ERECTILE DYSFUNCTION IN PATIENTS WITH CHRONIC RENAL
FAILURE: INTRACAVERNOSAL INJECTION OF PROSTAGLANDIN E1 EVALUATED WITH COLOR DOPPLER SONOGRAPHY

JOÃO BATISTA GADELHA DE CERQUEIRA, JOSÉ CARLOS GODEIRO,
MANOEL ODORICO DE MORAES FILHO

Federal University of Ceará, Ultrasonography Cearense Unit, Ceará, Brazil

ABSTRACT

     Purpose: We studied 30 patients with chronic renal failure, assessing the morphodynamic features of cavernosal arteries by color Doppler sonography and their clinical response to intracavernosal injection of prostaglandin E1 (PGE1).
     Patients and Methods: The International Index of Erectile Function (IIEF) was applied to all patients. Morphodynamic parameters evaluated by color Doppler sonography included: peak systolic velocity, end diastolic velocity, inner arterial diameter and the anatomy of cavernosal arterial blood flow. The test was performed with the flaccid penis and after the intracavernosal injection of 10mg PGE1.
     Results: Twenty-four patients had clinical complaints of erectile dysfunction and six patients had none. The mean peak systolic velocity of the patients without erectile dysfunction changed from 57 cm/sec to 65 cm/sec after the intracavernosal injection of PGE1. The patients with erectile dysfunction had their peak systolic velocity increased from 1.5 to 2 times the initial value with mean change of 45cm/sec to 55cm/sec. The inner arterial diameter increased from 47% to 67% after the intracavernosal injection of PGE1 into the cavernosal artery of the patients without erectile dysfunction. In patients with erectile dysfunction, the inner cavernosal artery diameter increased by 37% to 41% of the initial value. The mean end diastolic velocity was of 12 cm/sec in both groups. The study of cavernosal artery anatomy showed patients with stenotic, bifurcated, and duplicated arteries.
     Eighty-three per cent of the patients with erectile dysfunction had a good clinical response to intracavernosal injection of PGE1. Two patients without complaints of erectile dysfunction had prolonged erections (four hours each). We did not observe hematomas at the site of injection in any of the patients studied.
     Conclusion: The color Doppler sonography may be used to evaluate the hemodynamic parameters of the erectile dysfunction in patients with chronic renal failure and penile vascular disease. The clinical response to intracavernosal injection of PGE1 in this group of patients showed excellent results with few side effects.

Key words: impotence, erectile dysfunction, kidney failure, prostaglandin E1
Braz J Urol, 26: 390-398, 2000

INTRODUÇÃO

     Define-se disfunção erétil (DE) como a incapacidade persistente em obter e/ou manter ereção adequada para a atividade sexual satisfatória. O interesse no estudo dessa patologia cresceu sobremaneira a partir da década de 80, inicialmente com os trabalhos de Lue & Tanagho em macacos e cães, esclarecendo aspectos da hemodinâmica de ereção (1). Esse interesse aumentou ainda mais a partir da década de 90 quando estudo realizado mostrou que, entre indivíduos dos 40 aos 70 anos a prevalência da disfunção erétil alcançava níveis acima de 50% (2).
     
A hemodinâmica da ereção envolve relaxamento da musculatura lisa cavernosa, aumento do fluxo sangüíneo para o interior dos corpos cavernosos e função veno-oclusiva normal. A avaliação da integridade hemodinâmica da ereção teve seu início em 1975, com Abelson propondo o índice pênis braquial como o parâmetro que definiria a normalidade da função arterial peniana (3). Outros métodos de avaliação como a pletismografia e o teste de tumescência peniana noturna também foram utilizados com o mesmo objetivo (4). No entanto estudos posteriores realizados por Padma-Nathan em 88 mostraram a baixa especificidade e sensibilidade desses métodos (5). Em 1985, Lue et al. propuseram a utilização do teste, que hoje, é o exame padrão na investigação da disfunção erétil de etiologia vascular, o ultra-som Doppler (US Doppler) (6). Com a utilização do US Doppler podemos avaliar a velocidade de pico sistólico, a velocidade diastólica final, o diâmetro arterial, o índice de resistência e o fluxo sangüíneo cavernoso. Desde então o US Doppler vem sendo utilizado em vários grupos de pacientes para avaliar o fator vascular na gênese da DE. Não conseguimos, no entanto, encontrar na literatura estudos com US Doppler em pacientes com insuficiência renal crônica e disfunção erétil, apesar da prevalência da DE neste grupo de pacientes estar bem documentada desde 1975 bem como a presença do fator vascular na gênese da disfunção erétil (7,8).
     
