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ANDROLOGY
Tamoxifen
versus placebo in the treatment of Peyronies disease
Teloken C, Rhoden EL, Grazziottin TM, Ros CT, Sogari R, Souto CAV
J Urol, 162: 2003-2005, 1999
Tamoxifen
versus placebo no tratamento da doença de Peyronie
- Objetivos:
Avaliar a eficácia do tratamento da doença de Peyronie
com o tamoxifen via oral e placebo.
- Métodos:
Foram selecionados 25 pacientes com doença de Peyronie sem calcificação
da placa. Todos os pacientes foram submetidos a história e exame
físico, raio X e ultrassom do pênis, e ereção
induzida com prostaglandina E1. Foram divididos em dois grupos: Grupo
1- aqueles que receberam tamoxifen, 20 mg, duas vezes ao dia por três
meses e grupo 2- os que receberam placebo pelo mesmo período.
Quatro meses após, os pacientes foram submetidos a mesma avaliação
inicial e foram comparados estatisticamente.
- Resultados:
A dor melhorou em 66,6 e 75% dos pacientes tratados com tamoxifen e
placebo, respectivamente (p>0,05). Com relação a deformidade
peniana houve melhora em 46,1 e 41,7% nos grupos 1 e 2, respectivamente
(p>0,05). A diminuição da placa foi notada em 30,7
e 25% nos grupos 1 e 2. Medidas objetivas não revelaram nenhuma
diferença na área da placa ou no angulo da curvatura.
- Conclusões:
Não
houve diferença estatisticamente significante da dor, tamanho
da placa e curvatura do pênis entre os pacientes tratados com
tamoxifen e placebo.
- Comentário
Editorial
O tratamento clínico da doença de Peyronie ainda é,
nos dias de hoje, pobre nos seus resultados. Muitos agentes já
foram testados e os índices de sucesso na resolução
da dor e da curvatura peniana deixam a desejar. A fisiopatologia da
doença ainda é desconhecida, uma das teorias seria a produção
aumentada de TGF Beta, fator que aumentaria a produção
de colágeno e consequentemente diminuíria a elasticidade
da tunica albuginea. O tamoxifen teoricamente agiria exatamente neste
fator e assim sendo o paciente teria uma melhora do seu quadro clínico.
Neste trabalho duplo- cego não houve diferença estatisticamente
significativa entre tamoxifen e placebo. Alguns autores como Ralph et
al obtiveram melhora da dor e da curvatura em respectivamente, 80 e
35% dos pacientes tratados com o tamoxifen, no entanto este trabalho
perde um pouco do seu valor não sendo comparativo duplo-cego.
Para nós, o tratamento clínico da doença de Peyronie
ainda é um desafio, com resultados pouco convincentes. O tratamento
clínico seria uma forma de aliviar a ansiedade do doente e aguardar
a estabilização do processo inflamatório para que
no futuro este paciente seja submetido a um procedimento cirúrgico
para correção da sua deformidade peniana.
- Referência:
1. Ralph DJ, Brooks GF, Bottazzo, GF, Pryor JP: The treatment
of Peyronies disease with tamoxifen. Brit J Urol, 70: 648, 1992.
Treatment of intracorporeal injection nonresponse with sindenafil alone
or in combination with triple agent intracorporeal injection therapy.
McMahon CG, Samali R, Johnson H
J Urol, 162: 1992-1998, 1999
Tratamento
de pacientes que não responderam a injeção intracavernosa
de drogas vasoativas com o sildenafil isoladamente ou em associação
com trimix
- Objetivos:
Avaliou-se a eficácia do sildenafil isoladamente ou em associação
ao trimix para aqueles pacientes que não respondiam a injeção
intracavernosa de drogas vasoativas.
- Métodos:
Noventa e três pacientes com média de idade de 53,6 anos
(24-77anos) com quadro de disfunção erétil foram
investigados. Todos não responderam com ereção
quando foram submetidos a testes em casa com altas doses de alprostadil
e trimix. Os pacientes foram tratados com sildenafil isoladamente ou
em combinação com injeção intracavernosa.
