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FREE TO TOTAL PROSTATIC
SPECIFIC ANTIGEN RATIO FOR THE DIAGNOSIS OF PROSTATE CANCER
ERNANI L. RHODEN,
CHARLES E. RIEDNER, RAFAEL MAFFESSONI, DANIEL GOBBI, CLÁUDIO TELÖKEN,
CARLOS A. V. SOUTO
Division
of Urology, Federal Foundation School of Medicine of Porto Alegre (FFFCMPA),
Porto Alegre, RS, Brazil
ABSTRACT
Objectives:
This study was carried out to determine the best free to total prostatic
specific antigen (PSA) ratio (FTR) for the diagnosis of prostate cancer
(PC) and benign prostatic hyperplasia (BPH).
Materials and Methods: A hundred and forty-nine
patients with total prostatic specific antigen (PSA) levels ranging from
4.1 to 10 ng/ml assessed by the chemoluminescence method were selected
for this study. The mean age of the patients was 65.2 years old and the
mean PSA level was 5.63 ng/ml. All patients underwent ultrasound guided
prostate biopsy and 40 (26.89%) were found to have prostate carcinoma.
A Receiver Operating Characteristic Curve (ROC curve) was used as a method
to compare the diagnosis of PC and BPH. The Chi-square test was used for
statistical analysis.
Results: The FTR for PC and BPH was 12.6%
and 21.2%, respectively. The ROC curve demonstrated that the most sensible
and specific percentage for FTR in the PC diagnosis was 11%.
Conclusion: According to our results, the
FTR threshold of 11% seems to be more accurate for the diagnosis of PC
in patients with PSA levels between 4.1 and 10 ng/ml.
Key words:
prostate; prostate-specific antigen; prostatic neoplasms; prostatic cancer;
diagnosis
Braz J Urol, 27: 454-460, 2001
INTRODUÇÃO
A
dosagem sérica do PSA confere um aumento na taxa de detecção
do CAP da ordem de 81% sobre o toque digital da glândula isoladamente
(1-3). Ainda, o diagnóstico de CAP localizado, potencialmente curável,
é duplicado com o emprego do PSA (4).
Entretanto,
para o subgrupo seleto de pacientes com PSA na faixa de 4 a 10 ng/ml,
a utilidade deste marcador não tem sido totalmente esclarecida,
em função da sua baixa especificidade (5).
Com
concentrações de PSA acima de 10 ng/ml é referida
uma taxa de detecção de CAP da ordem de 53% (6,7). Por outro
lado, abaixo de 4 ng/dl verifica-se taxas muito baixas de detecção
de neoplasia. Todavia, entre 4 e 10 ng/ml, a probabilidade de um CAP ser
detectado à biópsia atinge cifras de 26%, o que leva à
conclusão de que teremos 75% de biópsias desnecessárias
se todos os indivíduos fossem submetidos a esse procedimento (3,7).
Com
o intuito de aumentar a especificidade do PSA, têm-se empregado
diversos artifícios, tais como os diferentes pontos de corte de
PSA baseados na idade do paciente, o PSA-densidade (PSAT dividido pelo
volume da próstata) e a determinação da fração
livre do PSA, expressa sob a forma da relação entre esta
e a fração total relação PSAL/PSAT
(RLT = PSA livre / PSA total). Trabalhos demonstram que o PSAL encontra-se
diminuído na neoplasia prostática, bem como a RLT (8,9).
Nesse
aspecto, diversos autores apresentaram pontos de corte divergentes e por
vezes contraditórios para a RLT (9-12). Muito desta divergência
tem sido causada pela utilização de métodos de determinação
da concentração de PSAT e PSAL distintos (13).
Com
a finalidade de encontrar, em nosso meio, o ponto de corte a partir do
qual RLT é mais preditiva de CAP e de hiperplasia benigna da próstata
(HPB), analisamos amostras de uma série de pacientes com PSAT entre
4.1 e 10 ng/ml, determinado pelo método de quimiluminescência.
MATERIAL E MÉTODOS
Cento
e quarenta e nove pacientes consecutivos com PSAT na faixa de 4.1 a 10
ng/ml foram estudados, no período de 1999 a 2000.
Excluiu-se
do presente estudo pacientes sondados, com quadro clínico e diagnóstico
de prostatite, infecção urinária ou aqueles que haviam
sido submetidos a alguma manipulação do trato urinário
baixo em um período de 3 semanas prévio à determinação
do PSA.
