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ENDOUROLOGY
The efficacy
and parenchymal consequences of extracorporeal shock wave
lithotripsy in infants
Lottmann HB, Archambaud F, Traxer O, Mercier-Pageyral B, Helal B
BJU International, 85: 311-315, 2000
A eficácia
e as conseqüências para o parênquima renal da litotripsia
extracorpórea por ondas de choque em crianças
- Objetivos:
Determinar a eficácia da litotripsia extracorpórea por
ondas de choque (LEOC) em crianças e avaliar quaisquer possíveis
efeitos adversos no parênquima renal usando a cintilografia.
Pacientes e Métodos: De janeiro de 1991 a outubro de 1998, 19
crianças (idade 5-24 meses) portadoras de cálculo urinário
foram submetidas à LEOC, usando um litotridor Sonolith 3000 (14
kV, Technomed Corp, Lyon, França) ou Nova (14-20 kV, Direx Medical
Systems, Paris, França). O tratamento e seus efeitos foram avaliados
por meio de exame físico, exames de imagem convencionais (Raio-X
simples abdominal e ultra-som) e cintilografia renal 24 horas antes
da LEOC e novamente 6 meses após a última sessão
de tratamento.
Resultados: Dez crianças necessitaram apenas uma sessão
e 9 de duas sessões para o tratamento completo. No seguimento
(de 8 meses a 8 anos, média 36 meses), não houve registro
de hipertensão ou dano parenquimatoso obtido nas imagens convencionais.
Não foram atribuídas cicatrizes ou variação
significativa na função renal diferencial, atribuíveis
à LEOC.
Conclusão: A LEOC é claramente efetiva para o tratamento
de urolitíase na infância. Não houve lesões
parenquimatosas renais associadas à LEOC, até mesmo em
rins previamente afetados ou após o tratamento de cálculos
coraliformes. Na criança deveria ser obrigatório o seguimento
a longo prazo (avaliação da pressão arterial) e
recomendável o uso da cintilografia renal antes e 6 meses após
a LEOC, para a confirmação, em larga escala, dos achados
desse trabalho.
- Comentário
Editorial
A LEOC é a primeira opção de tratamento para a
maioria dos cálculos renais. Nesse estudo, a eficiência
do método é confirmada pelos resultados, em que 10 crianças
tiveram sucesso com somente uma sessão e 9 com duas sessões.
As potenciais lesões funcionais e morfológicas do parênquima
renal após a LEOC foram avaliadas pelo DMSA, com a intenção
de se localizar cicatrizes renais. O DMSA é considerado o método
de eleição no diagnóstico de cicatrizes renais
após pielonefrites. Como somente as lesões que permanecem
após 6 meses de evolução são consideradas
cicatrizes, a cintilografia renal foi realizada quando se completou
esse período de seguimento. O assunto abordado neste trabalho
não é original, tendo sido motivo de constante pesquisa
as possíveis alterações que a litotripsia poderia
gerar no rim em desenvolvimento. O uso do DMSA tentou demonstrar, como
método de imagem, a presença de lesões do parênquima
pós-LEOC, o que não se confirmou nos resultados encontrados.
Apesar desses achados, os autores não afastam a necessidade de
controle pressórico permanente dessas crianças, uma vez
que o seguimento é relativamente curto. A maioria dos trabalhos
que avaliam o crescimento renal e níveis de pressão arterial
após litotripsia em rins em desenvolvimento são experimentais
em animais, não demonstrando alterações significativas
numa fase adulta posterior.
Retroperitoneoscopic renal surgery: our approach
Gill IS, Rassweiler J
Urology, 54: 734-738, 1999
Cirurgia
renal por retroperitonioscopia: nosso acesso
- Introdução:
Nos Estados Unidos e na Europa, o acesso retroperitoneal laparoscópico
para a cirurgia renal tem, em geral, sido menos popular que a laparoscopia
transperitoneal. Primariamente, pelo seu menor espaço de trabalho
e relativa não familiaridade dos cirurgiões com a técnica
cirúrgica. O estudo demonstra a experiência em mais de
400 procedimentos renais retroperitoneais em 2 grandes centros.
Considerações técnicas: A criação
de um espaço de trabalho adequado no retroperitônio, fora
e posterior à fáscia de Gerota, é um passo crítico.
