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PATHOLOGY
Gleason
grading of prostatic biopsies (Letter to the Editor)
Milette F, Larivière L, Piché J
Am J Surg Pathol, 24: 1443, 2000
Graduação
de biópsias prostáticas pelo sistema Gleason (Carta ao Editor)
- Objetivos:
Os autores comentam o Editorial de Epstein JI (Am J Surg Pathol, 24:
477-478, 2000) no qual o autor preconiza que contagens finais 2-4 no
sistema Gleason não devem ser feitas em biópsias prostáticas
de agulha.
- Argumentos:
Os autores mostram-se perplexos com o Editorial de Epstein. Argumentam
que a responsabilidade do patologista é avaliar adequadamente
o grau histológico de um tumor na biópsia prostática.
Para isso, ele se baseia na sua observação e no sistema
de classificação utilizado. Os autores concordam que na
maior parte das vezes o grau é subestimado na biópsia,
quando comparado com a prostatectomia radical, entretanto, isto ocorre
por causa da pouca representatividade do material examinado. Conseqüentemente,
acham que o sistema Gleason não é adequado para biópsias
de agulha. Uma solução seria utilizar apenas o grau nuclear
(de 1 a 3) o qual mostra correlação com a avaliação
na prostatectomia.
- Propostas:
Reconhecem, entretanto, que o sistema Gleason é tão amplamente
utilizado que seria politicamente incorreto lutar contra ele. Assim
sendo, propõem uma solução melhor e mais coerente
que consiste em adicionar ao laudo de biópsias prostáticas
de agulha com contagem final 2-4 a seguinte nota: A presente contagem
final pode representar um valor subestimado em relação
ao encontrado na prostatectomia radical. Isto depende da amostragem
do material examinado e do sistema de classificação.
Os autores fazem um comentário final de que o urologista deve
saber conviver com estas limitações.
Pathologists should retain their individuality! (Reply by the author)
Epstein JI
Am J Surg Pathol, 24:1443-1444,2000
Os patologistas
devem preservar a sua individualidade! (Réplica pelo autor)
- Objetivos:
Epstein responde dizendo que a recomendação dos autores
para incluir uma nota ao laudo seria correto se a mesma fosse redigida
da seguinte maneira: Este resultado é quase sempre uma
subestimativa da contagem final na prostatectomia radical. Esta limitação
resulta quase sempre da tendência do patologista subestimar câncer
limitado.
- Argumentos:
De um total de 6023 prostatectomias radicais examinadas por Epstein
nos últimos 10 anos, cujo diagnóstico foi estabelecido
por biópsia de agulha, somente 15 (0.2%) mostravam na peça
cirúrgica Gleason com contagem final 2-4.
- Propostas:
Epstein concorda com Milette et al. no que se refere à validade
do sistema em biópsias de agulha. Ele tem pensado em adotar um
sistema de graduação simplificado o qual inclui uma interpretação
qualitativa seguida da contagem final do Gleason: adenocarcinoma moderada
a bem diferenciado (Gleason contagem final 2-6); adenocarcinoma moderada
a pouco diferenciado (Gleason contagem final 7); adenocarcinoma pouco
diferenciado (Gleason contagem final 8); e, adenocarcinoma muito pouco
diferenciado (Gleason contagem final 9-10). Epstein acredita que esta
proposta mostrará uma correlação melhor entre o
observado na biópsia de agulha e os achados na prostatectomia
radical.
- Comentário
Editorial
Por causa da relevância do assunto, esta carta ao Editor era previsível.
A proposta de Epstein, recomendando que laudos com Gleason contagem
final 2-4 não sejam feitos em biópsias de agulha, é
radical. Em que pese a baixíssima freqüência dessa
contagem em prostatectomias radicais, de acordo com a experiência
do autor (0.2%), adenocarcinoma com contagem final 2-4 existe na zona
periférica. Em trabalho realizado por nós em autópsias
de homens com mais de 40 anos de idade, observamos carcinoma histológico
(incidental) em 41/150 (27.33%) próstatas examinadas em cortes
seriados. A contagem final no sistema Gleason foi 2-4 em 7/41 (17.07%);
5-6 em 32/41 (78.04%); e, 7 em 2/41 (4.87%) próstatas. Certamente,
quase nenhum caso se apresenta com contagem final 2-4 no estádio
T2 e, um número muito menor do que os 17.07% se apresentará
com elevação de PSA (estádio T1c). Entretanto,
adenocarcinoma com Gleason contagem final 2-4 existe na zona periférica
e ele pode ser observado em biópsias de agulha.
O grande problema é a representatividade do material. Conforme
dissemos no comentário editorial anterior, nos adenocarcinomas
de baixo grau, a neoplasia mostra margem bem delimitada, além
de ácinos sem caráter infiltrativo ou fusão. A
não ser que a neoplasia tenha menos que 1 mm de diâmetro,
não é possível saber com certeza se a margem é
bem delimitada em toda a extensão do tumor. Assim sendo, mesmo
que o adenocarcinoma seja verdadeiramente de baixo grau numa biópsia
prostática de agulha, em virtude da amostragem, o diagnóstico
de baixo grau será sempre de probabilidade e, na nossa opinião,
a nota adicional ao laudo proposta por Milette et al. é válida
e pertinente.
