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ENDOUROLOGY
Laparoscopic
nephropexy: long-term follow-up - University of Washington experience
McDougall EM, Afane JS, Dunn MD, Collyer WC, Clayman RV
J Endourol, 14: 247-250, 2000
Nefropexia
laparoscópica: seguimento a longo prazo - experiência da
Universidade de Washington
- Objetivo:
Resultado a longo prazo da nefropexia laparoscópica em pacientes
sintomáticos.
- Pacientes
e Métodos:
14 mulheres com dor no flanco direito e com nefroptose diagnosticada
radiologicamente foram submetidas à nefropexia laparoscópica
transperitoneal.
- Resultados:
Os valores médios do tempo de cirurgia foi de 4,1 h, início
de alimentação oral foi 16,5 h, hospitalização
2,6 dias e 6 semanas para o retorno às atividades. As 14 pacientes
tiveram um seguimento médio de 3,3 anos e melhora da dor ocorreu
em 80% dos casos.
- Conclusão:
A nefropexia laparoscópica é um método eficiente
e seguro, cujos resultados são mantidos a longo prazo, através
de estudos radiológicos e clínicos.
- Comentário
Editorial
A nefroptose é a situação em que o rim apresenta
mobilidade de mais de 2 corpos vertebrais, observada quando o paciente
passa da posição supina para ereta. Existem mais de 170
procedimentos cirúrgicos descritos para corrigir o problema.
O diagnóstico é um dos pontos controversos e os AA utilizaram
a urografia excretora em posição supina e ereta e, também,
o renograma com furosemida nas duas posições mencionadas.
A técnica usada foi a laparoscopia transperitoneal. Em linhas
gerais, construíram uma bolsa retroperitoneal junto ao pólo
superior do rim, dissecaram o rim de seus envoltórios, permanecendo
ligado exclusivamente ao pedículo, e foram aplicadas 4 ou 5 suturas,
lateralmente na cápsula renal, fixando o rim ao músculo
quadrado lombar, retroperitonealmente.
Não ocorreram complicações. A dor foi classificada
de acordo com uma escala estabelecida. Consideraram falha quando no
pós-operatório não houve melhora da dor acima de
50% do índice pré-operatório. Como todos os casos
tiveram resultado superior a 50%, consideraram o nível de corte
de 60%. Definiram melhora para os valores entre 60 a 89% e cura acima
de 90%. Os resultados foram muito favoráveis, com 71% de melhora
e 21% de cura.
A conclusão que chegam os AA é que a nefropexia laparoscópica
é um método seguro e eficiente no tratamento de casos
de nefroptose que necessitam tratamento.
Nesse comentário final dos autores baseiam-se todas as controvérsias,
sendo a dificuldade estabelecer a correlação entre a nefroptose,
as queixas do paciente, e a necessidade de tratamento. A literatura
mostra a variação de opiniões, desde grandes defensores
até fortes opositores.
High-intensive
focused ultrasound in localized prostate cancer
Chaussy CG, Thüroff S
J Endourol, 14: 293-299, 2000
Ultra-som
de alta intensidade no tratamento do câncer localizado da próstata
- Objetivo:
Apresentar os resultados do tratamento do câncer localizado da
próstata tratado pelo ultra-som de alta intensidade (HIFU).
- Pacientes
e Métodos: 65 portadores de câncer da próstata,
sem demonstração de metástases, e que não
eram candidatos à prostatectomia radical, foram tratados pelo
HIFU, usando o Ablatherm 2.32, sob anestesia peridural. O controle foi
através do PSA, toque retal e biópsia da próstata.
O período médio de seguimento foi 10 meses (1-18 meses).
- Resultados:
Tumor
residual foi observado em 35% dos casos que receberam tratamento localizado,
somente na área da próstata que apresentou biópsia
positiva, e 17% nos quais toda a próstata foi tratada. Nesses
doentes, o re-tratamento foi realizado 30 dias após o tratamento
inicial. Fístula reto-uretral, estenose uretral e incontinência
urinária devido à lesão esfincteriana, foram observadas
e 1 paciente, respectivamente.
- Conclusão:
A baixa morbidade, procedimento minimamente invasivo, ausência
de efeitos sistêmicos e potencialmente curativa, fazem do HIFU
uma opção no tratamento do câncer localizado da
próstata.
- Comentário
Editorial
Os AA recomendam o HIFU nos casos de contra-indicação
à prostatectomia, tais como idade superior a 70 anos e co-morbidades.
O outro procedimento indicado nos tumores localizados é a radioterapia.
Entretanto, os AA descartam seu uso na Alemanha, e em particular na
região da Bavária, em razão dos maus resultados
e não aceitação pelos pacientes.