- Resultados:
A etiologia da disfunção erétil era arteriogênica
em 29 pacientes, disfunção veno oclusiva em 36, vasculogênica
mista em 24, psicogênica em 3 e fibrose cavernosa pós priapismo
em um. Dos 32 respondedores ao sildenafil (34% do grupo estudado), 30
precisaram de 100 mg e 2 de 50 mg. Dos 29 que responderam a associação
do sildenafil e trimix (terapia combinada) (31% do grupo estudado),
todos precisaram de 100 mg de sildenafil. Houveram 32 pacientes que
não responderam a nenhum tratamento (34% do grupo estudado).
Dos pacientes tratados com sildenafil, 34 (37%) apresentaram efeitos
colaterais, cefaléia em 30, flushing facial em 25,
dispepsia em 12, congestão nasal em 9, tontura em 5 e disturbio
visual em 1. Dos 41 pacientes que responderam a terapia combinada,
20 (49%) apresentaram efeitos colaterais, sendo 15 com dor peniana,
cefaléia em 15, flushing facial em 12, dispepsia
em 7, congestão nasal em 3, tontura em 12 e sincope em 1.
- Conclusão:
O sildenafil isoladamente ou em associação ao trimix é
uma terapia de salvamento efetiva para aqueles pacientes que falharam
na aquisição de ereção quando em uso de
drogas vasoativas intracavernosas. O sildenafil em combinação
com drogas intracavernosas esta associado a uma incidência de
33% de efeitos colaterais, incluindo 20% de incidência de tontura.
- Comentário
Editorial
Sem dúvida nenhuma o advento do sildenafil veio modificar de
maneira significativa o tratamento da disfunção erétil.
Hoje, a terapia de primeira escolha para o tratamento da impotência
são as drogas administradas por via oral, devido a sua facilidade
de uso, comodidade e incidência de efeitos colaterais dentro de
níveis aceitáveis em frequência e severidade. O
trabalho acima referido analisa o curso inverso do tratamento para esta
afecção, ou seja, parte-se do tratamento mais invasivo
para o menos invasivo. De uma maneira geral, primeiro prescrevemos as
drogas por via oral, se o paciente não responde ao medicamento
optamos para métodos mais invasivos como é o caso da farmacoterapia
intracavernosa e no trabalho em questão parte se da terapia intracavernosa
para as drogas via oral. De qualquer forma, este estudo vem demostrar
a eficácia terapêutica do sildenafil isoladamente ou em
associação com a terapia intracavernosa, resgatando 65%
dos pacientes que não respondiam a injeção intracavernosa
de drogas vasoativas em altas doses. No entanto, verificamos uma incidência
considerável de tontura quando da associação do
sildenafil a terapia intracavernosa, indicando, clinicamente, uma queda
importante da pressão arterial. Como os fatores de risco para
disfunção erétil geralmente são os mesmos
para as doenças cardiovasculares, devemos ter muita cautela na
associação do sildenafil a terapia intracavernosa,
podemos estar tratando um paciente que não suporta quedas significativas
da pressão arterial, com riscos para acidentes vasculares cerebrais
ou coronarianos. Portanto, estudos controlados deverão ser realizados
para se avaliar a segurança da associação sildenafil
e farmacoterapia intracavernosa e o perfil do paciente a ser submetido
a este tipo de tratamento.
Adriano Fregonesi
IMAGING
Acute
ureterolithiasis: nonenhanced helical CT findings of perinephric edema
for prediction of degree of ureteral obstruction.
Boridy IC, Kawashima A, Goldman SM
Radiology, 213: 663-667,1999
Ureterolitíase
aguda: valor do edema perinéfrico na TC espiral sem contraste para
estimar o grau de obstrução ureteral.
- Ureterolitíase
aguda : valor do edema perinéfrico na TC espiral sem contraste
para estimar o grau de obstrução ureteral.
