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MISCELLANEOUS
Prospective
identification of National Institute of Health category IV prostatitis
in men with elevated prostate specific antigen
Potts JM J Urol, 64: 1550-1553, 2000
Identificação
prospectiva de prostatite tipo IV (NIH) em homens com antígeno específico
prostático elevado
- Objetivos:
A prostatite pode ser a causa da elevação do antígeno específico prostático
(PSA).Raramente, entretanto, esses pacientes são investigados quanto
ao diagnóstico de prostatite, antes de serem submetidos à biópsia prostática
com o intuito de descartar a presença de câncer da próstata.
- Material
e Métodos: 122 homens assintomáticos, e com o PSA elevado,
foram avaliados pela técnica dos 3 frascos (VB3)para diagnóstico de
prostatite. A conduta metodológica foi baseada no gráfico a seguir.

IMAGING
Retroperitoneal
metastases in testicular cancer: role of CT measurements of residual masses
in decision making for resection after chemotherapy
Steyerberg EW, Keizer HJ, Fossà SD, Bajorin DF, Gerl A, Wit R, Kirkels
WJ, Koops HS, Habbema JDR Radiology, 215: 437-444, 2000
Metástases
retroperitoneais no câncer testicular: papel das medidas de TC das massas
residuais na decisão de ressecção após quimioterapia
- Objetivos:
Determinar a importância relativa das medidas da TC para predizer os
achados histológicos em massas residuais de pacientes com câncer testicular
não seminomatoso.
- Métodos:
Foram obtidas as medidas do diâmetro transverso máximo de metástases
retroperitoneais antes e após quimioterapia (QTX), em 641 pacientes
que sofreram ressecção após QTX e com marcadores tumorais normais. As
medidas radiológicas e as características clínicas (tipo histológico
do tumor primário, níveis de AFP, HCG, LDH) foram relacionadas aos achados
histológicos na massa residual.
- Resultados:
Na ressecção 302 pacientes tinham tecido benigno e 339 tumor residual
(teratoma maduro ou câncer). Tumor foi mais freqüente em grandes massas
após QTX, mas não se correlacionou ao tamanho da massa antes da QTX.
- Conclusão:
Uma pequena massa retroperitoneal após QTX é um importante fator preditivo
para achados histológicos benignos de massas residuais em pacientes
com câncer testicular não seminomatoso. Entretanto, a capacidade preditiva
melhora quando a redução no tamanho e as características clínicas são
consideradas também. Decisões para ressecção devem ser baseadas na combinação
destas características e não somente no tamanho da massa após QTX.
- Comentário
Editorial
A decisão para ressecção de massa residual retroperitoneal analisada
pela TC após QTX é geralmente baseada na noção que tumor residual é
raro nos remanescentes da doença inicial muito pequenos menos de 1.0
cm) contendo somente fibrose e necrose. Este trabalho associou os resultados
de vários serviços nos Estados Unidos e Europa, combinando as características
radiológicas e clínicas em vários modelos estatísticos e de análise
de regressão logística. Demonstrou-se que o tamanho da massa após QTX
não deve ser considerado sozinho para predizer o conteúdo histológico
provável da lesão residual, mas deve ser combinado com a redução do
tamanho (comparado antes da QTX) e as características clínicas.
Initial
experience with contrast-enhanced sonography of the prostate
Halpern EJ, Verkh L, Foresberg F, Gomella LG, Matterey RF, Goldberg
BB AJR, 174: 1746-1575, 2000
Experiência
inicial com ultra-sonografia da próstata com contraste
- Objetivo
: Investigar
a utilidade da US com contraste para detectar vascularidade na próstata
e melhorar a detecção do câncer prostático.
- Métodos
: Vinte e seis pacientes com PSA elevado ou toque digital anormal
foram incluídos no estudo com US e contraste sonográfico endovenoso.
Os achados sonográficos foram correlacionados com os resultados de biópsia
sextante.
- Resultados
:
Realce focal tornou-se evidente em dois tumores isoecóicos que não eram
visíveis nas imagens iniciais sem contraste.