O tratamento é realizado sob anestesia geral ou mais freqüentemente
peridural. Todos os doentes são submetidos à cistostomia
supra-púbica em razão da grande dificuldade à micção
verificada no pós-operatório imediato.
Os critérios de inclusão são: PSA < 25 ng/ml,
volume da próstata ao ultra-som transretal (USTR) < 30 cc,
estadiamento tumoral (TC e mapeamento ósseo) mostrando linfonodos
negativos e ausência de metástases, biópsia positiva
e contra-indicação à prostatectomia radical de
acordo com os dados mencionados. Os pacientes operados tinham Gleason
4 a 7 em 60 pacientes, e Gleason 8 a 10 em 5 casos.
No seguimento, PSA, USTR e toque retal eram realizados nos dias 1, 14,
30, 90 etc. A biópsia dirigida pelo US era repetida aos 3, 12,
24 meses ou quando indicada. O sucesso era definido com base no PSA
e biópsia prostática, ou seja PSA < 4 ng/ml e biópsia
negativa. PSA > 4 ng/ml e biópsia negativa era considerada
resposta parcial, e era repetida a biópsia. Quando ainda existia
câncer, embora em menor quantidade que no pré-operatório,
e o PSA < 4 ng/ml, também era considerada resposta parcial
e eram re-tratados. Falha era definida quando persistia ou mesmo aumentava
a quantidade de tumor detectado pela biópsia e o PSA > 4 ng/ml
e os doentes repetiam o tratamento.
O interessante é que o seguimento médio foi 10 meses,
variando entre 1 e 18 meses, tempo inadequado para qualquer conclusão
quanto ao resultado de tratamento do câncer da próstata.
Os autores conseguem mapear a distribuição do tumor pelas
biópsia e somente aplicar o HIFU nas áreas em que a biópsia
é positiva, começando do ápice em direção
à base da glândula. Isso é baseado na grande precisão
do efeito térmico do HIFU.
Como o HIFU não consegue destruir todas as células que
expressam PSA, conseqüente à penetração limitada
em sentido dorso-ventral da próstata, explica a presença
de níveis dosáveis de PSA no pós-operatório.
Ainda existem muitas dúvidas quanto a esse novo procedimento,
ainda experimental. Muitos avanços tecnológicos estão
sendo providenciados no equipamento, porém é valido admitir
que no futuro venha ser, juntamente com a braquiterapia e a crioterapia,
mais uma alternativa no tratamento do câncer da próstata.
Como exercício de futurologia, o HIFU também poderia vir
a concorrer, junto com outras modalidades terapêuticas, no tratamento
paliativo do CAP.
Nelson Rodrigues Netto Jr.
INFERTILITY
Antioxidant
treatment of patients with asthenozoospermia or moderate oligoasthenozoospermia
with high-dose vitamin C and vitamin E: a randomized,
placebo-controlled, double-blind study
Rolf C, Cooper TG, Yeung CH, Nieschlag E
Hum Reprod, 14: 1028-1033, 1999
Tratamento antioxidante de pacientes com astenozoospermia ou oligoastenozoospermia
moderada com altas doses de vitamina C e vitamina E: um estudo randomizado,
placebo-controlado e duplo-cego
- Objetivos:
Investigar
se o tratamento por via oral com altas doses de vitaminas C e E durante
56 dias seria capaz de melhorar os parâmetros espermáticos
de homens inférteis.
- Métodos:
31 pacientes com astenozoospermia (< 50% espermatozóides móveis)
e concentração espermática normal ou apenas moderadamente
reduzida (> 7 X 106 espermatozóides/ml), e ausência
de infecção genital, tiveram os parâmetros seminais
(volume, concentração, motilidade e vitalidade) examinados.
Após randomização, os pacientes receberam 1000
mg de vitamina C e 800 mg de vitamina E (n = 15) ou placebo (n = 16).
Análises seminais foram realizadas antes e depois do tratamento,
sendo uma com 2 e outra com 7 dias de abstinência sexual.
- Resultados:
Não se observou qualquer mudança nos parâmetros
seminais após o tratamento. Nenhuma gravidez ocorreu durante
o período de tratamento. O período de abstinência
prolongado aumentou o volume do ejaculado, a concentração
espermática e o número total de espermatozóides
móveis (P < 0,05).
- Conclusões:
O
tratamento antioxidativo combinado com altas doses de vitaminas C e
E não melhora os parâmetros espermáticos convencionais
em homens com astenozoospermia ou oligoastenozoospermia moderada.