O objetivo desse trabalho é avaliar os parâmetros hemodinâmicos da ereção, utilizando o US Doppler colorido, antes e após a injeção intracavernosa de prostaglandina E1 (PGE1) em um grupo de pacientes portadores de insuficiência renal crônica com e sem disfunção erétil.

MATERIAL E MÉTODOS

     Entre janeiro e agosto de 1999, 119 pacientes com insuficiência renal crônica em programa de hemodiálise foram entrevistados pelo mesmo pesquisador sendo submetidos a avaliação clínica, sócio demográfica e aplicação do International Index of Erectile Function (I.I.E.F.) (9). Desse universo foram escolhidos aleatoriamente 24 pacientes com queixas de disfunção erétil, com média de idade de 54 anos e 6 pacientes sem queixas de DE com média de idade de 30 anos que assinaram o termo de consentimento e concordaram em participar voluntariamente do estudo com US Doppler colorido antes e após a aplicação intravenosa de PGE1. Para os pacientes com queixas de disfunção erétil as condições básicas para inclusão no estudo eram: tempo mínimo de 1 ano com queixas de disfunção erétil, perfil hormonal sérico dentro dos limites da normalidade e início das queixas coincidindo ou posteriores ao início do tratamento com diálise.
     
A avaliação dos parâmetros hemodinâmicos foi realizada com aparelho de US Doppler colorido com transdutor linear de freqüência variável de 8 a 5 mHz .Os pacientes eram conduzidos a uma sala isolada, acompanhados apenas de 2 examinadores (urologista e radiologista). Os exames foram realizados sempre pelos mesmos pesquisadores. Em posição de decúbito dorsal os pacientes eram orientados a tracionar o pênis de encontro a superfície anterior do abdome inferior. O transdutor era então colocado longitudinalmente à altura da transição penoescrotal e o exame era realizado. Posteriormente, os pacientes eram submetidos à injeção intracavernosa de PGE1 10mg com seringa de 3cc e a agulha de insulina. Após 3 minutos, quando era observada a fase de tumescência sem rigidez, o exame era repetido.
     
Parâmetros avaliados antes da injeção intracavernosa de PGE1 foram: velocidade de pico sistólica (VPS) e o diâmetro arterial das artérias cavernosas; e após a injeção: VPS, diâmetro arterial, a velocidade diastólica final (VDF) e a anatomia das artérias cavernosas. Foram considerados como normais os seguintes valores: VPS > 30 cm/seg.; VDF < ou = 0; aumento acima de 70% na variação do diâmetro arterial.
     
Ao final do exame com tempos variáveis de 5 a 15 minutos era avaliada a resposta clínica a injeção intracavernosa de PGE1 quanto ao tempo e grau da ereção. Os pacientes eram classificados quanto ao grau da seguinte maneira: G0- Ausência tumescência ou rigidez; G1-Tumescência sem aumento do tamanho peniano; G2- Tumescência com aumento do tamanho peniano sem rigidez; G3- Rigidez parcial que permite intercurso sexual; G4- Rigidez total.
     
Os pacientes que apresentaram os graus de ereção 3 e 4 e mantiveram a ereção por mais de 45 minutos foram considerados como aqueles que tiveram resposta clínica adequada à injeção intracavernosa de PGE1.
     
O programa estatístico Intercooled STATA 4.0 (Texas-USA, 1995) foi utilizado para os cálculos estatísticos do trabalho.

RESULTADOS

     O tempo médio das queixas de disfunção erétil era de 4 anos. Sessenta e seis por cento dos pacientes apresentavam disfunção erétil severa e 33,3% moderada. As informações clínicas sobre os pacientes estudados estão na Tabela-1. A principal etiologia da insuficiência renal crônica nos pacientes com disfunção erétil era glomerosclerose hipertensiva (Tabela-2).
     
O aumento médio da VPS dos pacientes com disfunção erétil após a injeção intracavernosa de PGE1 foi de 2 a 3 vezes o valor inicial (Tabela-3).

     Não foi significativo o aumento médio dos diâmetros arteriais após a injeção intracavernosa de PGE1 (Tabela-4).

     Setenta e nove por cento dos pacientes com queixa de disfunção erétil e 100% dos pacientes sem queixas de disfunção erétil apresentaram resultados considerados normais, VPS > 30 cm/seg. após a injeção intracavernosa de PGE1 (Tabela-5).