- Objetivo
: Determinar
se a extensão do edema perinéfrico na TC espiral, sem
contraste, pode ser usada para predizer o grau de obstrução
ureteral em pacientes com ureterolitíase aguda.
- Métodos
: As imagens de TC espiral sem contraste e de urografia excretora
de 82 pacientes com dor lombar foram revistas comparando-se o grau de
obstrução ureteral na urografia com a extensão
do edema perinéfrico nas imagens de TC.
- Resultados
:
Nenhum dos 29 pacientes com urografia normal apresentava edema perinéfrico
na TC. A extensão do edema permitiu estimar corretamente o grau
de obstrução ureteral em 44 ( 94%) dos 47 pacientes com
ureterolitíase aguda.
- Conclusão
:
A extensão do edema perinéfrico nas imagens de TC espiral
sem contraste pode ser usada para estimar o grau de obstrução
na ureterolitíasae aguda.
- Comentário
Editorial
Já está bem demonstrado que a TC espiral sem contraste
endovenoso é superior à urografia excretora para demonstrar
cálculo ureteral, inclusive o não radiopaco, além
de poder demonstrar causas extra-urinárias da obstrução
ureteral ou outras condições patológicas pélvicas
e abdominais. Este artigo vem de encontro às preocupações
de muitos clínicos e urologistas para quem a TC sem contraste
não fornece informações sobre a função
renal e o grau de obstrução ureteral, que podem ser obtidas
pela urografia excretora. Os resultados mostraram que a gravidade da
obstrução poderá ser inferida com acurácia
de 94%, observando-se a intensidade dos sinais de edema perinéfrico
nas imagens da TC espiral. Estes sinais são estriações,
espessamento da fáscia e coleção perirrenal. O
artigo reforça a tendência, nos Estados Unidos, de substituição
da urografia excretora pela TC sem contraste, para situações
de dor lombar e suspeita de ureterolitíase. Ao leitor sugerimos
ainda o editorial Epitáfio da urografia excretora
no mesmo número do periódico, onde se refere que em futuro
próximo, a urografia excretora será substituida pela TC
espiral sem contraste para avaliar cálculos e com contraste,
para hematúria e outras condições geniturinárias
( 1 ).
- Referência
:
1. Amis Jr ES Epitaph for the urogram. Radiology 213 : 639-640,
1999.
Delayed
CT to evaluate renal masses incidentally discovered at contrast-enhanced
CT: demonstration of vascularity with deenhancement.
Macari M, Bosniak MA
Radiology, 213: 674-680,1999
TC retardada
para avaliar massas renais descobertas incidentalmente em TC com contraste:
demonstração da vascularização através
da diminuição do realce.
TC
retardada para avaliar massas renais descobertas incidentalmente em TC
com contraste: demonstração da vascularização
através da diminuição do realce.
- Objetivo:
Determinar se a TC retardada pode auxiliar no diagnóstico da
vascularização em uma neoplasia e diferenciá-la
de uma cisto hiperdenso, quando uma massa renal de maior atenuação
é descoberta durante uma TC com contraste.
- Métodos:
26 massas renais hiperatenuantes (mais de 30 UH), bem definidas, encontradas
incidentalmente na TC com contraste de 25 pacientes, foram em seguida
avaliadas com imagens retardadas com os mesmos parâmetros, no
mínimo 15 minutos após (média de 38 minutos), efetuando-se
medidas controladas das densidades das regiões de interesse.
A correlação entre os achados da cirurgia e os exames
de imagem adicionais foi utilizada para a confirmação
do diagnóstico.
- Resultados:
Nove massas não demonstraram alteração na atenuação
entre a TC pós-contraste inicial e a TC retardada, indicando
que representavam lesão avascular, compatível com cisto
hiperdenso. Dezessete massas demonstraram diminuição da
atenuação (mais de 15 UH) na TC retardada comparado com
a inicial, indicando vascularização e todas confirmaram
neoplasia.