Dr.
Athanase Billis
IMAGING
Testicular
Microlithiasis: US Follow-up
Bennett HF,Middleton WD,Bullock AD,Teefey SA
Radiology, 218: 359-363, 2001
Microlitíase
testicular: seguimento ultra-sonográfico
- Objetivos:
Determinar em pacientes com microlitíase testicular (MT) a história
natural, a curto prazo, da microlitíase clássica (MTC)
e da localizada (MTL).
- Material
e Métodos:
A microlitíase testicular foi identificada por exame ultra-sonográfico
(US) em 104 pacientes; 39 pacientes apresentavam 5 ou mais microlitos
em pelo menos uma imagem do US (critério para MTC), e 65 pacientes
tinham menos do que 5 microlitos (critério para MTL).
- Resultados:
Sete (18%) dos 39 pacientes com MTC e um (2%) dos 65 pacientes com MTL
apresentaram tumor na apresentação inicial (P = 004).
Dentre os 104 pacientes, 72 (31 com MTC, 41 com MTL) tiveram seguimento
por US, em média 45 meses (variando de 12-90 meses). Nenhum destes
pacientes desenvolveu neoplasia testicular ness período. MTL
não progrediu para MTC em nenhum paciente. Progressão
no número de microlitos foi observado em 2 pacientes com MTC.
- Conclusão:
Pacientes com MTL têm menor prevalência de neoplasia associada
dos que os com MTC. Num seguimento a curto prazo, o risco dos pacientes
com MT isolada desenvolver neoplasias malignas é baixo. Estes
resultados levantam a questão sobre a necessidade do uso rotineiro
do US nesse grupo de pacientes.
- Comentário
Editorial
Microlitíases testiculares (microlitos) representam uma entidade
relativamente rara, encontrada em menos de 1% dos US escrotais. São
depósitos laminares de cálcio no interior do lúmen
dos túbulos seminíferos. Existe ainda controvérsia
sobre a real prevalência de neoplasias testiculares associadas
à microlitíase testicular. Alguns autores referem prevalência
de até 40%. No último congresso de radiologia norte-americano
(RSNA-Chicago-USA), alguns trabalhos discutiram como caracterizar, adequadamente,
esses microlitos e como valorizá-los procurando assim, determinar
uma melhor relacão custo-benefício para o seguimento ultra-sonográfico
adequado desses pacientes.
Alguns autores relataram que cerca de 90% dos microlitos testiculares
não estão associados ao desenvolvimento futuro de neoplasia.
Todavia, até o momento, existe um consenso no qual todos os pacientes
com microlitíase devem ser acompanhados com exame físico
e US escrotal, pelo menos uma vez ao ano. Outro fator reconhecido é
que havendo a associação de microlitíase com outros
fatores de risco (tumor contralateral, criptorquidia) a prevalência
de tumor é, ainda, muito maior. Talvez a desproporção
dos índices de prevalência de tumores, nestes trabalhos,
se deve ao fato do risco de desenvolver tumor em pacientes com MT isolada
ou localizada ser bem menor do que naqueles com MTC. Se não especificarmos
o tipo de alteração encontrada ao US, e portanto, considerarmos
erroneamente MT isolada, MTL e MTC como sendo a mesma anormalidade,
obviamente, os resultados serão discrepantes. Ainda se faz necessário
um estudo com maior número de pacientes e com seguimento maios
longo, e só então, poderemos estabelecer se os pacientes
portadores de MT isolada ou MTL, merecem ou não uma conduta distinta
daqueles com MTC.
Dr.
Adilson Prando
Ecografía tridimensional: nuevo reto urológico
Orgaz RE, Gimeno MAN, Pérez EM, Arbej JAP, Esteban FA, Mayor VC
Arch Esp de Urol, 53: 677-684, 2000
Ecografia
tridimensional: novo desafio urológico
- Objetivo:
Apresentar as aplicações urológicas da ecografia
tridimensional (US3D) obtidas a partir da conversão das imagens
bidimensionais.
- Material
e Métodos: Os autores realizaram US3D em 30 rins, 15 bexigas
e 15 próstatas, após estudo em 2D, sendo sua primeira
experiência com o método. Compararam as imagens obtidas
e analisaram a melhora do poder diagnóstico.
- Conclusão:
Trata-se do inicio da investigação clínica das
possibilidades da US3D em Urologia, nas que talvez sejam suas aplicações
principais.
- Comentário
Editorial
Os autores utilizam as impressões pessoais com o emprego da US3D
em seus primeiros 15 pacientes, para avaliar as potenciais aplicações
clínicas em Urologia. É de se ressaltar que o número
de pacientes é pequeno e a literatura tem poucas definições
seguras das vantagens da US3D no campo da Urologia, embora em outras
áreas como Obstetrícia e Cardiologia as aplicações
têm avançado rapidamente.