     A média da VDF nos pacientes com resposta clínica adequada a injeção intracavernosa de PGE1 foi de 13 cm/seg. Cinco pacientes com resposta clínica inadequada a injeção intracavernosa de PGE1 apresentaram média de VPS de 49 cm/seg. na artéria cavernosa direita e de 32 cm/seg. na artéria cavernosa esquerda após a injeção intracavernosa de PGE1.
     
Oitenta e três por cento dos pacientes com queixas de disfunção erétil apresentaram resposta clínica adequada à injeção intracavernosa de PGE1 (Tabela-6).

     A variação anatômica das artérias cavernosas após a injeção intracavernosa de PGE1 também foi observada em nosso estudo. Os achados mais comuns foram: estenose arterial observada em 11 pacientes, bifurcação arterial precoce em 2 pacientes, ramos múltiplos em 5 pacientes e duplicação de artéria cavernosa em 2 pacientes (Figura).

DISCUSSÃO

     Estudos realizados a partir da década de 80 mostraram a importância do fator orgânico no gênese da DE. Inicialmente Michal & Ruzbarsky mostraram a presença de lesões fibróticas na artéria cavernosa de pacientes diabéticos com a diminuição do lúmen arterial e do fluxo sangüíneo no interior dessas artérias (10).
     
A descoberta de drogas que injetadas no corpo cavernoso provocava relaxamento da musculatura lisa cavernosa e aumento do influxo sangüíneo contribuiu sobremaneira para o incremento desses estudos. Unindo os conhecimentos sobre a hemodinâmica da ereção peniana e o efeito das drogas intracavernosas, Lue, em 1985, propôs a avaliação do fator vascular como causa de disfunção erétil através da realização do US Doppler antes e após a injeção intracavernosa de papaverina (6). Em seu estudo com 657 pacientes, Lue determinou valores de normalidade para parâmetros como a velocidade sistólica de pico e o diâmetro arterial após a injeção intracavernosa de papaverina. Os achados de Lue foram posteriormente confirmados em outros trabalhos publicados na literatura (11,12).

A) - Artéria cavernosa normal.

B) - Duplicação de artéria cavernosa direita.

C) - Bifurcação da artéria cavernosa esquerda.

D) - Estenose artéria cavernosa direita e ramificação dupla.

E) - Artéria cavernosa esquerda com múltiplos ramos.

Figura - Eco-Doppler das artérias cavernosas, realizado após a injeção intracavernosa de Prostaglandina E1.

 

     Com a descoberta da PGE1 como potente relaxante da musculatura lisa cavernosa e sua introdução no uso clínico por Ishii, em 1983, estudos começaram a ser realizados para a avaliação dos parâmetros hemodinâmicos da ereção peniana com US Doppler, após a injeção intracavernosa de PGE1. Barry Lee, em 1993, investigando um grupo de 20 pacientes com idade entre 45 e 60 anos sem queixas de DE, realizou US Doppler antes e após a injeção de 10mg de PGE1 (13). Ele observou um aumento de 3 vezes na velocidade sistólica após a injeção de PGE1 com média de 37 cm/seg. e um aumento de 70% no diâmetro arterial. Lee propôs então, como valores de normalidade, VPS acima de 30 cm/seg. e aumento do diâmetro acima de 70% após injeção intracavernosa de PGE1 (13).
     
Em nosso trabalho avaliamos 6 pacientes com insuficiência renal crônica sem queixas de disfunção erétil, com média de idade de 30 anos. A velocidade sistólica das artérias cavernosas nesse grupo aumentou em média de 2 a 3 vezes o valor inicial após a injeção intracavernosa de PGE1 com médias de 57 a 65 cm/seg., enquanto a média de aumento do diâmetro foi de 40 a 60% dos valores iniciais. Nenhum desses pacientes apresentava lesões estenóticas das artérias cavernosas, comprovando os achados da literatura de que podemos utilizar os valores de normalidade da VPS para afastar a possibilidade de doença arterial cavernosa. Não podemos dizer o mesmo quando analisamos os valores dos diâmetros arteriais neste grupo de pacientes sem disfunção erétil. Como mostrou Lee em seu grupo de pacientes, os pacientes considerados normais apresentavam um aumento de 70% no diâmetro arterial após injeção intracavernosa de PGE1 (13). Nos nossos pacientes sem queixas de DE não houve esse aumento do diâmetro embora todos apresentassem VPS acima de 30 cm/seg. e resposta normal à injeção de PGE1.
     
A presença de doença vascular arterial e disfunção caverno veno-oclusiva com fator causal de DE em pacientes com insuficiência renal crônica, foi bem estabelecida por Kaufman, em 1994, onde, através de estudos com fármaco-cavernosometria e fármaco-cavernosografia demonstrou a presença de doença arterial oclusiva em 70% dos pacientes e disfunção veno-oclusiva em 90% desses pacientes (13).
     
