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ENDOUROLOGY
AND LAPAROSCOPY
Extracorporeal
shock wave lithotripsy versus ureteroscopy for distal ureteral calculi:
a prospective randomized study
Peschel R, Janetschek G, Bartsch G, Segura JW
J Urol, 162: 1909-1912, 1999
Litotripsia
extracorpórea vs. ureteroscopia no tratamento do cálculo
ureteral distal
- Objetivo:
Determinar o melhor tratamento para o cálculo do ureter distal.
- Material
e Métodos:
80 pacientes com cálculo ureteral distal ( 40 < 5 mm. e 40
> 5mm.) foram tratados com litotripsia extracorpórea usando
o Dornier MFL 5000 ou ureteroscopia com o ureteroscópio 9.5 ou
6.5 F e Lithoclast.
- Resultados:
A ureteroscopia foi superior à LEOC em relação
à taxa livre de cálculo (100% vs. 90%).
- Conclusão:
Os autores recomendam que a ureteroscopia seja o tratamento de escolha
nos cálculos do ureter distal.
Prospective
randomized trial comparing shock wave lithotripsy and ureteroscopy for
management of distal ureteral calculi
Pearle MS, Nadler R, Bercowsky E, Chen C, Dunn M, Figenshau SR, Hoenig
DM, McDougall EM, Mutz J, Nakada SY, Shalhav AL, Sundaram C, Wolf JS Jr,
Clayman RV
J Urol, 166: 1255-1260, 2001
Estudo
comparativo entre a litotripsia por ondas de choque e a ureteroscopia
no tratamento do cálculo ureteral distal
- Objetivo:
Comparar a LEOC e a Ureteroscopia no tratamento do cálculo ureteral
distal.
- Material
e Métodos: 64 pacientes com cálculo ureteral distal
medindo no máximo 15 mm foram prospectivamente randomizados entre
dois tipos de tratamento. Destes, 32 foram submetidos à LEOC
usando HM3 e 32 foram tratados com a ureteroscopia, usando como fonte
de energia o Laser. Os parâmetros avaliados foram a taxa livre
de cálculo, o tempo de tratamento, a satisfação
do paciente e o custo.
- Resultados:
A taxa livre de cálculo para os dois procedimentos foi de 100%,
o tempo do procedimento foi significativamente menor para a LEOC. Alta
hospitalar no mesmo dia verificou-se em 94% dos pacientes que realizaram
LEOC e 75% nos pacientes que foram tratados pela ureteroscopia. As complicações
menores ocorreram em 9% na LEOC e 25% na Ureteroscopia, dor no flanco
e disúria foram as mais severas na Ureteroscopia. A satisfação
do paciente foi maior na LEOC (94%) do que na Ureteroscopia (87%), e
o custo da Ureteroscopia foi menor (US$ 1.255 menor que na LEOC).
- Conclusões:
a
Ureteroscopia e a LEOC apresentam alto índice de sucesso e baixa
taxa de complicações. Os autores não verificaram
diferença na taxa livre de cálculo. A LEOC apresenta menor
índice de complicações. O índice de satisfação
foi similar entre os dois tratamentos, porém a LEOC, usando o
litotridor HM3, é preferível, visto que apresenta eficácia
semelhante e menor morbidade em relação à ureteroscopia.
- Comentário
Editorial
Analisamos dois artigos prospectivos e randomizados que tratam cálculos
ureterais distais com as duas modalidades de tratamento e que ainda
suscitam controvérsias. O trabalho de Clayman et al., apesar
de ser prospectivo e randomizado, estuda uma amostra pequena para trazer
conclusões num tema de grande freqüência e tão
controverso. Os autores mostraram que a taxa livre de cálculo
para os 2 procedimentos (LEOC e Ureteroscopia) foi de 100%.
Entretanto, anteriormente, Peschel et al. demonstraram que a Ureteroscopia
foi discretamente mais eficiente que a LEOC no tratamento de cálculos
ureterais distais (100% vs. 90%, respectivamente).
Diante desta diferença observada entre 2 estudos prospectivos
e randomizados, devemos levar em consideração, que talvez,
o fator mais importante é a potência do litotridor usado
na LEOC, visto que o HM3 é sem dúvida mais potente que
o MFL5000 usado no trabalho de Peschel e colaboradores.
Outro ponto a ser analisado é a possibilidade da passagem espontânea
dos cálculos ureterais distais menores que 5mm. Nas normas de
conduta apresentadas em 1997 pela American Urological Association -
AUA (1), de autoria de Segura e colaboradores, baseada na revisão
da literatura, concluíram que até 98% desses cálculos
apresentam eliminação espontânea. No artigo de Clayman
et al. constam alguns pacientes que eliminaram os cálculos espontaneamente
antes do início do estudo.
O AUA Ureteral Stones Clinical Guidelines (1) expressa a idéia
de que cálculos distais maiores de 1cm podem ser tratados pelas
duas modalidades em questão, porém é preferível
utilizar a Ureteroscopia. Diante disso, persiste a dúvida se
podemos considerar que a LEOC, mesmo utilizando o litotridor mais potente
que é o Dornier HM3, pode apresentar o mesmo resultado da Ureteroscopia?
Admitimos, que tanto o trabalho de Peschel quanto o de Clayman devam
ser analisados com bastante rigor, pois estamos diante de um assunto
controverso, e cuja conclusão em definitivo não é
possível ser alcançada com base nos dados atuais da literatura.
Referência
1. Segura JW, Preminger GM, Assimos DG, Dretler SP, Kahn RI, Lingeman
JE, Macaluso JN Jr.: Ureteral stones clinical guidelines panel summary
report on the management of ureteral calculi. J Urol, 158:1915-1921, 1997.
Dr.
Marcelo Travassos
Dr. Nelson Rodrigues Netto Jr
Ureteral stenting after ureteroscopy for distal ureteral calculi: a
multi-institutional prospective randomized controlled study assessing
pain, outcomes and complications
Borboroglu PG, Amling CL, Schenkman NS, Monga M, Ward JF, Piper NY, Bishoff
JT, Kane CJ
J Urol, 166: 1651-1657, 2001
Cateterismo
ureteral depois de ureteroscopia por cálculo ureteral distal: um
estudo multi-institucional prospectivo randomizado verificando dor, conseqüências
e complicações
- Objetivos:
Comparar dor pós-operatória, taxa de pacientes livres
de cálculos e de complicações depois do tratamento
ureteroscópico de cálculos ureterais distais com ou sem
o uso de cateteres duplo-J ureterais.
- Material
e Métodos: Um total de 113 pacientes com cálculos
ureterais distais apropriados para tratamento ureteroscópico
foram prospectivamente randomizados em grupo com duplo-J (53) e grupo
sem duplo-J (60). Os cálculos foram tratados com ureteroscópios
semi-rígidos com ou sem dilatação do meato ureteral
e/ou litotripsia intra-corpórea. Questionário pré
e pós-operatórios sobre a dor foram realizados para cada
paciente. Os pacientes com duplo-J tiveram os mesmos retirados com 3
a 10 dias após a instrumentação. Seguimento radiológico
foi feito no período pós-operatório para definir
se não havia mais cálculos ou se havia evidência
de obstrução.