- Conclusão
:
US com contraste da próstata pode ser útil para realce seletivo de tecido
prostático maligno.
- Comentário
Editorial
Este artigo vem documentar o que temos observado na prática com o uso
de contraste sonográfico endovenoso. A US com Doppler em cores já possibilita
uma visibilidade maior para selecionar áreas suspeitas para biópsia
prostática, principalmente os tumores isoecogênicos. Com o emprego do
contraste sonográfico endovenoso já disponível no Brasil, este realce
da vascularização é ainda maior. Julgamos particularmente útil naquelas
situações de repetição de exame com PSA elevado e biópsias negativas,
onde poderemos direcionar mais fragmentos para área realçada pelo uso
do contraste. A literatura americana escassa deve-se provavelmente ao
retardo da legalização do agente realçador naquele país, em oposição
à Europa onde já estava sendo utilizado. No Brasil a maior limitação
é o custo do contraste.
Dr.
Nelson M.G. Caserta
ONCOLOGY
Detection
of hematogenous micrometastasis in patients with transitional cell carcinoma
Güdemann CJ, Weitz J, Kienle P, Lacroix J, Wiesel MJ, Soder M, Benner
A, Staehler G, Doeberitz MVK J Urol, 164: 532-536, 2000
Detecção
de micrometástases hematogênicas em pacientes portadores de carcinoma
de células transicionais
- Objetivos:
Detectar e identificar a CK20 em células tumorais circulantes no sangue
periférico, linfonodos e medula óssea através da utilização da RT-PCR
(Reverse Transcriptase Polymerase Chain Reaction) em pacientes portadores
de carcinoma de células transicionais.
- Material
e Métodos:
No período de abril de 1997 a junho de 1998, 59 pacientes (43 homens
e 16 mulheres), com idade média de 70.4 anos e suspeita diagnóstica
de carcinomas de células transicionais da bexiga e trato urinário superior
foram selecionados. Neste grupo 49 pacientes apresentaram confirmação
diagnóstica de TCC, randomizados e tratados no Depto. de Urologia da
Universidade de Heidelberg. A ressecção transuretral do tumor vesical
foi realizada em 36 pacientes, cistectomia radical em 22 e nefroureterectomia
em um paciente. O grupo controle negativo foi constituído por 22 jovens
voluntários, não portadores de doenças neoplásicas. O sangue foi coletado
em ambos os grupos. Nos portadores de neoplasias, a coleta foi realizada
no momento da admissão hospitalar, antes de qualquer terapia (quimioterapia
ou cirurgia) e neste mesmo grupo foram obtidas biópsias da lesão tumoral,
armazenadas em nitrogênio líquido a - 80C. Realizada a extração do RNA
das linhagens celulares dos espécimens tumorais e das células mononucleares
do sangue periférico kit (Trizol, Gibco). A seguir, com a técnica RT-PCR
com a transcriptase reversa utilizando o kit (SuperScript II; Gibco)
foi sintetizado o cDNA e amplificado com a realização de 35 ciclos,
com intervalos de 30 segundos.
- Resultados:
O carcinoma de células transicionais foi confirmado em 49 pacientes.
Os outros 10 pacientes mostraram urocistites sem evidências de tumores.
Dos 49 pacientes randomizados, 12 (25%) evidenciaram CK20 RT-PCR positivo
nas células uroteliais e no sangue periférico, nenhum caso era Pta (0%),
PT1 2 (18%), PT2 3 (23%), PT3 2 (33%), PT4/pTxM1 5 (63%).
- Conclusões:
A detecção de CK20 RT-PCR positivo foi significantemente correlacionada
com o estádio tumoral e aumentou de 0% no estágio pTa para 63% no estágio
pT4 ou M1.