No presente estudo, avaliando-se a VPS após a injeção intracavernosa de PGE1, notamos que 79% dos pacientes com insuficiência renal crônica e queixas de disfunção erétil, apresentavam valores normais, velocidade acima de 30 cm/seg., com média de 45 a 55 cm/seg. na VPS. Todos esses pacientes tiveram respostas clínicas normais a injeção intracavernosa de PGE1. No entanto, o aumento do diâmetro arterial foi inferior a 70% ficando em média de 30 a 40%, o que por esse parâmetro configurava a presença de doença vascular arterial nesse grupo de pacientes.
     
A presença da VPS normal em 79% dos pacientes com queixas de DE sem aumento concomitante do diâmetro arterial, deve-se provavelmente ao fato da verificação daquele parâmetro ter sido realizada, nos pacientes com estenose arterial cavernosa, na área anterior a estenose. Isto talvez constitua uma falha na nossa técnica de avaliação da VPS nos pacientes com estenose arterial cavernosa. Provavelmente, se tivéssemos realizado a medida da VPS antes e após as áreas de estenose em todos os pacientes, teríamos encontrado resultados diferentes para este parâmetro com uma diminuição no número de pacientes que apresentaram VPS normal após a injeção intracavernosa de PGE1.
     
A utilização dos valores da velocidade diastólica final como parâmetro para medir a presença de disfunção veno-oclusiva nos pacientes com disfunção erétil, foi inicialmente proposto por Schwartz (14). Pacientes com velocidade diastólica final de 0 ou negativa conseguiram gerar pressões intracavernosas semelhantes à pressão diastólica sangüínea 60 a 80 cm Hg ativando, com isso, o mecanismo veno-oclusivo e impedido a fuga venosa.
     
Em trabalho posterior realizado por Chiou, em 1998, este autor observou 12 pacientes com velocidade diastólica final de 0 ou negativa que apresentavam somente tumescência sem rigidez, não podendo neste grupo a função veno-oclusiva ser relacionada com a VDF (15). Chiou propôs então que a função veno-oclusiva fosse avaliada em função da velocidade de pico sistólico e resposta clínica à injeção intracavernosa de drogas vasoativas, sendo considerados normais os pacientes que apresentassem VPS > 30 cm/seg. e rigidez, após a injeção intracavernosa de drogas vasoativas (15).
     
No presente trabalho, a média de VDF variou de 10 a 12 cm/seg. Oitenta e três por cento dos pacientes com queixas de DE responderam adequadamente a injeção de PGE1. Todos esses pacientes apresentaram VPS acima de 30 cm/seg. com média de 45 a 55 cm/seg. A média de VDF nos pacientes com VPS normal e resposta clínica adequada a injeção de PGE1 foi de 12 cm/seg. Não podemos desta maneira correlacionar os achados de VDF com disfunção veno-oclusiva nesses pacientes. Provavelmente, se tivéssemos realizado a medida das VDF em tempos superiores a 3 minutos e seqüencialmente, como realizado por Shwartz, teríamos reproduzido resultados semelhantes (14).
     
Encontramos 4 pacientes que apresentaram VPS média de 40 cm/seg. após a injeção intracavernosa de PGE1 e não apresentavam resposta clínica adequada a injeção de PGE1. Esse grupo de pacientes, segundo o trabalho de Chiou, seria considerado como portador de disfunção veno-oclusiva.
     
A utilização do US Doppler colorido possibilita, também, a avaliação da anatomia arterial cavernosa peniana. Em trabalho publicado em 1999, Chiou estudando a anatomia arterial de 42 pacientes demonstrou ser possível a identificação de artérias cavernosas com estenose, artérias duplas, ramificações precoces, sendo o achado de artéria única o mais comum em 37 dos 80 corpos cavernosos avaliados (16). Nossas observações mostraram a presença de estenose arterial, o achado anatômico mais comum em 11 pacientes dos 24 avaliados. Outros achados foram bifurcação arterial precoce, ramos arteriais múltiplos e artéria cavernosa dupla. Essas modificações anatômicas interferem com a avaliação dos parâmetros hemodinâmicos (13,16). Em nossos pacientes, houve 2 casos em que a medida de VPS antes da área estenótica mostrou valores de 120 a 150 cm/seg. com esses valores caindo para menos de 20 cm/seg. quando medidos após a área de estenose. A presença de estenose arterial em quase 50% dos pacientes com queixas de disfunção erétil, confirma a importância da doença vascular peniana arterial como um fator importante na gênese da DE nesse grupo de pacientes.
     
