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ASSOCIATION
OF PHENTOLAMINE IN THE TREATMENT
OF ERECTILE DYSFUNCTION AFTER SILDENAFIL FAILURE
JOAQUIM DE ALMEIDA
CLARO, ARCHIMEDES NARDOZZA JÚNIOR,
MARCELO MARINGOLO, JOSÉ ELERTON DE ABOIM, MIGUEL SROUGI
Division
of Urology, Paulista School of Medicine, Federal University of São
Paulo, São Paulo, Brazil
ABSTRACT
Purpose:
Despite the good results of oral sildenafil in the treatment of the erectile
dysfunction, some men do not respond to this drug. Due to its mild side
effects, we tested the association of oral sildenafil and phentolamine
in men with erectile dysfunction who did not respond to sildenafil alone.
Material and Methods: The association of
50mg of sildenafil given one hour and 40mg of phentolamine given half
an hour before intercourse was used to treat 31 impotent men (36 to 82
years-old, median=69) who had previously failed to 50mg and 100mg of sildenafil
given alone. Among this 31 patients, 17 (54.8%) had been submitted to
radical prostatectomy due to localized prostate cancer. Each patient tried
this association at least four times. We consider success the presence
of full erection and normal intercourse without complementary methods.
Results: The association of sildenafil and
phentolamine failed to improve erection in this group of patients. None
of the 31 men reported full erections.
Conclusion: The association of sildenafil
and phentolamine does not represent a good option to impotent men who
had previously failed the treatment with sildenafil alone.
Key words:
erectile dysfunction, impotence, treatment, penile erection, penis
Braz J Urol, 26: 399-402, 2000
INTRODUÇÃO
A
ereção peniana é um fenômeno hemodinâmico
(1), dependente do adequado relaxamento dos músculos cavernosos
e das suas artérias (2). Este relaxamento é mediado pelo
óxido nítrico e pela formação de GMP cíclico
(3). Após a relação sexual o GMP cíclico é
hidrolisado pela 5-fosfodiesterase (5PDE). O sildenafil é um inibidor
seletivo da 5PDE. Assim, uma vez que ocorre o estímulo sexual e
liberação do óxido nítrico, o sildenafil potencializa
o seu efeito no corpo cavernoso, impedindo que o GMP cíclico seja
hidrolisado (4).Na prática, o sildenafil tem demonstrado ser eficaz
(5) e bem tolerado no tratamento de pacientes com disfunção
erétil de várias etiologias (6,7). Contudo, em populações
especiais de pacientes, como nos diabéticos (8), com idade muito
avançada, ou naqueles submetidos a prostatectomia radical (9),
o tratamento com sildenafil não tem apresentado resultados satisfatórios.
A fentolamina, um bloqueador alfa-adrenérgico,
tem demonstrado alguma ação na ereção, com
efeitos colaterais muito discretos (5).
Assim, a associação da fentolamina
no tratamento dos pacientes que não apresentaram melhora com o
sildenafil isolado parece uma opção mais prática
e menos invasiva que os tratamentos clássicos.
MATERIAL
E MÉTODOS
No
período de junho de 1999 a janeiro de 2000, 31 pacientes com disfunção
erétil que haviam experimentado o sildenafil sem sucesso, foram
estudados. Dentre esses pacientes, 17 (54.8%) haviam sido submetidos a
prostatectomia radical devido a câncer localizado da próstata.
O tempo entre a cirurgia e o início do tratamento variou de 6 a
45 meses (mediana de 13 meses).
A idade desses pacientes variou de 36 a
82 anos (mediana de 69 anos). Nenhum paciente apresentava cardiopatia.
Todos os pacientes tinham sido tratados inicialmente com 50 mg de citrato
de sildenafil, sem sucesso. Como nenhum deles apresentou efeito colateral
importante, a dose foi aumentada para 100 mg de sildenafil. Com essa dose,
3 pacientes referiram melhora da ereção, porém não
o suficiente para penetração vaginal. Por outro lado, 26
pacientes passaram a apresentar cefaléia e intenso rubor facial.
Após a utilização,
sem sucesso, de 100 mg de citrato de sildenafil, todos os pacientes preencheram
o Internacional Index of Erectile Function (I.I.E.F.) (10), e foram submetidos
a investigação hormonal que se revelou normal.
A seguir, os pacientes foram tratados com
50 mg de citrato de sildenafil, administrados uma hora antes da relação
sexual e 40 mg de mesilato de fentolamina administrados meia hora antes
da relação sexual. Devido ao alto custo desse tratamento,
os pacientes foram solicitados para fazer pelo menos 4 tentativas, ou
seja, o número de comprimidos disponível na embalagem comercial
de ambas as drogas no Brasil. Após essas 4 tentativas, os pacientes
preencheram novamente o I.I.E.F. (10) para condução adequada
de cada caso.
Consideramos sucesso quando o paciente obtinha
ereção completa e passava a ter relações sexuais
normais sem nenhum método coadjuvante. Por outro lado, foi considerado
insucesso o paciente que não apresentava ereção suficiente
para penetração vaginal nas 4 tentativas.
RESULTADOS
O
tempo de seguimento variou de 20 a 75 dias (mediana de 52 dias).
Nenhum paciente apresentou ereção
completa com a associação do citrato de sildenafil com o
mesilato de fentolamina na dosagem utilizada.