- Comentário
Editorial
O prognóstico de pacientes portadores de TCC depende de vários fatores
e recentemente as evidências dos eventos moleculares poderão estabelecer
painéis moleculares que vão contribuir para a análise do desenvolvimento
e progressão do tumor. Resultados falsos-positivos de detecção de CK20
mRNA por RT-PCR foram descritos em um paciente dentre 12 saudáveis voluntários
e em 2/58 pacientes, um com adenoma hepático e outro com pancreatite
crônica. No presente trabalho, 12 de 49 pacientes (25%) apresentaram
CK20 RT-PCR positivo, indicando a presença de células uroteliais circulantes
e não foram encontrados resultados falsos-positivos nos pacientes do
grupo controle. Os resultados falsos-positivos da literatura podem ser
devido à utilização do método, com risco de contaminação cutânea do
CK20 positivo nas células de Merkel. Resultados controversos na detecção
de células no sangue periférico foram apresentados em pacientes portadores
de câncer localizado da próstata. Estudos prospectivos randomizados
e comparativos serão necessários para definir o significado do CK20
como um marcador molecular na avaliação e seguimento dos pacientes portadores
de carcinoma transicional da bexiga e trato urinário superior.
A prospective randomized trial comparing 6 versus 12 prostate biopsy
cores: impact on cancer detection
Naughton CK, Miller DC, Mager DE, Ornstein DK, Catalona WJ J Urol, 164:
388-392, 2000
Estudo
prospectivo e randomizado comparando 6 versus 12 fragmentos de biópsia
prostática: impacto na detecção do câncer
- Objetivo:
Determinar os índices de detecção do câncer da próstata comparando biópsias
com 6 e 12 fragmentos.
- Material
e Métodos:
dentre o total de 244 pacientes, 71 (29%) negros e com idade média de
65 ± 8 anos foram randomizados para submeterem-se à biópsia transretal
da próstata. Destes pacientes, 44 recusaram-se a participar do projeto.
O protocolo incluiu o estudo demográfico (história prévia, raça, biópsia
prévia, alterações no toque retal, PSA L/T, densidade e estudo com ultra-som
endoretal). Neste estudo o toque retal foi suspeito para câncer e o
antígeno prostático específico (PSA) encontrava-se entre 2.5 e 20 ng/ml.
Foram excluídos os pacientes portadores de prostatite. Do grupo selecionado,
122 pacientes realizaram biópsia com a obtenção de seis fragmentos e
em 122 foram obtidos 12 fragmentos para a análise histopatológica. O
PSA foi estratificado em grupos de 0 a 10 ng/ml e de 10.1 a 20 ng/ml.
Todos os pacientes receberam dois questionários (abordando hematúria,
hemospermia, hematoquesia, dor, febre e hospitalização), para serem
respondidos entre duas e quatro semanas após a biópsia. O preparo dos
pacientes para a biópsia incluiu enema retal, antibióticoterapia com
fluorquinolona e as biópsias foram realizadas na região periférica da
próstata (3 amostras do lobo esquerdo e 3 à direita), com agulha 18
gauge, orientadas por ultra-som endoretal com transdutor de 7MHz.
- Resultados:
Não foram encontradas diferenças significantes nos índices de detecção
de câncer como também nas variáveis biológicas, raça, idade e PSA. Dos
participantes, 92% responderam o questionário com duas semanas e 79%
(192 de 244) responderam entre duas e quatro semanas. A taxa de detecção
do câncer no grupo de 6 e 12 fragmentos foram similares, 26% e 27% respectivamente.
No grupo de pacientes com 12 fragmentos, 21% dos tumores foram diagnosticados
na segunda biópsia sextante. A resposta ao questionário dos pacientes
submetidos à biópsia com 6 e 12 fragmentos evidenciou hematúria em 12%
e 13%, hematoquesia em 11% e 15% e hemospermia em 15% e 23% respectivamente.
A análise dos questionários não evidenciou diferenças estatisticamente
significantes.
- Conclusões:
A biópsia periférica da glândula com obtenção de 12 fragmentos não aumentou
o índice de detecção de câncer da próstata.