A
idade dos pacientes variou de 42 a 81 anos, com média de 65.2 anos
e mediana de 66 anos. 123 pacientes eram brancos (93.2%) e 9 (6.8%) eram
pretos. Quarenta e um (27.5%) apresentavam toque retal com nódulo,
sendo que 45 (30.2%) apresentavam nódulo na ecografia transretal.
Todas
as dosagens de PSAT foram determinadas no mesmo laboratório, através
do método de quimiluminescência, utilizando-se para tal kits
ACSPSA, laboratório Ciba-Corningâ, o qual tem como limites
de referência da normalidade os valores de 0 a 4 ng/ml. O valor
do PSAT variou de 4.1 a 10.0 ng/ml, com média de 5.63 ng/ml e mediana
de 4.93 ng/ml.
A
dosagem da fração livre do PSA foi realizada concomitantemente
à determinação da fração total deste,
através da técnica de quimiluminescência, utilizando-se
o aparelho ACS:Centaur e kit 2-ADVIA-Centaur (Bayer®), o qual tem
como limites de referência valores inferiores a 0.7 ng/ml. O valor
do APEL variou de 0.02 a 3.01 ng/ml, com média de 1.21 ng/ml e
mediana de 1.10 ng/ml.
A
RLT do PSA foi obtida através da divisão do valor do PSAT
pela dosagem da fração livre deste, sendo seu valor expresso
sob a forma de percentagem.
Todos
os pacientes foram submetidos à biópsia prostática
guiada por ecografia transretal, obtendo-se no mínimo 3 fragmentos
de cada lobo. Os exames anatomopatológicos das biópsias,
todos realizados no laboratório de patologia desta instituição,
mostraram CAP em 40 (26.84%) e HPB em 109 (73.2%).
Os
diferentes pontos de corte da RLT e o diagnóstico anatomopatológico
da biópsia de próstata foram analisados através do
teste do chi-quadrado. Calculou-se a sensibilidade e a especificidade
para o diagnóstico de CAP e de HPB para cada valor da RLT, analisando-se
estes dados a seguir através da construção de uma
Receiver Operating Characteristic Curve (curva ROC), através do
programa StatsDirect ®.
Analisou-se
dessa forma os dados, identificando-se os pontos de corte da RLT ideais
para o diagnóstico de HPB e de CAP, baseado na maior sensibilidade
e especificidade possíveis, obtendo-se a razão de chances
para cada uma das patologias, ou seja, quantas vezes é mais (ou
menos) provável obter uma RLT diagnóstica nestas situações.
Considerou-se
estatisticamente significativo um erro alfa de 99% (p < 0.01).
RESULTADOS
A
RLT variou entre 0.3% a 52%, com média e mediana de 18%.
No
subgrupo de pacientes com diagnóstico de CAP, esta relação
variou de 0.3% a 40%, com média de 12.6% e mediana de 10.5%.
Nos
pacientes com HPB, a RLT variou de 0.3% a 52%, com média de 21.2%
e mediana de 20%.
Esse
intervalo de valores, analisado mediante a construção de
uma curva ROC (Figure-1), mostra que a RLT de 11% (RLT < 0.110238)
é a fração que, nesta amostra, apresentou proporcionalmente
as melhores taxas de sensibilidade (65%) e de especificidade (86.23%)
para o diagnóstico de CAP (p < 0.001), apresentando razão
de chances de 11.64 (IC de 95% = 4.58 a 30.20). O mesmo valor foi o mais
adequado para o diagnóstico de HPB (Figure-2), com sensibilidade
de 86.23% e especificidade de 65% quando RLT ³ 11% (p < 0.001),
apresentando razão de chances idêntica à citada para
o diagnóstico de CAP.

A análise das curvas ROC para o diagnóstico
de CAP e de HPB, conforme as diversas RLT, são expostas na Figure-3.
DISCUSSÃO
O
valor sérico do PSA a partir do qual devemos realizar uma biópsia
prostática tem sido alvo de controvérsias. Smith et al.
(5) citam que 2.5 ng/ml seria o valor ideal, enquanto a maioria dos autores
utilizam 4 ng/ml (14). Todavia, é acima de 10 ng/ml que a proporção
de pacientes com neoplasia, aproximadamente 50%, é significativamente
alta para justificar a realização de biópsias prostáticas
de uma forma mais generalizada (6,7).