A próstata parece ser mais beneficiada e como a US3D é
menos dependente do operador, medidas e seguimento do volume tumoral
podem ser realizadas com mais precisão. A definição
da extensão do tumor prostático para as vesículas
seminais e através do ápice, é difícil pela
US convencional, mas as técnicas de US3D em estudo são
promissoras para estas áreas devido à habilidade para
demonstrar múltiplos planos em qualquer orientação.
Nos rins há duas situações que são citadas
como de potencial benefício com o emprego da US3D: a caracterização
da neoplasia intra-renal quando é cogitada a nefrectomia parcial
e a avaliação da perfusão regional em transplante
renal, já que as alterações de rejeição
podem ser segmentares.
O trabalho tem seu valor em chamar a atenção para as promessas
dessa técnica, à medida que ela está ganhando popularidade
ao se mover da área da pesquisa para a aplicação
clínica. Os avanços na tecnologia deverão remover
os artefatos e limitações ainda presentes, salientando
as vantagens desta modalidade em comparação com a US convencional.
Dr.
Nelson M.G. Caserta
ENDOUROLOGY
AND LAPAROSCOPY
Surveillance
of upper urinary tract transicional cell carcinoma: the role of ureteroscopy,
retrograde pyelography, citology and urinalysis
Chen GL, El Gabry EA, Bagley DH
J Urol, 164: 1901-1904, 2000
Vigilância
do carcinoma de células do trato urinário superior: o papel
da ureteroscopia, da pielografia retrógrada, da citologia e da
análise da urina
- Objetivos:
Um grupo selecionado de pacientes com carcinoma de células transicionais
foram tratados com ressecção ureteroscópica. Determinou-se
a validade e acuracidade da análise da urina, citologia vesical,
citologia e biópsia do trato urinário superior, e da pielografia
retrógrada para a detecção da recorrência
do carcinoma de células transicionais de trato urinário
superior comparados com os achados endoscópicos.
- Material
e Métodos: Pacientes com carcinoma de células transicionais
tratados com ureteroscopia foram seguidos a cada 3 e 6 meses. As revisões
incluíram análise da urina com dipstick e
sedimentoscopia, citologia urinária, pielografia retrógrada
examinada por urolologista e radiologista, e ureteroscopia com citologia
e biopsia das áreas suspeitas. Nem todos os dados foram obtidos
para todos os casos. Medidas de sensibilidade e especificidade foram
determinadas e relacionadas com os achados endoscópicos. Tratamento
estatístico adequado foi realizado. A acuracidade de cada procedimento
também foi calculada.
- Resultados:
Vinte e três pacientes tinham sido submetidos à ressecção
ureteroscópica de carcinoma de células transicionais de
baixo grau, os quais foram submetidos a 88 controles em 30 meses (Tabela).
Um total de 56/88 recorrências (64%) foram detectadas através
de ureteroscopia, incluindo 11 (12%) associadas com recorrência
vesical. Em pacientes que não tiveram recidiva vesical, a análise
urinária apresentou sensibilidade de 37.5%, mas a especificidade
foi de 85%, enquanto a citologia vesical teve sensibilidade de 50% e
a especificidade foi de 100%, e a pielografia retrógrada, feita
na sala de cirurgia, revelou sensibilidade de 71.7% e especificidade
de 84.7%. A ureteroscopia com biopsia e citologia apresentou sensibilidade
de 93.4% e especificidade de 65.2%.
- Conclusões:
Os achados indicam que quando comparadas ureteroscopia, análise
da urina, citologia vesical, pielografia retrógrada e citologia/biopsia
ureteroscópica, aquelas são menos válidas e acuradas
para a detecção de recorrências de carcinomas de
células transicionais do trato urinário superior. Baseados
nesses dados recomendamos a avaliação ureteroscópica
como um procedimento essencial para os pacientes tratados endoscopicamente
de carcinoma de células transicionais de trato urinário
superior.

- Comentário
Editorial
Os carcinomas de células transicionais do trato urinário
superior passíveis de serem tratados através da ureteroscopia
deverão ser preferencialmente aqueles de baixo grau e pouco invadidos.
Sabidamente, a citologia urinária é mais sensível,
e, portanto, mais adequada para a pesquisa e para o controle de casos
de carcinomas in situ ou de tumores mais indiferenciados. Portanto,
neste estudo, há uma pré-seleção dos tumores
a serem estudados comparando-se métodos de controle que não
são tão adequados para o mesmo tipo de tumor. Como foi
demonstrado, para carcinomas de células transicionais, cuja indicação
de tratamento foi a endoscópica, o controle pós-operatório
ideal obviamente é aquele que reúne o maior número
de dados, feito através da sedimentoscopia, da citologia, da
pielografia retrógrada e da ureteroscopia com e sem biopsia.
O único fato a ser considerado é que este exame de controle
tem um grau de invasividade não desprezível, com anestesia
incluída, além do custo embutido da utilização
do ureteroscópio, menos resistente que o desejável. Há
também que se considerar que a inspecção ureteroscópica
de todos os cálices, especialmente os inferiores, não
é tarefa fácil (se feita de modo rigoroso), demandando
perícia e experiência de quem o faz. Fica a mensagem, através
deste artigo, que o controle dos tumores de células transicionais
do trato urinário superior, atinge maior precisão e rigor
se a ureteroscopia com ou sem biopsia for acrescentada rotineiramente
nos controles pós-operatórios aos demais exames convencionais.