- Comentário
Editorial
Experimentos in vitro demonstram que a vitamina C e a vitamina E são
eficazes na proteção do DNA dos espermatozóides
do dano oxidativo, quando administradas separadamente (1). Em combinação,
poderiam inclusive induzir dano ao DNA, pois a vitamina C age como pró-oxidante
em certas circunstâncias. Por outro lado, espera-se que os anti-oxidantes
exerçam sua atividade quando existem níveis elevados de
radicais livres de oxigênio (RLO). Entretanto, o dano oxidativo
ao DNA e os níveis de RLO não podem ser avaliados pelos
parâmetros espermáticos convencionais, e nenhuma avaliação
neste sentido foi realizada neste estudo. Além disto, os parâmetros
convencionais do sêmen são insuficientes para avaliar a
fertilidade do indivíduo, e existe elevada variabilidade inter
e intra-análises, mesmo nos centros com programas de controle
de qualidade. Outro aspecto refere-se ao fato de que o ciclo germinativo
dura em média 72 dias; portanto, qualquer tratamento visando
melhorá-lo deve ser avaliado após este período,
ao passo que no estudo em questão as análises seminais
foram realizadas 7 a 8 semanas depois do início do tratamento.
A incidência de infertilidade masculina idiopática varia
de 5% a 66% (média de 25%). Historicamente, nós urologistas
temos tratado muitos homens com infertilidade sem causa definida de
maneira empírica, ou seja, por meio de um tratamento clínico
baseado em conceitos teóricos, porém sem eficácia
comprovada. Embora o presente estudo não tenha mostrado benefício
no uso da vitamina C e vitamina E, isto não chega a ser surpreendente
pelas falhas metodológicas apontadas acima. Deveremos aguardar
outros estudos para verificar se o uso de anti-oxidantes por via oral
possa vir a beneficiar um subgrupo de homens inférteis. A única
evidência apresentada neste estudo foi a observação
de que o tempo de abstinência influencia as características
seminais, mas isto já é sabido há muito tempo (2).
- Referências
1. Hughes CM, Lewis SE, McKelvey-Martin VJ, Thompson W: The effects
of antioxidant supplementation during Percoll preparation on human sperm
DNA integrity. Hum Reprod, 13: 1240-1247, 1998.
2. Baker HW, Burger HG, de Kretser DM, et al.: Factors affecting
the variability of semen analysis results in infertile men. Int J Androl,
4: 609-622, 1981.
Testicular sperm extraction: microdissection improves sperm yield with
minimal tissue excision
Schlegel PN
Human Reprod, 14: 131-135, 1999
Extração
de espermatozóides testiculares: microdissecção melhora
a recuperação de espermatozóides com excisão
tecidual mínima
- Objetivos:
Apresentar a experiência com uma nova técnica para extrair
espermatozóides do testículo, que utiliza a microdissecção
dos túbulos seminíferos com o objetivo de identificar
áreas de espermatogênese antes da sua remoção.
- Métodos:
49 homens com azoospermia não-obstrutiva foram submetidos à
extração de espermatozóides testiculares (TESE),
os quais seriam utilizados num ciclo simultâneo de fertilização
in vitro com micromanipulação de gametas (ICSI). Nos primeiros
22 indivíduos, a TESE foi realizada pela técnica convencional
(biópsia aberta com excisão de 250-750 mg de parênquima,
dependendo do volume testicular), enquanto que nos 27 seguintes a TESE
foi realizada com microdissecção. Nesta, após abertura
extensa da túnica albugínea numa área avascular,
e com auxílio do microscópio cirúrgico (aumento
de 20-25 X), procurou-se identificar áreas contendo túbulos
seminíferos dilatados e opacos, que foram então excisados.
Nestes 27 casos, realizou-se também uma biópsia convencional
adjacente ao local da microdissecção, para avaliar a eficiência
da microdissecção em comparação à
biópsia.
- Resultados:
A habilidade de encontrar espermatozóides aumentou de 45% (10/22)
para 63% (17/27) após a introdução da microdissecção.
As amostras obtidas pela microdissecção recuperaram, em
média, 160.000 espermatozóides em apenas 9,4 mg de tecido,
enquanto apenas 64.000 espermatozóides foram obtidos pela biópsia
aberta cujo peso médio foi de 720 mg (P < 0,05, para todas
as comparações). No grupo que serviu como seu próprio
controle, espermatozóides foram encontrados na microdissecção,
mas não na TESE convencional, em 6 indivíduos (35% de
todos os homens nos quais foram encontrados espermatozóides).
- Conclusões:
Os achados sugerem que a TESE por microdissecção pode
melhorar a recuperação de espermatozóides nos homens
com azoospermia não-obstrutiva, em comparação com
as técnicas de biópsia existentes.
- Comentário
Editorial
A extração de espermatozóides testiculares (TESE)
é o método mais eficaz para obtenção do
gameta masculino nos homens com azoospermia não-obstrutiva. A
chance de encontrar áreas de espermatogênese focal no testículo
correlaciona-se com a histologia testicular: cerca de 90% na hipoespermatogênese,
50% na parada de maturação germinativa, e 20% na aplasia
germinativa. As taxas de fertilização com a ICSI realizada
com estes espermatozóides situam-se ao redor de 50%. Um dos problemas
é que o procedimento de extração é cego,
pois não identifica áreas focais de espermatogênese.
