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GIANT STONE IN
URETHRAL DIVERTICULUM
SIDNEY ABREU, ALEX
E. MELLER, JOSÉ CURY
Division
of Urology, Paulista School of Medicine, Federal University of São
Paulo, SP, Brazil
ABSTRACT
Introduction:
Urethral calculi occur infrequently and the majority of them originate
in the upper urinary tract. They, however, may get lodged in the urethra
during their passage if associated with a narrowing. Rarely, urethral
calculi may arise primarily in a urethral diverticulum.
The majority of these lesions are acquired
secondary to urethral trauma, obstruction or infection. Development of
calculi within the diverticulum is far more infrequent and may be due
to concurrent infection and urinary stasis.
We report an anterior urethral diverticulum
with a giant stone secondary to a penile clamp.
Case report: A 30 year-old patient was referred
to our institution with a penoscrotal hard mass. He had undergone an urethroplasty
5 years ago for a urethral stricture secondary to a pelvic fracture. After
this he became completely incontinent and was instructed to use a penile
clamp. A plain film reveals a large calcific image corresponding to a
stone. A retrograde urethrogram shows an anterior urethral diverticulum.
A perineotomy was performed, the stone was removed (6 x 3 cm) and the
diverticulum neck was closed.
Discussion: The penile clamp may have produced
necrosis of the urethral epithelium and subsequent urinary extravasation.
Thus, a periurethral abscess may result leading to diverticulum formation.
The cavity in acquired diverticulum is usually lined with granulation
tissue. Treatment of acquired male urethral diverticula is necessary in
symptomatic cases or if complications arise. The neck should be transected
without affecting the lumen and distal stenosis must be ruled out.
Key words:
urethra; diverticulum; calculus
Braz J Urol, 27: 264-266, 2001
INTRODUÇÃO
Os
divertículos uretrais podem ser congênitos, embora, em 90%
dos casos sejam adquiridos, secundários a trauma, obstrução
ou infecção uretral. O desenvolvimento de cálculos
no interior de divertículos é mais comum nos casos adquiridos
onde a infecção e a estase urinária contribuem para
a sua formação.
Neste trabalho, relatamos um caso de cálculo
gigante em divertículo uretral secundário ao uso prolongado
de clamp peniano (pinça peniana tipo Cunningham para
incontinência urinária).
RELATO
DO CASO
Paciente
masculino 30 anos, que há 4 anos, notou o aparecimento de uma massa
de consistência endurecida ao nível da bolsa testicular,
associada a múltiplos episódios de supuração
local da pele com extravasamento de urina.
Antecedente pessoal de acidente automobilístico
há 5 anos, com fratura de bacia e estenose de uretra. Refere cirurgia
perineal seis meses após o trauma para correção da
estenose de uretra. Após retirar a sonda vesical apresentou incontinência
urinária total, sendo orientado a utilizar clamp peniano.
Ao exame físico: cicatriz de perineotomia
prévia e presença de massa de consistência endurecida
ao nível do escroto.
O Rx simples da pelve, evidenciou seqüelas
da fratura de bacia e uma imagem calcificada na projeção
inferior da bacia, podendo corresponder a cálculo (Figure-1A).
A uretrocistografia retrógrada demonstrou um grande divertículo
sacular ao nível da uretra bulbar na mesma região da calcificação
(Figure-1B).
O paciente foi submetido a perineotomia,
com a retirada de um cálculo de 6 x 3 cm (Figure-2), tratamento
do colo do divertículo, colocação de sonda vesical
de demora e cistostomia, seguido do fechamento da uretra. A uretrocistografia
pós-operatória não evidenciou estenose ou fístula
uretral
.
DISCUSSÃO
Os
divertículos adquiridos da uretra são geralmente decorrentes
de trauma ou supuração periuretral por gonorréia,
tuberculose e prostatite. No caso relatado, provavelmente a pressão
exercida, de forma prolongada, sobre a uretra pelo clamp peniano
acarretou necrose do epitélio uretral, extravasamento de urina
e formação de abscesso periuretral. Após a absorção
deste abscesso, a cavidade resultante (histologicamente sem musculatura
e com paredes formadas principalmente por tecido de granulação)
originou o divertículo (2). Usualmente estes divertículos
são localizados na face ventral do pênis, ao nível
da uretra bulbar, e podem causar sintomas como hematúria, infecção
urinária, formação de fístulas cutâneas,
diminuição do jato urinário e até mesmo retenção
urinária aguda, principalmente quando associados a cálculos.
Os cálculos diverticulares são
geralmente solitários e com dimensões médias entre
2 e 4 cm, embora, existam relatos de cálculos em divertículos
uretrais de até 9 cm de diâmetro. Sua composição
usual é de magnésio e fosfato de amônia, o que reflete
a associação com infecção urinária.
Os divertículos adquiridos da uretra
devem ser tratados quando sintomáticos ou em presença de
complicação. O divertículo deve ser excisado e seu
colo fechado sem comprometer o lúmen uretral. Deve-se sempre investigar
a presença de estenose uretral distal que deve ser tratada simultaneamente
à correção do divertículo (3).
REFERÊNCIAS
- Sreedhar
K, Singh S, Mandal A: Giant calculus in anterior urethral diverticulum.
Urol Int, 48: 117-119, 1992.
- Melekos
M, Veronikis D, Kalfarentzos F: Diverticulum of the male urethra with
a giant stone and multiple calculi. Urol Int, 44: 184-186, 1989.
- Vincent
P, Laudone K, Finnie Green: Giant posterior urethral diverticulum after
radical retropubic prostatectomy. J Urol, 139: 364-366, 1988.
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Received: March 5, 2001
Accepted after revision: April 26, 2001
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Correspondence address:
Dr. Sidney Castro de Abreu
Rua Enrico de Martino, 500
São Paulo, SP, 05652-010, Brazil
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