Dr.
Pedro P. de Sá Earp
Laparoscopic retroperitoneal lymph node dissection for clinical stage
I nonseminomatous testicular carcinoma: long-term outcome
Janetschek G, Hobisch A, Peschel R, Hittmair A, Bartsch G
J Urol, 63: 1793-1796, 2000
Linfadenectomia
retroperitoneal via laparoscópica para tumores testiculares
não seminomatosos - estádio I: avaliação a
longo prazo
- Objetivo:
Relatar a eficácia oncológica a longo prazo e a morbidade
da dissecção laparoscópica de linfonodos retroperitoneais
para o carcinoma testicular.
- Materiais
e Métodos:
No período de agosto de 1992 a setembro de 1999, 73 pacientes
foram submetidos à dissecção laparoscópica
de linfonodos retroperitoneais. Pacientes com linfonodos positivos receberam
dois ciclos de quimioterapia.
- Resultados:
O tempo operatório variou de 150 a 630 minutos (média
221) nos casos mais recentes. Todas as cirurgias foram completadas como
planejado, com exceção de dois pacientes, com uma taxa
de conversão de 2.7%. Complicações menores ocorreram
em apenas 6.8%. Nos últimos 44 pacientes estudados não
houve complicações pós-operatórias maiores,
e somente uma menor (2.3%). A hospitalização média
pós-operatória foi de 3.3 dias. Não houve casos
de perda da ejaculação nos pacientes operados. Os linfonodos
foram positivos em 19 casos (26%). O seguimento médio em 47 pacientes
com estádio patológico I da doença foi de 43.3
meses (7 a 84 meses). Recorrência retroperitoneal ocorreu em um
paciente devido a achados histológicos falso-negativos, porém
não houve outras recorrências.
- Conclusões:
No grupo estudado, a dissecção laparoscópica de
linfonodos retroperitoneais foi eficiente cirurgicamente e também
sob o ponto de vista oncológico. Durante o seguimento a longo
prazo, de mais de 3 anos, não houve recorrência por falha
cirúrgica.
- Comentário
Editorial
Mais um estudo demonstra a eficiência da laparoscopia para um
procedimento tradicionalmente realizado por via aberta. Os resultados
encontrados são comparáveis ao procedimento por via convencional,
mas os tempos de internação e de recuperação
foram inferiores, o que permite um retorno rápido às atividades
normais do paciente.
Os índices de complicação e conversão foram
baixos.
A maior preocupação da dissecção laparoscópica
para linfonodos retroperitoneais é que esta pode não ser
completa como na cirurgia aberta. Entretanto, se permanecerem linfonodos
metastáticos, levando a estadiamentos histológicos falso-negativos,
a doença crescerá rapidamente e se manifestará
clinicamente dentro de um curto prazo de tempo. Assim, o número
de recorrências retroperitoneais é um bom indicador da
sensibilidade da dissecção laparoscópica dos linfonodos.
Vista a baixa recorrência observada nos pacientes tratados, a
laparoscopia demonstrou sua eficiência.
A laparoscopia é uma cirurgia de alta tecnologia e, considerada
de alto custo. A avaliação realizada pelo grupo mostrou
que embora o custo cirúrgico seja discretamente maior (3.216
versus 2.450 Euros), os custos gerais quanto ao tempo de internação
e retorno às atividades profissionais foram plenamente a favor
da laparoscopia.
Dr.
Marcelo Lopes de Lima
Retroperitoneal laparoscopic adrenalectomy: clinical experience in
52 procedures
Soulié M, Mouly P, Caron P, Segin P, Vazzoler N, Escourrou G, Bastide
T, Pontonnier F, Plante P
Urology, 56: 921-925, 2000
Supra-renalectomia
laparoscópica retroperitoneal: experiência clínica
com 52 procedimentos
- Objetivos:
A supra-renalectomia laparoscópica tornou-se uma opção
eficaz para a remoção de pequenos tumores da supra-renal.
O objetivo deste estudo prospectivo foi avaliar a abordagem retroperitoneal
em relação às complicações intra-operatórias,
morbidade e período de permanência hospitalar.
- Material
e Métodos:
Entre setembro de 1996 e outubro de 1999, foram realizadas 52 supra-renalectomias
laparoscópicas (31 à esquerda, 21 à direita), por
doenças benignas, por acesso retroperitoneal, em 44 pacientes
(27 mulheres e 17 homens) com média de idade de 46,9 anos (17
a 74 anos). O tumor media em média 32mm (10 a 63mm). Todos os
procedimentos necessitaram de quatro trocartes e um tempo médio
de cirurgia de 135 minutos (75 a 240 minutos).