Realiza-se uma ou mais biópsias, que são enviadas para
o laboratório de embriologia, sem que se saiba de antemão
o resultado. Outro problema é que os testículos destes
homens são geralmente pequenos, e caso haja necessidade de biópsias
múltiplas, o que não é raro, corre-se o risco de
desvascularizá-los e afetar a produção de testosterona.
A técnica aqui apresentada é nova, mas baseia-se num conceito
bastante simples: túbulos seminíferos contendo células
germinativas teriam maior diâmetro e seriam mais opacos, em comparação
àqueles com apenas células de Sertoli e, portanto, sem
espermatogênese. Para a microdissecção é
necessário um microscópio operatório, material
e habilidade microcirúrgica, mas as vantagens são inquestionáveis:
maior chance de encontrar espermatozóides numa amostra de parênquima
cerca de 70X menor; além de menor risco de desvascularização,
atrofia testicular, e dano à produção de andrógenos.
Entretanto, em um dos casos apresentados neste estudo, espermatozóides
foram encontrados na biópsia ao acaso, mas não na microdissecção
(1/17; 6%). Outro problema potencial é que nem sempre é
possível encontrar túbulos dilatados). Recentemente, empreguei
esta técnica em 2 casos, e em 1 deles também não
identifiquei túbulos dilatados, tendo recorrido à biópsia
convencional, embora o resultado final tenha sido negativo. Por outro
lado, é possível que um túbulo com aspecto dilatado
possa conter células da linhagem germinativa, sem que existam
espermatozóides maduros (parada de maturação).
Finalmente, é importante considerar aqueles pacientes azoospérmicos
que já realizaram uma biópsia de testículo diagnóstica,
a qual tenha revelado hipoespermatogênese. Nestes casos, devido
à elevada probabilidade de encontrar espermatozóides (~90%),
pode-se recorrer a métodos menos invasivos, como a punção
percutânea com agulha (TESA), ou mesmo a biópsia convencional,
procedimentos estes que podem ser realizados no próprio consultório.
Sandro
C. Esteves
ONCOLOGY
Multicenter,
randomized, phase III trial of CD8+ tumor-infiltrating lymphocytes in
combination with recombinant interleukin-2 in metastatic renal cell carcinoma
Figlin RA, Thompson JA, Bukowski RM, Vogelzang NJ, Novick AC, Lange P,
Steinberg GD, Belldegrun AS
J Clin Oncol, 17: 2521-2529, 1999
Estudo
multicêntrico randomizado fase III sobre o uso combinado de linfócitos
infiltrantes de tumor e interleucina-2 recombinante no carcinoma metastático
de células renais
- Objetivos:
Comparar a atividade anti-tumoral da interleucina-2 (IL-2) e linfócitos
infiltrantes de tumor (LIT) com a interleucina-2 em pacientes com carcinoma
metastático de células renais submetidos à nefrectomia
radical.
- Métodos:
Entre dezembro de 1994 e março de 1997, ingressaram no protocolo
178 pacientes de 29 centros norte-americanos e europeus com tumores
renais primários ressecáveis e com metástases sistêmicas.
Os pacientes foram tratados com nefrectomia e randomizados a receber
linfócitos CD8+ obtidos a partir do tumor primário (5
x 107 a 3 x 1010 células IV, no dia 1) e interleucina-2 (1 a
4 ciclos por 4 dias por semana, durante 4 semanas, em infusão
contínua) (Grupo de estudo LIT/IL-2) ou infusão de células
com placebo mais IL-2 (esquema de administração idêntico)
(Grupo controle IL-2). Para a obtenção dos LIT os tumores
primários eram cultivados em meio contendo IL-2 em um laboratório
central.
- Resultados:
De 178 pacientes, 160 foram randomizados (LIT/IL-2, n = 81 e IL-2 controle,
n = 79). Vinte destes não receberam tratamento após a
nefrectomia devido a complicações cirúrgicas (4
pacientes), mortalidade cirúrgica (2 pacientes) ou inelegibilidade
ao tratamento com IL-2 (14 pacientes). De 72 escolhidos para o tratamento
com LIT/IL-2, 33 (41%) não puderam receber LIT devido à
quantidade insuficiente de células viáveis. A análise
de intenção de tratamento mostrou respostas objetivas
de 9,9% vs. 11,4% (p = NS) e sobrevida em um ano de 55% vs. 47% (p =
NS) nos grupos de estudo e de controle, respectivamente.
