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STAGING LAPAROSCOPIC
PELVIC LYMPHADENECTOMY
IN PROSTATE CANCER
LUIZ E. CAFÉ,
NELSON GATTÁS, HOMERO ARRUDA,
VALDEMAR ORTIZ, MIGUEL SROUGI
Division
of Urology, Paulista School of Medicine, Federal University of São
Paulo, Brazil
ABSTRACT
Introduction:
The metastatic dissemination to pelvic lymph nodes (N+) modifies the prognosis
of prostate cancer. Pelvic lymphadenectomy remains the standard procedure
in assessment of pelvic lymph nodes in prostate cancer. In this article
we analyzed the results of 20 bilateral laparoscopic pelvic lymphadenectomies
(LPL), focusing on the main indications in carrying out this method in
prostate cancer.
Material and Methods: We reviewed 20 consecutive
LPL in prostate cancer patients with high risk for lymph node metastases
and negative bone scintigraphy, performed between April 1999 and May 2000.
All the patients had one of the following criteria: Gleason score 7 and
PSA ³ 20 ng/ml; Gleason score ³ 8 and PSA ³ 10 ng/ml; PSA
³ 50 ng/ml; cT3 patients during hormonal neoadjuvant therapy. Bilateral
LPL was performed transperitoneally, using five trocars and Trendelemburg
position with lateral inclination as necessary.
Results: The preoperative risk for positive
lymph nodes was equal to or greater than 40% in all the patients. Mean
operative time was 115 minutes and there was a significant decrease in
operative time after the tenth case (p < 0.01). Overall, lymph node
metastasis rate was 35%. Radical prostatectomy was avoided in 38% of the
patients on neoadjuvant therapy and positive nodes.
Conclusions: Using the indication criteria
mentioned above, we found 35% of patients with N+ prostate cancer. Management
was modified in 38% of the patients on neoadjuvant hormone therapy.
Key words:
prostate; prostatic neoplasms; laparoscopy; lymphadenectomy; neoplasms
metastasis
Braz J Urol, 27: 139-143, 2001
INTRODUÇÃO
O
estadiamento adequado do câncer de próstata (CaP) é
uma etapa fundamental antes de se instituir qualquer modalidade de tratamento
e o status dos linfonodos pélvicos possui papel preponderante
na definição da conduta terapêutica.
A identificação de metástases
linfonodais utilizando métodos de imagem tem sido inadequada. A
tomografia computadorizada identifica apenas casos com linfadenomegalia
superior a 2.0 centímetros de diâmetro, o que indica a baixa
sensibilidade do método em estadiar corretamente os linfonodos
pélvicos nestes doentes (1).
O estágio clínico (T),
avaliado pelo exame retal digital, o grau de diferenciação
do tumor, verificado pelo escore de Gleason e o antígeno prostático
específico sérico (PSA), são variáveis importantes
que ao serem analisadas em conjunto, apresentam uma boa correlação
com o estadiamento patológico.
Apesar disso, a linfadenectomia pélvica
(LP) persiste como o padrão ouro na determinação
de metástases de linfonodos regionais. Uma vez que a linfadenectomia,
realizada quer pela via aberta quanto pela via laparoscópica (LPL),
é um método invasivo e não está desprovido
de morbidade e custo, é necessário identificar quais os
doentes que se beneficiarão deste procedimento. Por este motivo,
é preciso conhecer os fatores capazes de predizer um aumento do
risco para a disseminação linfonodal do câncer da
próstata.
Neste artigo serão discutidos os
principais fatores preditivos para metástases em linfonodos pélvicos,
e apresentados os resultados da LPL em doentes com câncer da próstata
quando utilizamos estes fatores.