- Conclusão:
Massas renais hiperatenuantes (mais de 30 UH), descobertas incidentalmente
após TC com contraste, podem ser diferenciadas de cisto hiperdenso
se em TC retardada demonstrarem diminuição do realce,
comprovando sua vascularização e portanto, a natureza
neoplásica.
- Comentário
editorial
Esta técnica é particularmente útil para as situações
de lesão incidental porque a caracterização pode
ser obtida na mesma seqüência do exame, muitas vezes não
tendo a imagem prévia sem contraste, o que vai significar redução
de custos , tempo e evitar outros exames. Acrescente-se o fato que a
ultra-sonografia, que seria uma alternativa, algumas vezes não
oferece uma solução definitiva. A técnica denominada
de washout é também empregada para caracterizar
hemangioma hepático, colangiocarcinoma e adenoma de adrenal.
Entretanto, é preciso enfatizar as limitações do
método, e a primeira delas é estarmos seguros que o exame
inicial foi realizado com volume e concentração adequados
de contraste. Também importante é obter os cortes tomográficos
no pico máximo de opacificação para que a diminuição
do realce ao longo do tempo seja melhor detectável. Portanto,
mesmo sendo um método confiável, seu emprego depende do
controle eficiente sobre as técnicas de exame e da avaliação
através de radiologista bem familiarizado com as limitações
e potenciais falhas.
Nelson M. G. Caserta
UROLOGICAL
NEUROLOGY
Causes
of nocturnal urinary frequency and reasons for its increase with age
in healthy older men
Kawauchi A, Tanaka Y, Soh J, Ukimura O, Kojima M, Miki T.
J Urol, 163: 81-84, 2000.
Causas
da freqüência urinária noturna e razões para
o seu aumento com a idade
em homens saudáveis
- Objetivos:
investigar as causas de noctúria e as razões do seu aumento
com a idade.
- Métodos:
em uma campanha de próstata no Japão, 188 homens sem doença
prostática realizaram diário miccional pelo espaço
de 3 dias. A freqüência urinária noturna foi definida
como o número de micções durante o sono, excluindo
a primeira micção da manhã. Foram estudadas as
relações entre a freqüência urinária
noturna e a capacidade vesical funcional, capacidade vesical noturna,
volume urinário noturno e tempo de sono. Além disso, analisaram-se
as alterações que a bexiga sofre com o envelhecimento,
representadas pela capacidade vesical funcional e noturna como também
do volume urinário diurno e noturno.
- Resultados:
a análise estatística demonstrou que a capacidade vesical
noturna e o volume urinário são os determinantes da freqüência
noturna, porém, de maneira independente. Em relação
ao envelhecimento, a análise mostrou que a capacidade vesical
noturna e o volume urinário diurno diminuíram, enquanto
o volume urinário noturno ficou inalterado.
- Conclusões:
volume urinário noturno e capacidade vesical noturna são
os determinantes da freqüência urinária noturna em
homens idosos e saudáveis. O aumento da freqüência
urinária noturna com o envelhecimento seria devido à redução
da capacidade vesical noturna, enquanto o volume urinário noturno
não se modifica. Em homens idosos, a diminuição
da ingestão de água pode influenciar as mudanças
no volume urinário, relacionadas ao envelhecimento.
- Comentário
Editorial
Ultimamente, este assunto vem despertando o interesse dos urologistas,
pois, freqüentemente os pacientes vêm ao consultório
com queixa de noctúria, isto é, acordar à noite
para urinar. Este trabalho mostra que existe uma redução
da capacidade vesical noturna com a idade, sem o aumento da produção
de urina no período noturno. Este fato que, juntamente com outras
doenças como diabetes mellitus e insipidus, doenças cardiovasculares,
ansiedade, distúrbios do sono, ingestão hídrica
aumentada durante a noite, edema periférico, derrame e também
a hiperplasia prostática benigna podem ser a causa dos sintomas
do paciente. 70% dos homens com mais de 60 anos levantam-se pelo menos
uma vez à noite para urinar, sendo que 25% deles se levantam
2 vezes ou mais(1). Entre as mulheres, os números são
menores, porém, significativos: 62% levantam-se uma vez e 24%
duas vezes ou mais.(1). Novas maneiras de abordar e tratar este problema
vêm sendo mostradas, todas elas baseadas no diário miccional(2).