- Conclusão:
após a nefrectomia do tumor primário, não houve
melhora nas respostas objetivas ao tratamento e na sobrevida em um ano
de pacientes tratados com LIT CD8+ e IL-2, em comparação
com os tratados com IL-2 isoladamente.
- Comentário
Editorial
Apesar dos tumores malignos do rim estarem sendo diagnosticados cada
vez mais em seus estágios iniciais, cerca de 30% dos pacientes
ainda se apresentam com doença metastática. Os resultados
dos tratamentos adjuvantes, após a nefrectomia do tumor primário,
têm sido pobres nestes casos, sendo que a terapia mais efetiva
até o momento consiste na imunoterapia com interleucina-2 (IL-2)
em altas doses (até 20% de respostas objetivas, apesar de pouco
impacto na sobrevida específica) (1). No entanto, a toxicidade
com as altas doses de IL-2 limita o seu uso. Mais recentemente observou-se
que a IL-2 pode fornecer respostas objetivas similares em doses mais
baixas (2). Além disso, um estudo clínico da Universidade
da Califórnia (UCLA) revelou que o tratamento com IL-2 em baixas
doses em combinação com linfócitos infiltrantes
do tumor primário (LIT) obtidos após a nefrectomia forneceu
respostas objetivas em 33-35% dos pacientes, com sobrevida em 1 ano
de 65% e sobrevida em 2 anos de 43% (3). Isto causou impacto nos meios
acadêmicos, e com base nesses dados encorajadores tentou-se reproduzir
os resultados da UCLA em um estudo multicêntrico, randomizado
e controlado do qual participaram 29 instituições.
As baixas taxas de respostas objetivas em ambos os grupos (o de estudo
e o de controle) levaram ao encerramento precoce do estudo. O fato de
que em 41% dos doentes randomizados a receber IL-2 e LIT não
se conseguiu obter uma quantidade suficiente de linfócitos para
a infusão adjuvante demonstra que esta é uma estratégia
de aplicabilidade restrita a apenas uma proporção de pacientes,
o que limita o seu uso clínico no momento. A idéia do
uso de LIT é interessante, pois teoricamente esses são
os agentes de imunidade celular que poderiam, em número suficiente,
atuar no controle do volume tumoral. Outros protocolos envolvendo a
administração de LIT poderão ainda ser testados
com maior sucesso, mas os achados deste estudo nos fazem duvidar da
sua aplicabilidade, ao menos no esquema terapêutico utilizado.
Estudos multicêntricos randomizados como este são fundamentais
para desmistificar resultados iniciais de estudos isolados e para comprovar
a efetividade ou inadequação de esquemas adjuvantes em
populações mais amplas.
- Referências
1. Fyfe G, Fisher RI, Rosenberg SA, et al.: Results of treatment
of 255 patients with metastatic renal cell carcinoma who received high-dose
recombinant interleukin-2 therapy. J Clin Oncol, 13: 688-689, 1995.
2. Yang JC, Topalian SL, Parkinson D, et al.: Randomized comparison
of high-dose and low-dose intravenous interleukin-2 for the therapy
of metastatic renal cell carcinoma: An interim report. J Clin Oncol,
12: 1572-1576, 1994.
3. Figlin RA, Pierce WC, Kaboo R, et al.: Treatment of metastatic
renal cell carcinoma with nephrectomy, interleukin-2 and cytokine primed
or CD8 (+) selected tumor infiltrating lymphocytes from primary tumor.
J Urol, 158: 740-745, 1997.
Nephron sparing surgery for localized renal cell carcinoma: impact
of tumor size on patient survival, tumor recurrence and TNM staging
Hafez KS, Fergany AF, Novick AC
J Urol, 162: 1930-1933, 1999
Nefrectomia
parcial no carcinoma de células renais localizado: impacto do tamanho
tumoral na sobrevida dos pacientes, recorrência tumoral e estadiamento
TNM
- Objetivos:
Avaliar o impacto do tamanho tumoral na sobrevida dos pacientes e na
recorrência tumoral após a nefrectomia parcial de carcinomas
de células renais esporádicos. Além disso, estudar
a utilidade do novo sistema TNM de estadiamento no qual a diferenciação
entre o estágio T1 e T2 é obtida pelo tamanho tumoral
maior ou menor do que 7 cm.
- Métodos:
Foram
revisados resultados de nefrectomias parciais em 485 pacientes tratados
antes de 1997. Os pacientes foram agrupados conforme o tamanho tumoral:
Grupo I: até 2,5 cm (n = 142); Grupo II: 2,5 - 4 cm (n = 168);
Grupo III: 4 a 7 cm (n = 125) e grupo IV: > 7 cm (n = 50). O seguimento
pós-operatório médio foi de 47 meses.