Este espaço de trabalho pode ser criado com um balão dilatador
ou por dissecção digital. Uma incisão longitudinal
é realizada na fáscia de Gerota, paralela e próxima
ao músculo psoas, para se acessar o hilo renal. Durante a nefrectomia,
o hilo renal é acessado no início, seguido pela mobilização
do espécime.
Conclusão: A retroperitonioscopia permite acesso adequado e precoce
ao hilo renal, enquanto se evita a cavidade peritoneal, sendo o método
preferido para se realizar a maioria das cirurgias renais laparoscópicas,
incluindo a nefrectomia por câncer. As técnicas descritas
têm tornado a retroperitonioscopia uma técnica rotineira,
amigável e de indicação nos procedimentos minimamente
invasivos do rim.
- Comentário
Editorial
Os autores descrevem a experiência de 2 grandes centros, Cleveland
Clinic Foundation (USA) e Klinikum Heilbronn (Alemanha), com o acesso
retroperitoneal para as cirurgias laparoscópicas renais. Segundo
os autores, o acesso retroperitoneal oferece vantagens significativas,
sendo a mais importante a fácil exposição do hilo
renal. Uma vez que o intestino não é manipulado, o íleo
paralítico é menor. As lesões inadvertidas de vísceras
peritoneais também são diminuídas, embora não
eliminadas. A experiência com a técnica se aperfeiçoou
em mais de 400 procedimentos realizados, sendo a taxa de reintervenção
de 2%. O acesso transperitoneal seria a primeira opção
na ressecção de tumores renais localizados na face anterior
do rim ou para a nefrectomia do rim do doador para transplante renal.
Talvez a principal mensagem do trabalho não seja a demonstração
do sucesso com a técnica, nem tão pouco numerosas vantagens
sobre a técnica tranperitoneal, mas a necessidade do urologista
conhecer os dois caminhos, evitando o acesso transperitoneal em pacientes
com cirurgias abdominais prévias ou pacientes obesos.
Marcelo
Lopes de Lima
FEMALE UROLOGY
Cortical
magnetic stimulation in patients with genuine stress incontinence:
correlation with results of pelvic floor exercises
Gunnarsson M, Ahlman S, Lindstrom S, Rosen I, Mattiasson A
Neurourol Urodynam, 18: 437-445, 1999
Estimulação
magnética cortical em pacientes com incontinência urinária
de esforço genuína: correlação com resultados
de exercício para o assoalho pélvico
- Objetivo:
Verificar a associação da resposta à estimulação
magnética transcraniana (EMTC) sobre a musculatura do assoalho
pélvico, com os resultados obtidos com exercícios para
o assoalho pélvico em pacientes com IUE genuína e controles.
Métodos: Foram avaliadas 18 mulheres com IUE genuína (9
com boa resposta aos exercícios e 9 sem resposta), e 12 mulheres
saudáveis, pareadas por idade e paridade formaram o grupo controle.
A avaliação consistiu do exame clínico da musculatura
pélvica, eletromiografia (EMG) circunvaginal e mensuração
da latência motora terminal antes e durante a estimulação
magnética transcraniana.
Resultados: Embora as pacientes que não responderam aos exercícios
tivessem uma redução moderada da atividade eletromiográfica
do assoalho pélvico, esta diferença não foi estatisticamente
significante. Com a EMTC houve maior probabilidade de resposta (p >
0.0002) e maiores amplitudes de resposta eletromiográfica no
grupo que respondeu aos exercícios (165 ± 108mV) quando
comparado ao grupo que não respondeu (86 ± 36mV) e grupo
controle (93 ± 39mV) (P = 0.04). Não houveram diferenças
de latência motora entre os grupos.
Conclusões: Parece haver uma maior atividade facilitadora corticofugal,
sobre a musculatura do assoalho pélvico, em pacientes com IUE
genuína que respondem ao tratamento com exercícios do
assoalho pélvico quando comparadas às que não respondem
a aos controles.
- Comentário
Editorial
Ainda não são claras as razões pelas quais os exercícios
pélvicos são tão bem ou malsucedidos em pacientes,
clinicamente indistinguíveis, com IUE. Este trabalho, muito bem
planejado e elegante, demonstra, utilizando uma tecnologia nova, que
a razão para a não-resposta pode estar não somente
na lesão muscular e nervosa periférica associada ao parto
vaginal mas também no controle cortical da musculatura pélvica.