- Comentário
Editorial
A biópsia sextante da próstata geralmente é bem tolerada pela maioria
dos homens e não requer sedação ou anestesia. O índice de falso negativo
varia entre 15 a 34% dos homens. Estudos prévios evidenciaram que homens
idosos, com PSA sérico elevado, e grandes volumes prostáticos, poderão
requerer maior número de fragmentos para conseguir diagnosticar o câncer
da próstata. Estudos prospectivos indicaram aumento nos índices de 37%
e 35% na detecção do câncer quando foram realizadas biópsias com 12
e 13 fragmentos, respectivamente. Biópsias em 5 regiões (incluindo a
linha média) aumentou em 4% as chances de detecção de câncer. Outros
estudos, entretanto, não revelaram diferenças na detecção do câncer
quando utilizaram até 18 fragmentos
Dr.
Gilvan Neiva Fonseca
Is
the conservative management of ureteric calculi of > 4 mm safe?
Irving SO, Calleja R, Lee F, Bullock KN, Wraight P, Doble A BJU Int, 85:
637-640, 2000
O tratamento
conservador para cálculos ureterais maiores que 4 mm é seguro?
- Objetivos:
Determinar a segurança do tratamento conservador de cálculos ureterais
maiores que 4mm de diâmetro, usando mercapto-acetiltriglicina (MAG3)
para monitorizar a função renal.
- Pacientes
e Métodos:
Pacientes com cálculos ureterais sintomáticos, unilaterais, foram avaliados
prospectivamente. Após a confirmação da posição do cálculo usando-se
a urografia excretora, um renograma com o radioisótopo MAG3 foi realizado
dentro de 48 horas após a admissão do paciente e novamente um mês após,
se tratados conservadoramente, ou após estarem livres do cálculo, se
a intervenção fosse precoce. As indicações de intervenção foram perda
da função renal ipsilateral > 5%, infecção, dor ou qualquer combinação
destes fatores.
- Resultados:
Ao
todo foram avaliados 54 pacientes, 18 alocados para o tratamento conservador.
Nos restantes 36 pacientes a intervenção cirúrgica foi precoce em oito
pacientes devido à dor, em 15 pacientes devido somente à queda de função
e em 13 devido à queda de função e infecção. Do total de 54 pacientes
avaliados, 28% já se apresentaram com perda de função renal, silenciosa.
Nenhum cálculo > 7 mm passou sem intervenção. O modo de tratamento inicial
foi determinado de acordo com a necessidade clínica individual. Intervenção
devido somente à redução de função (em < 7 dias) proporcionou uma recuperação
melhor da função renal (p = 0.03) do que aqueles submetidos a uma intervenção
tardia.
- Conclusões:
O tratamento conservador de cálculos entre 5 e 7 mm de diâmetro é seguro,
desde que o estudo com radioisótopos seja usado para identificar aquelas
unidades renais com queda de função, uma vez que a intervenção precoce
nesses casos proporcionou melhor recuperação renal.
- Comentário
Editorial
O trabalho em questão nos dá uma visão abrangente do tratamento do cálculo
ureteral, tão freqüente em nossa clínica diária. O conceito de tratamento
conservador do cálculo ureteral está relacionado à possibilidade de
eliminação espontânea e segura, e sem perda da função renal. A possibilidade
de identificação precoce dos pacientes que se apresentam com queda da
função permite que a intervenção cirúrgica seja rápida (< 7 dias), com
possibilidade de uma recuperação efetiva do parênquima renal. O estudo
com radioisótopo na ureterolitíase permite a avaliação e a comparação
da função renal de ambos os rins. O presente estudo demonstrou que 28%
dos pacientes que foram submetidos à intervenção precoce foram identificados
unicamente por queda da função renal na cintilografia com MAG3, uma
vez que se mantinham assintomáticos com medicação analgésica leve. Pequenos
cálculos (< 5 mm) foram capazes de causar queda da função na mesma proporção
que cálculos maiores. Nenhum cálculo maior que 7 mm passou sem intervenção.
Em vista destas informações, talvez, em um futuro muito próximo, passaremos
à avaliar inicialmente o paciente com cálculo ureteral através de exames
radioisótopicos associados à radiografia simples, na tentativa de identificação
dos pacientes que já se apresentam com queda de função renal.
Dr.
Marcelo Lopes de Lima
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