A partir dele, juntamente com a história minuciosa do paciente,
temos a base para tentar reduzir a noctúria que incomoda nossos
pacientes.
- Referências:
1. Fultz NH and Herzog AR: Epidemiology of urinary symptoms in
the geriatric population. Urol Clin North Am, 23:1, 1996.
2. Weiss JP and Blaivas JG: Nocturia. J Urol, 163: 5-12, 2000.
Longitudinal changes in peak urinary flow rates in a community based
cohort
Roberts RO, Jacobsen SJ, Jacobson DJ, Rhodes T, Girman CJ, Lieber MM.
J Urol, 163: 81, 2000.
Mudanças
a longo prazo no valor do fluxo urinário máximo em homens
de uma comunidade
- Objetivo:
descrever as mudanças que ocorrem, a longo prazo, no fluxo máximo
de homens que vivem em Olmsted, Minnesota.
- Métodos:
2115 homens de 40 anos de idade ou mais foram selecionados ao acaso
na população de Olmsted, Minnesota. O valor do fluxo máximo
e o escore internacional de sintomas prostáticos foram obtidos
em todos os pacientes na visita inicial e depois a cada 2 anos. Em um
subgrupo de 25%, selecionado ao acaso, foi realizada a medida do volume
da próstata através do ultra-som transretal. A taxa anual
de mudança no fluxo máximo foi obtida em 492 homens desse
subgrupo durante seguimento de 6 anos.
- Resultados:
a média da queda do fluxo máximo foi de 2,1% por ano.
Essa queda foi mais rápida nos homens com fluxo máximo
mais baixo na visita inicial, com o aumento da idade, volume da próstata
e severidade dos sintomas (p=0,001). Quando essas variáveis foram
ajustadas simultaneamente, um declínio rápido(4,5% ou
mais por ano) ocorreu em homens com 70 anos ou mais e nos homens com
fluxo máximo menor que 10 ml/s na visita inicial comparativamente
com aqueles entre 40 e 49 anos, e aqueles com fluxo máximo de
15 ml/s ou mais, respectivamente. O volume prostático e o escore
dos sintomas não foram estatisticamente significantes para prever
um rápido declínio no fluxo máximo quando considerados
simultaneamente.
- Conclusões:
apesar da variabilidade das medidas do fluxo máximo, uma redução
constante foi observada no acompanhamento de homens em uma comunidade.
Além disso, essa redução esteve associada com piora
em outros aspectos fisiológicos e anatômicos da função
do trato urinário inferior nesse grupo de homens.
- Comentário
Editorial
O estudo mostra que apesar das críticas feitas à urofluxometria
pela sua variabilidade, ela tem valor no acompanhamento de pacientes
do consultório. Sendo assim, deveria ser realizada na primeira
consulta e, depois, a cada 2 anos. Além disso, o trabalho estabelece
um novo valor para a taxa de queda do fluxo máximo, ou seja,
2% ao ano. Esta redução é mais importante nos homens
com mais de 70 anos, com próstata maior que 30 gramas e com escore
de sintomas prostáticos mais alto.
Maurício
Rodrigues Netto
PATHOLOGY
Identical
clonal origin of synchronous and metachronous low-grade, noninvasive papillary
transitional cell carcinomas of the urinary tract
Li M, Cannizzaro LA
Hum Pathol, 30: 1197-1200, 1999
Origem
clonal idêntica de carcinomas uroteliais não invasivos e
de baixo grau do trato urinário síncronos e metacrônicos
- Objetivos:
Há dois mecanismos, efeito carcinogênico e implante tumoral,
para explicar a multicentricidade e recorrência das neoplasias
uroteliais superficiais. O presente trabalho estuda qual dos dois mecanismos,
mais provavelmente, explica este comportamento biológico das
neoplasias uroteliais.