Seria muito interessante que este controle pudesse ser avaliado por
uma metodologia economicamente mais viável que a EMTC, para que
a avaliação do controle cortical do assoalho pélvico
possa ocupar um lugar na avaliação de mulheres com IUE
candidatas a tratamento com exercícios pélvicos.
Aderivaldo
Cabral Dias Filho
ONCOLOGY
Immediate
hormonal therapy compared with observation after radical prostatectomy
and pelvic lymphadenectomy in men with node-positive prostate cancer
Messing EM, Manola J, Sarodsy M, Wilding G, Crawford ED, Trump D
N Engl J Med, 341: 1781-1788, 1999
Hormonioterapia
imediata em comparação com observação após
a prostatectomia radical e linfadenectomia pélvica em pacientes
com câncer de próstata e metástases linfonodais
- Objetivo:
Avaliar a evolução pós-operatória de pacientes
submetidos à prostatectomia radical por câncer da próstata,
supostamente localizado, nos quais se encontrou linfonodos positivos
após a cirurgia. Estudo do efeito da hormonioterapia imediata
sobre a evolução dos doentes.
Materiais e Métodos: Os pacientes foram randomizados em um grupo
que recebia hormonioterapia imediata e outro que recebia hormônio
apenas após a progressão da doença (recidiva local
ou à distância verificadas pelo exame físico, tomografia
computadorizada, Raio X de tórax, cintilografia óssea
ou através de biópsia). A randomização era
feita após 12 semanas da cirurgia e o seguimento durante o primeiro
ano era trimestral, com cintilografias ósseas a cada 6 meses
e semestral a partir do segundo ano, com cintilografias anuais.
Resultados: O grupo de pacientes que recebeu hormonioterapia (acetato
de goserelina, 3.6 mg SC a cada 28 dias ou castração cirúrgica)
não diferia substancialmente do grupo controle (observação
e tratamento apenas quando constatada recorrência) quanto às
características clínicas e patológicas. O grupo
com tratamento hormonal imediato apresentou melhor sobrevida geral (7
óbitos em 47 pacientes no grupo de tratamento hormonal imediato
vs. 18 óbitos em 51 pacientes no grupo de observação
e tratamento tardio; p = 0.02), melhor sobrevida específica (3
mortes por câncer da próstata no grupo de tratamento hormonal
imediato vs. 16 mortes por câncer da próstata no grupo
de tratamento adjuvante tardio; p = 0.001) e melhor sobrevida livre
de doença (sem evidências de recorrência pelos exames
do protocolo e PSA sérico indetectável; 77% no grupo de
hormonioterapia imediata e 43% no grupo de observação
e tratamento adjuvante tardio; p < 0.001).
Conclusão: O tratamento com hormonioterapia imediata em pacientes
com câncer de próstata e linfonodos positivos após
a prostatectomia radical melhora a sobrevida e reduz o risco de recorrência
da neoplasia.
- Comentário
Editorial
O trabalho mostra de forma convincente que a hormonioterapia imediata
fornece melhores resultados do que o tratamento adjuvante tardio nos
casos de linfonodos positivos após a prostatectomia radical.
Nos estados Unidos este tipo de paciente é cada vez mais raro
(menos de 5% das cirurgias) devido ao rastreamento generalizado do câncer
da próstata pelo PSA; em nosso país, porém, vemos
com maior freqüência este tipo de situação.
Até o presente estudo, considerava-se como dogmático o
trabalho do VACURG (Veterans Administration Co-operative Urological
Research Group) (1) feito nas décadas de 60 e 70, no qual a hormonioterapia
precoce retardava a progressão do câncer da próstata
mas não causava impacto na sobrevida, sugerindo que se deveria
esperar a ocorrência de sintomas para o início da hormonioterapia
adjuvante em pacientes com câncer da próstata. No estudo
de Messing este conceito não se verifica, mas os pacientes tinham
um melhor estado geral e doença mais inicial do que os pacientes
do VACURG, e foi utilizado análogo (acetato de goserelina) em
vez de dietilestilbestrol como opção de bloqueio farmacológico.