- Resultados:
Seis pacientes randomizados do grupo sem duplo-J foram retirados
do estudo depois que foi reconhecido ter havido significante trauma
intra-operatório, incluindo 3 perfurações que requereram
colocação de duplo-J, deixando 53 com duplo-J e 54 sem
duplo-J para análise. Pacientes com duplo-J tiveram (com significância
estatística) mais dor no pós-operatório (p = 0.005),
dor vesical (p < 0.001), sintomas urinários (p = 0.002), dor
em geral (p < 0.001) e uso de narcóticos (p < 0.001) comparados
com o grupo sem duplo-J. Dilatação intra-operatória
ou litotripsia intra-corpórea não afetou significativamente
estatisticamente a dor pós-operatória e o uso de narcótico
em cada grupo (p > 0.05 em todos os casos). A média do tamanho
dos cálculos foi de 6.6mm. Houve 4 pacientes (7.4%) sem duplo-J
que requereram readmissão hospitalar pós-operatória
devido a dor lombar. Todos os pacientes (85%) que submeteram-se a estudo
por imagem no pós-operatório não tinham evidência
de obstrução ou estreitamento ureteral (1.8 ± 1.5
meses) e a taxa de pacientes livres de cálculos foi 99.1%.
- Conclusões:
Ureteroscopia não complicada para tratamento de cálculos
ureterais distais com ou sem dilatação ureteral intra-operatória
pode ser seguramente feita sem a colocação de cateter
duplo-J. Pacientes sem duplo-J tiveram significativamente menos dor,
menos sintomas urinários e diminuição do uso de
narcóticos no pós-operatório.
- Comentário
Editorial
Chama a atenção neste artigo o número alto de perfurações
ureterais (3). Por outro lado é um critério subjetivo
dizer o que foi trauma ureteral intra-operatório significante.
Deste modo foram retirados mais três pacientes da amostragem do
grupo, os quais deveriam ficar sem duplo-J, com suas prováveis
complicações.
Apesar das evidências permanece ainda, a meu ver, um critério
subjetivo que avalia o modo como a instrumentação foi
feita, o grau de dificuldade encontrado, o tempo do procedimento, o
tipo de paciente, critério subjetivo este que vai influenciar
na decisão final de se colocar ou não um cateter duplo-J
após uma ureteroscopia.
Dr.
Pedro Paulo Sá Earp
Predicting the success of retrograde stenting for managing of ureteral
obstruction
Yossepowitch O, Lifshitz DA, Dekel Y, Gross M, Keidar DM, Neuman M, Livne
PM, Baniel J.
J Urol, 166: 1746-1749, 2001
Predizendo
o sucesso da passagem do cateter ureteral por via retrógrada na
obstrução ureteral
- Objetivos:
A colocação de um cateter ureteral por via retrógrada
é o procedimento de escolha para aliviar obstrução
ureteral de maneira temporária. Este estudo prospectivo analisa
a eficácia desse procedimento na resolução da obstrução
ureteral e identifica parâmetros clínicos e radiológicos
que podem predizer a falha.
- Material
e Métodos: Foram estudados de maneira prospectiva 92 pacientes
com obstrução ureteral, sendo bilateral em 8. Em todos
os casos foi tentada a passagem de cateter ureteral, por via retrógrada,
pelo urologista de plantão. Quando não foi possível,
foi realizada nefrostomia percutânea. Os pacientes foram acompanhados
em intervalos de 3 semanas durante 3 meses. O mau funcionamento do cateter
ureteral foi definido como dor lombar persistente, cólica renal
aguda, pielonefrite, hidronefrose persistente ou aumento da creatinina.
Foram comparados os casos de obstrução intrínseca
e extrínseca. Análises estatísticas foram realizadas
para identificar as causas da falha na passagem do cateter por via retrógrada
e seu funcionamento.
- Resultados:
A obstrução era intrínseca em 61% dos pacientes
e extrínseca em 39%. A obstrução extrínseca
estava relacionada com maior grau de hidronefrose e era mais distal.
O sucesso na passagem do cateter por via retrógrada foi de 94%
para obstrução intrínseca e 73% para obstrução
extrínseca. No seguimento de 3 meses o funcionamento do cateter
se manteve em todos os pacientes com obstrução intrínseca
e em 56.4% nos com obstrução extrínseca. Na análise
estatística os tipos de obstrução, nível
da obstrução e grau de hidronefrose foram os únicos
parâmetros para predizer o funcionamento do cateter ureteral após
3 meses.
- Conclusões:
a colocação de cateter ureteral, por via retrógrada,
é uma boa solução para a maioria dos casos de obstrução
ureteral aguda. Pacientes com obstrução extrínseca,
mais distal e com maior grau de hidronefrose estão associados
com maior possibilidade de falha na passagem do cateter. A melhor alternativa
para esses pacientes seria a drenagem percutânea.
- Comentário
Editorial
O estudo mostra que a colocação do stent duplo-J em pacientes
com obstrução extrínseca não seria a primeira
alternativa de tratamento pela grande incidência de falha. Em
nosso meio temos muitos casos de obstrução ureteral distal
por câncer do colo uterino, sem tratamento e mesmo após
radioterapia. Essas pacientes geralmente se apresentam em anúria,
com altos níveis de uréia e creatinina e hidronefrose
importante ao ultra-som. A tentativa de colocação do duplo-J
só aumenta o tempo cirúrgico e o custo, com uma baixa
porcentagem de sucesso. Devemos realizar a nefrostomia percutânea
para resolução da obstrução ureteral extrínseca
de causa ginecológica.
Dr.
Maurício Rodrigues Netto
Thoracoscopy-assisted high intercostal percutaneous renal access
Finelli A, Honey RJDA
J Endourol, 15: 581-585, 2001
Acesso
renal percutâneo intercostal alto assistido por toracoscopia
- Objetivo:
Descrever uma técnica para acessar com segurança um cálice
polar superior por meio de punção no 9o ou 10o espaço
intercostal.
- Material
e Métodos:
O acesso intercostal pelo 9o ou 10o espaço intercostal foi usado
para realizar nefrolititotomia percutânea (NPC) em 9 pacientes.
Toracoscopia pelo 5o ou 6o espaço intercostal foi utilizada para
assegurar a passagem segura da agulha de nefrostomia.
- Resultados:
O acesso foi obtido em todos os pacientes, sem qualquer lesão
visceral. Sete pacientes ficaram livres de cálculos após
a NPC; os primeiros dois necessitaram de terapia em sanduíche
(NPC, LECO e depois NPC de revisão) para ficar sem cálculos.
Drenos torácicos foram inseridos de rotina nos primeiros 8 casos,
que foram retirados no 3o P.O. e não afetaram o período
de hospitalização.
- Conclusões:
O acesso pelo 9o ou 10o espaço intercostal é ocasionalmente
necessário e é ideal em determinadas circunstâncias.
