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THE
INFLUENCE OF AGE AND PROSTATIC VOLUME ON SERUM PROSTATE SPECIFIC ANTIGEN
LEVELS IN PATIENTS WITH BENIGN PROSTATIC HYPERPLASIA
ÉZER A. MELO, LUIS
A.S. RIOS, DEMERVAL MATTOS JR.
Division
of Urology, Hospital do Servidor Público Estadual, São Paulo, SP, Brazil
ABSTRACT
Over
the past few years, prostate specific antigen (PSA) has emerged as the
best tumor marker for this organ. However, PSA is not cancer-specific
and can be elevated in patients with benign prostatic hyperplasia (BPH).
In order to better define the influence of BPH on serum PSA levels, blood
samples from 146 BPH patients were assayed for PSA and the values were
correlated with patients age and prostate volume. The mean PSA for
the age groups 40 to 49 years, 50 to 59 years, 60 to 69 years, and over
70 years were 0.8 ng/ml, 1.7 ng/ml, 3.15 ng/ml, and 4.72 ng/ml, respectively.
The increase in PSA levels also paralleled prostate enlargement. Thus,
prostate sizes of < 30 g, 30 to 39 g, 40 to 59g, over 60g, corresponded
to mean PSA values of 1.58, 2.05, 3.97 and 6.19 ng/ml, respectively. Pearsons
parametric correlation for age vs. prostatic volume (r = 0.25975, p =
0.002), age vs. PSA (r = 0.37513, p = 0.0001) and prostatic volume vs.
PSA (r = 0.59784, p = 0.0001) were all statistically significant. Approximately
14% of patients presented elevated serum PSA levels, and transrectal ultrasonography
guided prostatic biopsy, revealed prostatitis and BPH in 50% of the patients.
In conclusion, there is a marked and statistically
significant influence of age and prostate volume on serum PSA levels.
The older the patient and the largest his prostate volume, the higher
the expected PSA serum level. Another factor that can influence serum
PSA levels is the presence of prostatitis.
Key words:
prostate; prostatic hyperplasia; prostate neoplasms; prostatitis; prostate-specific
antigen
Braz J Urol, 26: 596-601, 2000
INTRODUÇÃO
O
antígeno prostático específico (PSA) é uma
proteína sérica pertencente à família das
calicreínas (1,2). Pode ser produzido tanto pelas células
prostáticas epiteliais normais, hiperplásicas e malignas.
A sua função no organismo é a lise do coágulo
seminal, porém pode elevar-se no sangue devido à ruptura
das barreiras biológicas que separam a próstata do sangue
(3). Um das causas desta ruptura é o aumento do número das
células epiteliais ductais determinadas pela hiperplasia prostática
benigna (HPB). A hiperplasia prostática benigna (HPB) é
o tumor benigno mais freqüente do homem, existindo evidência
histológica desta neoplasia em cerca de 40% dos homens aos 50 anos
e quase 90% aos 80 anos de idade (4). Stamey et al. (5) demonstraram uma
relação linear entre o peso prostático e os níveis
sangüíneos do PSA, onde cada grama de tecido prostático
hiperplásico produz cerca de 0.3 ng de PSA no sangue.
Outro fator que pode influenciar os níveis
séricos do PSA é o aumento da idade. Oesterling et al.(6)
mostraram uma influência forte da idade sobre o PSA, tendo inclusive
sugerido a adoção de faixas etárias na interpretação
de alterações sangüíneas desta proteína.
Diante deste cenário a proposta deste trabalho é analisar
o comportamento dos níveis séricos do PSA em um grupo de
pacientes ambulatoriais portadores de HPB.
MATERIAL E MÉTODOS
No
período de janeiro de 1996 a fevereiro de 1997 foram estudados
146 pacientes que procuraram o ambulatório de urologia para avaliação
prostática. A avaliação consistiu na obtenção
de história clínica com ênfase à presença
de sintomas do trato urinário baixo, exame físico incluindo
o toque retal, dosagem dos níveis séricos do PSA, dosagem
da creatinina sangüínea e urinálise.
Uroculturas só eram solicitadas quando
a urinálise sugeria infecção urinária. Além
disso, os pacientes responderam ao escore internacional de sintomas prostáticos
e foram submetidos à ultra-sonografia para mensuração
do volume prostático. Todos os pacientes foram avaliados por ultra-sonografia
transabdominal para mensuração do volume prostático
com aparelho Aloka 2000, sendo a biópsia prostática realizada
com o mesmo aparelho com probe de 5 mHz acoplado.