CASUÍSTICA
E MÉTODO
No
período de abril de 1999 a maio de 2000 realizamos 20 linfadenectomias
pélvicas bilaterais pela via laparoscópica em portadores
de câncer de próstata com risco elevado de metástases
linfonodais e cintilografia óssea negativa. A indicação
da LPL baseou-se em um dos seguintes critérios: a)- presença
de escore de Gleason = 7 na biópsia e PSA ³ 20; b)- escore
de Gleason ³ 8 e PSA ³ 10; c)- PSA ³ 50; d)- pacientes
em tratamento hormonal neoadjuvante e estágio clínico ³
T3.
Todos as LPL seguiram o padrão descrito
a seguir: paciente em decúbito dorsal horizontal sob anestesia
geral. Realizamos o cateterismo vesical e o esvaziamento gástrico
antes da primeira punção. Após a punção
na borda inferior da cicatriz umbilical com agulha de Veress e realização
do pneumoperitôneo, a mesa cirúrgica é colocada em
posição de Trendelemburg com inclinação lateral.
Utilizamos o acesso transperitoneal com 5 trocartes dispostos em forma
de V invertido e iniciamos a dissecção pelo
mesmo lado do tumor na próstata, ou no lado com grau de Gleason
mais elevado quando o tumor é bilateral. Após o inventário
da cavidade peritoneal, identifica-se sucessivamente o anel inguinal interno,
o ligamento umbilical obliterado, a artéria ilíaca externa,
os vasos espermáticos e se possível, o ureter.
Realizamos a peritoneotomia em V
invertido como descrito por See et al. (2), com o seu vértice no
peritôneo posterior lateralmente ao anel inguinal. A dissecção
do tecido linfonodal anterior e medial à artéria e veia
ilíacas externa, é limitada distalmente pelo ramo circunflexo
da veia ilíaca externa, enquanto a artéria ilíaca
comum indica o limite proximal. O ligamento umbilical obliterado define
a borda medial da dissecção. O tecido fibroadiposo lateral
à artéria ilíaca externa é ressecado apenas
quando se planeja realizar linfadenectomia ampliada. O material ressecado
é retirado da cavidade peritoneal através de pinças
de preensão de 10 mm de diâmetro, ou preferencialmente em
um saco apropriado para extração de amostras.
RESULTADOS
O
PSA médio foi de 35 ng/ml (variou de 2.2 a 67 ng/ml) sendo que
o menor valor de PSA (2.2 ng/ml) foi encontrado em um paciente sem PSA
prévio com estágio T3 clínico e escore de Gleason
= 9 na biópsia e se encontrava em tratamento hormonal neoadjuvante
com estrógeno há cerca de 6 meses. O escore de Gleason na
biópsia era ³ 7 em 17 doentes (85%) e 8 pacientes (40%) tinham
T clínico ³ T3 e estavam em tratamento hormonal neoadjuvante.
Todos os pacientes operados apresentavam um risco de N+ igual ou superior
a 40% (Table-1).
O número de linfonodos retirados
foi de 7.2 em média (variou de 3 a 18). O tempo operatório
médio foi de 115 minutos (55 a 230 minutos) diminuindo para 85
minutos (55 a 120 minutos) quando consideramos apenas os 10 últimos
casos (p < 0.01). Sete pacientes (35%) apresentaram metástase
em pelo menos um linfonodo, sendo 3 destes do grupo em tratamento hormonal
neoadjuvante. A taxa de complicações maiores e menores foi
de 25% (5 doentes; íleo = 1, edema escrotal = 1, hematoma de parede
= 1, lesão de artéria epigástrica = 1, lesão
de veia ilíaca externa = 1). A taxa de conversão foi de
10% (2 doentes com lesão vascular) e apenas 1 paciente recebeu
transfusão sangüínea). Dezessete pacientes (85%) receberam
alta no primeiro dia pós-operatório (Table-2).