Este trabalho é apoiado por um estudo recente em pacientes submetidos
à radioterapia por doença localmente avançada no
qual constatou-se uma melhor sobrevida no grupo de hormonioterapia associada
(os melhores resultados, porém, poderiam ser devidos à
redução do volume da próstata, levando a uma performance
superior da radioterapia, e não a efeitos diretos do bloqueio
hormonal) (2). Há um estudo europeu em andamento com delineamento
semelhante ao de Messing, mas em pacientes com doença nodal que
não foram submetidos à prostatectomia radical; este estudo
ainda não demonstrou melhora na sobrevida específica ou
geral no grupo de pacientes que receberam hormonioterapia precoce com
relação aos que foram apenas observados (3).
Apesar de ser um estudo isolado, o presente estudo sugere que há
possibilidade de cura nos casos de doença metastática
mínima após a prostatectomia radical através da
hormonioterapia precoce. Tais achados podem mudar conceitos existentes
sobre o momento do bloqueio androgênico em pacientes com doença
residual ou com doença metastática mínima.
- Referências
1. The Veterans Administration Co-operative Urological Research Group:
Treatment and survival of patients with cancer of the prostate. Surg
Gynecol Obstet, 124: 1011-1017, 1967.
2. Bolla M, Gonzalez D, Warde P: Improved survival in patients with
locally advanced prostate cancer treated with radiotherapy and goserelin.
N Engl J Med, 337: 295-300, 1997.
3. Eisenberger MA, Walsh PC: Early androgen deprivation for prostate
cancer? (editorial) N Engl J Med, 341: 1837-1838, 1999.
Urinary and sexual function after radical prostatectomy for clinically
localized
prostate cancer. The prostate cancer outcomes study
Stanford JL, Feng Z, Hamilton A, Gilliland FD, Stephenson RA, Eley JW,
Albertsen PC,
Harlan LC, Potosky AL
JAMA 283: 354-360, 2000
Potência
e continência após a prostatectomia radical no câncer
localizado da próstata
- Objetivos:
Aferir as alterações observadas nas funções
sexual e urinária em homens submetidos à prostatectomia
radical para o tratamento do câncer da próstata, clinicamente
localizado, na comunidade norte-americana.
Material e Métodos: Foram estudados 1.291 homens submetidos à
prostatectomia radical em 6 regiões geográficas dos Estados
Unidos. Parâmetros de função sexual, função
urinária, qualidade de vida e satisfação com o
tratamento recebido foram analisados através de questionários
auto-administrados em 6, 12 e 24 meses após o diagnóstico,
a partir da notificação do médico assistente ao
centro de registro de câncer.
Resultados: Após 18 meses ou mais da prostatectomia radical,
8.4% dos homens que responderam ao questionário encontravam-se
incontinentes e 59.9% impotentes. A potência correlacionou-se
com a capacidade de preservação dos feixes vásculo-nervosos,
sendo que pacientes submetidos à preservação bilateral
obtiveram maiores taxas de potência do que aqueles em que houve
preservação unilateral dos nervos ou o sacrifício
de ambos. A recuperação da função sexual
também foi maior entre Afro-americanos. A idade avançada
foi um fator importante para definir as chances do paciente recuperar
potência e continência após o procedimento (quanto
mais avançada a idade, menores as chances de recuperação
da potência e da continência).
Conclusões: A prostatectomia radical efetuada na comunidade,
para o tratamento do câncer de próstata clinicamente localizado,
se associa a níveis consideráveis de disfunção
erétil e a algum declínio da função urinária.
Tais resultados podem ajudar a orientar os médicos a optarem
pela melhor decisão terapêutica junto ao paciente.
- Comentário
Editorial
O artigo é uma evidência de que a prática da prostatectomia
radical, apesar de haver se generalizado na comunidade nos últimos
anos, ainda é um procedimento que se acompanha de morbidade significativa
longe dos centros acadêmicos. As taxas de impotência e de
incontinência relatadas (60% e 8%, respectivamente) são
semelhantes às relatadas em outros estudos comunitários,
de organizações de saúde privadas (HMOs - Health
Maintenance Organizations) e públicas (Medcare) (1,2).
Tais figuras diferem substancialmente das obtidas em centros de excelência:
taxas de cerca de 30% de impotência e de 2% de incontinência
severa na série de Catalona (3). Estas diferenças podem
se dever a variações nas populações tratadas,
mas certamente são atribuídas em grande parte à
curva de aprendizado do procedimento, reconhecidamente lenta e progressiva.
Um achado interessante do trabalho é a comprovação,
já relatada por Catalona et al., de que a idade avançada
está diretamente relacionada a piores taxas de potência
e continência (3).