Já na chamada zona intermediária
(gray-zone), ou seja, valores de PSA abaixo de 10 ng/ml e acima de 4 ng/ml
(ou 2.5 ng/ml), a taxa de falsos positivos do método é significativa
(aproximadamente 75%), imputando em desconforto e morbidade, representados
pelas biópsias desnecessárias em parcela significativa dos
indivíduos (3,7).
Neste aspecto, autores têm empregado
diversas táticas com fins de aumentar a especificidade do PSAT,
cada qual imputando em respectivas tendências. O PSA-velocidade,
por exemplo, apresenta a variabilidade diária do valor do PSA sérico
(aproximadamente de 30%) e a variabilidade intrínseca ao teste
(8 a 15%) como fatores de confusão (15,16). O PSA-densidade tem
a necessidade de emprego de ecografia de rotina, com certa limitação
para obtenção do volume glandular exato (17). O PSA-idade
apresenta diminuição do número de diagnósticos
de câncer de próstata em pacientes idosos (20% na faixa de
60 a 69 anos e 60% na faixa de 70 a 79 anos) (3). Similarmente, a determinação
do PSAL e da RLT tem nos seus distintos pontos de corte possíveis
e nas suas variações, conforme o método de determinação
utilizado, suas principais tendências.
O método de dosagem do PSAT e do
PSAL tem repercussão direta na utilidade da RLT como indicativa
de câncer em pacientes com PSAT na faixa de 4.1 a 10 ng/ml. Patel
et al. (13), verificou que a RLT só é útil clinicamente
quando as duas dosagens são feitas pela mesma técnica. Ainda,
verificaram que o ponto de corte ideal variava dentro da faixa de 10%
a 20%, conforme o método de dosagem do PSA total e livre.
Usando o método de Hybritec ®,
tem-se relatado 95% de sensibilidade para o diagnóstico de CAP
com a utilização do ponto de corte de 15% para a RLT, apesar
de 46% dos casos de HPB terem níveis inferiores a este valor (10).
Higashihara et al. (12) consideram 12% o valor ideal da RLT, sendo este
da ordem de 18% segundo Christensson et al (9). Já Chen et al.
(11) citam que a RLT seria diagnóstica de neoplasia de próstata
apenas quando inferior a 7% e de benignidade quando superior a 25%, sendo
os valores neste ínterim não-diagnósticos.
Ainda, a procura pelo ponto de corte mais
adequado para a RLT tem sido também estudada recentemente por Catalona
et al. (3), que, mediante análise da curva ROC, estabeleceu como
ideal o valor de 25%, o qual apresentava sensibilidade de 95% e especificidade
de 20%, com o emprego da técnica de Hybritec ®. Este aspecto
representa, sem dúvida, a preocupação do autor com
a detecção do CAP de uma forma extremamente ampla, porém
com taxas de especificidade muito baixas. Ou seja, muito provavelmente
um contingente grande de indivíduos foi submetido a biópsia
prostática desnecessariamente. Certamente este aspecto reflete
a intenção de não deixar passar desapercebido indivíduos
com CAP (alta sensibilidade) em detrimento da especificidade do método.
Em nossa série, utilizando-se a técnica de quimiluminescência
para a dosagem do PSA livre, o valor correspondente, que possui 95% de
sensibilidade e 26% de especificidade, foi de 26%.
Entretanto, nos parece que o melhor método
diagnóstico é aquele que apresenta as maiores taxas de sensibilidade
e especificidade possíveis, haja vista que a biópsia da
próstata não é isenta de complicações
e também implica em aumento significativo de custos ao sistema
de saúde, principalmente se considerarmos países em desenvolvimento
e com sérios problemas econômicos.
Portanto, em função do exposto
e dos dados obtidos nesta série, considerando-se pacientes na faixa
de 4.1 a 10 ng/ml de PSAT e utilizando-se o método de quimiluminescência,
a RLT menor que 11% parece ser aquela que reúne proporcionalmente
as melhores taxas de sensibilidade e especificidade no diagnóstico
de CAP. O mesmo ocorre quando a RLT for maior que 11%, considerando-se
o diagnóstico de HPB.
Apesar desta citada óptica estatística,
deve-se ressaltar que a escolha de um ponto de corte através da
curva ROC é sempre arbitrária, ao se considerar sua aplicabilidade
clínica. Esta, idealmente, requereria um teste com sensibilidade
e especificidade próximas a 100%. Entretanto, ao selecionar um
método com maior especificidade, perde-se em sensibilidade. Em
nossa série, 35% dos casos de CAP não apresentavam RLT inferior
ao ponto de corte selecionado (11%).