O acesso renal percutâneo assistido por toracoscopia proporciona
visão direta, de modo a prevenir lesões pulmonares.
- Comentário
Editorial
A indicação de acesso percutâneo supracostal na
era da ureteroscopia flexível é incomum, mas ainda necessária
em determinados casos. Existe o risco de ocorrerem lesões pulmonares,
particularmente nas punções acima do 11o espaço
intercostal, que podem promover complicações intra ou
pós-operatórias importantes, como hemotórax e pneumotórax.
Estes autores canadenses fizeram o acesso sob visão direta, por
meio do toracoscópio flexível inserido no 5o ou 6o espaço
intercostal, em 7 pacientes com litíase coraliforme e em 2 com
cálculo em divertículo calicinal superior. Os 2 primeiros
casos foram tratados com NPC seguida de LECO e, depois, revisão
da NPC, mas todos os 9 ficaram livres de cálculos e não
apresentaram complicações. Nos 8 primeiros casos o dreno
de tórax pareceu aos autores ter sido desnecessário, dada
a drenagem praticamente nula, assim no 9o caso o dreno não foi
utilizado, sem problemas. Este é o segundo relato de acesso ao
retroperitônio por via transpleural mediada por videotoracoscopia.
O primeiro foi o de Gill et al., dos Estados Unidos, que descreveram
o acesso transdiafragmático para a adrenalectomia laparoscópica,
com sucesso (1). A alternativa técnica de acessar o retroperitônio
alto por via transtorácica está estabelecida e poderá
ser eventualmente utilizada com segurança em casos urológicos
selecionados.
Referência
1. Gill IS, et al: Thoracoscopic transdiaphragmatic adrenalectomy: the
initial experience. J Urol, 165: 1875, 2001.
Dr.
Lísias Nogueira Castilho
Laparoscopic radical nephrectomy: overcoming the main problems
Jeschke K, Wakonig J, Winzely M, Henning K
BJU Internaional, 85: 163-165, 2000
Nefrectomia
radical laparoscópica: superando os principais problemas
- Objetivo:
Comparar o acesso laparoscópico com a cirurgia aberta convencional
no tratamento cirúrgico de tumores renais.
- Material
e Métodos: De dezembro de 1997 a fevereiro de 1999, 18 mulheres
e 13 homens (média de idade de 62.3 anos, variando de 32-83 anos)
foram submetidos a nefrectomia radical laparoscópica para tumores
menores que 5 cm de diâmetro. Dezesseis tumores envolviam o rim
esquerdo e quinze o direito. As nefrectomias radicais laparoscópicas
foram realizadas usando a via transperitonial. Os pacientes foram comparados
a um grupo de 33 pacientes que foram submetidos a nefrectomia radical
transperitonial aberta para carcinoma de células renais do mesmo
tamanho (2-5 cm) entre dezembro de 1996 e dezembro de 1997. A localização
dos tumores (20 à direita, 13 à esquerda) e a idade média
(67.3 anos) de ambos os grupos foram comparáveis.
- Resultados:
O tempo operatório médio no grupo de cirurgia aberta foi
de 144 (85-205) minutos. O consumo médio de analgésicos
no pós-operatório foi de 54 mg de piritramid. Mobilização
e nutrição oral foram iniciadas 2 a 4 dias após
a cirurgia e a mediana de permanência hospitalar foi de 11.5 (7-35)
dias.
A duração operatória média na cirurgia laparoscópica
foi de 125 (95-160) minutos, a permanência hospitalar foi próxima
da metade da observada no outro grupo, sendo de 6.8 dias. A alimentação
oral e mobilização foram iniciadas no primeiro dia de
pós-operatório. O consumo de analgésico no pós-operatório
foi significativamente menor (18 mg de piritramid) que aquele no pós-operatório
da nefrectomia radical aberta.
- Conclusão:
A nefrectomia radical é o tratamento padrão para o carcinoma
de células normais. A nefrectomia radical laparoscópica
é uma alternativa segura em relação à nefrectomia
radical aberta e está associada com morbidade significativamente
reduzida.
- Comentário
Editorial
Numerosos autores têm mostrado que a nefrectomia radical laparoscópica
é uma alternativa segura e efetiva à cirurgia aberta,
e as vantagens do acesso laparoscópico são bem conhecidas
e aceitas. Em uma comparação direta das duas técnicas,
os autores encontraram dor significativamente menor no pós-operatório
e uma permanência hospitalar mais breve nos pacientes submetidos
a nefrectomia radical laparoscópica, embora a cirurgia radical
laparoscópica necessite de um time bastante hábil e esteja
associada à operações significativamente mais longas
no início da aprendizagem. Os autores também colocam que
o uso de instrumentos avançados na laparoscopia, especialmente
o bisturi harmônico, traz vantagens, como a diminuição
do tempo de troca de instrumentos para corte e coagulação,
a não produção de fumaça na coagulação
e o menor risco de necrose elétrica de estruturas.
Um aspecto crítico da nefrectomia radical laparoscópica
é o risco de disseminação do tumor e implante no
local do portal. Relatos em literatura repetidamente alertam para tal
risco. A solução adotada pelos autores, ou seja, a remoção
do espécime intacto através de uma incisão paramediana
de 5cm resulta somente em mínimo trauma adicional para o paciente
e tem duas vantagens: (1) o tempo necessário para colocar e morcelar
o espécime em um saco pode ser evitado; e o tumor permanece confinado
em tecido sadio, minimizando o risco de disseminação de
células tumorais ou implantes metastáticos. Assim, a presente
técnica elimina as maiores desvantagens da nefrectomia radical
laparoscópica e os pacientes se beneficiam das bem conhecidas
vantagens da cirurgia minimamente invasiva.
Dr.
Marcelo Lopes de Lima
IMAGING
US for detecting renal calculi with nonenhanced CT as a reference standard
Fowler KAB, Locken JA, Duchesne JH, Williamson MR
Radiology, 221: 1148, 2001
US para
detectar cálculo renal utilizando TC sem contraste como padrão
de referência
- Objetivos:
Determinar a sensibilidade e especificidade da US para detectar cálculos
da pelve e do parênquima renal e, estabelecer a acurácia
do US para determinar o tamanho e o número de cálculos.
- Material
e Métodos:
Um total de 123 exames, US e TC, foram comparados retrospectivamente
quanto à presença de cálculo renal. A sensibilidade
da US foi determinada para cálculo individual e para pelo menos
um cálculo por exame. Achados retrospectivos foram comparados
com a interpretação original da US. As dimensões
dos cálculos no maior eixo foram comparadas nas imagens do US
e TC, e a detecção sonográfica de cálculo
nos rins direito e esquerdo.