A mediana da pontuação do
I.I.E.F. preenchido antes e após o estudo clínico não
revelou modificação importante, variando de 11 para 12 pontos,
ou seja, não houve melhora categórica de nenhum paciente.
Por outro lado, não houve maior incidência
de efeitos colaterais com a associação dessas drogas.
DISCUSSÃO
O
índice de sucesso do sildenafil no tratamento de pacientes com
disfunção erétil pode atingir até 85% de acordo
com a dose utilizada e a população de doentes estudada (6).
Contudo, esses mesmos estudos clínicos não demonstraram
diferença significante entre as doses de 50 mg e 100 mg. Além
disso, os efeitos colaterais do sildenafil foram considerados aceitáveis
(6).
Por outro lado, a fentolamina tem apresentado
índice de sucesso de até 70% em pacientes com disfunção
erétil psicogênica. Porem, esse índice cai para no
máximo 40% em pacientes orgânicos (11).
Em algumas populações especiais
de pacientes com disfunção erétil, o sucesso tanto
do sildenafil quanto da fentolamina é menor. Como já vimos
anteriormente, o sucesso do sildenafil em pacientes com disfunção
erétil após a prostatectomia radical foi de cerca de 11%
na nossa experiência (9). Da mesma forma, pacientes com idade avançada,
superior a 70 anos, geralmente respondem mais pobremente ao sildenafil.
Além disso, o próprio fato
de um paciente com menos de 70 anos, sem doença associada, não
responder adequadamente ao sildenafil, já faz com que esse paciente
seja classificado como de mau prognóstico.
Assim, apesar da inexistência de efeitos
colaterais graves do sildenafil e principalmente da fentolamina, a associação
dessas drogas nesses pacientes não parece uma boa opção.
Contudo, devemos lembrar que no presente
estudo, 54.8% dos pacientes tinham disfunção erétil
causada pela prostatectomia radical e que a idade mediana do grupo estudado
foi de 69 anos, ou seja, considerada avançada. Mais que isso, nenhum
desses pacientes apresentou ereção completa com utilização
de até 100 mg de sildenafil. Assim, essa série representa
uma população de pacientes com disfunção erétil
grave, portanto, de mau prognóstico.
De qualquer forma, nessa série de
31 pacientes, a associação do citrato de sildenafil e do
mesilato de fentolamina não apresentou bom resultado em nenhum
caso.
Por isso, apesar de parecer prática
e atraente, a associação do sildenafil com a fentolamina
não representa uma opção terapêutica adequada
para os pacientes que não responderam ao tratamento com o sildenafil
isoladamente.
REFERÊNCIAS
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1995.
- Burnett
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Int J Impot Res, 8: 47-52, 1996.
- Moreland
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pós-prostatectomia radical. J Bras Urol, 25: 504-507, 1999.
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- Rajfer
J: Lecture in: Society for Study of Impotence Annual Meeting, Dallas,
USA, 1999.
______________________
Received: March 28, 2000
Accepted after revision: July 19, 2000
RESUMO
ASSOCIAÇÃO
DA FENTOLAMINA NO TRATAMENTO DA DISFUNÇÃO ERÉTIL
EM PACIENTES QUE NÃO RESPONDERAM AO SILDENAFIL
No
período de junho de 1999 a janeiro de 2000, foram estudados 31
pacientes com idade entre 36 e 82 anos (mediana de 69 anos) com disfunção
erétil. Desses pacientes, 17 (54.8%) haviam sido submetidos a prostatectomia
radical por câncer localizado da próstata. O tempo decorrido
entre a cirurgia e o início do tratamento variou de 6 a 45 meses
(mediana de 13 meses). Todos os pacientes haviam sido tratados anteriormente
com 50 mg e 100 mg de citrato de sildenafil, sem sucesso. Apesar do insucesso
do tratamento, os efeitos colaterais, mesmo com a dose de 100 mg do sildenafil
foram bastante leves. Por causa disso, todos os 31 pacientes foram, em
seguida, tratados com a associação de 50 mg de citrato de
sildenafil e 40 mg de mesilato de fentolamina, administrados por via oral,
respectivamente, uma hora e meia hora antes da relação sexual.
Todos os pacientes utilizaram essa associação pelo menos
4 vezes. O International Index of Erectile Function (I.I.E.F.) foi preenchido
antes do início do estudo, portanto após os pacientes terem
recebido sildenafil isoladamente, e depois do tratamento com a associação
do citrato de sildenafil e do mesilato de fentolamina. Nós consideramos
sucesso a obtenção de ereções completas e
relações sexuais satisfatórias sem nenhum outro tratamento
adjuvante. Embora os pacientes estudados representem uma população
de mau prognóstico, uma vez que a idade mediana era avançada
(69 anos) e 54.8% deles haviam se submetido a prostatectomia radical,
nenhum deles apresentou ereção completa, suficiente para
penetração vaginal.
A associação do citrato de
sildenafil e do mesilato de fentolamina não se revelou uma opção
terapêutica adequada no tratamento da disfunção erétil
em pacientes de mau prognóstico.
Unitermos:
impotência, disfunção sexual, tratamento, sildenafil,
fentolamina.
Braz J Urol, 26: 399-402, 2000
_______________________
Correspondence address:
Joaquim de Almeida Claro
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São Paulo, SP, 04024-003
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