladder
(high grade of Ash). The patient was submitted to a new TURBT on the site
of the primary lesion and the diagnosis was confirmed. An anterior pelvic
exenteration with a cutaneous ureteroileostomy were performed
Results: The pathologic examination of the
surgical specimen revealed transitional cell carcinoma restricted to the
bladder, with no lymphonodes or other pelvic organs involved by the neoplasia.
At a single focal neoplasic area of an endometrial polyp, the immunohistochemical
analysis confirmed a metastasis of the transitional bladder tumor (positive
to: CEA, S- 100 protein and to cytokeratins 7,8,AE1-AE3, 34BE12 and negative
to smooth muscle actin, desmin, HHF-35, HCG, AFP, vimentin.)
Comments: The hematogenic spreading of metastases
to the uterus are rare. To our knowledge, this is the third case of transitional
bladder cell carcinoma metastasis to the uterus in the literature and
the first one with exclusive endometrial involvement.
Key words:
bladder, endometrium, metastasis, uterus, transitional bladder cancer
Braz J Urol, 26: 293-294, 2000
INTRODUÇÃO
O
útero, especialmente o endométrio, não é sítio
habitual de metástases.
Os autores relatam um caso de carcinoma
de células transicionais (CCT) invasivo de bexiga com metástase
única para endométrio.
RELATO DO CASO
Paciente
branca de 78 anos, há 18 meses apresentou hematúria macroscópica.
A ultra-sonografia pélvica revelou lesão polipóide
em parede lateral direita da bexiga de 3 cm e útero aumentado de
volume (165 cm3), com eco endometrial espessado (1 cm) e conteúdo
líquido na cavidade uterina. Foi submetida à ressecção
endoscópica transuretral (RTU) de bexiga e curetagem uterina, com
diagnóstico histopatológico de CCT invadindo camada muscular
da bexiga, grau III de Ash e coágulos no material de curetagem.
Há 4 meses foi admitida neste serviço,
após ter sido submetida a radioterapia exclusiva para um carcinoma
de laringe localizado, com resposta satisfatória. Realizou-se nova
RTU no leito tumoral, que confirmou o diagnóstico de CCT da bexiga
invasivo (alto grau). O exame físico geral foi normal e a investigação
de metástases foi negativa.
Procedeu-se à exenteração
pélvica anterior com uretero-ileostomia cutânea. O exame
histopatológico revelou CCT de alto grau de Ash, infiltrando a
muscular da bexiga. As margens cirúrgicas, os linfonodos pélvicos
e os ovários não estavam comprometidos pela neoplasia. Foi
encontrada leiomiomatose uterina e área neoplásica focal
restrita ao endométrio em meio ao estroma de pólipo endometrial
(Figura). A imunohistoquímica foi positiva para CEA, proteína
S-100 e as citoceratinas 7, 8, AE1-AE3 e 34BE12 e negativa para actina
de músculo liso, HHF-35, desmina, HCG, alfa feto proteína,
vimentina e citoceratina 20, com quadro imunohistoquímico compatível
com CCT da bexiga metastático para endométrio.

DISCUSSÃO
Neoplasias
pélvicas localmente avançadas podem envolver secundariamente
o útero por contigüidade ou continuidade.
A disseminação hematogênica
ou linfática para o útero é rara, geralmente secundária
a neoplasias agressivas com múltiplos focos metastáticos.
Nestes casos o colo uterino é afetado em 60,6% das vezes, o corpo
em 21,2% e colo e corpo simultaneamente em 18,2% (1). Tumores metastáticos
para o corpo uterino atingem somente o miométrio em 63% dos casos
e apenas 3,8% acometem exclusivamente o endométrio. O presente
caso apresentou metástase única de CCT, restrita ao endométrio,
com tumor primário confinado a bexiga.
Kumar & Hart (1), revisando 63 casos
de neoplasias extragenitais metastáticas para corpo uterino, encontraram
2 casos (3,2%) de tumores primários de bexiga. O sítio primário
mais freqüente foi a mama (42,9%), seguida por pulmões, tireóide
e pâncreas.
Metrorragia pode ser o primeiro sinal de
metástase uterina (1,2). A paciente em discussão foi submetida
à curetagem uterina para investigação de espessamento
endometrial,
O presente caso também não
apresentava comprometimento de linfonodos regionais ou de ovários,
o que aumenta a probabilidade de metástase por via hematogênica
exclusiva (3). A realização da primeira RTU vesical concomitante
à manipulação uterina, poderia sugerir a possibilidade
de implantação tumoral no endométrio cruento, porém
vários autores têm demonstrado que ressecções
endoscópicas vesicais não aumentam o risco de implantação
tumoral à distância (3). Talvez, por ser portadora de 2 tumores
primários (bexiga e laringe) a paciente apresente alguma instabilidade
genômica, que tenha facilitado a disseminação anômala
da doença.
REFERÊNCIAS
- Kumar
NB, Hart WR: Metastases to the uterine corpus from extragenital cancers.
Cancer, 50: 2163-2169, 1982.
- Stemmermann
GN: Extrapelvic carcinoma metastatic to the uterus. Am J Obstet Gynecol,
82: 1261-1266, 1961.
- Mydlo
JH, Weinstein R, Shah S, Solliday M, Machia RJ: Long term consequences
from bladder perforation and/or violation in the presence of transitional
cell carcinoma: results of a small series and a review of the literature.
J Urol, 161: 1128-1132, 1999.
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Received: September 20, 1999
Accepted after revision: May 15, 2000
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Correspondence address:
Stênio de Cássio Zequi
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