- Resultados:
US
detectou 24 dos 101 cálculos identificados na TC, mostrando sensibilidade
de 24% e uma especificidade de 90%. Não houve diferença
substancial para detecção de cálculo nos rins direito
ou esquerdo. A sensibilidade da US para qualquer cálculo em um
paciente foi 44%, igual àquela da interpretação
do US original. O US permitiu a identificação de 39% dos
pacientes com múltiplos cálculos e demonstrou todos os
cálculos em 17% dos pacientes. O tamanho médio do cálculo
detectado com US foi 7.1 mm com desvio de 1.2 mm; 73% dos cálculos
não visualizados na US eram menores que 3.0 mm. O tamanho dos
cálculos, baseado nas medidas de US e TC, foi concordante em
79% dos casos.
- Conclusão:
O US tem valor limitado para a detecção do cálculo
renal.
- Comentário
Editorial
Este estudo reforça a alta sensibilidade do TC helicoidal sem
contraste no diagnóstico de cálculo urinário onde
a radiografia e a US apresentam freqüentemente dificuldades devido
à interposição de gás intestinal e estruturas
ósseas. Outros trabalhos já reconheceram a superioridade
da TC para avaliação do cálculo ureteral e o presente
trabalho parece ser o primeiro a estudar as diferenças do US
e TC na avaliação dos cálculos na pelve e parênquima
renal. É freqüente a solicitação de exame
ultra-sonográfico com o objetivo de estudar os rins para pesquisa
de litíase. Os dados demonstram que um número significativo
de cálculos é perdido tanto no US quanto na radiografia
, sendo contudo facilmente detectáveis na TC.
Outro dado do trabalho é, que a sensibilidade do US é
dependente do tamanho do cálculo. Para cálculos de 5 mm
ou menos, a sensibilidade do US está em torno de 13%, portanto
bem baixa.
Dr.
Nelson Caserta
Ultrafast MR imaging of the pelvic floor
Unterweger M, Marincek B, Gottstein-Aalame N, Debatin JF, Seifert B, Ochsenbein-Imhof
N, Perucchini D, Kubik-Huch RA
AJR, 176: 959-963, 2001
Imagens
ultra-rápidas de RM do assoalho pélvico
- Objetivos:
Comparar a anatomia do assoalho pélvico e a frouxidão
destas estruturas em repouso e sob manobra de esforço (manobra
de Valsalva), usando estudo dinâmico ultra-rápido por Ressonância
Magnética (RM), em mulheres continentes e com incontinência
de esforço e historia obstétrica distinta.
- Material
e Métodos: Foi realizado estudo por RM do assoalho pélvico
em repouso e durante esforço máximo em 30 mulheres continentes.
As mulheres foram divididas em 3 grupos iguais (nulíparas, com
parto cesariano prévio ou com parto vaginal prévio) e
comparados com 10 mulheres com incontinência urinária de
esforço e com história de pelo menos um parto vaginal.
O estudo foi obtido com imagens axiais ponderadas em T2 fast spin-echo,
seguidas de imagens em T2 (cortes sagitais, ultra-rápidos) com
a técnica single-shot fast spin-echo. A idade média
da população foi de 36 ± 5.4 anos.
- Resultados:
A distância média entre o assoalho vesical e a linha pubo-coccígea
em repouso não diferiu entre os 4 grupos. Sob esforço,
a descida do assoalho vesical foi respectivamente de 1.1 ± 0.9,
1.0 ± 1.1 e 1,9 ± 0.9 cm em mulheres nulíparas
continente, mulheres com parto cesariano, e mulheres com parto vaginal,
versus 3.2 ± 1.0 cm em mulheres incontinentes. A descida cervical
foi maior em incontinentes do que em nulíparas. A descida do
assoalho vesical foi maior no grupo de mulheres continentes e com parto
vaginal do que no grupo controle, mulheres continentes e com parto cesariano.
Em pacientes com incontinência urinária, os sintomas não
correlacionaram com a amplitude da descida. O músculo elevador
do ânus direito, em geral, se encontrava mais fino que o esquerdo.
- Conclusão:
Imagens ultra-rápidas da RM, usando-se imagens ponderadas em
T2 (sequência single-shot fast spin-echo), possibilita
uma avaliação dinâmica dos compartimentos pélvicos
durante esforço máximo e sem a necessidade do meio de
contraste. A frouxidão do assoalho pélvico e as anormalidades
das fáscias de suporte foram comuns em pacientes com incontinência
urinária de esforço, seguida pelas mulheres continentes
com historia de parto vaginal. Os resultados são, portanto, compatíveis
com a hipótese de que o parto vaginal é um fator que contribui
para a incontinência de esforço em mulheres multíparas
idosas.
- Comentário
Editorial
Existem várias técnicas de exame radiológico para
a avaliação das enfermidades do assoalho pélvico
(US transvaginal e transretal, vaginografia, uretrocistografia com corrente,
colpocistoretografia e defecografia. Todos estes exames têm limitações,
difícil reprodutibilidade dos resultados, avaliação
incompleta dos três compartimentos pélvicos (exemplos:
o US estuda apenas o anterior e a vaginografia apenas o médio),
além do fato de que a maioria utiliza radiação
ionizante.O recente desenvolvimento das seqüência ultra-rápidas
nos equipamentos de alto campo, tem propiciado cada vez mais, a utilização
da RM como método de avaliação do deslocamento
dos órgãos pélvicos. A RM tem a vantagem de não
usar radiação ionizante e de oferecer alta resolução
de contraste, permitindo a avaliação global dos três
compartimentos pélvicos.
A possibilidade da análise da morfologia e da integridade dos
músculos elevadores do ânus e pubo-coccígeo é
outro fator positivo da RM. Este exame pode ser realizado com a paciente
em decúbito ventral (como no estudo em questão) ou em
decúbito lateral (com a flexão dos joelhos, o que torna
o esforço mais fisiológico). Em decúbito lateral,
os resultados dos exames têm sido melhores, pois permite a demonstração,
mais facilmente, de cistoceles associadas a retoceles.
Dr.
Adilson Prando
ONCOLOGY
Combined
androgen blockade with nonsteroidal antiandrogens for advanced prostate
cancer: a systematic review
Schmitt B, Wilt TJ, Schellhammer PF, DeMasi V, Sartor O, Crawford ED,
Bennett CL
Urology, 57: 727-732, 2001
Bloqueio
androgênico combinado com anti-androgênicos não esteróides
para o câncer avançado da próstata
- Objetivos:
O Bloqueio androgênico através de castração
medicamentosa ou cirúrgica, com ou sem a adição
de antiandrogênico não esteróide, para o câncer
metastático da próstata foi avaliado em 20 estudos randomizados.
Os achados variam de nenhum benefício em 17 estudos na sobrevida
até um aumento estimado entre 3.7 a 7 meses em 3 estudos. Mais
recentemente, uma publicação de 1999 e uma revisão
publicada em 2000 do Prostate Cancer Trialist Group, indicaram
que o bloqueio combinado foi associado com aumento de sobrevida em 5
anos entre 3% e 5%.