O estudo de Stanford et al., apesar de bem delineado, apresenta algumas
deficiências. A mais importante talvez seja a alta taxa de pacientes
que não responderam ao questionário (apenas 62.3% dos
pacientes inicialmente selecionados participaram do estudo). Além
disso, não houve uma avaliação confiável
da função urinária e sexual pré-tratamento,
sendo que a deterioração nestes 2 quesitos foi aferida
pelo que o paciente lembrava apresentar antes do tratamento (no mínimo
6 meses antes da aplicação do questionário).
Estudos comunitários podem refletir melhor a realidade verificada
em populações no tocante à morbidade associada
à cirurgia. Contudo, as taxas de sobrevida livre de doença
e de cura aparente não são diretamente aferidas na maior
parte dos mesmos. Todo urologista que realiza a prostatectomia radical
para o tratamento do câncer da próstata localizado deve
buscar sempre o aperfeiçoamento da técnica cirúrgica
e do seguimento pós-operatório de seus pacientes. A familiarização
com as nuances técnicas do procedimento e a conseqüente
progressão na curva de aprendizado podem incrementar significativamente
os resultados cirúrgicos de casuísticas individualizadas.
- Referências
1. Fowler FJ, Barry MJ, Lu-Yao G, Roman A, Wasson J, Wennberg JE: Patient-reported
complications and follow-up treatment after radical prostatectomy. Urology,
42: 622-629, 1993.
2. Murphy GP, Mettlin C, Menck H, Winchester DP, Davidson AM: National
patterns of prostate cancer treatment by radical prostateectomy: results
of a survey by the American College of Surgeons Comission on Cancer.
J Urol, 152: 1817-1879, 1994.
3. Catalona WJ, Carvalhal GF, Mager DE, Smith DS: Potency, continence
and complication rates in 1870 consecutive radical retropubic prostatectomies.
J Urol, 162: 433-438, 1999.
Gustavo
Franco Carvalhal
Álvaro Sadek Sarkis
Experience with early catheter removal after radical retropubic prostatectomy
Souto CAV, Telöken C, Souto JCS, Rhoden EL, Ting HY
J Urol, 163: 865-866, 2000
Retirada
precoce da sonda uretral pós prostatectomia radical retropúbica
- Objetivo:
Testar a hipótese de que a retirada precoce da sonda uretral
pós prostatectomia radical retropúbica (PRR) pode ser
bem sucedida.
Material e Métodos: Realizou-se cistografia nos dias 4 e 5 do
pós-operatório em 42 casos do total de 67 PRR consecutivas,
não tendo sido revelado extravasamento em 30, com retirada imediata
do cateter (grupo 1); o grupo controle consistiu de 25 casos que obedeceram
à conduta clássica, sem cistografia e com retirada do
cateter no 14o dia.
Resultados: Houve continência imediata em 14 pacientes (46.7%)
e tardia em 25 (83.3%) do grupo 1; no grupo 2 (controle), imediata em
8 (32%) e em 22 (88%) tardia. (p > 0.05). No grupo 1 houve retenção
urinária em 2 pacientes (6.7%), necessitando re-sondagem sem
endoscopia prévia e de fácil execução. Abscesso
pélvico com infecção de parede em 1 (3.3%). No
grupo 2, retenção urinária em 1 (4%), infecção
de parede em 1 (4%) e hematúria em 1 (4%). Esclerose de colo
vesical desenvolveu-se em 2 (8%), aos 4 e 10 meses de seguimento, com
necessidade de uretrotomia interna em 1. Em outro paciente diagnosticou-se
estenose da uretra anterior, manejada com dilatação.
Conclusões: O presente estudo confirma a possibilidade de retirada
precoce do cateter nos pacientes submetidos à PRR, com índice
aceitável de complicações.
- Comentário
Editorial
Existem poucos artigos publicados (cerca de 10), contemplando a retirada
precoce do cateter pós PRR e a maioria surgiu nos últimos
2 anos. A explicação seria diminuir o risco de infecção,
desconforto, ou talvez, como forma de acompanhar certas vantagens da
técnica laparoscópica, atualmente permitindo tal manejo
de forma muito precoce, no 3º dia de pós-operatório
(1). O trabalho em questão torna-se mais atraente pelo fato de
oferecer a retirada no 5º PO (71.4%), quando as outras referências
citam no 7º, 8º ou 9º (2).