- Resultados:
Não houve óbitos. O índice de conversão
para cirurgia aberta foi de 1.9% e a perda de sangue estimada foi de
80 ml (30 a 200 ml). O período médio de seguimento foi
de 16 meses. O índice de complicações foi de 17.2%,
que incluiu 5.7% de complicações intra-operatórias
causadas por duas lesões vasculares e 11.5% de complicações
pós-operatórias - infecções de parede, hematoma
profundo e deiscência de parede. O período médio
de permanência hospitalar foi de 5 dias e o consumo médio
de analgésicos foi de 2 dias (1 a 5 dias).
- Conclusões:
A abordagem laparoscópica retroperitoneal para a supra-renalectomia
parece ser um procedimento minimamente invasivo seguro que pode tornar-se
o padrão para tumores unilaterais ou bilaterais da supra-renal
de até 7 cm. No entanto, a curva de aprendizado precisa ser superada
antes que se inicie a prática desta técnica.
- Comentário
Editorial
Este trabalho francês, como outros trabalhos norte-americanos
recentes, reproduz a experiência pioneira do Oriente em supra-renalectomia
retroperitoneal. Com índices de complicação, conversão
e transfusão semelhantes aos obtidos por cirurgia transperitoneal,
a via retroperitoneal parece ser promissora, não só em
cirurgia da supra-renal, mas também do rim. No entanto, não
há na literatura qualquer evidência objetiva de que uma
via de acesso seja superior à outra. A experiência tem
demonstrado que a via transperitoneal serve para qualquer caso; já
a retroperitoneal tem indicação em casos selecionados
- tumor pequeno, retroperitônio virgem, paciente não obeso
e experiência do laparoscopista.
Dr.
Lísias Nogueira Castilho
UROLOGICAL
NEUROLOGY
The urodynamic profile of myelodysplasia in childhood with spinal closure
during gestation
Holzbeierlein J, Pope IV JC, Adams MC, Bruner J, Tulipan N, Brock III
JW
J Urol 164: 1336-1339, 2000
Perfil
urodinâmico da mielodisplasia na infância com fechamento espinal
intra-uterino
- Objetivo:
Avaliar o impacto neurourológico do fechamento intrauterino do
tubo neural em fetos com mielodisplasia, comparado a controles históricos.
- Material
e Métodos:
Vinte e cinco pacientes foram submetidos ao procedimento e 23 foram
analisados. A idade gestacional média no procedimento foi de
26.9 semanas. Não houveram complicações maternas
ou fetais associadas ao procedimento. Todos os defeitos eram na coluna
lombossacra. Estas crianças foram submetidos à videourodinâmica
com idades variando de 2 a 12 meses. Repercussão para o trato
urinário superior (TUS) foi avaliada através de ultra-som
e uretrocistografia miccional. Outros parâmetros analisados incluíram
necessidade de cateterismo intermitente limpo (CIL), medicação
anticolinérgica e número e gravidade de surtos de infecções
do trato urinário (ITU).
- Resultados:
Em 6% dos pacientes foram detectadas contrações involuntárias,
43% arreflexia detrusora, 19% baixa complacência e em 75% pressões
de perda acima de 40 cm/ H2O. Em cerca de um terço (31%) a capacidade
vesical era menor que a esperada para idade. Apenas em 2 casos foi constatada
dilatação do TUS e refluxo vésicoureteral. O CIL
associado a anticolinérgicos foi necessário em 1 caso
e só uma criança desenvolveu ITU febril.
- Conclusões:
Os achados urodinâmicos observados nesses pacientes são
comparáveis aos relatados na literatura, em pacientes que não
foram submetidos ao fechamento intrauterino do tubo neural. O baixo
índice de complicações provavelmente se deve ao
manejo agressivo desses pacientes do ponto de vista urológico.
- Comentário
Editorial
Este é um estudo preliminar, de uma abordagem radical, para o
tratamento de crianças com mielodisplasia. Os autores têm
que ser parabenizados pela grande ousadia e capacidade técnica
em realizar número expressivo de procedimentos e com mínima
morbidade para a mão e feto. Entretanto, uma série de
problemas comprometem a interpretação do artigo: a comparação
dos resultados é feita com séries históricas e
não com um grupo controle interno, submetido ao tratamento padrão
(fechamento no pósnatal imediato); o tempo de seguimento é
muito curto (inclusive os autores admitem); a hipótese de disfunção
neurológica por exposição do tubo neural ao líquido
amniótico pode estar equivocada. O tubo neural é mal-formado,
o suficiente para justificar as alterações encontradas
na mielodisplasia. Basta lembrar que crianças com lipoma de medula
espinal não sofrem exposição do tubo neural ao
líquido amniótico, e podem apresentar as mesmas seqüelas
neurológicas a longo prazo, que crianças com meningo ou
mielomeningocele (1). Crianças submetidas ao fechamento pós-natal
imediato da mielomeningocele e seguimento urológico apropriado
tem aproximadamente 30% de possibilidade de desenvolver refluxo vésicoureteral
e deterioração do TUS urinário superior em 5 anos
(2). Aguardamos futuros relatos para saber se esses pacientes terão
melhor evolução.
Referências
1. Byrne RW, Hayes EA, George TM, Mclone DG: Operative resection of
100 spinal lipomas in infants less than 1 year of age. Pediatr Neurosurg,
23: 182-187, 1995.