- Material
e Métodos: Revisão sistemática da literatura
feita por membros da Cochrane Collaboration que incluiu 20 estudos randomizados,
comparando castração versus castração mais
anti-androgênicos bloqueio combinado - iniciados imediatamente
após o diagnóstico de câncer de próstata
avançado. End points estudados: sobrevida em 1,2 e 5 anos; sobrevida
livre de progressão em 1 ano; toxicidade e sobrevida específica
relacionada ao câncer. Análise de sensibilidade de acordo
com a qualidade dos estudos. Dados combinados em meta-análise
e expressos em odds ratio (OR) com 95% de intervalos de confiança
(IC).
- Resultados:
20 estudos com 6320 pacientes foram incluídos. Nem todos descreveram
todos os end points. Para sobrevida global os resultados foram estatisticamente
semelhantes em um ano (OR=1.03; IC95% 0.85 a 1.25) e em dois (OR= 1.16;
IC 95% 1 a 1.33). A sobrevida global em 5 anos mostrou uma pequena melhora
para o uso do bloqueio combinado (OR=1.29; IC 95% 1.15 a 1.67). A sobrevida
livre de progressão em 1 ano favoreceu o bloqueio combinado (OR=
1.38; IC 95% 1.15 a 1.67). Quando apenas os estudos de melhor qualidade
foram avaliados, nenhum efeito significativo em sobrevida em nenhum
período foi notado.
A toxicidade foi maior no grupo que recebeu o bloqueio combinado que
no grupo tratado apenas com castração (diarréia
9.7% X 1.8%; dor abdominal 7.4% X 1.6%; queixas oftalmológicas
inespecíficas 29% versus 5.4%). A ocorrência de efeitos
adversos obrigou 10% dos pacientes a parar completamente com o tratamento
combinado. A qualidade de vida dos pacientes foi avaliada em apenas
um dos estudos e foi pior nos pacientes recebendo bloqueio combinado.
Os custos associados são estimados serem 3600,00 dólares
americanos maiores para os pacientes recebendo bloqueio combinado.
- Conclusão:
Um aumento de até 5% em sobrevida em 5 anos e melhora na sobrevida
livre de progressão em 1 ano foi notado nos pacientes que receberam
bloqueio combinado. Pacientes apropriados devem ser informados dos possíveis
benefícios, toxicidade e custos deste tratamento.
- Comentário
Editorial
Esta revisão sistemática vem se juntar a 2 outras previamente
conhecidas, que também não demonstraram nenhum benefício
consistente para o uso do bloqueio hormonal combinado do ponto de vista
clínico. Os resultados encontrados são pequenos: 25 pacientes
precisam ser tratados por 5 anos para que sobreviva apenas 1 paciente
adicionalmente.
Devemos notar também que em 2 anos não se observou benefício
e que a cada 10 pacientes tratados, o tratamento causou dano considerável
em um e precisou ser interrompido devido à toxicidade. Apenas
um estudo avaliou a qualidade de vida e esta foi pior nos pacientes
que receberam bloqueio completo.
Estas informações clínicas, associadas ao custo
da terapia são suficientes para que se avalie com extrema cautela
cada paciente antes de se prescrever bloqueio completo. Pacientes mais
idosos ou com condição clínica não-ótima
dificilmente se beneficiarão desta terapia o ganho é
pequeno e aparece após 5 anos apenas. O uso de bloqueio completo
deve ser, como os autores do estudo apontaram, cuidadosamente pesados
contra os efeitos colaterais. Estes resultados nos impedem de fazer
uma recomendação baseada em níveis de evidência.
Dr.
Otávio Clark
SELECT: The next prostate cancer prevention trial
Klein EA,Thompson IM,Lippman SM, Goodman PJ, Albanes D, Taylor PR, Coltman
C
J Urol, 166: 1313-1315, 2001
SELECT:
O novo estudo de prevenção de câncer de próstata
- Objetivo:
Existem evidências crescentes que o selênio e vitamina E
podem reduzir o risco de câncer da próstata. O Estudo de
Selênio e Vitamina E na Prevenção do Câncer
(SELECT) é um estudo randomizado prospectivo duplo-cego para
se determinar se selênio e vitamina E podem diminuir o risco de
câncer da próstata em homens sadios.
- Material
e Métodos:
As evidências pré-clínicas e epidemiológicas
de quimioprevenção com selênio e vitamina E foram
revistas, e análises secundárias de estudos randomizados
foram incluídas no estudo atual. Dados destas análises,
bem como evidências do Estudo de Prevenção de Câncer
de Próstata (EPCP) foram usados para se desenvolver o algoritmo
do SELECT.
- Resultados:
Dados pré-clínicos, epidemiológicos e de fase III
sugerem que o selênio e a vitamina E tenham eficácia na
prevenção de câncer de próstata. A experiência
anterior do EPCP mostrou o interesse e dedicação de homens
sadios nos estudos prolongados de prevenção do câncer.
Um total de 32400 homens deve ser randomizados no SELECT.
- Conclusões:
SELECT é o segundo estudo em larga escala de quimioprevenção
de câncer da próstata. Os primeiros pacientes devem entrar
no estudo em 2001 , com resultados finais em 2013.
- Comentário
Editorial
O aumento do número de casos de câncer da próstata,
e sua mortalidade levam ao desenvolvimento de trabalhos visando sua
prevenção. O primeiro destes estudos prospectivos, randomizados
e duplo-cego, em larga escala, é o EPCP do Southwest Oncology
Group no. 9217, que ainda se encontra em andamento, comparando finasterida
com placebo. Ele foi aberto em 1993, já envolve 18.000 homens,
e terá seus resultados finais em 2003.
O selênio é um nutriente não-metálico essencial
à saúde, e inibe a oncogênese em vários modelos
experimentais. Estudos de observação em seres humanos
também indicam diminuição de risco de 50-70% casos
de câncer de próstata avançado , bem como em neoplasias
gastrointestinais e esofágicas. Entusiasmo recente com
o selênio na prevenção de câncer de próstata
surgiu também após a publicação de Clark
et al. (JAMA, 276: 1957, 1996), em que , analisando dados de prevenção
de câncer de pele com selênio versus placebo em 1312 homens,
notou diminuição de dois terços de casos de câncer
de próstata no grupo que usou selênio.
A vitamina E (alfa-tocoferol) é antioxidante altamente ativo,
dentre outras funções. Ela inibe o crescimento de algumas
linhagens de tumores humanos in vitro, incluindo o câncer de próstata,
mas estudos de observação sem suplementação
de vitamina E em populações, apenas considerando a ingesta
diária estimada, não são consistentes com estes
dados. Entretanto, estudos em que se suplementou vitamina E, como em
estudo finlandês com 29000 homens, o grupo que recebeu 50 mg de
acetato de alfa-tocoferol mostrou diminuição de 32% na
incidência de câncer de próstata e de 41% na mortalidade.
Dr.
Francisco F.H. Bretas
Do bacteriostatic urethral lubrificants affect the clinical efficacy
of intravesical bacillus calmette-guérin therapy?
Lortzer H, Brake M, Horsch R, Keller H
Urology, 57: 900-905, 2001
O uso
de lubrificantes bacteriostático uretrais afeta a eficácia
do BCG intravesical?