Desde janeiro de 1997 temos utilizado uma sutura contínua na
anastomose vésicouretral e após vencermos a curva de aprendizado
(50 casos) passamos a retirar o cateter mais precoce, inicialmente no
7º, posteriormente no 5º e, nos últimos 52 casos foi
possível retirá-lo no 3º PO em 31 (59.6%) dos casos.
Mesmo num segmento curto (6-7 meses) a retirada mais precoce mostrou-se
superponível aos tempos anteriores (5º ou 7º PO), em
termos de bons resultados. Cremos não haver maior risco de comprometer
a continência, nem estenose, fatos possíveis quando ocorrem
eventuais lesões cirúrgicas da uretra/esfíncter
ou má coaptação da anastomose.
- Referências
1. Vallancien G , Guillonneau B: Laparoscopic radical prostatectomy
: the Montsouris technique. J Urol, 163: 1643-1649, 2000.
2. SantisWF, Hoffman MA, Dewolf WC: Early catheter removal in 100 consecutive
patients undergoing radical retropubic prostatectomy. BJU International,
85: 1067-1068, 2000.
Aloysio
Floriano de Toledo
PEDIATRIC
UROLOGY
Nephrostomy
tube drainage with pyeloplasty: is it necessarily a bad choice?
Austin PF, Cain MP, Rink RC
J Urol, 163: 1528-1530, 2000
Drenagem
por nefrostomia pós pieloplastia: é, necessariamente, uma
opção ruim?
- Introdução:
Apesar da controvérsia com relação ao método
ideal de derivação urinária após pieloplastia
por desmembramento em crianças, nós temos tratado a maioria
dos pacientes com tubo de nefrostomia no pós operatório
e sem stent.
Casuística e Métodos: Todos os pacientes com obstrução
da junção pieloureteral que foram tratados, no período
de agosto de 1985 a outubro de 1998, com drenagem por nefrostomia após
pieloplastia por desmembramento, foram avaliados quanto à hospitalização,
complicação e seguimento pós-operatório.
Foram utilizados drenos de Penrose perinefréticos, bem como o
cateter Foley vesical em todos esses pacientes.
Resultados: Cento e trinta e sete pieloplastias foram realizadas em
132 pacientes, incluindo 5 casos de obstrução da junção
pieloureteral bilateral, com drenagem por nefrostomia, com seguimento
mediano de 2.1 anos. A pielografia inicial demonstrou boa drenagem através
de anastomose e sem extravasamento em 91% dos pacientes. A pielografia
subseqüente revelou anastomose ampla e patente no restante dos
casos. Nenhum paciente teve obstrução pós-operatória
nem necessitou de nova pieloplastia ou nefrectomia. Ocorreu infecção
do trato urinário em 2 pacientes (1.5%). O tempo médio
de hospitalização foi de 4.4 dias. Havia uma diferença
significativa no tempo de internação nos últimos
5 anos, comparado com os anos anteriores (3.4 versus 5.8 dias, p <
0.05 ), e esse tempo continua diminuindo.
Conclusão: A drenagem por nefrostomia pós pieloplastia
apresentou poucas complicações e uma anastomose patente
em 100% dos casos. A drenagem por nefrostomia serve como mecanismo protetor
e também permite o estudo radiológico antes da remoção
do tubo. A nefrostomia não prolonga o tempo de internação
hospitalar e pode ser facilmente removida em regime ambulatorial, sem
anestesia.
- Comentário
Editorial
A pieloplastia por desmembramento, devido à obstrução
da junção pieloureteral, continua sendo o tratamento padrão
em crianças, com índice de sucesso de 94% a 99%. Apesar
dessa técnica estar bem padronizada entre os urologistas pediátricos,
ainda existem muitas controvérsias com relação
à necessidade ou não, bem como ao tipo de drenagem a ser
utilizado. Neste trabalho, os autores defendem a drenagem por nefrostomia,
pois não interferiu no tempo de hospitalização
e acredita-se que tenha favorecido na cicatrização adequada,
evitando edema e extravasamento pela anastomose.
Dados da literatura têm mostrado que a incidência de infecção
do trato urinário foi maior com o uso de nefrostomia, variando
de 2.4 a 40%, sendo necessária a utilização de
antimicrobianos até a sua remoção.
Osamu
Ikari
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