DISCUSSÃO
O
acometimento dos linfonodos pélvicos nos portadores de câncer
de próstata se correlaciona de forma variável com diversos
fatores. Quase um terço dos pacientes com tumor bilateral ou invasão
capsular ao toque retal (³ T2b da Classificação TNM),
apresentam linfonodos acometidos quando submetidos ao tratamento cirúrgico
(3). Existe uma correlação positiva entre o grau de diferenciação
do tumor de próstata avaliado pelo escore de Gleason e o risco
para N+. Este risco é inferior a 5% quando o escore de Gleason
varia de 2 a 4, e aumenta para 35% nos casos com escore 8 a 10 (4-6).
Em pacientes com PSA inferior a 10 ng/ml, a presença de doença
extraprostática é rara, enquanto que nos casos com PSA acima
de 50 ng/ml, 47% apresentam metástases em linfonodos pélvicos
(5).
Partin et al. demonstraram em estudo de
mais de 4000 pacientes com câncer de próstata que a análise
combinada do toque retal, associado ao PSA e escore de Gleason, apresenta
uma melhor eficácia em prever o estádio patológico
final destes doentes (7).
Utilizando essas variáveis poderemos
identificar pacientes com maior ou menor probabilidade de acometimento
linfonodal e assim classificá-los como de alto, médio ou
baixo risco de apresentarem metástases linfonodais (Table-3). Na
nossa casuística, todos os pacientes submetidos a LPL apresentavam
risco alto de metástases linfonodais segundo os critérios
descritos acima.
Guazzoni et al. demonstraram a diferença
dos resultados operatórios relacionados à curva de aprendizado
em pacientes submetidos a LPL (8). Em nossa casuística houve uma
diminuição significativa do tempo operatório após
o décimo caso, demonstrando um aprimoramento decorrente do aprendizado.
Comparações da LPL com a técnica
convencional demonstram nítida vantagem do método laparoscópico
em relação ao tempo de hospitalização, necessidade
de uso de analgésicos no pós-operatório, e tempo
de recuperação completa do paciente (9,10). O tempo de hospitalização
pós-operatória de 1 dia em 85% dos nossos casos é
compatível com o descrito na literatura. Segundo uma revisão
da literatura feita por Gill et al. em 1995, a taxa de complicações
intra e pós-operatórias em 511 LPL publicadas, foi de 13.5%
em média (11). Em nossa casuística encontramos uma taxa
de complicações de 25% em geral e 10% quando consideramos
apenas as maiores. A maior taxa em nossa série comparada com a
da literatura, decorre provavelmente do tamanho reduzido da amostra. A
maior parte das nossas complicações ocorreu na fase inicial
de aprendizado, e a tendência é de que, com o aumento da
casuística haja uma diminuição desta taxa.
Wolf et al., através do método
de análise de decisões que se baseia em custo
e preferência do paciente como objetivos finais definiu que, se
a terapia escolhida para tratar o CaP for a prostatectomia radical retropúbica,
é necessário que haja um risco de acometimento linfonodal
acima de 40% para que esteja justificada a linfadenectomia laparoscópica
(12). Utilizando esses critérios para indicação da
realização da LPL, encontramos uma taxa de 35% de pacientes
com N+. Dos pacientes em tratamento hormonal neoadjuvante, 38% tiveram
a prostatectomia radical cancelada devido a presença de metástase
linfonodal, ou seja, a cirurgia radical foi evitada em 38% destes pacientes.
CONCLUSÕES
Existe
uma diminuição do tempo operatório da linfadenectomia
pélvica laparoscópica a partir do décimo caso. Utilizando
critérios bem definidos de indicação, encontramos
metástases linfonodais em 35% dos casos e evitamos a prostatectomia
radical em 38% dos pacientes em tratamento hormonal neoadjuvante.
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Received: May 16, 2000
Accepted after revision: March 26, 2001
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Correspondence address:
Dr. Luiz Eduardo Café
Hospital São Paulo
Disciplina de Urologia, 3o. andar
Rua Napoleão de Barros, 715
São Paulo, SP, 04021-000, Brazil
Fax: + + (55) (11) 576-4086
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