- Objetivo:
Investigar o efeito de lubrificantes bacteriostáticos uretrais
na eficácia clínica do BCG intravesical nos tumores da
bexiga.
- Material
e Métodos:
No período de julho de 1987 a agosto de 1999, 389 pacientes com
tumores superficiais da bexiga (pTa multilocular, maior de 2 cm, recorrente),
pT1, pTis, receberam tratamento adjuvante com BCG intravesical, em regime
de 6 semanas, após completar a ressecção do tumor
vesical.
Retrospectivamente, foi analisada a possibilidade de redução
da eficácia do BCG no tratamento do tumor vesical, causada pelo
lubrificante.
Dessa forma, foram constituídos 2 grupos: grupo 1, de homens
(n = 317, 81.5%), nos quais foram aplicados 11 mL do lubrificante (Instillagel)
e o grupo 2, de mulheres (n = 72, 18.5%) em que o BCG foi aplicado sem
o uso do lubrificante. Os dois grupos eram similares quanto aos parâmetros
estudados. Os pacientes foram seguidos, em média, por 54 meses
(4 a 143 meses).
- Resultados:
Do
total de 389 pacientes, 90 (23.1%) apresentaram recorrência; 73
(23%) no grupo que fez uso do lubrificante e 17 (23.6%) no que não
usou lubrificante uretral. O tumor apresentou progressão em 14
casos (4.4%) no grupo sem lubrificante e em 8 (11%) no grupo em que
não foi utilizado o lubrificante (p = 0.043).
- Conclusão:
O emprego de lubrificante bacteriostático uretral, prévio
à instilação de BCG, não diminuiu o efeito
imunoterápico do BCG intravesical. Com o objetivo de diminuir
possível trauma uretral, o lubrificante é, especialmente,
recomendado no homem.
- Comentário
Editorial
O BCG é, até o momento, o principal tratamento profilático
nos tumores superficiais da bexiga. Os esquemas de aplicação
são diversos, havendo maior propensão para o uso em ciclos
de 6 semanas, com uma aplicação semanal, e revisão
endoscópica aos 3 e 6 meses após. No caso de recorrência
ou de citologia positiva, repete-se o ciclo de 6 aplicações.
Alguns autores recomendam terapia de manutenção, e a que
apresenta melhores resultados é a proposta por Lamm, que utiliza
ciclos de 3 semanas, a cada 6 meses, e durante 2 anos. Existem variações
deste esquema de manutenção, quer quanto à periodicidade
quer quanto o tempo de manutenção.
O tratamento com instilações de BCG intravesical obedece
a severas recomendações quanto à possível
absorção do medicamento pela mucosa uretrovesical. Dessa
forma, deve-se aguardar de 3 a 4 semanas após a ressecção
do tumor para iniciar a aplicação de BCG. Além
disso, qualquer trauma uretral deve ser evitado, e caso venha a ocorrer,
a instilação deve ser suspensa. A razão disso baseia-se
nas graves conseqüências advindas da absorção
do BCG, inclusive com risco de vida. A proteção da uretra,
principalmente no sexo masculino, é imperativa. A recomendação
é o uso, em quantidades generosas, de lubrificantes uretrais
antes de manipular a uretra para a aplicação do BCG, no
tratamento dos tumores superficiais da bexiga.
Dr.
Nelson Rodrigues Netto Jr.
Transurethral resection of muscle-invasive bladder tumor: 10-year outcome
Harry W. Herr
J Clin Oncol, 19: 89-93, 2001
Ressecção
transuretral dos tumores vesicais invasivos: resultados em 10 anos
- Objetivo:
Avaliação dos resultados do tratamento dos tumores invasivos
da bexiga através, exclusivamente, da ressecção
endoscópica.
- Material
e Métodos: No período de 1979 a 1989, 463 novos e
consecutivos pacientes portadores de tumor vesical de células
transicionais, com invasão da camada muscular, foram tratados
do seguinte modo: 432 (93%) realizaram Re-RTU, observando-se ausência
de lesão (TO) ou apenas comprometimento da lâmina própria
(T1) ou presença de Tis, em 151 (35%) casos. A este grupo ofereceu-se
a opção do tratamento standard (cistectomia radical) ou
preservação da bexiga. A cistectomia foi eleita por 52
pacientes (23 TO e 29 T1) e 99 optaram por vigilância cistoscópica
(73 TO e 26 T1) e eventual cirurgia radical de resgaste, em caso de
progressão.
- Resultados:
A sobrevida doença específica em 10 anos, no grupo tratado
por RTU (99) foi de 76% (75 pacientes), enquanto 24% (24 pacientes)
foram a óbito. Tal índice foi comparado aos que realizaram
cistectomia imediata (52), dos quais 71% (37) encontravam-se vivos e
livres de doença e 29% (15) faleceram em conseqüência
do tumor. No grupo de 99 pacientes que preservou a bexiga, 82% de 73
pacientes com TO obtido na Re-RTU sobreviveram, contra 57% de 26 pacientes
com T1 (p = 0.03). Naqueles em houve recidiva tumoral com invasão
muscular, 34 (34%) foram curados pela cistectomia de resgate e 16 (16%)
sucumbiram à doença.
- Conclusão:
A
RTU radical como tratamento dos tumores transicionais invasivos da bexiga
obteve sucesso nos casos selecionados em que a Re-RTU não demonstrou
evidência de lesão (T2).
- Comentário
Editorial
O tópico da preservação da bexiga nos tumores invasivos
tem sido ansiosamente perseguido pela urologia, através de várias
modalidades terapêuticas, sem sucesso a longo prazo. Aqueles que
evitaram a cirurgia radical tiveram melhor qualidade de vida, porém
relativa em função das recidivas e freqüentes re-tratamentos,
além do ônus do aparecimento de metástases precoces,
geralmente comprometendo suas vidas.
Entretanto, o tratamento baseando apenas na RTU, como enfoque inicial
de tratamento dos tumores invasivos, tem restrita aceitação
pelos autores, e com resultados díspares. Por exemplo, verificou-se
apenas 40% de sobrevida em 5 anos nos tumores invasivos tratados somente
por RTU radical (1), ainda com a dúvida de que os casos com melhor
evolução poderiam ser considerados como T1a. Outros observaram
resultados semelhantes(2) em 59 pacientes acompanhados por 10 anos e,
com sobrevida livre de doença em 74.5%, tratados apenas pela
RTU. Em contrapartida, 28% tiveram progressão, dos quais somente
29.7% foram resgatados pela cistectomia.
O presente trabalho mostra resultados otimistas nos tumores invasivos,
além de incluir a Re-RTU de rotina, 6 semanas após a RTU
inicial. Essa é uma conduta mais recente, sendo o autor pioneiro,
seguido atualmente por outros, no tratamento dos tumores superficiais
da bexiga. Entretanto, precisamos ressaltar certas tendências,
tais como a ausência de descrição dos tumores originais,
se múltiplos ou solitários, presença ou não
de CIS concomitante, se > de 4 cm, se papilares ou sésseis
e, possivelmente, se foram sub-estadiados. Quantos seriam realmente
T1a, com menor chance de invasão muscular ou T1b? Tal classificação,
baseada na invasão superficial ou profunda da muscular da mucosa
não foi objeto deste estudo, por tratar-se de conhecimento mais
atual.
