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CONGENITAL
URETERAL DIVERTICULUM
MARCOS F. H. ROCHA,
J. MARCONI TAVARES, GERALDO E. PINHEIRO
Section of
Urology, Fortaleza General Hospital, Fortaleza, Ceará, Brazil
ABSTRACT
Ureteral
diverticulum is a rare anomaly. We report a case of congenital ureteral
diverticulum diagnosed after iatrogenic lesion.
A 38 years-old woman was seen at the urological
clinic with a urinary fistula to the vagina. The patient had been submitted
to hysterectomy eight months before. Intravenous pyelogram showed a diverticulum
at the left distal ureter and a urinary fistula of diverticulum to the
vagina. The patient underwent surgical exploration with excision of distal
ureter followed by a neoureterocistostomy. The anatomopathological examination
showed true congenital diverticulum containing all tissue layers of normal
ureter.
Key words:
ureter, abnormalities, diverticulum
Braz J Urol, 26: 403-405, 2000
INTRODUÇÃO
O
divertículo ureteral é uma anormalidade pouco comum. Foi
descrito pela primeira vez por Herbert, em 1904. Pode ser congênito
ou adquirido (após cirurgia ou trauma) e único ou múltiplo
(1). O divertículo bilateral também foi descrito (2). Divertículos
congênitos são raros e foram relatados no ureter distal,
médio e na junção ureteropiélica. Relatamos
um caso de uma paciente com divertículo ureteral congênito
diagnosticado após lesão iatrogênica.
RELATO DO CASO
A
paciente M.A.V, feminina, 38 anos foi encaminhada ao Serviço de
Urologia com queixa de perda involuntária e constante de urina
pela vagina. Na história patológica pregressa referia histerectomia
há 8 meses por miomatose uterina. Foi submetida a uretrocistoscopia
que não demonstrou alterações. Realizou urografia
excretora que evidenciou divertículo em ureter esquerdo distal
e fístula divertículo-vaginal (Figura-1). À exploração
cirúrgica, constatou-se divertículo em terço inferior
do ureter esquerdo e fístula divertículo-vaginal. Foi realizada
ressecção do divertículo (Figura-2) e do segmento
distal do ureter com reimplante extravesical do ureter.
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Figura
1 - Urografia excretora demonstrando divertículo ureteral em ureter
terminal esquerdo.
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Figura
2 - Peça cirúrgica de uma porção ressecada do ureter (com cateter
em seu interior) e do divertículo ureteral. O exame histopatológico
demonstrou tratar-se de divertículo congênito verdadeiro, por
conter todas as camadas do ureter.
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O
estudo histopatológico revelou divertículo ureteral congênito
verdadeiro.
DISCUSSÃO
Embriologicamente,
anomalias ureterais congênitas são o resultado do desenvolvimento
irregular do broto ureteral, antes que ele alcance o tecido metanéfrico.
Os divertículos congênitos originam-se de uma divisão
prematura do broto ureteral com parada no desenvolvimento do membro acessório,
que desta forma não alcança o tecido metanéfrico
(3). Histologicamente, todas as camadas da parede ureteral devem estar
presentes para que um divertículo seja classificado como congênito.
Culp,
em 1947, classificou os divertículos ureterais em congênitos
e adquiridos (2). A primeira descrição dos divertículos
múltiplos deve-se a Holly, em 1957 (1). Gray & Skandalakis
(3) classificaram os divertículos de ureter em 3 categorias: 1)-
duplicação ureteral abortiva (ureter em fundo cego); 2)-
divertículo congênito verdadeiro contendo todas as camadas
do ureter normal; 3)- divertículo adquirido, representando herniações
da mucosa. Controvérsias existem na literatura entre a distinção
de divertículos e duplicação em fundo cego, pois
teriam a mesma origem embriológica e a mesma constituição
histológica.
Os
divertículos são habitualmente assintomáticos e freqüentemente
são diagnosticados por estudos radiológicos realizados por
outros motivos. Porém, podem apresentar-se relacionados a infecção,
hematúria, dor abdominal, obstrução urinária
e hidronefrose.
No
caso relatado, a paciente apresentou-se com uma fístula urinária
para a vagina após realização de histerectomia. Durante
a propedêutica de investigação diagnosticou-se divertículo
ureteral. Inicialmente, consideramos este divertículo ureteral
como adquirido, relacionado a iatrogenia durante a histerectomia. Após
a ressecção cirúrgica, o exame histopatológico
evidenciou divertículo congênito verdadeiro pelo fato de
conter todas as camadas do ureter, inclusive o epitélio de células
transicionais.
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Dr. Dalgimar Bezerra de Menezes realizou
o estudo histopatológico
REFERÊNCIAS
- Holly
LE, Sumcad B: Diverticular ureteral changes; a report of 4 cases. Amer
J Roetgen, 78: 1053, 1957.
- Culp OS:
Ureteral diverticulum: classification of literature and report of an
authentic case. J Urol, 58: 309, 1947.
- Gray SW,
Skandalakis (eds.): Embriology for Surgeons. Philadelphia, WB Saunders,
1972.
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Received: June 16, 2000
Accepted after revision: August 10, 2000
COMENTÁRIO EDITORIAL
O
trabalho se propõe a relatar um caso de divertículo ureteral
congênito descoberto acidentalmente em função de uma
fístula uretero-vaginal pós histerectomia que coincidia
com o sítio diverticular.
Estima-se
que 35 a 40% de todas as malformações que ocorrem no ser
humano sejam relacionadas ao trato urogenital, e que aproximadamente 10%
de todos os indivíduos nasçam com alguma variação
anatômica ou anomalia urogenital (1).
Assim,
como outras anormalidades congênitas do trato urinário (duplicidade
pieloureteral completa ou incompleta, rim ectópico, rim em ferradura,
etc.), o divertículo ureteral pode passar despercebido ao longo
da vida, sem que motivos ocorram para que seu diagnóstico seja
feito (2).
O
relato em questão é um desses exemplos. Serve de alerta
para que se tenha em mente que alterações anatômicas
do trato urinário não são infreqüentes, embora
muitas vezes assintomáticas. Por sua vez, podem predispor patologias
secundárias em seu sítio, caso haja algum fator desencadeante,
quer seja intrínseco (por exemplo, infecção), quer
seja extrínseco (por exemplo, cirurgia, trauma).
Como
diagnóstico diferencial, tem-se o pseudo-divertículo de
ureter, entidade igualmente rara, que se apresenta na urografia excretora
ou pielografia ascendente como discretas saculações ou saliências
externas ao eixo ureteral, não contendo todas as camadas de sua
parede. O pseudo-divertículo ureteral poderá estar associado
em até 46% dos casos com neoplasia uroepitelial (3).
Referências
- Witten
DM, Myers Jr. GH, Utz DC: Anomalies of the Genitourinary Tract. In:
Emmetts Clinical Urography. Philadelphia, WB Saunders, pp. 565-584,
1977.
- Costa
HV, Rodrigues FA, Teixeira Jr. OD: Divertículo ureteral: descrição
de um caso. J Bras Urol, 8: 161, 1982.
- Wasserman
NF, Zhang G, Posalakuy IP, Reddy PK: Ureteral pseudodiverticula: frequent
association with uroepithelial malignancy. AJR Am J Roentgenol, 157:
69-72, 1991.
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Helio Begliomini
São Paulo, SP
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