Em estudo de metanálise realizado por Porst, em 1996, em pacientes com disfunção erétil das mais variadas etiologias, a taxa de resposta considerada adequada foi superior a 70%, sendo que o risco de priapismo era consideravelmente menor quando comparada à utilização de papaverina (0,35%;6%), bem como a incidência de complicação fibróticas locais (17).
     
No presente trabalho, a resposta foi de 83%. Apenas 2 pacientes, sem queixas de disfunção erétil, apresentaram ereção de duração prolongada (4 horas). Não observamos queixas de dor nem de hematoma no local da injeção nos pacientes estudados.

CONCLUSÕES

     Não conseguimos confirmar o diagnóstico de insuficiência arterial peniana no grupo de pacientes com DE através da análise da velocidade de pico sistólica.
     
Nos pacientes sem queixas de DE a VPS mostrou ser um parâmetro confiável para avaliar a presença ou ausência de doença arterial cavernosa.
     
Não conseguimos identificar a disfunção veno-oclusiva, pela análise da velocidade diastólica final, como um fator de risco importante na etiologia da disfunção erétil neste pequeno grupo de pacientes.
     
Em ambos os grupos de pacientes a análise do diâmetro arterial não mostrou ser o parâmetro ideal para avaliar a presença de doença arterial cavernosa.
     
A análise da VPS e da resposta clínica a injeção intracavernosa de PGE1 pode sugerir a presença de disfunção caverno veno-oclusiva.
     
O estudo anatômico da árvore arterial cavernosa através do US Doppler mostrou presença de doença arterial em cerca de 50% destes pacientes.
     
A resposta clínica a PGE1 mostrou-se adequado em mais de 80% dos pacientes, semelhante aos achados na literatura para grupos com disfunção erétil de etiologias diversas.

REFERÊNCIAS

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Received: April 28, 2000
Accepted after revision: July 19, 2000


RESUMO

DISFUNÇÃO ERÉTIL EM PACIENTES COM INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA:
INJEÇÃO INTRACAVERNOSA DE PROSTAGLANDINA E1 AVALIADA COM
ULTRA-SONOGRAFIA DOPPLER COLORIDA

     Para avaliar os parâmetros hemodinâmicos da disfunção erétil em pacientes com insuficiência renal crônica e a resposta desses pacientes À injeção intracavernosa de PGE1, foi realizado um estudo com 30 pacientes com insuficiência renal crônica, 24 deles com queixas de disfunção erétil e 6 sem queixas de disfunção erétil. O questionário do International Index of Erectile Function (I.I.E.F.) foi aplicado em todos eles. Antes e após injeção intracavernosa de PGE1 os pacientes foram submetidos a avaliação com US Doppler colorido e os seguintes parâmetros avaliados: velocidade de pico sistólica (VPS), diâmetro arterial, velocidade diastólica final (VDF) e anatomia arterial cavernosa.
     
A média das VPS nos pacientes sem disfunção erétil variou de 57 a 65 cm/seg. Nos pacientes com disfunção erétil as velocidades aumentaram no máximo de 2 vezes o valor inicial com médias de 45 a 55 cm/seg. A média do aumento do diâmetro arterial pós-injeção intracavernosa de PGE1 foi de 47 a 67% nos pacientes sem disfunção erétil e 37 a 41% nos pacientes com disfunção erétil. A média de VDF foi de 12 cm/seg. nos 2 grupos. O estudo da anatomia arterial cavernosa mostrou variações da mesma que interferiram na avaliação dos parâmetros hemodinâmicos. Oitenta e três por cento dos pacientes com disfunção erétil responderam adequadamente a injeção intracavernosa de PGE1. Apenas 2 pacientes apresentaram ereção de duração prolongada. Não verificamos formação de hematomas nos locais de injeção em nenhum dos pacientes estudados.
     
A utilização da ultra-sonografia com Doppler na avaliação do fator vascular como causa de disfunção erétil nos pacientes com insuficiência renal crônica, apresentou resultados compatíveis com outros grupos já estudados na literatura. A resposta clínica a injeção intracavernosa de prostaglandina apresentou excelentes resultados com incidência desprezível de efeitos colaterais.

Unitermos: disfunção erétil, insuficiência renal crônica, color Doppler ultra-som, prostaglandina E1 (PGE1)
Braz J Urol, 26: 390-398, 2000

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João Batista Gadelha de Cerqueira
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