- Resultados:
Na população tratada, a sobrevida geral e específica
foi de 81 e 92%, respectivamente. Dentre os 44 pacientes que apresentaram
recorrência (9%), 16 (3,2%) apresentaram recorrência local
e 28 (5,8%) doença metastática. Não houve diferença
de sobrevivência entre os grupos I e II ou III e IV. No entanto,
se agruparmos os grupos I e II (< 4 cm) e III e IV (> 4 cm), a
sobrevida é significativamente melhor nos pacientes com tumores
< 4 cm (p = 0,001).
- Conclusões:
Após nefrectomias parciais no tratamento do carcinoma de células
renais, a sobrevida é significativamente melhor em pacientes
com tumores menores de 4 cm. O sistema TNM vigente poderia ser incrementado
se subdividíssemos os tumores T1 em T1a (< 4 cm) e T1b (de
4 a 7 cm).
- Comentário
Editorial
No carcinoma de células renais, como em vários outros
tumores sólidos, o tamanho tumoral apresenta uma relação
inversamente proporcional às taxas de sobrevida específica.
Dados recentes de séries de nefrectomias radicais determinaram
a mudança da definição do estágio T1 na
última classificação TNM da AJCC (American Joint
Committee for Cancer - 1997). Os tumores de tamanho inferior a 7 cm
passaram a ser classificados como T1 e os maiores de 7 cm como T2 (1).
No entanto, embora a nefrectomia radical ainda seja o tratamento padrão
para pacientes com carcinoma de células renais e rim contralateral
normal, os excelentes resultados obtidos nas séries isoladas
de nefrectomias parciais parecem indicar que este conceito poderá
mudar num futuro próximo (2).
O presente trabalho da Cleveland Clinic Foundation, cujo chefe (A. Novick)
possui a maior casuística individual de nefrectomias parciais,
parece indicar que os conceitos de estadiamento da AJCC de 1997 (derivados
de séries de nefrectomias radicais) não se aplicam às
séries de nefrectomias parciais. Na série analisada foram
encontrados resultados superiores em pacientes com tumores < 4 cm.
Os autores sugerem, corretamente, a adoção de uma sub-classificação,
que considerasse estes limites, e que seria mais útil na análise
dos resultados de diferentes séries e inclusive na seleção
mais apropriada dos pacientes candidatos a nefrectomia parcial.
- Referências
1. Sobin LH, Wittekind C. TNM: Classification of Malignant Tumors.
New York, Springer-Verlag, 5th ed., pp. 180-182, 1997.
2. Steinbach F, Stockle M, Hohenfellner R: Clinical experience
with nephron-sparing surgery in the presence of a normal contralateral
kidney. Semin Urol Oncol, 13: 288, 1995.
Intermittent androgen suppression in the management of prostate cancer
Crook JM, Szumacher E, Malone S, Huan S, Segal R
Urology 53: 530-534, 1999
Bloqueio
androgênico intermitente no tratamento do câncer da próstata
- Objetivos:
O bloqueio androgênico intermitente tem sido sugerido como uma
forma de atenuar a síndrome de privação androgênica
em homens com câncer de próstata incurável. Dados
laboratoriais sugerem que a terapia intermitente possa prolongar a duração
da dependência androgênica do tumor.
- Métodos:
Desde outubro de 1993, 54 pacientes iniciaram um protocolo de 8 meses
de bloqueio androgênico total (BAT) com leuprolide (Lupron) e
nilutamida (Anandron) seguido de um período variável sem
tratamento. Destes, 11 eram falhas pós-radioterapia (comprovadas
por biópsia), 4 apresentavam recidiva bioquímica, 24 apresentavam
metástases à distância (menos de 6 sítios
axiais à cintilografia), 11 apresentavam recorrência tanto
local como à distância, e 4 foram tratados primariamente
para doença linfonodal. O PSA médio no início do
estudo era de 37 ng/ml (de 3,8 a 196). Após 8 meses de BAT, a
terapia hormonal era interrompida nos pacientes cujo PSA descia a níveis
abaixo de 4 ng/ml e era iniciada (segundo ciclo) quando o PSA subia
a níveis maiores do que 10 ng/ml. O PSA era repetido mensalmente
durante a fase sem tratamento.
- Resultados:
até
abril de 98, a sobrevida média era de 33 meses (14 a 53 meses).