CONCLUSÃO
A
utilização do ponto de corte de 11% para a RLT (RLT <
0.11) nos parece a mais adequada para o auxílio no diagnóstico
de CAP mediante análise de nossa série, ao permitir associar-se
a detecção do maior número de pacientes com neoplasia
prostática e o menor número de falso-positivos. O mesmo
valor parece ser o mais adequado para o diagnóstico de HPB (RLT
³ 0.11).
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______________________
Received: March 30, 2001
Accepted after revision: August 13, 2001
_______________________
Correspondence address:
Dr. Ernani Luis Rhoden
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E-mail: ernanirh@terra.com.br
COMENTÁRIO
EDITORIAL - I
Os
autores apresentam dados de material original no qual investigam a efetividade
da relação entre os níveis de PSA livre e PSA total
no diagnóstico do câncer de próstata em 149 pacientes
submetidos a biópsia prostática.
Nesta série, o diagnóstico
de câncer ocorreu em 27% dos pacientes, valor similar ao encontrado
pelas séries de St. Louis. O achado por si só é importante,
pois há pouca literatura nacional sobre o assunto. Por exemplo,
em uma série de 115 pacientes com PSA sérico entre 4.1 e
10.0 ng/ml analisados prospectivamente na Divisão de Clínica
Urológica do Hospital das Clínicas de São Paulo,
a taxa de detecção de câncer foi bem menor (11.3%),
utilizando-se biópsias sextantes da próstata (1).
A utilização das curvas ROC
para determinar o melhor ponto de corte a ser utilizado por um teste diagnóstico
é um método amplamente utilizado na literatura, mas nem
sempre o critério matemático se aplica idealmente à
prática clínica. A escolha do ponto de corte ideal reside
na sensibilidade e na especificidade desejáveis de acordo com o
desempenho do teste. Alguns, como Catalona, preferem perder em especificidade
(fazendo um número importante de biópsias desnecessárias),
mas ganhar em sensibilidade (não deixando de diagnosticar a maioria
dos casos de câncer). Quando se escolhe um ponto de corte com base
na curva ROC, sempre que se ganha em especificidade se perde em sensibilidade,
e vice-versa. Desta forma, as curvas apresentadas pelos autores em sua
casuística devem ser consideradas, mas a escolha do ponto de corte
ideal ainda reside no julgamento clínico de cada um (2).
A necessidade de indicar uma biópsia
prostática a um paciente com PSA elevado na zona cinzenta
do diagnóstico (entre 4.1 e 10.0 ng/ml) deve ser definida por uma
série de outras considerações, a saber: idade do
paciente, história familiar, volume prostático, velocidade
do PSA, densidade do PSA, toque retal, e expectativa de vida do mesmo,
além da relação entre PSA livre e PSA total. Da mesma
forma, as probabilidades de se encontrar câncer na biópsia
com base nestes achados devem ser discutidas com o paciente, e a decisão
de indicar a biópsia deve ser sempre tomada em conjunto com o mesmo
(2).
Referências
1. Carvalhal GF: Diagnóstico do câncer de próstata
em pacientes com dosagem sérica do antígeno prostático
específico (PSA) entre 4.1 e 10.0 ng/ml estudo prospectivo
de 115 pacientes. Dissertação (Mestrado). Faculdade de Medicina,
Universidade de São Paulo. São Paulo, 1997.
2. Catalona WF, Ramos CG, Carvalhal GF, Yan Y: Lowering PSA cutoffs to
enhance detection of prostate cancer. Urology, 55: 791-795, 2000.
Gustavo
Franco Carvalhal
Division of Urology
Catholic University of PUCRS
Porto Alegre, RS, Brazil
COMENTÁRIO
EDITORIAL - II
Os
autores apresentam de modo claro e elegante uma avaliação
com pacientes de nosso meio, de como melhor otimizar o uso da relação
PSA livre sobre total, para se indicar criteriosamente a biopsia prostática.
Encontraram um ponto de corte de 11%, a partir do qual é mais preditivo
o câncer ou a hiperplasia benigna, quando o PSA total encontra-se
entre 4 e 10 ng/ml.
Como toda opção estatística,
sempre quando se aumenta a sensibilidade do método, perde-se em
especificidade. Mas, certamente, o fato necessita ser considerado, quando
se pretende fazer o máximo pelo paciente.
Homero Arruda
Division of Urology
Federal University of São Paulo (Unifesp)
São Paulo, SP, Brazil
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