- Material
e Métodos:
Foram estudados 35 carcinomas de baixo grau (graus 1 ou 2) e não
invasivos (pTa) do trato urinário de 10 pacientes do sexo feminino
síncronos ou metacrônicos. A metodologia utilizada foi
de citogenética analisando-se os padrões de metilação
do gene receptor de andrógenos no cromossomo X.
- Resultados:
Todos
os tumores analisados em diferentes localizações de uma
mesma paciente (pelve, ureter ou bexiga) mostraram monoclonalidade de
acordo com os padrões de metilação observados.
- Conclusões:
Carcinomas uroteliais superficiais do trato urinário síncronos
ou metacrônicos mostraram uma mesma origem clonal de acordo com
a metodologia empregada, apoiando a hipótese de implante para
explicar a multicentricidade e recorrência das neoplasias uroteliais.
- Comentário
Editorial
Este trabalho, utilizando metodologia sofisticada de citogenética,
apoia a teoria que admite como mecanismo mais provável para a
multicentricidade e recorrência dos carcinomas uroteliais superficiais
o implante de células tumorais. Do ponto de vista prático,
o resultado deste trabalho é um alerta para a possibilidade de
propagação de células tumorais ao se manipular
uma neoplasia do trato urinário.
Diagnosis
of prostate cancer in needle biopsies after radiation therapy
Cheng L, Cheville JC, Bostwick DG
Am J Surg Pathol, 23: 1173-1183, 1999
Diagnóstico
do câncer prostático em biópsias de agulha após
radioterapia
- Objetivos:
Estudar as alterações morfológicas que se confundem
com adenocarcinoma em biópsias prostáticas de agulha secundárias
a uso de radioterapia.
- Material
e Métodos:
Foram estudadas as biópsias de agulha de 29 pacientes submetidos
à radioterapia externa para tratamento de câncer prostático.
Todos os pacientes tiveram recorrência da neoplasia tendo sido,
subseqüentemente, submetidos à prostatectomia radical com
linfadenectomia pélvica bilateral.
- Resultados:
Após a radioterapia observam-se alterações morfológicas
que se confundem com o adenocarcinoma. Estas incluem o aumento do volume
nuclear (86%) e nucléolos proeminentes (50%) em glândulas
normais. Assim sendo, o diagnóstico do câncer deve se basear
em outros critérios a saber: caráter infiltrativo, invasão
perineural, cristalóides e/ou secreção basófila
na luz acinar, ausência de corpos amiláceos e coexistência
de neoplasia intraepitelial de alto grau (NIP). Comparativamente à
prostatectomia radical, a graduação histológica
pelo sistema Gleason nas biópsias de agulha, foi subestimada
em 35% e superestimada em 14% dos casos.
- Conclusões:
O diagnóstico do adenocarcinoma da próstata em biópsias
prostáticas de agulha, após radioterapia, não pode
se basear em critérios citológicos (aumento de volume
nuclear e nucleolomegalia).
- Comentário
Editorial
O trabalho chama a atenção para as alterações
morfológicas decorrentes da radioterapia as quais ocorrem tanto
no tecido neoplásico como no normal. Neste último determinam
alterações citológicas que se confundem com o adenocarcinoma.
O anatomopatologista deve estar ciente desses fatos, sob pena de incorrer
em erros de interpretação que confundirão o urologista,
podendo resultar em sérios problemas na conduta terapêutica
do paciente. Nunca é demais enfatizar a necessidade de se fornecer
ao anatomopatologista todos os informes clínicos, de imagem,
laboratoriais e, realçados neste trabalho, a terapêutica
empregada.
Athanase
Billis
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