Todos os pacientes completaram ao menos 1 ciclo, e alguns até
5 ciclos de tratamento. O tempo médio para atingir o nadir do
PSA no primeiro ciclo foi de 20 semanas e o tempo médio sem tratamento
foi de 35 semanas (31 para os pacientes com doença metastática
vs. 39 para os com recorrência bioquímica). No segundo
ciclo, o tempo médio para atingir o nadir do PSA foi de 17 semanas
e o tempo médio sem tratamento foi de 30 semanas (28 semanas
para doença metastática e 38 semanas para recorrência
bioquímica local ou à distância). No terceiro ciclo,
o tempo para atingir o nadir do PSA foi de 19 semanas. Dados sobre a
testosterona estavam disponíveis em 40 pacientes no primeiro
ciclo. Níveis normais de testosterona foram alcançados
numa média de 18 semanas (mediana de 9 semanas) durante o período
sem tratamento em 73% dos pacientes. A normalização da
testosterona foi atingida num tempo médio de 17 semanas (mediana
de 14 semanas) no período sem tratamento do segundo ciclo.
- Conclusões:
o BAT pode ser usado de maneira intermitente, parecendo ser mais apropriado
em pacientes com recidiva local ou bioquímica. A recuperação
de níveis normais de testosterona não é universal
nos intervalos sem tratamento. São necessários estudos
randomizados para avaliar a eficácia do bloqueio androgênico
intermitente quanto à sobrevida e à qualidade de vida.
- Comentário
Editorial
Apesar do bloqueio androgênico ser efetivo em mais de 80% dos
pacientes com neoplasia avançada ou recorrente da próstata,
a progressão da doença até um estado de independência
androgênica é inevitável, e não há
tratamentos eficazes quando a doença se torna refratária
ao tratamento hormonal. Além disso, o bloqueio androgênico
pode causar um impacto altamente negativo na qualidade de vida do paciente
ao afetar as taxas de potência sexual e ao ocasionar colaterais
como fogachos e deterioração do trofismo ósseo
e muscular. O bloqueio androgênico intermitente surgiu como uma
terapia que permite a intervenção hormonal, ao mesmo tempo
em que possibilita ao paciente experimentar períodos variáveis
nos quais a suspensão do tratamento reduz ou elimina os pára-efeitos
hormonais (1). Também se especula que ao prolongar a competição
por nutrientes entre linhagens de células hormônio-sensíveis
e células hormônio resistentes o bloqueio intermitente
possa acarretar ganhos no tempo de resposta ao bloqueio e uma sobrevida
mais prolongada (2).
Este trabalho de um grupo canadense demonstra a possibilidade de se
realizar com segurança o bloqueio androgênico total de
maneira intermitente. O tempo sem tratamento foi maior nos pacientes
com recidiva bioquímica ou local, e mais curto naqueles em que
havia metástases à distância detectadas clinicamente.
Nem todos os pacientes conseguiram atingir níveis normais de
testosterona na fase sem tratamento, mas a maioria o fez (73% no primeiro
ciclo). O intervalo sem tratamento (média de 35 semanas no primeiro
ciclo) significa não apenas um ganho na qualidade de vida do
paciente, mas também uma economia considerável nos gastos
com a medicação anti-androgênica ao longo do tratamento.
Se por um lado este estudo demonstra a viabilidade do bloqueio intermitente,
por outro não nos permite acessar diretamente a satisfação
do paciente com o regime terapêutico. Dados sobre o prolongamento
do efeito anti-tumoral do bloqueio androgênico e sobre os ganhos
específicos em qualidade de vida serão acessados somente
através de ensaios clínicos randomizados, com seguimentos
maiores.
- Referências
1. Klotz LH, Herr HW, Morse MJ, et al.: Intermittent endocrine
therapy for advanced prostate cancer. Cancer, 58: 2546-2550, 1986.
2. Sato N, Gleave ME, Goldenberg SL, et al.: Intermittent androgen
suppression delays time to androgen-independent progression in the LNCaP
prostate tumor model. J Urol, 153: 282 A, 1995.
Gustavo
Franco Carvalhal
Álvaro Sadek Sarkis
FEMALE
UROLOGY
Histologic
analysis of needle biopsy of urethral sphincter from normal women and
women with urinary stress incontinence with comparison of electromyographic
findings
Hale DS, Benson JT, Brubaker L, Heidkamp MC, Russell B
Am J Obstet Gynecol, 180: 342-348, 1999
Análise
histológica de biópsias por agulha do esfíncter uretral
de mulheres com e sem incontinência urinária de esforço
comparada aos achados eletromiográficos
- Objetivo:
Comparar biópsias por agulha do esfíncter uretral e achados
eletromiográficos (EMG) em mulheres com e sem incontinência
urinária de esforço (IUE).
- Métodos:
Dezessete pacientes com IUE comprovada urodinamicamente (todas com pressão
de perda sob esforço, PPE < 60 cm/H2O) e 10 mulheres sem IUE
(grupo controle) foram submetidas a EMG com agulha e biópsia
do esfíncter uretral com agulha 18G. As biópsias foram
analisadas com microscopia óptica e eletrônica por um patologista
cego para os dados clínicos e achados de EMG. Mulheres com doenças
neurológicas não foram incluídas no estudo.