2. Kraus SR, Boone TB: Pediatric Neurogenic Bladder: Etiology and Diagnostic
Evaluation. In: Gonzales and Bauer (eds.) Pediatric Urologic Practice
1st. ed. Lippincott Williams & Wilkins, pp. 365-383, 1999.
Dr.
Aderivaldo Cabral Dias Filho
How well do patients with exstrophy actually void?
Yerkes BY, Adams MC, Rink RC, Pope JC, Brock JW
J Urol, 164: 1044-1047, 2000
Como urinam
realmente os pacientes com extrofia vesical?
- Objetivos:
A obtenção de continência e preservação
da função renal no tratamento da extrofia vesical. A cirurgia
de Young-Dees-Leadbetter para reconstrução do colo vesical
deve idealmente conferir continência e uma dinâmica miccional
normal, sem necessidade de cateterismo vesical intermitente. Os autores
revisaram sua experiência com a reconstrução do
colo vesical, com ênfase na dinâmica miccional, a fim de
avaliar as condições miccionais dos pacientes.
- Material
e Métodos:
Os autores analisaram retrospectivamente todos os pacientes tratados
desde 1985, incluindo a reconstrução por estágios
em 53 pacientes (31 extrofias clássicas, 4 com variantes e 18
epispádias incontinentes). Dados subjetivos e objetivos relacionados
com a micção foram coletados, assim como as complicações.
- Resultados:
A reconstrução completa foi executada em 38 casos, sendo
que os que necessitaram também de ampliação vesical
ou que fizeram outro tipo de plástica do colo vesical forma excluídos
desta análise. Definiu-se assim 27 pacientes que foram submetidos
à plástica de Young-Dees-Leadbetter com tempo de seguimento
de 2 ou mais anos (média 5.9). Intervalos secos acima de 2 horas
foram encontrados em 18 pacientes, considerados pelos pais como urinando
bem. Apesar desta quase total continência subjetiva e considerados
sem problemas para urinar, 13 dos 18 casos (72%) tinham
problemas clínicos relacionados com o esvaziamento vesical, incluindo
ITU recorrentes em 10, epididimite em 2 e cálculo vesical em
4. Parâmetros urodinâmicos confirmaram problemas miccionais
na maioria dos pacientes.
- Conclusão:
A reconstrução de colo vesical em pacientes com extrofia
pode atingir continência sem cateterismo intermitente. Na experiência
dos autores, quando estes objetivos são alcançados existe
uma freqüência alarmante associada, assim como problemas
urodinâmicos relacionados com o esvaziamento. Dessa forma, o preço
de se atingir a continência em extrofia deve ser questionado.
- Comentário
Editorial
Os autores apresentam resultados de reconstrução de colo
vesical pela técnica de Young-Dees-Leadbetter em extrofia vesical
em 2 centros importantes de urologia pediátrica. Sabe-se que
o objetivo desta plástica é conferir alguma resistência
que permita ao paciente manter períodos secos, mas que possa
por mecanismos de pressão abdominal, promover o esvaziamento
da bexiga. Dos 27 casos estudados, 18 foram bem sucedidos e ficaram
com continência superior a 2 horas. No entanto, os autores sugerem
por avaliação urodinâmica que a bexiga acaba passando
por um processo de instabilidade e alterações de esvaziamento
que acaba gerando complicações infecciosas que podem agravar
a função renal. Questionam assim o preço desta
micção socialmente aceitável e deixam a entender
que uma oclusão associada com cateterismo intermitente seria
mais seguro para o trato urinário superior.
Sabe-se que na extrofia existe um amplo debate quanto as reais chances
de se promover uma micção, dita normal, após uma
série de procedimentos cirúrgicos. Alguns autores chegam
a defender uma derivação primária para o cólon
na forma de ureterossigoidostomia modificada (Mainz pouch II) uma vez
que é possível obter continência anal em mais de
90% dos casos. A maior desvantagem, no entanto, é a exposição
do epitélio colônico à urina e a maior chance de
carcinogênese que no epitélio do intestino delgado quando
usados reservatórios ileais, fato este também não
comprovado em humanos. Existe uma tendência de se substituir o
tratamento em estágios por tratamento inicial completo e se imagina
que a reconstrução uretral feita nesta fase inicial acabe
por aumentar a resistência e influenciar positivamente os resultados
de continência. No entanto, esta proposição carece
de um tempo de seguimento prolongado e o que é dito ainda pode
ser considerado especulativo.
Os reservatórios continentes de cateterização cutânea,
ou mesmo os condutos eferentes de cateterização permitem
cada vez mais segurança em se atingir continência às
custas do cateterismo suprapúbico. Em nosso serviço, já
é conduta realizar uma derivação suprapúbica
nos casos de tratamento não primário ou diante de uma
placa inadequada para o fechamento primário. Acreditamos que
o presente trabalho vem de encontro à nossa idéia de que
pode não valer a pena criar um paciente que urine bem apenas
subjetivamente ou satisfazendo a expectativa dos pais e na verdade sujeito
a pielonefrites e epididimites por causa de uma micção
objetiva de péssima qualidade.