Atualmente sabemos que o termo HPB é
melhor empregado quando utilizamos o critério histológico
(7), o que exigiria a realização da biópsia prostática
em todos os casos. No entanto, utilizaremos neste trabalho o termo HPB
para aqueles pacientes que apresentam aumento prostático indicado
pela ultra-sonografia e toque retal, sendo a biópsia prostática
realizada somente nos casos com PSA elevado ou toque retal suspeito.
Os critérios para inclusão
dos pacientes neste estudo foram: 1)- ausência de infecção
do trato urinário; 2)- ausência de história prévia
de cirurgia prostática ou uretral; 3)- ausência de AcP. Foram
considerados como critérios de exclusão: 1)- pacientes em
uso de medicação antiandrogênica ou inibidoras da
5-a redutase e 2)- história pregressa de retenção
urinária ou uso de cateter vesical de demora.
Foram utilizados anticorpos monoclonais
(AXSYM® system Abbot Laboratories), onde se considera como normal
variações de PSA entre 0 e 4 ng/ml. A maioria das amostras
de sangue foram colhidas cerca de 3-5 dias após o toque retal realizado
na primeira consulta do paciente.
Os resultados submetidos à análise
estatística com um nível de significância de 5% (p
£ 0.05). Foram efetuados os seguintes cálculos: média
aritmética e desvio padrão, correlação paramétrica
de Pearson, regressão linear e gráficos.
RESULTADOS
A
idade dos 146 pacientes variou de 40-91 anos (média 63.9 ±
9.3), sendo 132 (86%) pacientes da raça branca, 19 (12%) da raça
negra e 3 (2%) pacientes de origem ou ascendência asiática.
A grande maioria (85.7%) dos pacientes portadores
de HPB apresentou PSA normal (Tabela-1). O PSA médio destes 146
pacientes foi 3.05 ng/ml, variando de 0.1 18.2 ng/ml. Cerca de
14% (21 dos 146 pacientes) apresentaram PSA elevado variando de 4.4 -
18.2 ng/m (média 9.3 ng/ml).

Em relação ao toque retal
encontramos suspeita de neoplasia maligna em 18 dos 21 pacientes (85.71%),
sendo 10 casos com próstatas endurecidas e 8 nódulos palpáveis.
A Tabela-1 mostra que elevações
de PSA entre 4 e 10 ng/ml foram mais freqüentemente encontradas (67%,
14 pacientes) do que acima de 10 ng/ml (33%, 07 pacientes).
Realizamos biópsia prostática
dirigida pela ultra-sonografia transretal nos 21 pacientes com PSA acima
de 4 ng/ml, incluindo os 18 pacientes com toque suspeito. Os resultados
foram 10 pacientes com HPB e 11 com HPB e prostatite crônica simultaneamente.
Os valores de idade, volume prostático
e PSA dos 146 pacientes selecionados foram agrupados segundo 4 faixas
de idade e 4 faixas de volume prostático. As médias dos
valores de cada faixa são apresentados nas Tabelas-2 e 3, respectivamente.

Nas Tabelas-2 e 3 percebe-se claramente
que há uma proporcionalidade direta entre as médias dos
3 parâmetros analisados (idade, volume prostático e PSA),
isto é o aumento da idade é acompanhado pelos aumentos tanto
dos níveis séricos do PSA quanto do volume prostático.

Foi calculada a correlação
paramétrica de Pearson e a respectiva equação da
reta entre os 3 parâmetros (idade x volume prostático; idade
x PSA; e volume prostático x PSA) para os valores de todos os 146
pacientes simultaneamente. Todas as correlações foram estatisticamente
significantes. Os coeficientes de correlação e as equações
das retas são mostradas nas Figuras-1, 2 e 3.

DISCUSSÃO
A
hiperplasia prostática benigna é o tumor benigno mais freqüente
do homem, com incidência progressivamente crescente com o passar
da idade (4). De acordo com os dados apresentados existe claramente um
aumento progressivo dos níveis sangüíneos do PSA influenciado
pelo volume prostático (Tabela-3, Figura-3). Enquanto pacientes
portadores de próstatas de volume inferior a 30g apresentam PSA
médio de 1.5, naqueles pacientes cuja ultra-sonografia indicou
próstatas superiores a 60g o PSA médio foi 6.1 (p = 0.0001).