Creio que o caminho, conforme a tendência atual, para elevar os
índices de cura do tumor vesical invasivo seria a identificação
mais conclusiva do T1G3, trazendo maior segurança e amparo à
indicação da cistectomia precoce. Porém, a conduta
proposta no artigo, além da lembrança da RTU radical,
tema quase esquecido pelos urologistas, poderia ser melhor aceita em
casos melhores selecionados (T1a) em pacientes mais idosos ou com maior
comprometimento do estado geral.
Referências
1. Barnes RW, Dick AL, Hadley HL, et al.: Survival following transurethral
resection of bladder carcinoma. Cancer Res, 37: 1895-1899, 1977.
2. Solsona E, Iborra I, Ricos JV, et al.: Feasibility of transurethral
resection for muscle infiltrating carcinoma of the bladder: long-term
follow-up of a prospective study. J Urol, 159: 95-99, 1998.
Dr.
Aloysio Floriano de Toledo
PATHOLOGY
Tumor
grade heterogeneity in urothelial bladder carcinoma. Proposal of a system
using combined numbers
Billis, A
Scand J Urol Nephrol, 35: 275-279, 2001
Heterogeneidade
no grau tumoral em carcinoma urotelial da bexiga. Proposta de um sistema
utilizando números combinados
- Objetivos:
Não
há consenso para graduação quando mais de um grau
histológico está presente no carcinoma vesical. No presente
trabalho propõe-se um sistema de graduação que
considera o grau primário (mais extenso) e o grau secundário
(o segundo mais extenso) no carcinoma da bexiga. Este sistema de graduação
foi correlacionado com o estádio clínico por ocasião
do diagnóstico.
- Material
e Métodos:
Foram estudadas 293 ressecções transuretrais da bexiga
ou cistectomias radicais. O grau histológico foi considerado
como sendo 1, 2 ou 3 de acordo com o proposto pela OMS. O número
foi repetido quando havia um único grau histológico nos
fragmentos examinados. A contagem final obtida variou de 2 a 6. Todos
os casos também foram graduados com o método tradicional
utilizando um único número prevalecendo como graduação
final o grau maior mesmo que correspondesse a um pequeno foco.
- Resultados:
De
acordo com o sistema tradicional de graduação, a distribuição
foi 80 (74.07%), 27 (25.00%) e 1 (0.92%) para o grau 1; 31 (24.03%),
69 (53.48%) e 29 (22.48%) para o grau 2; e, 0 (0%), 17 (30.35%) e 39
(69.64%) para o grau 3, correspondendo respectivamente aos estádios
Ta, T1 e T2-3. Utilizando o sistema de números combinados, o
grau 2 foi estratificado nos subgrupos 1+2 e 2+2 os quais mostraram-se
estatisticamente diferentes (p < 0.05) quando se considerou o estádio.
No grau 3, houve também uma tendência para diferença
estatística (p = 0.066) entre os graus 2+3 e 3+3.
- Conclusões:
O sistema de graduação empregando números combinados,
estratificou o grupo de grau 2 nos subgrupos 1+2 e 2+2 e o grupo de
grau 3 nos subgrupos 2+3 e 3+3, os quais mostraram-se estatisticamente
diferentes considerando-se o estádio. Este sistema de graduação
utilizando números combinados leva em conta a heterogeneidade
tumoral e poderá ser de valor em estudos prospectivos para análise
de prognóstico e resposta terapêutica.
- Comentário
Editorial
O presente trabalho foi apresentado como proposta original de graduação
histológica do câncer de bexiga em forma de pôster
no Congresso da United States and Canadian Academy of Pathology (USCAP)
em 1998, Boston (Billis, A et al.: Grading of urothelial bladder carcinoma.
Proposal of a system using combined numbers (abstract), Mod Pathol,
11: 76A, 1998). Coincidentemente, no mesmo ano a OMS/SIPU lançou
a nova proposta de classificação dos tumores vesicais
na qual os graus 2 e 3 foram agrupados sendo proposto denominar de baixo
grau os carcinomas de grau 1 e de alto grau os carcinomas de grau 2
ou 3 (Epstein, JI et al.: The World Helath Organization / International
Society of Urological Pathology consenso classification of urothelial
(transitional cell) neoplasms of the urinary bladder, Am J Surg Pathol,
22:1435-1448, 1998). Esta proposta de agrupar graus era contrária
à nossa proposta que resultava numa contagem final variando de
2 a 6. A proposta de números combinados navegava contra a nova
tendência de graduar o carcinoma da bexiga o que nos levou a não
enviar para publicação o presente trabalho naquele ano.
No congresso do ano seguinte da USCAP em New Orleans, surpreenderam-nos
dois trabalhos de autores que participaram da elaboração
da nova proposta da OMS/SIPU, apresentados em forma de pôsteres,
nos quais mostravam o valor da graduação histológica
em forma de números combinados (Lee, P et al.: Tumor grade heterogeneity
in stage Ta urothelial carcinoma of the bladder (abstract), Mod Pathol,
13: 115A, 2000 e Cheng, L et al.: Cancer heterogeneity and its biologic
implications in the grading of urothelial carcinoma (abstract), Mod
Pathol, 13: 96A, 2000). O trabalho correspondente a este último
pôster foi publicado na revista Cancer mostrando que o sistema
de números combinados tem valor prognóstico (Cheng, L.
et al: Cancer heterogeneity and its biologic implications in the grading
of urothelial carcinoma, Cancer, 88: 1663-1670, 2000). Os autores do
trabalho, mostraram que houve uma diferença estatisticamente
significante (p = 0.02) na progressão livre de doença
entre os pacientes com contagem final 5 e aqueles com contagem final
6.
Dr.
Athanase Billis
PEDIATRIC UROLOGY
Histological
analysis of urethral healing after tubularized incised plate urethroplasty
Lopes JF, Schned A, Ellsworth PI, Cendron M
J Urol, 166: 1014-1017, 2001
Análise
histológica da cicatrização uretral após uretroplastia
com incisão da placa uretral (cirurgia de Snodgrass)
- Objetivo:
A uretroplastia com incisão da placa uretral ganhou popularidade
rapidamente no tratamento das hipospádias. Acredita-se que a
cicatrização ocorra com a migração de células
epiteliais para a placa uretral incisada. Nosso objetivo foi definir
a evolução da cicatrização uretral sob ponto
de vista histológico num modelo animal, após a incisão
dorsal e colocação de stent uretral.
-
Material e Métodos: Desenvolveu-se um modelo experimental
em porcos, sendo que a uretra ventral era aberta e a seguir era feito
uma incisão dorsal na uretra até o corpo esponjoso. A
uretra era então cateterizada e fechada ventralmente. Os animais
foram sacrificados no intervalo de 1, 2, 3, 5, 7, 14 e 21 dias. Cortes
histológicos foram efetuados em múltiplas áreas
do pênis e corados com hematoxilina/eosina e tricromico de Masson.