Dr. Antonio Macedo Jr.
ONCOLOGY
Urine based markers of urological malignancy
Konety BR, Getzenberg RH
J Urol, 165: 600-611, 2001
Marcadores
urinários de tumores urológicos
- Objetivos:
Análise crítica dos resultados de vários estudos
publicados sobre marcadores urinários de tumores urológicos,
particularmente do câncer da bexiga.
- Material
e Métodos:
A literatura publicada sobre marcadores urinários de tumores
urológicos, e em especial do câncer de bexiga, foi identificada
através de pesquisa do Medline, e foi criticamente analisada.
Foram comparados a sensibilidade, especificidade e valores preditivos
positivo e negativo de vários marcadores urinários. Também
foram analisados os benefícios de se usar marcadores combinados,
e não isoladamente.
- Resultados:
A imensa maioria da literatura publicada sobre marcadores urinários
diz respeito ao diagnóstico e prognóstico do câncer
da bexiga, e este artigo trata sobretudo desses marcadores. A maior
parte dos marcadores urinários parece ser superior em relação
à citologia urinária, em termos de sensibilidade, especialmente
na detecção de tumores superficiais de baixo grau. No
entanto, muitos tendem a ser menos específicos que a citologia,
resultando em maior número de falsos-positivos, sobretudo em
casos de tumor associados à inflamação vesical
e outras doenças benignas. Existe contudo, razões para
otimismo em relação a novos marcadores , que parecem apresentar
melhor especificidade. Em relação a outros tumores urológicos,
ainda são poucos os marcadores urinários identificados
e estudados.
- Conclusões:
A detecção do câncer de bexiga, usando-se marcadores,
ainda se constitui em um desafio, e os novos marcadores já disponíveis
parecem ser significativamente mais confiáveis que a citologia
urinária. Estudos envolvendo marcadores tumorais em um grande
número de pacientes ainda são necessários para
se determinar sua confiabilidade e aplicabilidade, no diagnóstico
de câncer de bexiga. Os marcadores urinários, contudo,
não parecem ter papel significativo no diagnóstico e prognóstico
de outras neoplasias urológicas, como próstata, rim ou
testículo.
- Comentário
Editorial
Este estudo constitui a melhor revisão já realizada sobre
os marcadores tumorais dosados na urina, na detecção e
avaliação prognóstica de tumores do trato urinário.
Desde o início da endoscopia urinária moderna, a cistoscopia
e a citologia urinárias (esta iniciada em 1945) têm sido
as únicas modalidades usadas no diagnóstico de tumores
da bexiga. Várias condições, como cistites, cateterismo
vesical prolongado, e outras, podem contudo dificultar o diagnóstico
endoscópico e citológico; e o carcinoma in situ da bexiga
ainda é de difícil confirmação, em nosso
meio. Outros fatores complicantes, em relação ao tumor
da bexiga, são a necessidade de reexames freqüentes, devido
à recidiva tumoral em 50 a 70% dos tumores superficiais, o que
torna a endoscopia um método caro e de difícil aceitação
pelos pacientes. Dessa forma, o desenvolvimento de um marcador urinário
confiável se constituiria em um método não-invasivo,
objetivo, de fácil interpretação, e com elevadas
sensibilidade e especificidade, para se tornar o substituto da cistoscopia
no século 21.
Dr.
Francisco F. H. Bretas
Interferon adjuvant to radical nephrectomy in Robson stages II and
III
renal cell carcinoma: a multicentric randomized study
Pizzocaro G, Piva L, Colavita M, Ferri S, Artusi R, Boracchi P, Parmiani
G, Marubini E
J Clin Oncol, 19: 425-431, 2001
Inteferon
adjuvante na nefrectomia radical em câncer renal estágios
II e III
de Robson: estudo multricêntrico e randomizado
- Razões:
O tratamento com interferon (IFN) apresenta resultados promissores em
neoplasia renal metastática. As neoplasias renais estádio
II e III têm alto índice de recidiva e, assim, um tratamento
adjuvante efetivo poderia beneficiar esses pacientes.
- Objetivo:
Avaliar a efetividade e segurança do tratamento adjuvante com
IFN. Desfechos clínicos medidos: sobrevida global e sobrevida
livre de recaída.
- Material
e Métodos:
Estudo clínico, randomizado, com análise por protocolo;
informe consentido obtido, em pacientes com neoplasia renal estádio
II e III (T2/3 N1-3M0; T3N0M0). O total de 123 pacientes foram tratados
com IFN 3MU IM 3vezes por semana e comparados com 124 controles que
não receberam nenhum tratamento. Os grupos eram semelhantes.
- Resultados:
Após
62 meses de seguimento mediano, ocorreram 51 recaídas no grupo
tratado e 38 no grupo controle; houve 41 mortes no grupo tratado e 39
no grupo controle. A estimativa de sobrevida para 5 anos pelo método
de Kaplan-Meir é igual nos 2 grupos [Harzard ratio 1.04 (IC 95%
0.67 - 1.16)]. Uma análise de subgrupo não mostrou diferenças
significantes entre estes desfechos clínicos para os subgrupos
de linfonodos N0 e N1. Porém, para pacientes com linfonodos positivos,
N2/3, houve uma aparente melhora, mas o número de eventos neste
subgrupo é muito pequeno.
