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DOUBLE ONLAY PREPUTIAL
FLAP FOR HYPOSPADIA REPAIR
UBIRAJARA BARROSO
JR., MODESTO JACOBINO, ANTONIO MACEDO JR., MIGUEL SROUGI, RICARDO GONZÁLEZ
Sections
of Pediatric Urology, Federal University of Bahia, Salvador, Bahia, BA,
Federal University of São Paulo, São Paulo, SP, Brazil,
and Section of Pediatric Urology, University of Miami, Miami, Florida,
USA
ABSTRACT
Objective:
The conventional one stage hypospadia repair using island flaps has several
disadvantages: Penile asymmetry resulting from rotation of the vascular
pedicle around one side of the penile shaft and at times doubtful viability
of the Byars flaps used for ventral skin coverage. We describe a technique
that solves some of these problems: The double onlay preputial flap for
hypospadias repair.
Surgical Technique: After circumcising incision
is made, the urethral plate is outlined by 2 parallel incisions that extend
to the glans. A total transverse preputial island flap is created and
mobilized, ventral transposition is achieved by passing the penis through
a bottom-hole created through the proximal third of the pedicle. The outer
flap surface is then aligned with the urethral plate along its longitudinal
axis. Suturing of the flap to the urethral plate is performed and the
glans wings are re-approximated. The remaining preputial flap is used
to cover the ventral skin defect.
Conclusion: The double onlay preputial flap
technique for hypospadias repair offers good cosmetic and functional results.
Key words:
hypospadias; congenital anomalies; surgical techniques
Braz J Urol, 27: 376-379, 2001
INTRODUÇÃO
O
retalho ilhado prepucial tem sido utilizado para correção
de hipospádias proximais em um estágio, com ou sem ressecção
da placa uretral, com tubularização do retalho ou com colocação
do retalho onlay (1,2). Este último apresenta os menores índices
de complicações, além de nos casos de fístulas,
estas são mais facilmente tratadas (2). Entretanto, este método
de reparo tem a desvantagem de cobrir a porção ventral do
pênis com um retalho do tipo Byars, que tem uma viabilidade duvidosa,
já que pode não conter o suprimento sanguíneo arterial
principal do prepúcio, aumentando, teoricamente, a chance de isquemia
do retalho (3). Além disto, pode haver torção peniana
devido à rotação do pedículo utilizado na
reconstrução uretral (4,5). Nós descrevemos os passos
de uma técnica que resolve alguns desses problemas. Ela estaria
indicada principalmente nos casos de hipospádia proximal ou médio-peniana,
neste caso quando o diâmetro da placa é insuficiente para
realização da cirurgia de Snodgrass.
TÉCNICA
CIRÚRGICA
Figure
1- A)- Incisão circundando a placa uretral, circunscrevendo o meato
uretral. Preservam-se 6 mm de largura da placa. A incisão é
prolongada por toda a região subcoronal a 6 mm da glande, desnudando
o pênis.
Figure 1- B)- Visão dorsal do pênis.
Plicatura na linha média com fio inabsorvível para a correção
da curvatura.
Figure 1- C)- Abertura de um orifício
na base do pedículo. O retalho é transferido para a porção
ventral transpassando a glande.
Figure 2- A)- A glande é incisada
bilateralmente e mobilizada conforme procedimento padrão para a
correção das hipospádias. Notem que é o prepúcio
externo que é utilizado para a reconstrução uretral.
Figure 2- B)- O prepúcio externo
é rodado 90 graus e é suturado a um lado da placa uretral
de forma contínua, com PDS 7-0. A sutura é extra-epitelial.
Figure 2- C)- O retalho é incisado
6 mm da borda suturada a placa, para perfazer um diâmetro uretral
de 12 mm.
Figure 3- A)- A borda livre do retalho é
suturada à borda da placa uretral, sobre um tubo de silicone multiperfurado
7F. Usa-se sutura contínua com PDS 7-0, extra-epitelial. Uma nova
camada de sutura utilizando-se tecido peri-uretral, é realizada.
Figure 3- B)- A glande é reaproximada
na linha média com 2 camadas com PDS 5-0.
Figure 3- C)- O restante do retalho (porção
interna) é utilizado para cobrir a porção ventral
do prepúcio, após secção das bordas excedentes.

Após o procedimento procede-se bloqueio
anestésico caudal para melhor controle da dor. O tubo de silicone
é retirado após 5 a 7 dias da cirurgia.
COMENTÁRIOS
Barroso
et al. recentemente publicaram a experiência com esta técnica
(5). Identificou-se uma taxa de fístula de 17%, divertículo
uretral em 9% e curvatura persistente em 4%. Esta taxa de complicações
é baixa, considerando-se que 75% dos pacientes apresentavam hipospádias
em região peno-escrotal. Entre outras vantagens desta técnica
incluem-se: não rotação peniana após a reconstrução,
utilização de um retalho bem vascularizado tanto para a
reconstrução da uretra como para a cobertura do defeito
ventral. Este conceito de transposição ventral de retalho
para cobrir o defeito ventral, pode também ser utilizado para correção
de hipospádias distal por qualquer técnica.
A utilização de uma uretra
de 12 mm permite um diâmetro satisfatório à passagem
de urina, com menores riscos de divertículos. A correção
da curvatura ventral quando necessária, é realizada com
uma plicatura na linha média da porção dorsal do
pênis. De acordo com Baskin et al. a inervação dorsal
se dá lateralmente, portanto realizando-se a plicatura na linha
média pode-se reduzir os riscos de lesão neural (2). Quando
a plicatura dorsal não é suficiente para correção
da curvatura, nós dissecamos a placa uretral, incisamos a albugínea
e colocamos um enxerto de túnica vaginal.
Confecciona-se o orifício na base
do pedículo do retalho, na região livre de vasos, que são
facilmente visíveis por transparência. Um importante detalhe
da técnica é a utilização do prepúcio
externo para a construção uretral. Isto parece reduzir a
possibilidade de divertículos pela maior resistência desta
pele, comparada ao prepúcio interno. Além disto, a longo
prazo, o prepúcio interno utilizado para cobrir o defeito central
queratiniza-se e adquire um aspecto normal.
É importante para a realização
do procedimento utilizar lupas com lentes de no mínimo 2.5 vezes
de aumento. Em conclusão, esta é uma técnica que
oferece uma baixa taxa de complicações e excelente resultado
cosmético.
REFERÊNCIAS
- Duckett
JW: Transverse preputial island flap technique for repair of severe
hypospadiias repair. Urol Clin North Amer, 7: 423-430, 1980.
- Baskin
LS, Duckett JW, Ueoka K, Seibold J, Snyder HM III: Changing concepts
of hypospadias curvature lead to more onlay island flap procedures.
J Urol, 151: 191-196, 1994.
- Hinman
F Jr: The blood suply to preputial island flaps. J Urol, 145: 1232-1235,
1991.
- Greenfield
SP, Sadler BT, Wan J: Two-stage repair for severe hypospadias. J Urol,
152: 498-501, 1994.
- Barroso
U Jr, Jednak R, Barthold JS, Gonzalez R: Further experience with the
double onlay preputial flap for hypospadia repair. J Urol, 164: 998-1001,
2000.
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Received: May 30, 2001
Accepted after revision: July 25, 2001
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Correspondence address:
Dr. Ubirajara Barroso Jr.
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