-
Resultados: No segundo PO houve evidente migração
de células epiteliais no defeito dorsal, sendo que no quinto
PO observou-se re-epitelização aparentemente completa.
Observou-se regiões de intensa atividade fibroblástica
no estroma subepitelial, abaixo da área incisada no terceiro
PO sendo que a deposição de colágeno pôde
ser confirmada pela técnica de tricromico de Masson. Com 21 dias
o processo aparecia bastante organizado, com pequena evidência
de atividade fibroblástica ou deposição excessiva
de colágeno.
-
Conclusões: A cicatrização uretral após
incisão e tubularização, usando um cateter como
molde, demonstrou se processar sem excesso de deposição
de colágeno, ou formação de escara.
- Comentário
Editorial
Os autores desenvolveram um modelo experimental para avaliar como se
processa a cicatrização quando é incisada a placa
uretral, princípio que passou a ser utilizado na técnica
descrita por Snodgrass. A técnica é atraente, uma vez
que a incisão facilita a tubularização da uretra,
trazendo como vantagem a redução da tensão, o que
provavelmente reduz a chance de fístulas e deiscência da
uretra. Na verdade essa técnica constitui uma modificação
da de Duplay, o chamado segundo tempo da reconstrução
de hipospádia por estágios.
Os resultados do presente estudo sugerem que com 21 dias o processo
histológico da cicatrização está completado,
e assim coincide com a idéia de se manter um stent
uretral nesse período, procurando evitar principalmente a estenose
do meato, que constitui uma das complicações mais citadas
com a cirurgia de Snodgrass (1). Existe no entanto certa polêmica
que começa a ser insuflada no que diz respeito à necessidade
de calibragem uretral num grande número de casos. Apesar deste
estudo não reforçar esta constatação clínica,
deve-se lembrar que neste modelo o tecido uretral incisado é
normal, enquanto que a placa primitiva em hipospádias apresenta
alterações histológicas de espongiofibrose e assim
pode evoluir diferentemente.
Em resumo, a cirurgia de Snodgrass começa a ser questionada naquilo
que todas as técnicas em hipospádia devem se afirmar que
é justamente a manutenção de bons resultados no
longo prazo. Com o passar do tempo teremos novas respostas e então
definiremos o real papel deste procedimento.
Referência
1. Macedo Jr A, Srougi M: Surgery to the external genitalia. Curr Opin
Urol, 11: 585-590, 2001.
Dr. Antonio Macedo Júnior
UROLOGICAL
NEUROLOGY
Bladder
capacity and renal concentrating ability in enuresis: pathogenic implications
Nevéus T, Tuvemo T, Läckgren G, Stenberg A
J Urol, 165: 2022-2025, 2001
Capacidade
vesical e atividade de concentração renal na enurese: implicações
patogênicas
- Objetivos:
Investigar a patogênese dos vários tipos de enurese,
comparar a capacidade vesical funcional e a atividade de concentração
urinária em 2 grupos distintos de crianças com enurese.
- Material
e Métodos: Foram estudadas 55 crianças sem enurese
e 100 com enurese noturna primária, de ambos os sexos, com mais
de 6 anos. Todas foram submetidas à medida da densidade urinária
com privação de líquidos (teste de concentração
urinária) e completaram um diário miccional por 48 horas
(avaliação da capacidade vesical funcional). As 100 crianças
com enurese foram tratadas com desmopressina via nasal (até 40
mcg) ou oral (até 0.4 mg). Este grupo foi subdividido, antes
da inclusão no estudo, em sensíveis a desmopressina (27
pacientes) e resistentes a desmopressina (73 pacientes),. As variáveis
independentes foram a atividade de concentração renal;
capacidade vesical funcional (diurna média, diurna máxima
e forçada); diurese/dia; número de micções,
e sexo, que foram comparadas às variáveis independentes
do grupo normal (sensíveis e resistentes à desmopressina)
por meio da análise de variância os entre grupos com alfa
= 0.05.
- Resultados:
O grupo sensível à desmopressina demonstrou capacidade
de concentração urinária em média um desvio-padrão
menor (856 ± 158 mOsm/kg) que as normais (939 ± 147 mOsm/kg)
e resistentes à desmopressina (962 ± 151 mOsm/kg) (p <
0.05). A diurese/dia média também foi maior no grupo sensível
a desmopressina (22.2 ± 10.2 ml/kg) que nas crianças resistentes
a desmopressina (15.3 ± 7.2 ml/kg) e normais (15.4 ± 7.3
ml/kg) (p < 0.01). A capacidade vesical funcional esperada para a
idade foi menor nas resistentes a desmopressina (52.2% ± 19.9%)
que nas resistentes a desmopressina (69.5% ± 25.7%) e normais
(79.2% ± 30.4%) (p < 0.001).
- Conclusões:
Crianças enuréticas sensíveis a desmopressina produzem
mais urina e urina mais diluída que outras crianças, enquanto
crianças enuréticas resistentes a desmopressina têm
capacidade vesical funcional menor que outras crianças. Esse
estudo suporta a idéia que crianças que respondem de forma
favorável a desmopressina têm poliúria, enquanto
as que não respondem têm hiperatividade detrusora.
- Comentário
Editorial
O maior mérito deste estudo é a sua simplicidade. De uma
forma pouco invasiva e, provavelmente com baixos custos, foram obtidos
dados importantes. Apenas causa estranheza o quanto os resultados foram
positivos. É claro que existe uma (lamentável) tendência
(ou viés) de publicação de resultados positivos,
mas números assim não são facilmente obtidos no
mundo real. Os autores devem ser cumprimentados por terem estratificado
os pacientes a ponto de obter esses resultados, mas somos levados a
pensar que pacientes com distúrbios combinados (baixa capacidade
funcional e poliúria) não foram incluídos.
Uma extensão lógica deste estudo seria verificar se os
pacientes resistentes à desmopressina responderiam a anti-muscarínicos.
Assim poderíamos tratar essas crianças segundo um protocolo
bastante simples, crianças com baixa densidade urinária
e capacidade vesical funcional preservada para a idade seriam tratadas
com desmopressina. Pacientes com densidade urinária normal e
redução da capacidade funcional seriam (hipoteticamente)
tratados com anti-muscarínicos (ao deitar?). Pacientes com ambos
os distúrbios fariam tratamento combinado.
Importante: Aqui os autores assumem que para que haja enurese noturna
existe sempre alguma alteração do ciclo sono/vigília
(que está geralmente alterado sempre em crianças com enurese
noturna (1). O que é óbvio, caso não houvesse problemas
com o ciclo sono/vigília, os pacientes teriam noctúria,
e não enurese.
Referência
1. Watanabe H, Kawauchi A, Kitamori A: Treatment system for nocturnal
enuresis according to an original classification system. Eur Urol, 25:
43, 1994.
Dr. Aderivaldo Cabral Dias Filho
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