- Conclusões:
O tratamento com IFN adjuvante não traz benefícios para
pacientes com tumor renal estágio II e III. Em futuros estudos
deve-se avaliar a influência deste tratamento em pacientes com
linfonodos N2 e N3.
- Comentário
Editorial
Esse estudo randomizado é de qualidade moderada - a análise
não foi por intenção de tratamento, os grupos foram
submetidos a diferentes esquemas de seguimento, não houve auditoria
externa e houve análise de subgrupo não claramente planejada.
Este, porém, é o melhor estudo até a presente data
a abordar esta importante questão clínica.
Não houve benefício real ao se tratar os pacientes com
intenção adjuvante, nem em termos de sobrevida ou de recaída.
Os aparentes resultados positivos no subgrupo com linfonodos acometidos
N2/N3 não devem ser tomados como real indicativo de benefício,
dado que ocorreram pouquíssimos eventos neste subgrupo. A análise
não foi planejada e estatisticamente há uma grande possibilidade
de que estes resultados sejam frutos do acaso.
Em suma, os paciente com neoplasia renal estádio II e III devem
ser submetidos apenas a seguimento clínico. Nível II de
evidência para a falta de eficácia de IFN nestes pacientes.
Futuros estudos clínicos bem desenhados devem acessar esta questão
em pacientes com linfonodos N2/N3.
Dr.
Otávio A.C. Clark
Phase II study of paclitaxel and cisplatin for advanced urothelial cancer
Burch PA, Richardson RL, Cha SS, Sargent DJ, Pitot HCIV, Kaur JS, Camoriano
JK
J Urol, 164:1538-1542, 2000
Paclitaxel
e cisplatinum para o tratamento do câncer urotelial avançado-estudo
fase II
- Objetivo:
Examinar
o papel do placitaxel e cisplatina como drogas de primeira linha no
tratamento dos tumores uroteliais avançados.
- Material
e Método:
No período de maio de 1995 a março de 1999 foram incluídos
34 pacientes, média de 67 anos de idade (45-79) com o diagnóstico
histológico de tumores uroteliais avançados (metastáticos).
Foram excluídos os pacientes que receberam terapias prévias
(quimioterapia e radioterapia), portadores de alterações
cardiovasculares (arritmias), gestantes e pacientes em fase de lactação.
Os estudos laboratoriais prévios documentaram as normalidades
basais hematológicas: leucometria 3.500µl, plaquetas 100.000µl,
creatinina 0.6mg/dl, bilirrubinas e transaminases. O protocolo de tratamento
consistiu no uso de paclitaxel 135mg/m2 - EV - infusão período
de 3 horas, cisplatinum - 70mg/m2 - EV - infusão período
de 2 horas, dexametasona - 20mg - 6 e 12 horas antes da QT, cimetidina
- 300mg - 30 minutos antes da QT, administrados a cada 3 semanas / máximo
de 6 ciclos. Os controles hematológicos foram realizados semanalmente
e antes de cada ciclo. As respostas completas foram consideradas quando
todas as evidências clínicas do tumor foram completamente
resolvidas. As respostas parciais, quando houve redução
comparativa de mais de 50% nos diâmetros das lesões. A
progressão foi definida com o surgimento de novas lesões
e aumento de 25% ou mais das lesões previamente definidas. As
análises estatísticas foram realizadas pelo método
Kaplan-Meier.
- Resultados:
A taxa geral de respostas foi de 70% (95% CI) 52 a 83, parcial em 11
(38%), completa em 13 (32%), com a média de seguimento de 13.4
meses, progressão em 27 (79%), óbito pela doença
em 21 (62%) pacientes. As principais complicações gerais
foram anorexia, náuseas, vômitos, fadiga, mialgia; neuropatias
de média intensidade; hematológicas (mielosupressão),
leucopenia e plaquetopenia graus 3 e 4 (NCI).
- Conclusões:
A quimioterapia com paclitaxel e cisplatinum são efetivas, seguras,
apresentando boas respostas com esquemas rápidos, em pacientes
externos (ambulatoriais).
- Comentário
Editorial
O esquema do referido trabalho trata de quimioterapia rápida,
eficaz, com respostas aparentemente duráveis, em média
2 anos, com efeitos colaterais e toxicidades controláveis. As
taxas de respostas às quimioterapias clássicas encontram-se
entre 14 e 65%, com sobrevida média de 9 meses. Um grande estudo
publicado pelo Southwestern Oncology Group (1999) mostrou taxa de resposta
baixa (14%) dos pacientes portadores de metástases viscerais.
Nesse grupo, 29% eram portadores de metástases viscerais. Vários
estudos e protocolos randomizados encontram-se em andamento e têm
mostrado significativa atividade no tratamento dos tumores uroteliais,
incluindo associações de gemcitabine, ifosfamida e docetaxel
com redução dos efeitos colaterais.
Dr.
Gilvan Neiva Fonseca
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