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PENILE
FRACTURE WITH URETHRAL INJURY
EDUARDO BERNA BERTERO,
RODRIGO SOUSA MADEIRA CAMPOS,
DEMERVAL MATTOS JR.
Division
of Urology, Hospital do Servidor Público Estadual de São
Paulo, SP, Brazil
ABSTRACT
Penile
fracture or traumatic rupture of the corpus cavernosum is a relatively
uncommon injury that occurs as a result of trauma to the erect penis.
Associated urethral injury is present in 10% of patients with penile fracture.
Most cases of penile fracture reported are a result of sexual intercourse.
Some anecdotal cases have been associated with masturbation or during
sleep. A case of penile fracture with urethral injury is documented in
a 41-year-old white man with a history of bending his penis during intercourse.
A surgical exploration was successfully performed through a classic subcoronal
incision. The tears of the tunica and urethra were identified and repaired
with non-absorbable sutures. A urethral catheter was left indwelling for
4 days and a cistostomy for 2 weeks. At 16 months of follow-up the patient
is asymptomatic, without voiding symptoms. The erectile function was preserved
and there is no penile curvature. The case herein reported emphasizes
the importance of immediate surgical repair to preserve both sexual and
voiding functions.
Key words:
penis, injury, fracture, intercourse
Braz J Urol, 26: 295-297, 2000
INTRODUÇÃO
A
fratura de pênis é uma emergência urológica
rara. A lesão é caracterizada pela rotura da túnica
albugínea, freqüentemente associada a coito ou manipulação
(1). Clinicamente, identifica-se a formação de hematoma,
seguida de deformidade. A fratura de pênis seguida de lesão
uretral ocorre em 10% dos casos (2,3).
A seguir descrevemos um caso de fratura
peniana associada com lesão uretral tratado através de cirurgia.
RELATO
DO CASO
Paciente
de 41 anos do sexo masculino, branco, deu entrada no Pronto Socorro com
quadro de edema peniano seguido de dor intensa. Relatou que 2 horas antes,
durante relação sexual, dobrou violentamente o pênis
e ouviu um estalido, seguido de dor instantânea.
Ao exame físico apresentava volumoso
hematoma peniano e uretrorragia (Figura-1). Com hipótese diagnóstica
de fratura peniana e com provável rotura de corpo esponjoso, foi
levado ao centro cirúrgico para exploração.

Não foi realizada a uretrografia
pré-operatória porque conseguimos inserir sem dificuldade
um cateter uretral, conseguindo identificar o sítio da lesão
com facilidade (Figura-2). Como o paciente apresentava-se com dor local
intensa e muita agitação foi realizado o cateterismo uretral
sob sedação.

O paciente foi então submetido a
uma incisão subcoronal e exposição de todo o pênis.
Na superfície ventral do corpo cavernoso esquerdo, próximo
a base, foi identificado uma lesão da túnica albugínea.
A uretra apresentava lesão de 0,5 cm adjacente à lesão
do corpo cavernoso, bem evidente após tentativa de cateterismo
uretral (Figura-2). Foi realizado esvaziamento dos coágulos e síntese
da túnica albugínea com fio absorvível de poliglactina
2-0 pontos separados e fio poliglactina 5-0 na lesão uretral. A
introdução do cateter auxiliou, também, no reparo
da lesão servindo como molde. Deixado uma sonda uretral
18F por 4 dias e uma cistostomia por 14 dias.
O
paciente, atualmente, encontra-se totalmente assintomático, decorridos
16 meses da cirurgia. Apresenta micção espontânea
sem nenhum sintoma obstrutivo e função erétil preservada.
DISCUSSÃO
A
fratura de pênis ou rotura de corpo cavernoso é um trauma
genital raro, sendo descrito, aproximadamente, 200 casos (2,3). De acordo
com um estudo recente, apenas 100 casos teriam sido publicados até
1988 (3). A lesão uretral associada é ainda mais infreqüente,
ocorrendo em 10% dos casos (2,3). Acreditamos que muitos pacientes com
fratura de pênis sequer procuram auxílio médico por
constrangimento ou medo.
Esta lesão está sempre associada
ao pênis no estado ereto, provavelmente devido a rigidez e ao adelgaçamento
da túnica albugínea durante a ereção, de 2
mm para 0,5 mm (2). A lesão apresenta-se como um estalido com rápida
detumescência seguida de dor, edema peno-escrotal e equimose. Nos
casos com lesão de uretra associada, geralmente, está presente
sangue no meato uretral externo e dificuldade para urinar (Figura-1).
O tratamento ideal da fratura peniana tem
sido controverso. Até meados deste século, defendia-se a
utilização de gelo, analgésicos e antibióticos
(3). Aproximadamente 10% dos pacientes tratados desta maneira conservadora
evoluíam com curvatura peniana importante. No entanto, a maioria
dos trabalhos mais atuais advoga a exploração cirúrgica
o mais breve possível (1,2). As vantagens da cirurgia reparadora
são: curto período de internação hospitalar,
menor índice de infecção e menor chance de desenvolver
deformidade peniana. Nos casos com lesão de uretra a maioria dos
autores sugere a correção cirúrgica imediata, através
da re-anastomose ou da sutura com pontos absorvíveis. No caso acima
descrito, a rotura da uretra não foi completa e, por isso, mais
fácil de reparar. A exploração imediata com sutura
da lesão uretral com fio absorvível proporcionou uma perfeita
cicatrização sem seqüelas urinárias em longo
prazo.
O caso aqui descrito reitera a importância
no diagnóstico da fratura de corpo cavernoso quando associado a
lesão da uretra peniana. Para um adequado restabelecimento da função
erétil sem seqüelas é necessária a intervenção
cirúrgica o mais precoce possível.
REFERÊNCIAS
- Uygur
MC, Gulerkaya B, Altug U, Germiyanoglu C, Erol D: 13 years experience
of penile fracture. Scand J Urol Nephrol, 31: 265-266, 1997.
- Tsang
T, Demby AM: Penile fracture with urethral injury. J Urol, 147: 466-468,
1992.
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Received: September 16, 1999
Accepted after revision: April 27, 2000
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