- Resultados:
A musculatura lisa da uretra era indistinguível entre os 2 grupos.
Toda a musculatura estriada era do tipo I (bandas Z largas, maior quantidade
de mitocôndrias, capazes de contração lenta e sustentada).
O grupo com IUE tinha menor quantidade de musculatura estriada e mais
tecido conjuntivo entre fascículos. Este grupo demonstrou na
EMG presença significativa de potenciais de fibrilação
e polifásicos, menos potenciais de unidades motoras e menor atividade
elétrica voluntária comparado ao grupo controle.
- Conclusões:
Mulheres com IUE têm menor volume muscular e mais fibrose, e demonstram
alterações na EMG compatíveis com neuropatia por
denervação.
- Comentário
Editorial
Este estudo é interessante em vários aspectos. São
incluídas mulheres sem queixa de IUE e doença neurológica
que nos fornecem dados histológicos e eletromiográficos
de pacientes presumivelmente normais. Uma vez que a função
esfincteriana (assim como todo músculo estriado) requer inervação
intacta, a correlação dos dados de perda muscular e fibrose
(que ocorre com denervação - atrofia por denervação
e substituição de músculo por fibrose) e achados
eletromiográficos compatíveis com denervação
(fibrilação) e reinervação (potenciais polifásicos
- descargas complexas repetitivas) realmente suporta um mecanismo neurogênico
para a disfunção esfincteriana na IUE. Este tipo de análise
rende conclusões semelhantes porém é mais elegante
que os estudos de condução nervosa em grandes troncos
periféricos, uma vez que correlaciona morfologia e fisiologia
no órgão-alvo. Um problema deste trabalho, além
do pequeno número de mulheres estudadas, é que apenas
mulheres com IUE severa (PPE < 60 cm H2O) foram estudadas. Um estudo
incluindo pacientes com graus mais leves de IUE seria interessante para
que pudéssemos constatar ou refutar uma lesão neurogênica
progressiva em severidade causando perda urinária, uma vez que
teorias anatômicas mostram cada vez menor capacidade para explicar
a fisiopatologia da IUE.
The after-contraction: a true detrusor contraction or a late dyssynergic
urethral sphincter contraction?
Vereecken RL
BJU International, 85: 246-248, 2000
Contração
pós-miccional: uma verdadeira contração do detrusor
ou uma contração dissinérgica tardia do esfíncter
uretral
- Objetivo:
Avaliar
o mecanismo e significado clínico da contração
pós-miccional.
Pacientes e Métodos: Foram revisados os traçados urodinâmicos
de 65 pacientes com contração pós-miccional, portadores
de diferentes doenças e diferentes faixas etárias. Procurou-se
estabelecer correlações entre a eletromiografia (EMG)
anal ou do esfíncter estriado da uretra, e a contração
pós-miccional.
- Resultados:
Em 6 pacientes os traçados da EMG não puderam ser adequadamente
analisados. Nos demais 59 pacientes a contração pós-miccional
foi precedida pelo aumento da atividade dos esfíncteres e aumento
da pressão uretral. Em 61 pacientes havia contrações
involuntárias do detrusor e em 11 instabilidade uretral. A urina
residual variou de 15 a 85 ml.
- Conclusões:
As contrações pós-miccionais ocorrem por uma transformação
da contração isotônica do esvaziamento em uma contração
isométrica pelo bloqueio infravesical, decorrente do aumento
da atividade esfincteriana (coordenado ou não, dependendo da
etiologia ser não-neurogênica ou neurogênica).
- Comentário
Editorial
Esse artigo esclarece, de forma clara, a fisiopatologia das contrações
pós-miccionais, um evento freqüente em crianças (33%)
e não tão raro no adulto (0,5%) (1,2). Em crianças
o fenômeno pode representar uma forma de micção
disfuncional e parece estar associado com a síndrome de Hinman-Allen,
onde ocorre atividade voluntária do esfíncter estriado
da uretra com elevação da pressão miccional, infecções
urinárias de repetição e eventualmente perda de
função renal. Isto é reforçado pela presença
de urina residual em todos os casos. Os autores mostram que estudos
bem planejados e dirigidos à resolução de um problema
clínico, mesmo que retrospectivos e não comparativos (não
haveria como estudar este problema de forma diferente), podem vir somar
conhecimento neurourológico de forma significativa.
- Referências
1. Hoebeke PB, Van Gool JD, Van Laecke E, Vandewalle J, Plancke
H: The after-contraction in pediatric urodynamics. BJU, 78: 780-782,
1996.
2. Webster GD, Koefoot RB, Zakrzewski JB, Todd S: The after-contraction
in urodynamic. Neurourol Urodynam, 2: 213-218, 1983.
Aderivaldo
Cabral Dias Filho
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