Apesar da tendência ao aumento somente cerca de 14% dos nossos pacientes
portadores de HPB confirmados patologicamente apresentou níveis
séricos do PSA acima dos valores normais (> 4 ng/ml). Ercole
et al. (8) & Ferro et al. (9) encontraram PSA elevado em 24% e 33%
dos casos confirmados de HPB, respectivamente. Brawer et al. (10) relataram
elevação do PSA em 44% no pré - operatório
de 81 pacientes submetidos à prostatectomia simples ou ressecção
transuretral da próstata. Após a análise patológica
final foram diagnosticados 11 casos de AcP, 13 PIN (Neoplasia Prostática
intraepitelial), 11 prostatites agudas e somente 1 caso de HPB isolada
ou acompanhada de PC, tendo os autores concluído que a HPB isoladamente
não seria suficiente para elevar o PSA.
Estas discrepância nos valores de
PSA encontradas em diferentes populações de pacientes portadores
de HPB podem corresponder às diferenças na composição
histológica da próstata. De acordo com Weber et al. (11)
o PSA se correlaciona melhor com o peso epitelial do que com o peso prostático,
podendo haver variação de até 3 vezes na contribuição
epitelial ao peso prostático. Isto indica que o principal fator
que influencia a elevação do PSA nos pacientes portadores
de HPB é a composição histológica da mesma,
principalmente o seu conteúdo epitelial.
Além do próprio aumento prostático,
um segundo aspecto a ser considerado na elevação dos níveis
séricos do PSA, é a presença de prostatite. Cerca
de metade (11 pacientes ou 52.3%) dos nossos pacientes com PSA elevado
apresentou indícios de inflamação prostática
após a biópsia prostática dirigida. Foi demonstrado
experimentalmente que após um surto agudo de prostatite o PSA pode
elevar-se até 28 vezes o valor basal retornando ao normal após
28 dias (12). É importante ressaltar que elevações
do PSA relacionadas à prostatite geralmente envolvem a forma aguda
da doença. No entanto, Pansadoro et al. (13) encontraram elevações
do PSA em pacientes com prostatites crônicas bacterianas e abacterianas
(15 e 6%, respectivamente) enfatizando a importância destes quadros
nas interpretações do PSA usado com marcador tumoral. Desta
maneira, processos inflamatórios mesmo crônicos podem elevar
os níveis séricos do PSA na ausência de câncer
(14). Os motivos pelos quais o tecido prostático inflamado eleva
os níveis de PSA séricos ainda não foram elucidados.
No entanto, os principais eventos estudados são: aumento na produção
e liberação de PSA e aumento da permeabilidade vascular
associada com a inflamação (15).
As elevações do PSA podem
sofrer influência da idade. De acordo com a Tabela-2 o PSA médio
passou de 0.8 ng/ml em pacientes com idades entre 40 e 49 para 4.7 ng/ml
naqueles com idades superiores a 70 anos (p = 0.0001). Oesterling et al.
(6) relataram em estudo populacional que os níveis sangüíneos
de PSA sofrem forte influência da idade aumentando quanto mais idoso
for o indivíduo. O PSA médio de indivíduos entre
40 e 49 anos foi de 0.7 ng/ml, enquanto naqueles com mais de 70 anos o
PSA médio sofreu incremento para 2.0 ng/ml.
Outros estudos conduzidos por diferentes
autores também enfatizam a influência da idade sobre os níveis
séricos do PSA (16,17).
Apesar do nosso estudo apresentar uma influência
considerável por não envolver pacientes assintomáticos
oriundos da comunidade e sim aqueles avaliados a partir de uma situação
clínica, podemos demostrar que as alterações encontradas
nos níveis séricos do PSA apresentam grande similaridade
com àquelas já relatadas na literatura mesmo considerando
estudos populacionais. Portanto algumas discordâncias ou discrepância
encontradas (Ex. o PSA médio de pacientes acima de 70 anos em estudos
populacionais foi de 2 ng/ml, enquanto os nossos dados indicam PSA médio
de 4.7 ng/ml) podem ser assim explicadas. Além disso, é
importante que conheçamos o comportamento do PSA em pacientes sintomáticos
que nos procuram para avaliação, pois somente assim podemos
oferecer uma orientação mais racional.
CONCLUSÃO
Existe
uma proporcionalidade direta e estatisticamente significante entre idade,
volume prostático e nível sangüíneo do PSA.
Quanto maior a idade e volume prostático,
maiores serão os níveis séricos do PSA. No entanto,
somente 21 dos 146 pacientes (14%) apresentaram PSA acima do valor normal,
sendo 14 deles ou 9.6% na faixa entre 4 e 10 ng/ml.
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Received: October 21, 1999
Accepted after revision: August 24, 2000
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Correspondence address:
Dr. Ézer Amoras Melo
Av. Ricardo Jafet, 148
São Paulo, SP, 04260 000, Brazil
Fax: + + (55) (11) 272-0966
E-mail: ezer@amiamspe.org.br
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